TEXTO
Trabalhadores do Brasil
Enquanto Zumbi trabalha cortando cana na zona da mata Pernambucana Olorô-Quê vende carne de segunda a segunda ninguém vive aqui com a bunda preta pra cima tá me ouvindo bem?
Enquanto a gente dança no bico da garrafinha Odé trabalha de segurança pegando ladrão que não respeita que não ganha o pão que o Tição amaçou honestamente enquanto Obatalá faz serviço pra muita gente não levanta um saco de cimento tá me ouvindo bem?
Enquanto o Olorum trabalha como cobrador de ônibus naquele transe infernal de trânsito Ossonhe sonha com um novo amor pra ganhar um passe ou dois na praça turbulenta do Pelô fazer sexo oral anal seja lá com quem for tá me ouvindo bem?
Enquanto Rainha Quelé limpa fossa de banheiro Sambongo bungo na lama isso parece que dá grana porque povo se junta e aplaude Sambongo na merda pulando de cima da ponte tá me ouvindo bem?
Hein seu branco safado?
Ninguém aqui é escravo de ninguém.
(FREIRE, Marcelino. Contos negreiros. Rio de Janeiro: Record, 2005. pp. 17-20)A caracterização das personagens que, no texto de Marcelino Freire, representam os trabalhadores do Brasil, constitui uma alusão a elementos de afirmação da cultura afrodescendente.
O elemento de identidade que caracteriza a maioria das personagens do texto é:
TEXTO:
Chiquinho Azevedo
(Gilberto Gil)
Chiquinho Azevedo
Garoto de Ipanema
Já salvou um menino
Na Praia, no Recife
Nesse dia Momó também estava com a gente
Levou-se o menino
Pra uma clínica em frente
E o médico não quis
Vir atender a gente
Nessa hora nosso sangue ficou bem quente
Menino morrendo
Era aquela agonia
E o doutor só queria
Mediante dinheiro
Nessa hora vi quanto o mundo está doente
Discutiu-se muito
Ameaçou-se briga
Doze litros de água
Tiraram da barriga
Do menino que sobreviveu finalmente
Muita gente me pergunta
Se essa estória aconteceu
Aconteceu minha gente
Quem está contando sou eu
Aconteceu e acontece
Todo dia por aí
Aconteceu e acontece
Que esse mundo é mesmo assim
No verso “Nessa hora vi quanto o mundo está doente”, do Texto, pode-se inferir que a doença do mundo está relacionada à predominância de valores:
TEXTO:
Chiquinho Azevedo
(Gilberto Gil)
Chiquinho Azevedo
Garoto de Ipanema
Já salvou um menino
Na Praia, no Recife
Nesse dia Momó também estava com a gente
Levou-se o menino
Pra uma clínica em frente
E o médico não quis
Vir atender a gente
Nessa hora nosso sangue ficou bem quente
Menino morrendo
Era aquela agonia
E o doutor só queria
Mediante dinheiro
Nessa hora vi quanto o mundo está doente
Discutiu-se muito
Ameaçou-se briga
Doze litros de água
Tiraram da barriga
Do menino que sobreviveu finalmente
Muita gente me pergunta
Se essa estória aconteceu
Aconteceu minha gente
Quem está contando sou eu
Aconteceu e acontece
Todo dia por aí
Aconteceu e acontece
Que esse mundo é mesmo assim
No verso “Aconteceu e acontece”, no Texto, a repetição do verbo indica que a conclusão do texto se faz por uma transição entre:
TEXTO
João do Amor Divino
39 anos de batalha, sem descanso, na vida
19 anos, trapos juntos, com a mesma rapariga
09 bocas de criança para encher de comida
Mais de mil pingentes na família para dar guarita
Muita noite sem dormir na fila do INPS
Muita xepa sobre a mesa, coisa que já não estarrece
Todo dia um palhaço dizendo
que Deus dos pobres nunca esquece
E um bilhete, mal escrito,
Que causou um certo interesse
"É que meu nome é
João do Amor Divino de Santana e Jesus
Já entreguei, num güento mais,
O peso dessa minha cruz"
Sentado lá no alto do edifício
Ele lembrou do seu menor,
Chorou e, mesmo assim, achou que
O suicídio ainda era melhor
E o povo lá embaixo olhando o seu relógio
Exigia e cobrava a sua decisão
Saltou sem se benzer
por entre aplausos e emoção
Desceu os 7 andares num silêncio
de quem já morreu
Bateu no calçadão e de repente
Ele se mexeu
Sorriu e o aplauso em volta muito mais cresceu
João se levantou e recolheu a grana
Que a platéia deu
Agora ri da multidão executiva quando grita:
"Pula e morre, seu otário"
Pois como tantos outros brasileiros,
É profissional de suicídio
E defende muito bem o seu salário
(GONZAGINHA. Gonzaguinha da Vida. CD EMI/Odeon, 1979. Faixa 1)Na primeira estrofe do Texto, o elemento da narrativa que intensifica e reitera a informação sobre a gravidade da condição do protagonista é:
Leia a letra da canção abaixo para responder à questão proposta:
Joia
Beira de mar
Beira de mar
Beira de maré na América do Sul
Um selvagem levanta o braço
Abre a mão e tira um caju
Um momento de grande amor
De grande amor
Copacabana
Copacabana
Louca total e completamente louca
A menina muito contente
Toca a coca-cola na boca
Um momento de puro amor
De puro amor.
A letra da canção “Joia”, de Caetano Veloso, tem o poder de representar algumas das aproximações que o Tropicalismo procurou promover entre espaços, tempos e referenciais culturais distintos, com o intuito de provocar uma reflexão acerca do caráter híbrido da formação cultural brasileira.
Marque a única alternativa em que a afirmação sobre as funções dos elementos da linguagem da canção esteja INCORRETA:
Leia o poema abaixo para responder à questão:
Meu povo, meu poema
Meu povo e meu poema crescem juntos
como cresce no fruto
a árvore nova
No povo meu poema vai nascendo
como no canavial
nasce verde o açúcar
No povo meu poema está maduro
como o sol
na garganta do futuro
Meu povo em meu poema
se reflete
como a espiga se funde em terra fértil
Ao povo seu poema aqui devolvo
menos como quem canta
do que planta
Marque a alternativa INCORRETA a respeito do poema acima:
A televisão
(Arnaldo Antunes, Marcelo Fromer e Tony Belloto)
A televisão
Me deixou burro
Muito burro demais
Oh! Oh! Oh!
Agora todas coisas
Que eu penso
Me parecem iguais
Oh! Oh! Oh!
O sorvete me deixou gripado
Pelo resto da vida
E agora toda noite
Quando deito
É boa noite, querida
Oh! Cride, fala pra mãe
Que eu nunca li num livro
Que o espirro
Fosse um vírus sem cura
Vê se me entende
Pelo menos uma vez
Criatura!
Oh! Cride, fala pra mãe!
A mãe diz pra eu fazer
Alguma coisa
Mas eu não faço nada
Oh! Oh! Oh!
A luz do sol me incomoda
Então deixa
A cortina fechada
Oh! Oh! Oh!
É que a televisão
Me deixou burro
Muito burro demais
E agora eu vivo
Dentro dessa jaula
Junto dos animais
Oh! Cride, fala pra mãe
Que tudo que a antena captar
Meu coração captura
Vê se me entende
Pelo menos uma vez
Criatura!
Oh! Cride, fala pra mãe!
Titãs. Televisão. Lp. Gravadora WEA, 1985.As estrofes 1 e 5 do textopermitem afirmar que a inteligência do sujeito está, respectivamente, relacionada:
Releia o parágrafo a seguir:
Interessante notar que quanto maior o gasto de energia, em atividades físicas habituais, maiores serão os benefícios para a saúde. Porém, as maiores diferenças na incidência de doenças ocorrem entre os indivíduos sedentários e os pouco ativos. Entre os últimos e aqueles que se exercitam mais, a diferença não é tão grande. Assim, não é necessária a prática intensa de atividade física para que se garantam seus benefícios para a saúde. O mínimo de atividade física necessária para que se alcance esse objetivo é de mais ou menos 200Kcal/dia. Dessa forma, atividades que consomem mais energia podem ser realizadas por menos tempo e com menor frequência, enquanto aquelas com menor gasto devem ser realizadas por mais tempo e/ou mais frequentes.
A partir da leitura do parágrafo, pode-se concluir que
TEXTO:
Chiquinho Azevedo
(Gilberto Gil)
Chiquinho Azevedo
Garoto de Ipanema
Já salvou um menino
Na Praia, no Recife
Nesse dia Momó também estava com a gente
Levou-se o menino
Pra uma clínica em frente
E o médico não quis
Vir atender a gente
Nessa hora nosso sangue ficou bem quente
Menino morrendo
Era aquela agonia
E o doutor só queria
Mediante dinheiro
Nessa hora vi quanto o mundo está doente
Discutiu-se muito
Ameaçou-se briga
Doze litros de água
Tiraram da barriga
Do menino que sobreviveu finalmente
Muita gente me pergunta
Se essa estória aconteceu
Aconteceu minha gente
Quem está contando sou eu
Aconteceu e acontece
Todo dia por aí
Aconteceu e acontece
Que esse mundo é mesmo assim
A letra da canção de Gilberto Gil, apresentada como Texto, caracteriza-se, predominantemente, por:
Leia o poema “Namorados” de Manuel Bandeira (1886-1968).
O rapaz chegou-se para junto da moça e disse:
– Antônia, ainda não me acostumei com o seu corpo, com
[a sua cara.
A moça olhou de lado e esperou.
– Você não sabe quando a gente é criança e de repente
[vê uma lagarta listada?
A moça se lembrava:
– A gente fica olhando...
A meninice brincou de novo nos olhos dela.
O rapaz prosseguiu com muita doçura:
– Antônia, você parece uma lagarta listada.
A moça arregalou os olhos, fez exclamações.
O rapaz concluiu:
– Antônia, você é engraçada! Você parece louca.
Verifica-se a ocorrência de personificação no seguinte verso: