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PortuguêsUVA2015

TEXTO

[1] Antes de partir para os castanhais havia muito tempo que tal fato não se dera, a não ser em alguma tarde

chuvosa. O Valadão, o vereador João Carlos, o juiz municipal e outros que não frequentavam a loja do Costa

e Silva, inficionada de heresia maçônica pela presença do professor Chico Fidêncio, vinham todas as tardes à

porta da coletoria trazer as novidades do dia e conhecer a opinião do dono da casa, levando a dedicação ao

[5] ponto de ali ficarem palestrando quando o coletor, a pretexto da necessidade de comprar alguma coisa, fazia

uma investida ao antro do maçonismo, para mostrar àquele patife do Fidêncio que não tinha medo das suas

críticas ferinas.

Mas agora, depois da volta dos castanhais, o capitão Mendes da Fonseca, sentado na sua cadeira de

braços, fumando gravemente no seu cachimbo de taquari, notava a falta dos amigos, e não podia deixar de a

[10] relacionar com as notícias trazidas pelo Belém, e que ameaçavam claramente o seu prestígio e a sua posição

na sociedade de Silves.

(SOUSA, Inglês de. O Missionário. São Paulo: Martin Claret, 2010. p. 222).

A expressão “... críticas ferinas.” (linha 07) é um exemplo de:

PortuguêsUVA2017

TEXTO

[1] José Roberto e Sebastião Campos serviam às senhoras, acompanhando com uma pilhéria cada prato que lhes

ofereciam. Raimundo pediu dispensa do chá, com medo do Freitas que lhe abrira um lugar ao lado do seu.

Ouviu-se mastigar as torradas e sorver, aos golinhos, o chocolate quente.

– Doutor, exclamou o cônego, procurando espetar com o garfo uma fatia de um bolo de tapioca. Prove ao

[05] menos do nosso “Bolo do Maranhão”. Também o chamam por aí “Bolo podre”. Prove, que isto não há fora de cá...

é uma especialidade da terra!

– Não é mau... disse Raimundo, fazendo-lhe a vontade. Muito saboroso, mas parece-me um tanto pesado...

– É de substância! acrescentou Maria Bárbara. Faz-se de tapioca de forno e ovos.

– D. Bibina! chamou Ana Rosa, apontando para os beijus. São fresquinhos...

[10] Amância, com a boca cheia, dizia baixo a Maria do Carmo:

– Pois, minha amiga, quando precisar de missa com cerimônia, não tem mais do que se entender com o padre

que lhe digo... É muito pontual e contenta-se com o que a gente lhe dá! Est’r’o dia apanhou-me dezoito mil- réis

por uma missinha cantada, mas também podia se ver a obra que o homem apresentou!.. Pois então! Há de dar

uma criatura seus cobrinhos, que, tanto custam a juntar, a muito padre, como há por aí, desses que, mal chegam

[15] ao altar, estão pensando no almoço e na comadre?... Deus te livre, credo! Até pesa na consciência de um cristão!

– Como o padre Murta!... lembrou a outra.

– Oh! Esse, nem se fala! Às vezes, Deus me perdoe! nos enterros, até se apresenta bêbado!

(AZEVEDO, Aluísio. O mulato. 8ª ed. São Paulo: Ática, 1988. p.60).

A expressão ‘cobrinhos’, em “Há de dar uma criatura seus cobrinhos...” (linhas 13 e 14), é um exemplo de:

PortuguêsUVA2016

TEXTO

[1] No pavimento térreo, ao lado esquerdo, havia na casa das Laranjeiras uma varanda de estilo campestre,

decorada com palmeiras vivas e corbelhas de parasitas.

Servia de sala de bilhar, e aí costumava Aurélia e o marido passarem a tarde, quando o tempo não

convidava ao passeio no jardim.

[5] Aí foi Seixas encontrar dois grandes quadros, colocados nos respectivos cavaletes. Na tela viam-se

esboços de dois retratos, o de Aurélia, e o seu, que um pintor notável, êmulo de Vítor Meireles e Pedro

Américo, havia delineado à vista de alguma fotografia, para retocá-lo em face dos modelos.

Ao olhar interrogador do marido, Aurélia respondeu:

– É um ornato indispensável à sala.

[10] – Julga que seja indispensável? Parecia-me ao contrário inconveniente reproduzir ainda que seja por esse

modo, uma presença que tanto lhe deve importunar.

– Não se tira retrato d’alma. Felizmente!... observou Aurélia com o misterioso sorriso que desde certo

tempo acompanhava essas palavras de sentido recôndito.

Seixas prestou-se passivamente ao papel de modelo. As sessões à tarde tinham ficado reservadas para ele

[15] a fim de não estorvar-lhe o trabalho da repartição.

(ALENCAR, José de. Senhora. 34ª ed. São Paulo: Ática, 2005. pg. 160)

A expressão ‘Ao olhar interrogador do marido...” (linha 08) é um exemplo de:

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Sobre o emprego de vocabulário e seus possíveis sinônimos, assinale a alternativa que apresenta um sinônimo correspondente para a palavra empregada no texto, mantendo seu sentido original.

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Neandertais já usavam penicilina

Foi essa a descoberta de cientistas da Universidade da Austrália que analisaram as ossadas de dois neandertais que viveram há 48 mil anos na caverna de El Sidron (atual Espanha). Os dentes de um deles apresentavam sinais de cáries e tártaro – dentro do qual havia material genético pertencente a fungos do gênero Penicillium. É o mesmo fungo que o biólogo escocês Alexandre Fleming usou, em 1928, para criar o primeiro ________________. Segundo os pesquisadores, o neandertal provavelmente estava tentando se curar da dor de dente e se _________________ comendo plantas que continham penicilina.

Superinteressante, maio/2017, p. 27.

Selecione a alternativa que completa corretamente as lacunas, na ordem em que aparecem, de acordo com as normas do português corrente.

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Releia o período a seguir. “Provavelmente, enquanto houver guerra, haverá artistas cujas interpretações do campo de batalha são úteis para uma compreensão cultural do conflito.” O emprego do vocábulo “cujas” justifica-se

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O texto a seguir é referência para a questão.

O FILÓSOFO PETER GODFREY-SMITH EXPLORA A ORIGEM DA CONSCIÊNCIA ATRAVÉS DO ESTUDO DOS POLVOS

Peter Godfrey-Smith (Sydney, Austrália, 1965) narra com certa melancolia o momento em que soube que cefalópodes como os polvos e as sépias não vivem muito mais de dois anos. Depois de muito tempo mergulhando perto deles para estudar seu comportamento, havia descoberto que possuem mentes complexas, com curiosidade em relação ao mundo que os circunda e muita engenhosidade para se adaptar às circunstâncias. Parece que a evolução favoreceu uma vida curta e intensa, na qual esses animais se reproduzem logo e vivem rápido, para deixar tudo pronto antes de ser devorados por outros predadores. Esse filósofo da ciência da Universidade de Sydney considera um desperdício que não tenham existências mais prolongadas, como costuma acontecer com os vertebrados, a outra linha evolutiva em que surgiram as mentes.

Disponível em: < https://brasil.elpais.com/brasil/2017/12/08/ciencia/1512755911_098235.html>. Acesso em: 02/10/2019.

O acento grave, indicativo de crase, que ocorre no trecho “[...] com curiosidade em relação ao mundo que os circunda e muita engenhosidade para se adaptar às circunstâncias” justifica-se

PortuguêsUSF2019

Uma outra biologia

Escrito há dois milênios, o tratado de Aristóteles sobre os animais influenciou a anatomia de Cuvier e foi elogiado por Charles Darwin

Razões não faltam para ler a História dos animais 2 mil anos após sua redação. É um livro maravilhoso, que causa espanto e deleite em qualquer leitor interessado pelo assunto. A presença da palavra “história” no título não deve nos enganar: trata-se do uso antigo do termo, que significa “descrição”, e não necessariamente inclui a dimensão temporal que associamos a narrativas de caráter histórico. Mas pode-se dizer que as descrições de Aristóteles fazem as vezes de histórias, descrevendo os animais anatomicamente, traçando sua figura, relatando seus hábitos.

Pedro Paulo Pimenta. Quatro cinco um, abril/2018, p. 26.

As aspas podem ser empregadas, obedecendo-se às convenções de escrita, para indicar diferentes destaques em variados contextos.

No excerto de texto desta questão, as aspas foram empregadas para

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Veja a charge a seguir.

O efeito de sentido da charge é obtido pela combinação de linguagem verbal e não verbal.

No contexto da ilustração, essa combinação recorre à

PortuguêsUSF2019

Vida off-line x vida on-line

Em tempos de ânimos à flor da pele e de dicotomias políticas bastante extremas, percebe-se que a vida fora das telas dos computadores, das timeslines e dos smartphones estão cada vez mais raras. Vemos hoje uma tentativa de adaptação do mundo jurídico em um mundo portador de algumas ilegalidades “sem face”, onde autores de crimes como sexismo e xenofobia, passam a ser devidamente investigados e punidos. A Lei Carolina Dieckmann, que é como ficou conhecida a Lei Brasileira 12.737/2012, sancionada em 30 de novembro de 2012 pela ex presidente Dilma Rousseff, promoveu alterações no Código Penal Brasileiro (Decreto-Lei 2.848 de 7 de dezembro de 1940), tipificando os chamados delitos ou crimes informáticos.

Essa recente reeducação dos usuários da internet configura uma nova mudança de mentalidade que, gradativamente, condiciona a um uso mais responsável dessa ferramenta. Sobre os dois crimes descritos no texto é correto afirmar