AprendiAprendi
PortuguêsUNIFOR2019

Texto para aquestão

Mãos Dadas

Não serei o poeta de um mundo caduco.

Também não cantarei o mundo futuro.

Estou preso à vida e olho meus companheiros.

Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.

Entre eles, considero a enorme realidade.

O presente é tão grande, não nos afastemos.

Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,

não direi os suspiros ao anoitecer,

a paisagem vista da janela,

não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,

não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.

O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,

a vida presente.

ANDRADE, C Drummond. Obra Completa e Prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1974, p. 111.

Sobre o poema de Drummond, assinale a altenativa CORRETA

PortuguêsUNIFOR2018

TRISTEZA NO CÉU

No céu também há uma hora melancólica.

Hora difícil, em que a dúvida penetra as almas.

Por que fiz o mundo? Deus se pergunta

e se responde: Não sei.

Os anjos olham-no com reprovação,

e plumas caem.

Todas as hipóteses: a graça, a eternidade, o

Caem, são plumas.

Outra pluma, o céu se desfaz.

Tão manso, nenhum fragor denuncia

O momento entre tudo e nada,

ou seja, a tristeza de Deus.

DRUMMOND, Carlos. Obra Completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994.

Sobre o poema de Drummond assinale a altenativa INCORRETA:

PortuguêsUNIFOR2016

CRÔNICA DE UM AMOR ANUNCIADO

Martha Medeiros

Toda pessoa apaixonada é um publicitário em potencial. Não anuncia cigarros, hidratantes ou máquinas de lavar, mas anuncia seu amor, como se vivê-lo em segredo diminuísse sua intensidade. O hábito começa na escola. O caderno abarrotado de regras gramaticais, fórmulas matemáticas e lições de geografia, e lá, na última página, centenas de corações desenhados com caneta vermelha. Parece aula de ciências, mas é introdução à publicidade. Em breve se estará desenhando corações em árvores, escrevendo atrás da porta do banheiro e grafitando a parede do corredor: Suzana ama João. A partir de uma certa idade, a veia publicitária vai tornando-se mais discreta. Já não anunciamos nossa paixão em muros e bancos de jardim. Dispensa-se a mídia de massa e parte-se para o telemarketing. Contamos por telefone mesmo, para um público selecionado, as últimas notícias da nossa vida afetiva. Mas alguns não resistem em seguir propagando com alarde o seu amor. Colocam anúncios de verdade no jornal, geralmente nos classificados: Kika, te amo. Beto, volta pra mim. Everaldo, não me deixe por essa loira de farmácia. Joana, foi bom pra você também?

.........................

O amor é uma coisa íntima, mas todos nós temos a necessidade de torná-lo público. É a nossa vitória contra a solidão. Assim como as torcidas de futebol comemoram seus títulos com buzinaços, foguetório e cantorias, queremos também alardear nossa conquista pessoal, dividir a alegria de ter alguém que faz nosso coração bater mais forte. É por isso que, mesmo não sendo adepta do estardalhaço, me consterno por aqueles que amam escondido, amam em silêncio, amam clandestinamente. Mesmo que funcione como fetiche, priva o prazer de ter um amor compartilhado.

Disponível em: <http://pensador.uol.com.br/cronicas_de_marta_medeiros_sobre_amor/.>. Acesso em 15/10/2015.

Sobre as demonstrações da paixão, o texto expressa

PortuguêsUNIFOR2015

Considere a situação de comunicação abaixo:

“Um médico em conversa com um paciente de baixa escolaridade, em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA)”.

Selecione a alternativa que apresenta o texto mais adequado para o contexto relatado.

PortuguêsUNIFOR2015

O corpo é o lugar fantástico onde mora, adormecido, um universo inteiro. Como na terra moram adormecidos os campos e suas mil formas de beleza, e também as monótonas e previsíveis monoculturas; como na lagarta mora adormecida uma borboleta, e na borboleta, uma lagarta; como nos sapos moram príncipes e nos príncipes moram sapos; como em obedientes funcionários que fazem o que deles se pede moram Leonardos que voam por espaços sem fim dos sonhos... Tudo adormecido... O que vai acordar é aquilo que a Palavra vai chamar. As palavras são entidades mágicas [...] que despertam os mundos que jazem dentro dos nossos corpos, num estado de hibernação, como sonhos. Nossos corpos são feitos de palavras... Assim podemos ser príncipes ou sapos, borboletas ou lagartas, campos selvagens ou monoculturas, Leonardos ou monótonos funcionários.

(ALVES, Rubens. A alegria de ensinar. 3. ed. s.n. Ars Poética Editora Ltda, 1994.)

Rubem Alves, ao se reportar à força da palavra na construção de significados à vida humana, produz um texto cuja linha de raciocínio da tese, dos argumentos e da conclusão podem ser expressos, respectivamente, pelas figuras de linguagem:

PortuguêsUNIFOR2019

Leia a tirinha abaixo:

Relacionando a frase e as imagens presentes na tirinha, está correto afirmar, segundo o texto, que:

PortuguêsUNIFOR2014

Podemos inferir o que provoca o riso no quadrinho é:

PortuguêsUNIFOR2017

Texto I

Alguns conseguem se adaptar às novas tecnologias e ao novo ambiente econômico, mas se perdem no tocante ao sentido da vida. Sem sentido ou com um sentido de vida ainda confuso, se perdem em uma vida marcada pela corrida sem fim pelo sucesso que gera ansiedade, angústia, agressividade e outras formas de desumanização. O sucesso econômico aparece muitas vezes como sinônimo de qualidade de vida, de uma vida bem sucedida, e, com isso, a própria noção de qualidade é a noção de boa vida por uma vida de conforto excesso.

Texto II

Realmente os seres vivos em geral precisam somente da conservação da autopoiese e da adaptação ao meio para se manter vivos. Mas, o Homo sapiens é uma espécie “rara”, que precisa de algo mais. Nós humanos não queremos estar somente vivos, necessitamos sentir que vale a pena viver. Necessitamos de um sentido de vida que faça as pequenas coisas que compõem o nosso dia-a-dia terem sentido e valor.

(SUNG, Jung Mo. Educar para reencantar a vida. 2.ed. Rio de Janeiro: Vozes, 2007)

Percebe-se ao analisar a relação entre o texto I e o texto II:

PortuguêsUNIFOR2017

– Então, o senhor sofre de reumatismo?

– É claro. O que o senhor queria? Que eu usufruísse do reumatismo, que eu desfrutasse do reumatismo, que eu fruísse do reumatismo, que eu gozasse o reumatismo?

Fonte: Platão e Fiorin. Lições de texto. São Paulo: Ática, 2010.

Os textos de humor fazem largo uso da dupla possibilidade de leitura. Marque a opção em que se encontra o recurso humorístico utilizado no texto.

PortuguêsUNIFOR2018

O EVANGELHO CONTADO POR UM CEARENSE

Jesus entrou numa jangada e os discípulos não contaram pipoca. Entraram também. Um dos apóstolosainda cochichou um colega:

—Diabeisso, macho? Que foi que o ômi inventou agora?

—Sei não, macho. Sei que eu tô é dento!

Jesus armou logo uma tipoia lá atrás e deitou-se. Com todo mundo embarcado, o jangadeiro arrochou o nó pra dentro dágua.

Só que, mais na frente, deu o maior bode. Caiu um toró daqueles, de matar sapo afogado. E aí o mar ¿cou valente. As ondas lavando por cima da jangada, direto. De vez em quando vinha uma e assungava a jangada, que a bicha parecia que ia se desmantelar toda. Depois embiocava de novo num buraco de mar.

Os discípulos se aperrearam:

—Vixe!

—Valei-me, meu Deus!

—Agora pronto!

Enquanto isso, Jesus não dava nem as horas. Tirando o maior ronco, lá na rede.

Até que um dos discípulos, abriu dos pau e foi até Jesus, pedindo penico:

—Meste! Meste! O a boca quente que nós tamo, meste! A gente em tempo de se lascar aqui e o sinhô ¿ca e dormino?

Jesus queimou ruim:

—Vocês são um magote de mamanaégua mermo! Não aguentam uma lebrina!

Aí, olhou no rumo do céu e passou o maior carão:

—Vamo parar com esse chafurdo aí, que eu inda quero dormir até umas horas! Quer chover, vã chover lá na caxaprego!

E a chuva e a ventania se aquietaram que foi uma beleza. A nuvenzona preta, que estava em cima deles botou o rabo entre as pernas, chega saiu murcha.

Jesus foi dormir de novo e os discípulos (',caram naquele zum-zum-zum baixinho:

—Égua, macho, o homi botô foi quente...

—O chefe aí é invocado mermo... Num abre nem prum trem carregado de pólvora...

—Com um doido em cima, fumano...

(MATEUS, 8; 23-27 - adaptado)

Observando a linguagem utilizada, pode-se afirmar que