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PortuguêsUFGD2020

UMA MARIA QUARQUÉ
Kennya Silva


Eu sô uma Maria quarqué.
Uma dessas muié, qui vivi na roça,
qui viaja di carroça, di cavalo ou a pé.


Eu sô uma maria quarqué.
Dessas que acorda cedin, faz o bolo i o café, cuida
da casa du quintá,
dus bichin dos animá, qui sustenta o brasí di pé.


Eu sô uma maria quarqué
qui tira o leite da vaquinha, cuida das prantas i
das galinhas, sô maria muié de fé. Sô maria forte,
sô du su ou sô do norti num importa o lugar, in
quarqué parti du praneta ixisti uma Maria cuma
eu, qui luta cum fé i coragi na lida qui Deus lhe
deu.


Eu Sô uma Maria quarqué
Num sei falar ingrêz, num intendo di moda, uso
xita i xadrez,
Sô diferente di ocês, mas isso num mi incomoda.


Eu sô uma Maria quarqué
di vêz inguanto vô na cidade, inté cumpriendo seu
valô.
mais é aqui no mato qui tenho felicidade, sô
bonita do meu jeito também tenho vaidade.


Eu sô uma Maria quarqué
Sô da roça sim sinhô, sô caipira cum orguio, mas
trabaio cum amor.


Eu sô uma Maria quarqué.
qui só usei esse papé, pra chamar sua atenção pra
fazer ocê oiá ,cum o zói du coração pras tantas
Marias quaisquer, que vivem de realidade, que
retratam o amor à vida e a fé, que só desejam
ser respeitadas ao longo dessa jornada no seu
ranchinho de sapé.

Disponível em: http://www.agricultura.gov.br/noticias/produtora-rural-do-interiordo-para-traduz-em-poesia-os-desafios-das-mulheres-rurais. Acesso em: 23 set. 2019 (Adaptado).

Considerando esse texto e a variação linguística apresentada, assinale a alternativa correta.

PortuguêsUFGD2022

Leia um trecho de O arquivo, de Victor Giudice.

No fim de um ano de trabalho, joão obteve uma redução de quinze por cento em seus vencimentos. joão era moço. Aquele era seu primeiro emprego.

Não se mostrou orgulhoso, embora tenha sido um dos poucos contemplados. Afinal, esforçara-se. Não tivera uma só falta ou atraso. Limitou-se a sorrir, a agradecer ao chefe.

No dia seguinte, mudou-se para um quarto mais distante do centro da cidade. Com o salário reduzido, podia pagar um aluguel menor.

Passou a tomar duas conduções para chegar ao trabalho. No entanto, estava satisfeito. Acordava mais cedo, e isto parecia aumentar-lhe a disposição.

Dois anos mais tarde, veio outra recompensa. [...]

GIUDICE, Victor. O arquivo. Disponível em: http://victorgiudice.com/contos.html. Acesso em: 23 out. 2021 (fragmento).

Com relação às características do gênero textual em análise, é correto afirmar que O arquivo apresenta

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Leia o excerto a seguir, de A metamorfose, de Franz Kafka.

– Queridos pais – disse a irmã e como introdução bateu com a mão na mesa –, assim não pode continuar. Se vocês acaso não compreendem, eu compreendo. Não quero pronunciar o nome do meu irmão diante desse monstro e por isso digo apenas o seguinte: precisamos tentar nos livrar dele. Procuramos fazer o que é humanamente possível para tratálo e suportá-lo e acredito que ninguém pode nos fazer a menor censura.

– Ela tem mil vezes razão – disse o pai consigo mesmo.

A mãe, que ainda não podia respirar direito, começou a tossir, em som surdo, com a mão espalmada, com uma expressão alucinada nos olhos.

A irmã correu até a mãe e segurou-lhe a testa. O pai, que através da irmã parecia ter chegado a pensamentos mais definidos, havia se sentado em posição ereta e ficou brincando com o quepe de funcionário entre os pratos do jantar dos inquilinos que ainda jaziam sobre a mesa; de vez em quando olhava para Gregor, que estava quieto.

– Precisamos nos livrar disso – disse então a irmã exclusivamente ao pai.

KAFKA, Franz. A metamorfose. Tradução Modesto Carone. São Paulo: Companhia das Letras, 2004, pp. 74-75.

Com base no excerto, assinale a alternativa correta.

PortuguêsUFGD2020

ANTES DO NOME

Adélia Prado

Não me importa a palavra, esta corriqueira.
Quero é o esplêndido caos de onde emerge a sintaxe,
os sítios escuros onde nasce o «de», o «aliás», o
«o», o «porém» e o «que», esta incompreensível
muleta que me apoia.
Quem entender a linguagem entende Deus
cujo Filho é Verbo. Morre quem entender.
A palavra é disfarce de uma coisa mais grave, surdamuda,
foi inventada para ser calada.
Em momentos de graça, infrequentíssimos,
se poderá apanhá-la: um peixe vivo com a mão.
Puro susto e terror

Disponível em: http://www.citador.pt/poemas/antes-do-nome-adelia-prado. Acesso em: 11 set. 2019.

Com base nesse poema de Adélia Prado, é correto afirmar que

PortuguêsUFGD2020

Segundo Will Eisner, a linguagem dos quadrinhos é definida como gênero híbrido e arte sequencial.

Com base na tirinha, assinale a alternativa correta.

PortuguêsUFGD2022

Com base na tirinha Mamu e Le Fan, de autoria de Digo Freitas, assinale a alternativa correta.

PortuguêsUFGD2017

Leia a seguinte tirinha do humorista/ cartunista Quino:

Assinale a alternativa que melhor discute o efeito de humor contido na tirinha:

PortuguêsUFGD2018

Leia o seguinte excerto.

E bastava batesse no campo o pio de uma perdiz magoada, ou viesse do mato a lália lamúria dos tucanos, para o jumento mudar de rota, pendendo à esquerda ou se empescoçando para a direita; e, por via de um gavião casaco-de-couro cruzar-lhe à frente, já ele estacava, em concentrado prazo de irresolução.

ROSA, João Guimarães. A hora e a vez de Augusto Matraga. In: ___ Sagarana. 38. ed.Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984. Pp. 339-386.

Assinale a alternativa que contém palavra formada pelo mesmo processo de formação do verbo “empescoçar”.

PortuguêsUFGD2022

AS SINHÁS PRETAS DA FOLHA

Começo a ler o artigo e pauso. Verifico a data do jornal: não é o século 19.

Thiago Amparo

Abro este jornal. Nele, um artigo sobre "negras prósperas no ápice da escravidão". Eu pauso. Verifico a data do jornal: não é o século 19. Continuo a leitura. O autor promete "complicar as narrativas de ativistas"; afirma que a "culpada é a época e seus valores diferentes dos nossos"; e que nos traria "maturidade e conciliação" com as "lindas histórias de vida das sinhás pretas".

Munido da falácia reacionária que lhe é característica, Narloch usa histórias individuais para mascarar a brutalidade do seu argumento: legitimar a escravidão ao relativizá-la. Imagino como se sentiriam as escravas diariamente estupradas lendo seu texto; ou os escravos doentes jogados ao mar: faltou-lhes capitalismo?

É peculiar da branquitude discutir o horror tomando chá: imagino as horas que serão gastas para se debater, com calma, se a linha editorial da barbárie foi ou não cruzada. Não há zona cinzenta aqui. O problema não é fazer referência a "negras minas" — que eventualmente enriqueceram — ou a outras figuras históricas, o problema é, de forma ao mesmo tempo risível e desonesta, utilizá-las para suavizar a brutalidade da escravidão.

O que está em jogo é se a pluralidade que este jornal preza inclui racismo. Jornais são documentos históricos: eu me reservo a dignidade derradeira de dizer com todas as letras que a coluna de Leandro Narloch é racista; que publicá-la faz do jornal conivente; e que em algum momento a corda do pluralismo esticou a tal ponto que nos enforcará.

Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/thiago-amparo/2021/09/as-sinhas-pretas-da-folha.shtml?origin=uol . Acesso em: 15 out. 2021 (adaptado).

Assinale a alternativa que apresenta a análise correta sobre o texto.

PortuguêsUFGD2017

Era um sonho dantesco... o tombadilho

Que das luzernas avermelha o brilho.

Em sangue a se banhar.

Tinir de ferros... estalar de açoite...

Legiões de homens negros como a noite,

Horrendos a dançar...

Negras mulheres, suspendendo às tetas

Magras crianças, cujas bocas pretas

Rega o sangue das mães:

Outras moças, mas nuas e espantadas,

No turbilhão de espectros arrastadas,

Em ânsia e mágoa vãs!

E ri-se a orquestra irônica, estridente...

E da ronda fantástica a serpente

Faz doudas espirais ...

Se o velho arqueja, se no chão resvala,

Ouvem-se gritos... o chicote estala.

E voam mais e mais...

Presa nos elos de uma só cadeia,

A multidão faminta cambaleia,

E chora e dança ali!

Um de raiva delira, outro enlouquece,

Outro, que martírios embrutece,

Cantando, geme e ri!

No entanto o capitão manda a manobra

E após fitando o céu que se desdobra

Tão puro sobre o mar

Diz do fumo entre os densos nevoeiros:

“Vibrai rijo o chicote, marinheiros!

Fazei-os mais dançar!”

E ri-se a orquestra irônica, estridente...

E da ronda fantástica a serpente

Faz doudas espirais...

Qual num sonho dantesco as sombras voam!

Gritos, ais, maldições, preces ressoam!

E ri-se Satanás!...

ALVES, Castro. Navio Negreiro. Editora Virtual Books Online M&M Editores Ltda: 2000. (Canto IV)

Assinale a alternativa na qual as palavras que rimam pertencem a classes gramaticais diferentes: