A ciência contra a incerteza
O ovo é benigno ou um vilão da nutrição? Suplementos vitamínicos são milagrosos ou inócuos para a saúde? Uma visita ao repertório de pesquisas científicas trará respostas contraditórias a essas e a muitas outras questões da medicina. Para contornar a incerteza, foram criadas as metanálises – compilações estatísticas de um mesmo assunto em busca da melhor evidência possível. Reportagem em VEJA. com mostra que esse tipo de estudo tem desvendado erros e falhas de método, ao revelar que as conclusões a que chegam alguns cientistas não estão amparadas nos dados que eles próprios coletaram. Mais importante, as metanálises aumentam o grau de confiança que se pode atribuir a certas teses: uma avaliação abrangente de 27 estudos sobre suplementos de vitaminas, por exemplo, demonstrou que não existe nenhuma evidência estatística de sua eficácia sobre a longevidade, a prevenção do câncer ou doenças cardiovasculares.
Revista Veja. 25/03/2016, p. 9
Analise as seguintes frases do texto e os termos destacados.
I. “O ovo é benigno ou um vilão da nutrição?”
II. “Suplementos vitamínicos são milagrosos ou inócuos para a saúde?”
III. “... esse tipo de estudo tem desvendado erros e falhas de método...”
IV. “Para contornar a incerteza foram criadas... em busca da melhor evidência possível.”
Observando o contexto em que os pares de palavras estão destacados, as frases em que essas palavras se opõem, semanticamente, são
Abaixo a redação
SÃO PAULO - Já defendi neste espaço que o MEC eliminasse a redação do Enem, limitando o exame aos testes objetivos. Ao que tudo indica, candidatos já estão fazendo isso à revelia do ministério.
Dados divulgados esta semana mostraram que 529 mil dos 6,19 milhões de estudantes que fizeram a prova (8,55%) tiraram nota zero na dissertação. A maioria deles (53%) nem se deu ao trabalho de tentar escrever o texto, entregando a folha em branco. O restante foi mal mesmo, sendo a fuga ao tema a principal dificuldade relatada pelos corretores.
A título de comparação, na versão anterior do Enem, apenas 107 mil deixaram de pontuar na redação. A explicação mais verossímil para o fenômeno é que várias instituições privadas usam só a parte objetiva do Enem em seus processos seletivos –e os alunos se deram conta disso.
Até compreendo a atração que a prova dissertativa causa no público em geral e nos pedagogos em particular. Em teoria, não há nada melhor do que uma redação para avaliar o estudante. Ela permite, de uma vez só, averiguar o nível de conhecimentos do candidato, sua capacidade de articular ideias bem como seu domínio sobre a linguagem escrita.
Há, porém, um preço a pagar: é impossível corrigir mais de 5 milhões de dissertações de modo objetivo. Sem a redação, o Enem seria mais justo, mais estável, mais barato (não seria necessário contratar uma legião de corretores) e seus resultados sairiam quase instantaneamente, poupando aos jovens meses de angústia.
A perda, embora não seja nula, é administrável, uma vez que tende a ser alta a correlação entre o desempenho em testes de múltipla escolha e a capacidade de expressão verbal.
Vale ainda frisar que uma eventual retirada da redação do Enem não significaria a morte da escrita. Esse exame é apenas um instante da vida escolar de um aluno, que oferece inúmeras e melhores oportunidades para provas dissertativas.
SCHWARTSMAN, Hélio. Abaixo a redação. Folha de São Paulo, São Paulo, 16 jan. 2015. Opinião, p. A2.O texto classifica-se como artigo de opinião e seu autor assume claramente a postura de locutor individual, como exemplificado em:
“Embora o álcool esteja claramente associado à cirrose hepática, nem todos os alcoólatras desenvolvem a doença.”
O conectivo destacado confere ao trecho uma ideia:
Texto 02
Receita de Ano Novo
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Receita de Ano Novo. São Paulo: Editora Record, 2008.Entre os recursos de expressão usados pelo escritor na composição do texto 02, podem ser citados, EXCETO
Cientistas anunciam reprodução de camundongo sem óvulo, feito inédito
Cientistas conseguiram, pela primeira vez, fazer nascer um camundongo através de uma célula que não era um óvulo injetada com espermatozoide, um método que abre novas perspectivas para a reprodução assistida em humanos, segundo um estudo publicado nesta terça-feira (13) na revista científica Nature Communications.
“Pensava-se que só um óvulo era capaz de reprogramar o espermatozoide para permitir que o desenvolvimento embrionário acontecesse. Nosso trabalho desafia esse dogma”, disse o autor principal do artigo, Tony Perry, da Universidade de Bath.
Existem dois tipos de células: as células reprodutivas meióticas (óvulos e espermatozoides) e as células mitóticas, que incluem a maioria dos tecidos e órgãos dos nossos corpos.
Disponível em: http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/ noticia/2016/09/cientistas-anunciam-reproducao-de-camundongosem-ovulo-feito-inedito.html . Acesso em: 14 set. 2016Embora incipiente e tenha sido realizada em camundongos, a técnica abre perspectivas futuras para uso em várias frentes de saúde, com considerável impacto social e bioético. Imagine possíveis notícias dos jornais no futuro, caso essa técnica se confirme como um avanço tecnológico real.
As hipotéticas manchetes jornalísticas a seguir podem ser relacionadas com essa tecnologia, EXCETO:
As charges utilizam os recursos do desenho e do humor para tecer algum tipo de crítica a diversas situações do cotidiano. A crítica contida na charge de Latuf busca
A ciência contra a incerteza
O ovo é benigno ou um vilão da nutrição? Suplementos vitamínicos são milagrosos ou inócuos para a saúde? Uma visita ao repertório de pesquisas científicas trará respostas contraditórias a essas e a muitas outras questões da medicina. Para contornar a incerteza, foram criadas as metanálises – compilações estatísticas de um mesmo assunto em busca da melhor evidência possível. Reportagem em VEJA. com mostra que esse tipo de estudo tem desvendado erros e falhas de método, ao revelar que as conclusões a que chegam alguns cientistas não estão amparadas nos dados que eles próprios coletaram. Mais importante, as metanálises aumentam o grau de confiança que se pode atribuir a certas teses: uma avaliação abrangente de 27 estudos sobre suplementos de vitaminas, por exemplo, demonstrou que não existe nenhuma evidência estatística de sua eficácia sobre a longevidade, a prevenção do câncer ou doenças cardiovasculares.
Revista Veja. 25/03/2016, p. 9
Analise as seguintes frases do texto e os termos destacados. I. “O ovo é benigno ou um vilão da nutrição?” II. “Suplementos vitamínicos são milagrosos ou inócuos para a saúde?” III. “... esse tipo de estudo tem desvendado erros e falhas de método...” IV. “Para contornar a incerteza foram criadas... em busca da melhor evidência possível.” Observando o contexto em que os pares de palavras estão destacados, as frases em que essas palavras se opõem, semanticamente, são
Analisando-se as informações da ilustração, é correto afirmar:
Abaixo a redação
SÃO PAULO - Já defendi neste espaço que o MEC eliminasse a redação do Enem, limitando o exame aos testes objetivos. Ao que tudo indica, candidatos já estão fazendo isso à revelia do ministério.
Dados divulgados esta semana mostraram que 529 mil dos 6,19 milhões de estudantes que fizeram a prova (8,55%) tiraram nota zero na dissertação. A maioria deles (53%) nem se deu ao trabalho de tentar escrever o texto, entregando a folha em branco. O restante foi mal mesmo, sendo a fuga ao tema a principal dificuldade relatada pelos corretores.
A título de comparação, na versão anterior do Enem, apenas 107 mil deixaram de pontuar na redação. A explicação mais verossímil para o fenômeno é que várias instituições privadas usam só a parte objetiva do Enem em seus processos seletivos –e os alunos se deram conta disso.
Até compreendo a atração que a prova dissertativa causa no público em geral e nos pedagogos em particular. Em teoria, não há nada melhor do que uma redação para avaliar o estudante. Ela permite, de uma vez só, averiguar o nível de conhecimentos do candidato, sua capacidade de articular ideias bem como seu domínio sobre a linguagem escrita.
Há, porém, um preço a pagar: é impossível corrigir mais de 5 milhões de dissertações de modo objetivo. Sem a redação, o Enem seria mais justo, mais estável, mais barato (não seria necessário contratar uma legião de corretores) e seus resultados sairiam quase instantaneamente, poupando aos jovens meses de angústia.
A perda, embora não seja nula, é administrável, uma vez que tende a ser alta a correlação entre o desempenho em testes de múltipla escolha e a capacidade de expressão verbal.
Vale ainda frisar que uma eventual retirada da redação do Enem não significaria a morte da escrita. Esse exame é apenas um instante da vida escolar de um aluno, que oferece inúmeras e melhores oportunidades para provas dissertativas.
SCHWARTSMAN, Hélio. Abaixo a redação. Folha de São Paulo, São Paulo, 16 jan. 2015. Opinião, p. A2.A tese defendida pelo locutor e que justifica o título do texto é o(a)
“(...) O enorme interesse e o consumo de produtos de cunho biográfico indicam o importante papel que elas desempenham na cultura contemporânea. O mercado editorial, por exemplo, tem se aproveitado de uma certa avidez pela leitura de biografias e autobiografias e tem lançado muitas obras no gênero que, na maioria das vezes, permanecem na lista dos livros mais vendidos. Do mesmo modo, a televisão tem se exercitado na produção de documentários e entrevistas que vão de encontro a tal curiosidade, como também o cinema tem oferecido filmes sobre algum personagem real, cuja trajetória de vida se presta à ficcionalização na tela. Para se confeccionar tais produtos, buscam-se ou criam-se heróis e outros que passam a ser ofertados como referências exemplares na construção de outras vidas que, no momento em que transcorrem, parecem não ser nem tão heroicas e nem tão dignas de servirem como exemplaridade (cf. Filizola & Rondelli, 1997).
Tal curiosidade, que tem um pouco de bisbilhotice e de interesse pela vida mundana, por outro lado, não deixa de satisfazer um certo sentido de continuidade no tempo, de identificação com os antepassados, com o revisitar de certas formas culturais, uma forma de revivê-las e de fazer com que a fluida e fortuita experiência presente se inspire na vida de outros, anteriores ou contemporâneos, criando-se, com isso, alguns laços de continuidade e de sentido de permanência, mesmo que sejam tênues, a redesenhar um sentimento de coletividade que parece cada dia mais distante (...)”.
A mídia e a construção dobiográfico - o sensacionalismo da morte em cena Elizabeth Rondelli; Micael Herschmann. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php.A partir da leitura do texto e do papel das novas mídias no mundo atual, é possível afirmar que as pessoas, nesse contexto,