Conhecemos somente o nosso modo de perceber a natureza dos objetos em si mesmos, modo que nos é peculiar, mas pode muito bem não ser necessariamente o de todos os seres, embora seja o de todos os homens. É deste modo apenas que nos temos de ocupar. O espaço e o tempo são as formas desse modo de perceber; a sensação em geral é a sua matéria.
Fonte: KANT, I. Crítica da razão pura. Lisboa: Calouste, 2013, p. 79.O trecho ilustra alguns aspectos da teoria kantiana do conhecimento. Sobre esta mesma teoria, assinale a opção CORRETA.
Até hoje admitia-se que nosso conhecimento se devia regular pelos objetos; porém, todas as tentativas para descobrir, mediante conceitos, algo que ampliasse nosso conhecimento, malogravam-se com esse pressuposto. Tentemos, pois, uma vez, experimentar se não se resolverão melhor as tarefas da metafísica, admitindo que os objetos se deveriam regular pelo nosso conhecimento.
KANT, I. Crítica da razão pura. Lisboa: Calouste-Gulbenkian, 1994 (adaptado)O trecho em questão é uma referência ao que ficou conhecido como revolução copernicana na filosofia. Nele, confrontam-se duas posições filosóficas que
Sentimos que toda satisfação de nossos desejos advinda do mundo assemelha-se à esmola que mantém hoje o mendigo vivo, porém prolonga amanhã a sua fome. A resignação, ao contrário, assemelha-se à fortuna herdada: livra o herdeiro para sempre de todas as preocupações.
SCHOPENHAUER, A. Aforismo para a sabedoria da vida. São Paulo: Martins Fontes, 2005.
O trecho destaca uma ideia remanescente de uma tradição filosófica ocidental, segundo a qual a felicidade se mostra indissociavelmente ligada à
Ganhar mais de 40 medalhas de ouro nos Jogos Olímpicos é fácil. Determine que todas as escolas de seu país descubram os alunos de 3 a 13 anos que mais de destacam nas aulas de Educação Física. Separe-os da família e interne-os em escolas de esportes até a idade adulta. Distribua-os entre os esportes olímpicos em que têm mais chances de medalha olímpica. Esse é, pelo menos o modelo que funcionou para a China nos jogos de Pequim.
ESPECIAL OLIMPÍADAS. Época, Globo, ed. 536, 25 ago. 2008. p. 153.O trecho da reportagem da revista Época enfoca o esforço nacional chinês para obter sucesso nos Jogos Olímpicos de Pequim. Em termos comparativos, os atuais estudos de História Antiga atestam que na Grécia, berço dos jogos, existia grande competitividade entre as cidades-Estados. Filosoficamente, esse espírito competitivo dos helenos atesta que:
[...] O SERVIDOR — Diziam ser filho do rei...
ÉDIPO — Foi ela quem te entregou a criança?
O SERVIDOR — Foi ela, Senhor.
ÉDIPO — Com que intenção?
O SERVIDOR — Para que eu a matasse.
ÉDIPO — Uma mãe! Mulher desgraçada!
O SERVIDOR — Ela tinha medo de um oráculo dos
deuses.
ÉDIPO — O que ele anunciava?
O SERVIDOR — Que essa criança um dia mataria
seu pai.
ÉDIPO— Mas por que tu a entregaste a este homem?
O SERVIDOR — Tive piedade dela, mestre. Acreditei
que ele a levaria ao país de onde vinha. Ele te salvou a
vida, mas para os piores males! Se és realmente aquele
de quem ele fala, saibas que nasceste marcado pela
infelicidade.
ÉDIPO — Oh ai de mim! Então no final tudo seria verdade! Ah! Luz do dia, que eu te veja aqui pela última vez, já que me revelo a filho de quem não devia nascer, o esposo de quem não devia ser, o assassino de
quem não deveria matar!
SÓFOCLES. Édipo Rei. Porto Alegre: L&PM, 2011.O trecho da obra de Sófocles, que expressa o núcleo da tragédia grega, revela o(a)
Eis o ensinamento de minha doutrina: “Viva de forma a ter de desejar reviver — é o dever —, pois, em todo caso, você reviverá! Aquele que ama antes de tudo se submeter, obedecer e seguir, que obedeça! Mas que saiba para o que dirige sua preferência, e não recue diante de nenhum meio! É a eternidade que está em jogo!”.
NIETZSCHE apud FERRY, L. Aprender a viver: filosofia para os novos tempos. Rio de Janeiro: Objetiva, 2010 (adaptado).O trecho contém uma formulação da doutrina nietzscheana do eterno retorno, que apresenta critérios radicais de avaliação da
“Mas será que todas as nossas experiências não poderiam ser um sonho gigante, sem nenhum mundo fora dele? Se todas as suas experiências fossem um sonho e não houvesse nada do lado de fora, então qualquer evidência que você tentasse utilizar para provar a si mesmo que há um mundo externo apenas faria parte do sonho. Se você batesse na mesa ou se beliscasse, ouviria a batida e sentiria o beliscão, mas isso seria apenas mais uma coisa acontecendo dentro da sua mente, como tudo o mais. Não adianta: se você quer descobrir se o que há dentro da sua mente serve de guia para o que está fora dela, não pode apoiar-se no que as coisas parecem ser – a partir do interior da sua mente – para obter uma resposta”
Fonte: NAGEL, Thomas. Uma breve introdução à filosofia. São Paulo: Martins fontes, 2011, p. 9.A Filosofia, desde os seus primórdios, preocupou-se com o problema do conhecimento e de como podemos nos certificar sobre a correta relação entre nossos pensamentos e a realidade.
O trecho citado acima descreve uma postura filosófica conhecida como:
“Que os meus leitores não imaginem, pois, que ouso me vangloriar de ter visto o que me parece tão difícil de ver. Comecei alguns raciocínios, arrisquei algumas conjecturas, menos na esperança de resol-ver a questão do que na intenção de a esclarecer e de a reduzir ao seu verdadeiro estado. Outros pode-rão facilmente ir mais longe no mesmo caminho, sem que seja fácil a ninguém chegar ao termo; porque não é empresa suave discernir o que há de originário e artificial na natureza atual do homem, e conhecer bem um estado que não existe mais, que talvez não tenha existido, que provavelmente não existirá nun-ca, e do qual é, contudo, necessário ter noções justas, para bem julgar do nosso estado presente. Seria preciso mesmo que tivesse mais filosofia do que se pensa quem pretendesse determinar as precauções que tomar para fazer sobre este assunto sólidas observações...”
Fonte: ROUSSEAU, Jean Jacques – Discurso sobre a origem e os fundamentos das desigualdades entre os homens / Jean Jac-ques Rousseau; [introdução de João Carlos Brum Torres]; tradução de Paulo Neves. – Porto Alegre, RS : L&PM, 2008.O trecho acima foi retirado do prefácio da obra de Rousseau. Neste trecho o autor está tratando de um dos seus temas fundamentais nesta obra. Assinale a alternativa CORRETA que contemple a explicação sobre o tema, segundo Rousseau:
“Tenho isto em comum com as parteiras: sou estéril em sabedoria; e aquilo que há anos muitos censuram em mim, que interrogo os outros, mas nunca respondo por mim porque não tenho pensamentos sábios a expor, é censura justa”. (Teeteto, 15c).
O trecho acima é do livro Teeteto, de Platão, no qual Sócrates (469 – 399 a.C.) descreve sua arte chamada de maiêutica, em grego, o parto, sendo que, pelo que se entende pelo excerto, a principal caracterização da maiêutica é a aporia, que pode ser entendida como um método de refletir filosoficamente que
A utilidade do escravo é semelhante à do animal. Ambos prestam serviços corporais para atender às necessidades da vida. A natureza faz o corpo do escravo e do homem livre de forma diferente. O escravo tem corpo forte, adaptado naturalmente ao trabalho servil. Já o homem livre tem corpo ereto, inadequado ao trabalho braçal, porém apto à vida do cidadão.
ARISTÓTELES. Política. Brasília: UnB, 1985.O trabalho braçal é considerado, na filosofia aristotélica, como