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PortuguêsFGV-SP2016

Texto para aquestão

Por que o senhor não escreve coisas poéticas, soltas, gostosas? As crônicas, antigamente, nos deixavam mais leves, de bem com a vida e o mundo. Agora, tudo o que a gente lê nos leva para baixo. Está difícil de suportar. Escrevo na manhã de um domingo. Sete horas. Aquele sol que nos tem castigado, começava a dar sinais de ardência profunda. Olhei pela porta de vidro do terraço e descobri, maravilhado e feliz, que a pitangueira plantada em vaso, que chegou há dois anos, estava repleta de frutos vermelhos, reluzentes, envernizados. Os primeiros. Fiquei admirado. Os pássaros não tinham descoberto? Aquelas frutinhas tinham se salvado? Chupei uma, duas três, queria todas, mas precisava guardar para a família, afinal, eram as primeiras. Pitanga, coisa de infância, do interior. Uma das frutas mais sofisticadas do Brasil, a meu ver. Antigamente, quando viajávamos pela Varig, ao sair do Recife, recebíamos um copo de suco fresco de pitanga, perfumado. Dia desses, Maria Eduarda, amiga pernambucana, me disse: “Você está chegando aqui, sabemos que gosta de vinhos. Que vinho prefere?”. E eu: “Nenhum! Quero suco de pitanga”. Maria Eduarda: “Pois vai tomar das pitangas do pomar de meu pai, Cornélio”. Foi uma celebração!

Esta é a pitada de poesia que encontrei neste momento. Mas ficaram em minha mente essas perguntas cotidianas que todos estão fazendo. Ouço no dia a dia, pela manhã ao comprar o pão e o leite, no supermercado, no bar, numa escola, na livraria, ao entrar no cinema. Ouvi agora, ao percorrer cinco cidades do litoral (...). Jovens e mais velhos, acreditando que o escritor tem as respostas, me olhavam: “O senhor acha que a gente sai dessa?”. Só consegui dizer: “Não sei e acho que ninguém sabe”.

Ignácio de Loyola Brandão, O Estado de S. Paulo, 02/10/2015.

Está de acordo com o texto a seguinte afirmação:

PortuguêsFGV-SP2017

Texto para aquestão

(....) Sou um ignorante, um pobre homem da cidade. Mas eu tinha razão.
Ele cresceu, está com dois metros, lança suas folhas além do muro e é um
esplêndido pé de milho. Já viu o leitor um pé de milho? Eu nunca tinha visto.
Tinha visto centenas de milharais - mas é diferente.

[5] Um pé de milho sozinho, em um canteiro espremido, junto do portão,
numa esquina de rua - não é um número numa lavoura, é um ser vivo e
independente. Suas raízes roxas se agarram no chão e suas folhas longas e
verdes nunca estão imóveis. Detesto comparações surrealistas - mas na lógica
de seu crescimento, tal como vi numa noite de luar, o pé de milho parecia um

[10] cavalo empinado, de crinas ao vento e em outra madrugada, parecia um galo
cantando.
Anteontem aconteceu o que era inevitável, mas que nos encantou como
se fosse inesperado: meu pé de milho pendoou. Há muitas flores lindas no
mundo, e a flor de milho não será a mais linda. Mas aquele pendão firme,

[15] vertical, beijado pelo vento do mar, veio enriquecer nosso canteirinho vulgar
com uma força e uma alegria que me fazem bem. É alguma coisa
que se afirma com ímpeto e certeza. Meu pé de milho é um belo gesto da terra.
Eu não sou mais um medíocre homem que vive atrás de uma chata máquina
de escrever: sou um rico lavrador da rua Júlio de Castilhos
.
Rubem Braga, Um pé de milho.

Está correto o seguinte comentário acerca da construção do texto:

PortuguêsFGV-SP2020

Texto para aquestão


O RETIRANTE RESOLVE APRESSAR OS PASSOS PARA CHEGAR LOGO AO RECIFE


—Nunca esperei muita coisa,
digo a Vossas Senhorias.
O que me fez retirar
não foi a grande cobiça;
o que apenas busquei
foi defender minha vida
da tal velhice que chega
antes de se inteirar trinta;
se na serra vivi vinte,
se alcancei lá tal medida,
o que pensei, retirando,
foi estendê-la um pouco ainda.
Mas não senti diferença
entre o Agreste e a Caatinga,
e entre a Caatinga e aqui a Mata
a diferença é a mais mínima.

Está apenas em que a terra
é por aqui mais macia;
está apenas no pavio,
ou melhor, na lamparina:
pois é igual o querosene
que em toda parte ilumina,
e quer nesta terra gorda
quer na serra, de caliça,
a vida arde sempre com
a mesma chama mortiça.

João Cabral de Melo Neto, Morte e vida severina.

Considere as seguintes afirmações sobre o excerto:

I No início do texto, o pronome de tratamento “Vossas Senhorias” refere-se às autoridades civis, militares ou religiosas eventualmente presentes na apresentação teatral.

II Na segunda estrofe, o eu lírico faz uso do recurso expressivo da alegoria (metáfora expandida).

III No conjunto do texto, predomina o discurso de natureza argumentativa.

Está correto o que se afirma em

PortuguêsFGV-SP2018

Texto para aquestão

Em meio a múltiplas distrações digitais que tornam a atenção humana um bem escasso, conquistar o engajamento passou a ser um requisito indispensável para projetos bem sucedidos de educação continuada. Designers educacionais, programadores, ilustradores e roteiristas têm o desafio nada trivial de criar metodologias, ambientes de aprendizagem e técnicas narrativas que encantem o aprendiz sem lhe tomar muito tempo. Tecnologias digitais como realidade aumentada, experiências imersivas, internet das coisas e vídeos interativos estão ajudando a moldar o novo cenário da educação corporativa.

Valor, 31/01/2017

A prática de esportes é uma atividade exclusivamente privativa dos sócios do clube.

Nesta frase, o advérbio “exclusivamente” é supérfluo ou redundante, uma vez que a ideia que ele expressa já está contida no adjetivo “privativa”.

Esse tipo de redundância pode ser apontado na seguinte expressão do texto:

PortuguêsFGV-SP2020

Leia o texto para responder à questão.

São Paulo – Os olhos do Brasil e do mundo se voltam para a maior floresta tropical e maior reserva de biodiversidade da Terra. Milhares de mensagens de alerta em diferentes línguas circulam nas redes sociais com a hashtag #PrayForAmazonia. A razão não poderia ser pior: a Amazônia arde em chamas.

O bioma é o mais afetado pela maior onda de incêndios florestais no Brasil em sete anos. Não há novidade no fenômeno em si. A Amazônia sempre sofreu com queimadas ligadas à exploração de terra. Mas como isso chegou tão longe?

Segundo dados do Inpe, o número de focos de incêndio florestal aumentou 83% entre janeiro e agosto de 2019 na comparação com o mesmo período de 2018. Desde 1o de janeiro até a terça-feira [20.08.2019] foram contabilizados 74155 focos, alta de 84% em relação ao mesmo período do ano passado. É o número mais alto desde que os registros começaram, em 2013. A última grande onda é de 2016, com 66622 focos de queimadas nesse período.

Combinado a períodos de seca severa, o desmatamento e a prática de queimadas podem gerar um saldo final incendiário. O que causa estranheza aos especialistas nos eventos de 2019, porém, é que a seca não se mostra tão severa como nos anos anteriores e tampouco houve eventos climáticos extremos, como o El Niño, que justifiquem um aumento considerável nos focos de incêndio. Além disso, os tempos de seca mais severos ocorrem geralmente no mês de setembro. Ou seja: a mão do homem pesou, e muito, para a alta neste ano.

(Vanessa Barbosa. “Inferno na floresta: o que sabemos sobre os incêndios na Amazônia”. https://exame.abril.com.br, 23.08.2019. Adaptado.)

De acordo com o Dicionário Houaiss, a metonímia é uma “figura de retórica que consiste no uso de uma palavra fora de seu contexto semântico normal, por ter ela significação com alguma relação objetiva, de contiguidade, material ou conceitual, com o conteúdo ou o referente ocasionalmente pensado”.

Essa definição aplica-se à seguinte passagem do texto:

PortuguêsFGV-SP2014

CAPÍTULO XXI

Na estação de Vassouras, entraram no trem Sofia e o marido, Cristiano de Almeida e Palha. Este

era um rapagão de trinta e dois anos; ela ia entre vinte e sete e vinte e oito.

Vieram sentar-se nos dois bancos fronteiros ao do Rubião [...].

[Rubião] — O senhor é lavrador?

[5] [Palha] — Não, senhor.

[Rubião] — Mora na cidade?

[Palha] — De Vassouras? Não; viemos aqui passar uma semana. Moro mesmo na Corte. Não teria jeito

para lavrador, conquanto ache que é uma posição boa e honrada.

Da lavoura passaram ao gado, à escravatura e à política. Cristiano Palha maldisse o governo,

[10] que introduzira na fala do trono uma palavra relativa à propriedade servil; mas, com grande espanto

seu, Rubião não acudiu à indignação. Era plano deste vender os escravos que o testador lhe deixara,

exceto um pajem; se alguma coisa perdesse, o resto da herança cobriria o desfalque. Demais, a fala do

trono, que ele também lera, mandava respeitar a propriedade atual. Que lhe importavam escravos

futuros, se os não compraria? O pajem ia ser forro, logo que ele entrasse na posse dos bens. Palha

[15] desconversou, e passou à política, às câmaras, à guerra do Paraguai, tudo assuntos gerais, ao que

Rubião atendia, mais ou menos. Sofia escutava apenas; movia tão somente os olhos, que sabia bonitos,

fitando-os ora no marido, ora no interlocutor.

— Vai ficar na Corte ou volta para Barbacena? perguntou o Palha no fim de vinte minutos de

conversação.

[20] — Meu desejo é ficar, e fico mesmo, acudiu Rubião; estou cansado da província; quero gozar a

vida. Pode ser até que vá à Europa, mas não sei ainda.

Os olhos do Palha brilharam instantaneamente.

Machado de Assis, Quincas Borba.

Empregou-se o presente com ideia de futuro no seguinte excerto do texto:

PortuguêsFGV-SP2015

Leia o poema para responder à questão

Redundâncias

Ter medo da morte
é coisa dos vivos
o morto está livre
de tudo o que é vida


Ter apego ao mundo
é coisa dos vivos
para o morto não há
(não houve)
raios rios risos


E ninguém vive a morte
quer morto quer vivo
mera noção que existe
só enquanto existo

(Ferreira Gullar, Muitas vozes)

Em relação à oração – é coisa dos vivos –, os enunciados – Ter medo da morte – (1.ª estrofe) e – Ter apego ao mundo – (2.ª estrofe) exercem a função sintática de

PortuguêsFGV-SP2019

A divulgação dos dados econômicos relativos ________________ junho permite afirmar que ficaram para trás os efeitos diretos da greve dos caminhoneiros________________ a atividade e a inflação. Em vários setores, como comércio, serviços e indústria, as perdas decorrentes da paralisação, em maio, foram quase inteiramente recuperadas. Do mesmo modo, as variações nos preços de alimentos voltaram ________________ normalidade. O risco de novas quedas não está afastado, porém, dado que o ambiente financeiro permanece ________________ tensão desde o segundo trimestre. ________________ começar pelos juros, que estão em alta.

(Editorial. Folha de S.Paulo. 24.08.2018. Adaptado)

Em conformidade com a norma-padrão, as lacunas do texto devem ser preenchidas, respectivamente, com:

PortuguêsFGV-SP2015

Leia o texto para responder à questão

Nuvens contêm uma quantidade impressionante de água. Mesmo as pequenas podem reter um volume de 750 km3 de água e, se calcularmos meio grama de água por metro cúbico, essas minúsculas gotas flutuantes podem formar verdadeiros lagos voadores.

Imagine a situação de um agricultor que observa, planando sobre os campos ressecados, nuvens contendo água mais que suficiente para salvar sua lavoura e deixar um bom saldo, mas que, em vez disso, produzem apenas algumas gotas antes de desaparecer no horizonte. É essa situação desesperadora que leva o mundo todo a gastar milhões de dólares todos os anos tentando controlar a chuva.

Nos Estados Unidos, a tendência de extrair mais umidade do ar vem aumentando em mais um ano de secas severas. Em boa parte das planícies centrais e do sudoeste do país, os níveis de chuva, desde 2010, têm diminuído entre um e dois terços, com impacto direto nos preços do milho, trigo e soja. A Califórnia, fonte de boa parte das frutas e legumes que abastecem o país, ainda deve recuperar-se de uma seca que deixou seus reservatórios com metade da capacidade e áreas sem gelo perigosamente reduzidas. Em fevereiro, o Serviço Nacional do Clima divulgou que o estado tem uma chance em mil de se recuperar logo. Produtores de amêndoas estão preocupados com suas plantações por falta de umidade, e até a água potável está ameaçada.

(Scientific American Brasil, julho de 2014. Adaptado)

Em conformidade com a norma-padrão da língua portuguesa e sem alterar os sentidos do texto, a frase final pode ser reescrita da seguinte forma:

PortuguêsFGV-SP2019

Leia a tira para responder à questão.

Em conformidade com a norma ortográfica do português, as lacunas do terceiro quadrinho devem ser preenchidas, respectivamente, com os termos