Examine a tirinha.
O efeito de humor da tirinha deriva, principalmente, da caracterização do comportamento de uma das personagens como
Examine a tirinha.
O efeito de humor da tirinha decorre, sobretudo, da relação de sentido entre os dois quadrinhos, a qual se caracteriza, principalmente, pela
Agora me digam: como é que, com tio-avô modinheiroparente de Castro Alves, com quem notivagava na Bahia; pai curtidor de um sarau musical, tocando violão ele próprio e depositário de canções que nunca mais ouvi cantadas, como “O leve batel”, linda, lancinante, lúdica e que mais palavras haja em “l’s” líquidos e palatais, com versos atribuídos a Bilac; avó materna e mãe pianistas, dedilhando aquelas valsas antigas que doem como uma crise de angina no peito; dois tios seresteiros, como Henriquinho e tio Carlinhos, irmão de minha mãe, de dois metros de altura e um digitalismo espantosos, uma espécie de Canhoto (que também o era) da Gávea; como é que, com toda essa progênie, poderia eu deixar de ser também um compositor popular…
Vinicius de Moraes,SAMBA FALANDO. Rio de Janeiro: Beco do Azougue, 2008. Adaptado.O contexto permite concluir que a palavra “progênie”, usada no final do texto, pode ser substituída, sem alteração de sentido, por
O alcance político da crítica veiculada pela tirinha confirma-se, principalmente, pelo fato de
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Pobres precisam de banheiro, não de celular, diz BM
As famílias mais pobres do mundo estão mais propensas a terem telefones
celulares do que banheiros ou água limpa.
Segundo relatório do Banco Mundial, intitulado ”Dividendos Digitais”, o número
de usuários de internet mais que triplicou em uma década, para 3,2 bilhões no final
[5] do ano passado, representando mais de 40 por cento da população mundial.
Embora a expansão da internet e de outras tecnologias digitais tenha facilitado
a comunicação e promovido um senso de comunidade global, ela não ofereceu o
enorme aumento de produtividade que muitos esperavam, disse o Banco. Ela também
não melhorou as oportunidades para as pessoas mais pobres do mundo, nem ajudou
[10] a propagar a “governança responsável”.
“Os benefícios totais da transformação da informação e comunicação somente se
tornarão realidade se os países continuarem a melhorar seu clima de negócios,
investirem na educação e saúde de sua população e proverem a boa governança. Nos
países em que esses fundamentos são fracos, as tecnologias digitais não impulsionam
[15] a produtividade nem reduzem a desigualdade”, afirmou o relatório.
A visão do Banco Mundial contrasta com o otimismo dos empreendedores da
tecnologia, como Mark Zuckerberg e Bill Gates, que têm argumentado que o acesso
universal à internet é essencial para eliminar a pobreza extrema.
“Quando as pessoas têm acesso às ferramentas e ao conhecimento da internet,
[20] elas têm acesso a oportunidades que tornam a vida melhor para todos nós”, diz uma
declaração do ano passado assinada, entre outros, por Zuckerberg e Gates.
Segundo o Banco Mundial, conectar o mundo “é essencial, mas está longe de ser
suficiente” para eliminar a pobreza.
http://exame.abril.com.br 14//01/2016. Adaptado.
No trecho “se os países continuarem a melhorar seu clima de negócios, investirem na educação e saúde de sua população e proverem a boa governança”, substituindo-se a conjunção “se” por “caso”, os verbos sublinhados poderiam, sem prejuízo para a correção, mudar para:
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Assim como a Ilustração favoreceu a aplicação social da poesia, voltandoa para uma visão construtiva do país, a Independência desenvolveu nela, no romance e no teatro, o intuito patriótico, ligando-se deste modo os dois períodos, por sobre a fratura expressional, na mesma disposição profunda de dotar o Brasil de uma literatura equivalente às europeias, que exprimisse de maneira adequada a sua realidade própria, ou, como então se dizia, uma “literatura nacional”.
Antonio Candido de Mello e Souza. Adaptado.No trecho “que exprimisse de maneira adequada a sua realidade própria”, o pronome “que” pode ser corretamente substituído por:
Na frase “Apesar de aparentar ser uma ideologia justa, a meritocracia, por causa principalmente de disparidades socioeconômicas, revela-se imparcial, uma vez que só detêm méritos aqueles que são beneficiados com oportunidades para alcançá-los”, pode-se apontar incoerência devido ao emprego inadequado da palavra
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A festa de Nossa Senhora da Glória do Oiteiro*
Hoje no Rio só há duas solenidades religiosas a sustentar a tradição da cidade: a festa da Penha e a festa da Glória.
Nunca fui à festa da Penha. Parece que ela é cara sobretudo aos portugueses.
Mais brasileira, mais tradicional, mais poética, incomparavelmente, é a festa de Nossa Senhora da Glória. O pequeno oiteiro da Glória, com a sua capelinha duas vezes secular, é um dos sítios mais aprazíveis, mais ingenuamente pitorescos da cidade. As velhas casas da encosta cederam lugar a construções modernas. Entretanto a igrejinha tem tanto caráter na sua simplicidade, que ela só e mais uma meia dúzia de palmeiras bastam a guardar a fisionomia tradicional da colina. Embaixo a paisagem se renovou completamente. Lembro-me bem do largo da Glória e da praia da Lapa da minha meninice: um desenho de Debret. Desapareceu o casarão do mercado que servia de caserna e despertou o interesse público quando abrigou por algum tempo as jagunças e os jaguncinhos trazidos de Canudos. O largo estendeu-se até à falda* do oiteiro. O caminho da praia alargou-se em ampla avenida arborizada. O velho edifício onde no império estava instalada a Secretaria dos Negócios Estrangeiros foi substituído pelo Palácio do Arcebispado. Todas essas mudanças vieram realçar ainda mais a graça ingênua da igrejinha. Só uma coisa a prejudicou: a mole* pesada do Hotel Glória. O observador que olha do morro de Santa Teresa não vê mais o perfil da capela recortado no fundo das águas.
Manuel Bandeira, Melhores crônicas. Adaptado.* Glossário:
“oiteiro”: o mesmo que outeiro, colina.
“falda”: sopé, base.
“mole”: grande massa informe; construção maciça, de grandes proporções.
Na composição do texto, o autor combina elementos descritivos e narrativos, como comprova o emprego reiterado, respectivamente, de
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CANTO DO RIO EM SOL
I
Guanabara, seio, braço
de a-mar:
em teu nome, a sigla rara
dos tempos do verbo mar.
Os que te amamos sentimos
e não sabemos cantar:
o que é sombra do Silvestre
sol da Urca
dengue flamingo
mitos da Tijuca de Alencar.
Guanabara, saia clara
estufando em redondel!
que é carne, que é terra e alísio
em teu crisol?
Nunca vi terra tão gente
nem gente tão florival.
Teu frêmito é teu encanto
(sem decreto) capital.
Agora, que te fitamos
nos olhos,
e que neles pressentimos
o ser telúrico, essencial,
agora sim és Estado
de graça, condado real.
(...)
Carlos Drummond de Andrade, Lição de coisas.
Obtém-se, no poema, efeito expressivo por meio da derivação imprópria, como se verifica no verso “dos tempos do verbo mar”, em que o substantivo “mar” é considerado um verbo.
Indique o verso em que ocorre o contrário, isto é, em que um verbo é empregado como substantivo.
Catar Feijão
1
Catar feijão se limita com escrever:
joga-se os grãos na água do alguidar
e as palavras na folha de papel;
e depois, joga-se fora o que boiar.
Certo, toda palavra boiará no papel,
água congelada, por chumbo seu verbo:
pois para catar esse feijão, soprar nele,
e jogar fora o leve e oco, palha e eco.
2
Ora, nesse catar feijão entra um risco:
o de que entre os grãos pesados entre
um grão qualquer, pedra ou indigesto,
um grão imastigável, de quebrar dente.
Certo não, quando ao catar palavras:
a pedra dá à frase seu grão mais vivo:
obstrui a leitura fluviante, flutual,
açula a atenção, isca-a como o risco.
João Cabral de Melo Neto, A educação pela pedra.Entre os recursos estilísticos de que lança mão o poeta na composição do poema, só NÃO se encontra