AprendiAprendi
FilosofiaUEA2015

Se existe uma verdade, é a de que a verdade é um campo de luta; mas essa luta só pode conduzir à verdade quando ela obedece a uma lógica, segundo a qual a vitória sobre os adversários no campo da luta exige que se empreguem contra eles as armas e os rigores da ciência, concorrendo-se, assim, para o progresso da verdade.

(Pierre Bourdieu. Aula sobre a aula, 1982. Adaptado.)

O texto destaca um princípio do conhecimento filosófico, a saber,

FilosofiaUFMS2019

Leia atentamente o texto a seguir:

“Neste ponto, o filósofo compreendeu que havia uma crença da qual ele não podia duvidar: a crença na própria existência. Cada um de nós pensa ou diz: ‘Sou, existo’ – e, enquanto pensamos ou dizemos isso, não podemos estar errados. Quando o filósofo tentou aplicar o teste do gênio maligno a sua crença, percebeu que o gênio só podia levá-lo a acreditar que ele existe se ele, o próprio filósofo, de fato existir – como ele poderia duvidar da própria existência, se é preciso existir para ter dúvida?

O axioma ‘Eu sou, eu existo’ constitui a primeira certeza desse filósofo. Em sua obra anterior, Discurso sobre o método, ele a apresentou como ‘Penso, logo existo’, mas abandonou a frase ao escrever suas Meditações, pois o uso de ‘logo’ leva a afirmação a ser lida como premissa e conclusão. O filósofo queria que o leitor – o ‘eu’ que medita – percebesse que, assim que considero o fato de que existo, sei que isso é verdadeiro. Tal verdade é instantaneamente apreendida. A percepção de que existo é uma intuição direta, não a conclusão de um argumento.”

(Vários colaboradores. O livro da Filosofia. Tradução Douglas Kim. São Paulo: Globo, 2011. p. 120. Adaptado).

O texto desse enunciado exprime uma vertente do pensamento racionalista de um importante filósofo ocidental. Assinale a alternativa correta que apresenta o filósofo racionalista autor das reflexões apresentadas.

FilosofiaENEM2016

Todas as coisas são diferenciações de uma mesma coisa e são a mesma coisa. E isto é evidente. Porque se as coisas que são agora neste mundo– terra, água, ar e fogo e as outras coisas que são agora neste mundo – , se alguma destas coisas fosse diferente de qualquer outra, diferente em sua natureza própria e se não permanecesse a mesma coisa em suas muitas mudanças e diferenciações, então não poderiam as coisas, de nenhuma maneira, mistura-se umas às outras, nem fazer bem ou mal umas às outras, nem a planta poderia brotar da terra, nem um animal ou qualquer outra coisa vir à existência, se todas as coisas não fossem compostas de modo a serem as mesmas. Todas as coisas nascem, através de diferenciações, de uma mesma coisa, ora em uma forma, ora em outra, retomando sempre a mesma coisa.

DIÓGENES. In: BORNHEIM, G. A. Os filósofos pré-socráticos. São Paulo: Cultrix, 1967.

O texto descreve argumentos dos primeiros pensadores, denomindos pré-socráticos. Para eles, a principal preocupação filosófica era de ordem

FilosofiaFCMSCSP2018

O que o homem perde pelo contrato social é a liberdade natural e um direito ilimitado a tudo quanto aventura e pode alcançar. O que com ele ganha é a liberdade civil e a propriedade de tudo que possui. A fim de não fazer um julgamento errado dessas compensações, impõe-se distinguir entre a liberdade natural, que só conhece limites nas forças do indivíduo, e a liberdade civil, que se limita pela vontade geral [...].
O pacto fundamental, em lugar de destruir a igualdade natural, pelo contrário substitui por uma igualdade moral e legítima aquilo que a natureza poderia trazer de desigualdade física entre os homens, que, podendo ser desiguais na força ou no gênio, todos se tornam iguais por convenção e direito.

(Jean-Jacques Rousseau. Do contrato social, 1983.)

O texto de Rousseau, publicado em 1762, teve forte influência sobre setores radicais na Revolução Francesa por

FilosofiaENEM2020

Será que as coisas lhe pareceriam diferentes se, de fato, todas elas existissem apenas na sua mente — se tudo o que você julgasse ser o mundo externo real fosse apenas um sonho ou alucinação gigante, de que você jamais fosse despertar? Se assim fosse, então é claro que você nunca poderia despertar, como faz quando sonha, pois significaria que não há mundo “real” no qual despertar. Logo, não seria exatamente igual a um sonho ou alucinação normal.

NAGEL, T Uma breve introdução à filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 2011.

O texto confere visibilidade a uma doutrina filosófica contemporânea conhecida como:

FilosofiaUFPR2019

Mas, logo em seguida, adverti que enquanto eu queria assim pensar que tudo era falso, cumpria necessariamente que eu, que pensava, fosse alguma coisa. E, notando que esta verdade: eu penso, logo existo, era tão firme e tão certa que todas as mais extravagantes suposições dos céticos não seriam capazes de abalar, julguei que podia aceitá-la, sem escrúpulo, como o primeiro princípio da Filosofia que procurava.

(DESCARTES. Discurso do método. Col. Os Pensadores. Trad. J. Guinsburg e Bento Prado Júnior. São Paulo: Nova Cultural, 1991, p. 46.)

O texto citado corresponde a uma das passagens mais marcantes da filosofia de Descartes, um filósofo considerado por muitos intérpretes como o pai do racionalismo. Com base no texto e na ideia geral de racionalismo, é correto afirmar:

FilosofiaUEA2018

No caso da Grécia, a evolução intelectual que vai de Hesíodo a Aristóteles pareceu-nos estabelecer uma distinção, orientada pela razão, entre o mundo da natureza, o mundo humano e o mundo das forças sagradas. Essa distinção, porém, é sempre mais ou menos mesclada ou aproximada pela imaginação mítica, que às vezes confunde esses diversos domínios.
(Jean-Pierre Vernant. Mito e pensamento entre os gregos, 1990. Adaptado.)

O texto caracteriza

FilosofiaEEAR2022

A linguagem — a fala humana — é uma inesgotável
riqueza de múltiplos valores. A linguagem é inseparável do
homem e segue-o em todos os seus atos. A linguagem é o
instrumento graças ao qual o homem modela seu
[5]pensamento, seus sentimentos, suas emoções, seus esforços,
sua vontade e seus atos, o instrumento graças ao qual ele
influencia e é influenciado, a base última e mais profunda da
sociedade humana. Mas é também o recurso último e
indispensável do homem, seu refúgio nas horas solitárias em
[10] que o espírito luta com a existência, e quando o conflito se
resolve no monólogo do poeta e na meditação do pensador.
Antes mesmo do primeiro despertar de nossa consciência, as
palavras já ressoavam à nossa volta, prontas para envolver os
primeiros germes frágeis de nosso pensamento e a nos
[15] acompanhar inseparavelmente através da vida, desde as mais
humildes ocupações da vida quotidiana aos momentos mais
sublimes e mais íntimos dos quais a vida de todos os dias
retira, graças às lembranças encarnadas pela linguagem, força
e calor. A linguagem não é um simples acompanhante, mas
[20] sim um fio profundamente tecido na trama do pensamento;
para o indivíduo, ela é o tesouro da memória e a consciência
vigilante transmitida de pai para filho.

Hjelmslev, Louis. Prolegômenos a uma teoria da linguagem.

A questão refere-se ao texto acima.

O texto apresenta uma sequência de

FilosofiaENEM2017

Galileu, que detinha uma verdade científica importante, abjurou-a com a maior facilidade, quando ela lhe pôs a vida em perigo. Em um certo sentido, ele fez bem. Essa verdade valia-lhe a fogueira. Se for a Terra ou o Sol que gira em torno um do outro é algo profundamente irrelevante. Resumindo as coisas, é um problema fútil. Em compensação, vejo que muitas pessoas morrem por achar que a vida não vale a pena ser vivida. Vejo outras que se fazem matar pelas ideias ou ilusões que lhes proporcionam uma razão de viver (o que se chama de razão de viver é, ao mesmo tempo, uma excelente razão de morrer). Julgo, portanto, que o sentido da vida é a questão mais decisiva de todas. E como responder a isso?

CAMUS, A. O mito de Sísifo: ensaio sobre o absurdo. Rio de Janeiro: Record, 2004 (adaptado).

O texto apresenta uma questão fundamental, na perspectiva da filosofia contemporânea, que consiste na reflexão sobre vínculos entre a realidade concreta e a

FilosofiaENEM2016

Ser moderno é encontrar-se em um ambiente que promete aventura, poder, alegria, crescimento, autotransformação e transformação das coisas em redor — mas ao mesmo tempo ameaça destruir tudo o que temos, tudo o que sabemos, tudo o que somos. A experiência ambiental da modernidade anula todas as fronteiras geográficas e raciais, de classe e nacionalidade: nesse sentido, pode-se dizer que a modernidade une a espécie humana. Porém, é uma unidade paradoxal, uma unidade de desunidade.

BERMAN, M. Tudo que é sólido desmancha no ar: a aventura da modernidade. São Paulo: Cia. das Letras, 1986 (adaptado).

O texto apresenta uma interpretação da modernidade que a caracteriza como um(a)