Nada pode parecer mais ilimitado que o pensamento humano, que está livre até mesmo dos limites da natureza e da realidade. Enquanto o corpo está confinado a um único planeta, o pensamento pode transportar-nos às mais distantes regiões do universo. Aquilo que nunca foi visto, pode assim ser concebido. Mas, um exame mais cuidadoso nos mostrará que esse poder criador da mente consiste meramente na capacidade de compor, transpor, aumentar ou diminuir os materiais que os sentidos nos fornecem. Quando pensamos em uma montanha de ouro, estamos apenas juntando duas ideias consistentes, ouro e montanha, com as quais estávamos anteriormente familiarizados.
(David Hume. Investigações sobre o entendimento humano, 2004. Adaptado.)David Hume publicou Investigações sobre o entendimento humano em 1748. O excerto resume o conteúdo de sua filosofia
Das três alusões à cadeira presentes no trabalho de Joseph Kosuth, o filósofo Platão consideraria como arte
[1] Ora, entre os antigos, normas de vida e exercícios
espirituais formavam a essência da “filosofia”, não da religião,
e a religião estava mais ou menos separada das ideias sobre a
[4] morte e o além. Havia seitas, que eram filosóficas, pois a
filosofia era a matéria de seitas que propunham convicções e
normas de vida a quem elas pudessem interessar; um indivíduo
[7] se tornava estoico ou epicurista e se conformava mais ou
menos a suas convicções.
Paul Veyne. O Império Romano In: Philippe Ariès e Georges Duby. História da vida privada: do Império Romano ao ano mil. São Paulo: Companhia das Letras, 2010 p. 201 (com adaptações).Considerando o texto acima, julgue o item.
Das informações do texto depreende-se que o saber filosófico
Texto 1
O sentido da vida está na vida concreta
Margot Cardoso Desde os primórdios do pensamento que o homem questiona o sentido da vida. De acordo com os gregos
antigos, o sentido da vida era estar alinhado com o cosmos. Aristóteles levou essa crença para a prática e afirmava
que o sentido da vida era escutar seu projeto interno e exercer os próprios talentos. Antes dele, Platão afirmou
justamente o contrário, que o sentido da vida não estava na enganosa vida material, mas na transcendência, no
mundo invisível, no eterno. Portanto, um caminho a ser percorrido pela alma. E essa fissura entre os dois
[5] pensadores — ironicamente, discípulo e mestre — continua a dividir o mundo até hoje.
Entretanto, apesar da cisão permanecer, o pensamento de Platão — mesclado com o cristianismo — é hoje a
corrente dominante. Assim, o sentido da vida está na transcendência, está fora deste mundo. Contudo, o escritor e
psicanalista Contardo Calligaris estava completamente em desacordo com esse pensamento. Em sua conferência no
Fronteiras do Pensamento 2019, Calligaris afirmou que o sentido da vida está no que é vivido a cada dia. “A questão
[10] do sentido da vida é simples. O sentido da vida é a própria vida concreta”, diz ele. [...]
Texto
Das ideias veiculadas no texto 1, a que se mostra compatível com a que aparece expressa no texto 2 é a de
Das alternativas abaixo, marque aquela que melhor representa a norma jurídica.
Da premissa “Se estudo filosofia, então gosto de ler”, é logicamente correto, segundo o modus tollens, tirar a seguinte conclusão:
Leia a letra da canção a seguir.
Nada do que foi será
De novo do jeito que já foi um dia
Tudo passa
Tudo sempre passará
A vida vem em ondas
Como um mar
Num indo e vindo infinito
Tudo que se vê não é
Igual ao que a gente
Viu há um segundo
Tudo muda o tempo todo
No mundo [...]
Fonte: SANTOS, Lulu; MOTTA, Nelson. Como uma onda. In: Álbum MTV ao vivo. Rio de Janeiro: Sony-BMG, 2004.Da mesma forma como canta o poeta contemporâneo, que vê a realidade passando como uma onda, assim também pensaram os primeiros filósofos conhecidos como Pré-socráticos que denominavam a realidade de physis. A característica dessa realidade representada, também, na música de Lulu Santos é o(a)
Da época antiga até o início da modernidade nos séculos 16 e 17 a ciência estava ligada à filosofia, fazendo do filósofo um sábio que pensava e conhecia todas as coisas. Entretanto, a partir do nascimento da razão moderna com a revolução científica no século 17, a ciência começou a se desligar da filosofia, constituindo campos e objetos de conhecimentos específicos com uso crescente do método experimental matemático. Esse desligamento da ciência e da filosofia contribuiu para uma nova concepção de homem, sociedade e natureza. Assim, verifica-se que
Costuma-se dizer que os fins justificam os meios, de modo que, para alcançar um fim legítimo, todos os meios disponíveis são válidos. No caso da ética, porém, essa afirmação não é aceitável. Por quê?
No livro Discurso do método (1537), Descartes estabeleceu algumas regras para bem conduzir a razão.
I. Somente acolher alguma coisa como verdadeira após conhecê-la de maneira evidente.
II. Somente acolher como falso aquilo que foi estabelecido empiricamente como falso. III. Dividir cada dificuldade a ser examinada em quantas partes forem possíveis e necessárias para resolvê-la.
IV. Refletir, antes de tudo, sobre as dificuldades em seu aspecto global; privilegiar sempre o todo em detrimento das partes.
V. Conduzir em ordem os pensamentos, começando pelos objetos mais simples e mais fáceis de conhecer, para subir, pouco a pouco, como por degraus, até o conhecimento dos mais complexos compostos.
VI. Conduzir em ordem os pensamentos, começando a examinar as coisas a partir da sua importância moral até chegar a sua importância histórica.
VII. Fazer, para todos os procedimentos, revisões e enumerações completas para ter certeza de que nada foi omitido.
VIII. Aceitar a fé como fonte do conhecimento a partir da qual tudo pode ser pensado.
IX. Observar a natureza para aprender a pensar.
Correspondem a todas as regras do método apenas os enunciados: