Leia o texto para responder à questão.
O sertanejo, assoberbado de reveses, dobra-se, afinal.
Passa, certo dia, à sua porta, a primeira turma de “retirantes”. Vê-a, assombrado, atravessar o terreiro, miseranda, desaparecendo adiante numa nuvem de poeira, na curva do caminho... No outro dia, outra. E outras. É o sertão que se esvazia.
Não resiste mais. Amatula-se num daqueles bandos, que lá se vão caminho em fora, debruando de ossadas as veredas, e lá se vai ele no êxodo penosíssimo para a costa, para as serras distantes, para quaisquer lugares onde o não mate o elemento primordial da vida.
Atinge-os. Salva-se.
Passam-se meses. Acaba-se o flagelo. Ei-lo de volta. Vence-o saudade do sertão. Remigra. E torna feliz, revigorado, cantando; esquecido de infortúnios, buscando as mesmas horas passageiras da ventura perdidiça e instável, os mesmos dias longos de transes e provações demoradas.
(Euclides da Cunha. Os Sertões)Com as passagens “lá se vão caminho em fora, debruando de ossadas as veredas” (3° parágrafo) e “buscando as mesmas horas passageiras da ventura perdidiça e instável” (5° parágrafo), entende-se, respectivamente, que
Leia o madrigal de Silva Alvarenga para responder à questão.
Voai, suspiros tristes;
Dizei à bela Glaura o que eu padeço,
Dizei o que em mim vistes,
Que choro, que me abraso, que esmoreço.
Levai em roxas flores convertidos
Lagrimosos gemidos que me ouvistes:
Voai, suspiros tristes;
Levai minha saudade;
E, se amor ou piedade vos mereço,
Dizei à bela Glaura o que eu padeço.
Assinale a alternativa que reescreve corretamente os quatro últimos versos do poema, com alteração da interlocução, passando-a de “Vós” para “Vocês”.
Leia o texto para responder à questão.
São Paulo – Os olhos do Brasil e do mundo se voltam para a maior floresta tropical e maior reserva de biodiversidade da Terra. Milhares de mensagens de alerta em diferentes línguas circulam nas redes sociais com a hashtag #PrayForAmazonia. A razão não poderia ser pior: a Amazônia arde em chamas.
O bioma é o mais afetado pela maior onda de incêndios florestais no Brasil em sete anos. Não há novidade no fenômeno em si. A Amazônia sempre sofreu com queimadas ligadas à exploração de terra. Mas como isso chegou tão longe?
Segundo dados do Inpe, o número de focos de incêndio florestal aumentou 83% entre janeiro e agosto de 2019 na comparação com o mesmo período de 2018. Desde 1o de janeiro até a terça-feira [20.08.2019] foram contabilizados 74155 focos, alta de 84% em relação ao mesmo período do ano passado. É o número mais alto desde que os registros começaram, em 2013. A última grande onda é de 2016, com 66622 focos de queimadas nesse período.
Combinado a períodos de seca severa, o desmatamento e a prática de queimadas podem gerar um saldo final incendiário. O que causa estranheza aos especialistas nos eventos de 2019, porém, é que a seca não se mostra tão severa como nos anos anteriores e tampouco houve eventos climáticos extremos, como o El Niño, que justifiquem um aumento considerável nos focos de incêndio. Além disso, os tempos de seca mais severos ocorrem geralmente no mês de setembro. Ou seja: a mão do homem pesou, e muito, para a alta neste ano.
(Vanessa Barbosa. “Inferno na floresta: o que sabemos sobre os incêndios na Amazônia”. https://exame.abril.com.br, 23.08.2019. Adaptado.)Assinale a alternativa que atende à norma-padrão de concordância verbal.
Leia o texto para responder à questão.
O sertanejo, assoberbado de reveses, dobra-se, afinal.
Passa, certo dia, à sua porta, a primeira turma de “retirantes”. Vê-a, assombrado, atravessar o terreiro, miseranda, desaparecendo adiante numa nuvem de poeira, na curva do caminho... No outro dia, outra. E outras. É o sertão que se esvazia.
Não resiste mais. Amatula-se num daqueles bandos, que lá se vão caminho em fora, debruando de ossadas as veredas, e lá se vai ele no êxodo penosíssimo para a costa, para as serras distantes, para quaisquer lugares onde o não mate o elemento primordial da vida.
Atinge-os. Salva-se.
Passam-se meses. Acaba-se o flagelo. Ei-lo de volta. Vence-o saudade do sertão. Remigra. E torna feliz, revigorado, cantando; esquecido de infortúnios, buscando as mesmas horas passageiras da ventura perdidiça e instável, os mesmos dias longos de transes e provações demoradas.
(Euclides da Cunha. Os Sertões)Assinale a alternativa que atende à norma-padrão de colocação pronominal.
Leia o texto para responder à questão.
O sertanejo, assoberbado de reveses, dobra-se, afinal.
Passa, certo dia, à sua porta, a primeira turma de “retirantes”. Vê-a, assombrado, atravessar o terreiro, miseranda, desaparecendo adiante numa nuvem de poeira, na curva do caminho... No outro dia, outra. E outras. É o sertão que se esvazia.
Não resiste mais. Amatula-se num daqueles bandos, que lá se vão caminho em fora, debruando de ossadas as veredas, e lá se vai ele no êxodo penosíssimo para a costa, para as serras distantes, para quaisquer lugares onde o não mate o elemento primordial da vida.
Atinge-os. Salva-se.
Passam-se meses. Acaba-se o flagelo. Ei-lo de volta. Vence-o saudade do sertão. Remigra. E torna feliz, revigorado, cantando; esquecido de infortúnios, buscando as mesmas horas passageiras da ventura perdidiça e instável, os mesmos dias longos de transes e provações demoradas.
(Euclides da Cunha. Os Sertões)Considere as passagens:
- No outro dia, outra. (2° parágrafo);
- ... para quaisquer lugares onde o não mate... (3° parágrafo);
- Atinge-os. (4° parágrafo);
- Ei-lo de volta. (5° parágrafo).
Assinale a alternativa em que se indicam, correta e respectivamente, as expressões retomadas pelos termos destacados nas passagens.
Assinale a alternativa em que o trecho contém discurso indireto livre.
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Na virada do século, chegou o euro. Na prática, era como se o marco alemão mudasse de nome para “euro” e passasse a suprir o resto do continente (a maior parte dele, pelo menos). Parecia bom para todas as partes. Os governos dos países menos pibados passariam a receber os impostos dos seus cidadãos em euros, uma moeda garantida pelo PIB alemão. Impostos servem para pagar as dívidas dos governos – além da lagosta dos governantes. E agora os contribuintes pagavam em euros. Resultado: o mercado passou a emprestar para os países bagunçados da Europa a juros baixíssimos.
Aí choveu euro na periferia da Europa. A economia ali cresceu como nunca, mas os governantes gastaram como sempre. Além disso, não perceberam que seus países eram pequenos demais para suportar o peso de uma moeda forte.
Com os PIBs dos europobres caindo, a arrecadação deles diminuiu. Menos arrecadação, mais problemas para pagar dívidas. Aí tome mais dinheiro emprestado para ir rolando a pendura, só que agora a juros menos fofos.
(Superinteressante, agosto de 2015. Adaptado)Assinale a alternativa em que a referência ao PIB confere um sentido pejorativo ao enunciado, elaborado de acordo com a norma-padrão.
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O resgate do cocô
Há três mil anos, quando um chinês ia jantar na casa de um amigo, ele obrigatoriamente tinha que ir até o quintal desse amigo e fazer um “número dois” por lá mesmo. É que a etiqueta da época dizia que era feio comer na casa de alguém e não “devolver os nutrientes”. Faz tanto sentido que, atualmente, o arquiteto William Mc Donough e o químico Michel Braungart trabalham para trazer essa ideia de volta à moda, desenvolvendo e divulgando modos de produção circular, em que os resíduos – inclusive o cocô – são usados para criar novos produtos tão bons quanto os originais.
Baseados na proposta de Mc Donough e Braungart, pesquisadores do mundo inteiro têm procurado maneiras de aproveitar o nosso “número dois” de cada dia. Na cidade de Didcot, na Inglaterra, um projeto piloto já permite que 200 famílias aqueçam suas casas com biometano fabricado a partir de seu próprio cocô. Além de poupar o meio ambiente, eles economizam dinheiro. Uma ideia que cheira bem.
(Superinteressante, agosto de 2013. Adaptado)Assinale a alternativa correta quanto à pontuação.
Leia o texto para responder à questão.
Modos de xingar
— Biltre!
— O quê?
— Biltre! Sacripanta!
— Traduz isso para português.
— Traduzo coisa nenhuma. Além do mais, charro! Onagro!
Parei para escutar. As palavras estranhas jorravam do interior de um Ford de bigode. Quem as proferia era um senhor idoso, terno escuro, fisionomia respeitável, alterada pela indignação. Quem as recebia era um garotão de camisa esporte; dentes clarinhos emergindo da floresta capilar, no interior de um fusca. Desses casos de toda hora: o fusca bateu no Ford. Discussão. Bate-boca. O velho usava o repertório de xingamentos de seu tempo e de sua condição: professor, quem sabe? leitor de Camilo Castelo Branco.
Os velhos xingamentos. Pessoas havia que se recusavam a usar o trivial das ruas e botequins, e iam pedir a Rui Barbosa, aos mestres da língua, expressões que castigassem fortemente o adversário. Esse material seleto vinha esmaltar artigos de polêmica (polemizava-se muito nos jornais do começo do século), discursos políticos (nos intervalos do estado de sítio, é lógico) e um pouco os incidentes de calçada.
A maioria, sem dúvida, não se empenhava em requintes.
(Carlos Drummond de Andrade. “Modos de xingar”. As palavras que ninguém diz, 2011.)As passagens “— O quê?” (2° parágrafo) e “professor, quem sabe?” (6° parágrafo) são empregadas no texto para indicar, respectivamente:
Texto para aquestão
Capítulo XLVIII
Um primo de Virgília
- Sabe quem chegou ontem de São Paulo? perguntou-me uma noite Luís
Dutra.
Luís Dutra era um primo de Virgília, que também privava com as musas. Os
versos dele agradavam e valiam mais do que os meus; mas ele tinha
necessidade da sanção de alguns, que lhe confirmasse o aplauso dos outros.
Como fosse acanhado, não interrogava a ninguém; mas deleitava-se com
ouvir alguma palavra de apreço; então criava novas forças e arremetia
juvenilmente ao trabalho.
Pobre Luís Dutra! Apenas publicava alguma cousa, corria à minha casa, e
entrava a girar em volta de mim, à espreita de um juízo, de uma palavra, de
um gesto, que lhe aprovasse a recente produção, e eu falava-lhe de mil cousas
diferentes, -- do último baile do Catete, da discussão das câmaras, de
berlindas e cavalos, - de tudo, menos dos seus versos ou prosas. Ele respondia-
me, a princípio com animação, depois mais frouxo, torcia a rédea da conversa
para o assunto dele, abria um livro, perguntava-me se tinha algum trabalho
novo, e eu dizia-lhe que sim ou que não, mas torcia a rédea para o outro lado,
e lá ia ele atrás de mim, até que empacava de todo e saía triste. Minha
intenção era fazê-lo duvidar de si mesmo, desanimá-lo, eliminá-lo. E tudo isto
a olhar para a ponta do nariz...
As orações “Como fosse acanhado” e “Apenas publicava alguma cousa” expressam, respectivamente, ideia de