Leia o trecho de A hora da estrela, de Clarice Lispector
Sim, estou apaixonado por Macabéa, a minha querida Maca, apaixonado pela sua feiura e anonimato total pois ela não é para ninguém. Apaixonado por seus pulmões frágeis, a magricela. Quisera eu tanto que ela abrisse a boca e dissesse:
– Eu sou sozinha no mundo e não acredito em ninguém, todos mentem, às vezes até na hora do amor, eu não acho que um ser fale com o outro, a verdade só me vem quando estou sozinha.
Maca, porém, jamais disse frases, em primeiro lugar por ser de parca palavra. E acontece que não tinha consciência de si e não reclamava nada, até pensava que era feliz. Não se tratava de uma idiota mas tinha a felicidade pura dos idiotas. E também não prestava atenção em si mesma: ela não sabia.
(A hora da estrela, 1998.)Uma característica marcante da obra de Clarice Lispector que pode ser observada nesse trecho é:
Há meio século, os escravos fugiam com frequência. Eram muitos, e nem todos gostavam da escravidão. Sucedia ocasionalmente apanharem pancada, e nem todos gostavam de apanhar pancada. Grande parte era apenas repreendida; havia alguém de casa que servia de padrinho, e o mesmo dono não era mau; além disso, o sentimento da propriedade moderava a ação, porque dinheiro também dói.
(Apud Ítalo Moriconi (org). Os cem melhores contos brasileiros do século, 2000.)Uma característica do estilo de Machado de Assis, presente nesse trecho, é
Leia o poema de Manuel Bandeira.
O amor, a poesia, as viagens
Atirei um céu aberto
Na janela do meu bem:
Caí na Lapa – um deserto...
– Pará, capital Belém!...
(Estrela da vida inteira, 1993.)Uma característica da primeira fase do Modernismo brasileiro presente nesse poema é
fim e começo
A noite caiu com licença da Câmara
Se a noite não caísse
Que seriam dos lampiões?
(Pau Brasil, 2003.)Um traço estilístico presente em poetas da primeira fase do Modernismo no Brasil que se observa no poema é o uso de
Se queres sentir a felicidade de amar, esquece
[a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus – ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.
Deixa teu corpo entender-se com outro corpo.
Porque os corpos se entendem, mas as almas não.
(Estrela da vida inteira, 1988.)Um traço estilístico de Manuel Bandeira, observável nesse poema, é:
Leia o capítulo XLV do romance Dom Casmurro, de Machado de Assis, para responder a questão.
Abane a cabeça, leitor; faça todos os gestos de incredulidade. Chegue a deitar fora este livro, se o tédio já o não obrigou a isso antes; tudo é possível. Mas, se o não fez antes e só agora, fio que torne a pegar do livro e que o abra na mesma página, sem crer por isso na veracidade do autor. Todavia, não há nada mais exato. Foi assim mesmo que Capitu falou, com tais palavras e maneiras. Falou do primeiro filho, como se fosse a primeira boneca.
Quanto ao meu espanto, se também foi grande, veio de mistura com uma sensação esquisita. Percorreu-me um fluido. Aquela ameaça de um primeiro filho, o primeiro filho de Capitu, o casamento dela com outro, portanto, a separação absoluta, a perda, a aniquilação, tudo isso produzia um tal efeito, que não achei palavra nem gesto; fiquei estúpido. Capitu sorria; eu via o primeiro filho brincando no chão...
(Dom Casmurro, 2016.)Um traço característico da prosa madura de Machado de Assis observado no trecho é
Porque sei, não sei porquê. No mundo informatizado, com as informações nos chegando em tempo real, numa incrível velocidade e num incomensurável volume, a gente fica sabendo de cada besteira, toma conhecimento de forma bombardeada de futricas, fofocas, diz-que-diz, ti-ti-ti, notícias normalmente desinteressantes, mas que despertam a nossa curiosidade e faz com que o leitor/internauta pare, leia, memorize e até comente. É essa força da comunicação que misteriosamente nos atrai, como um efeito gravitacional, e nos faz girar em torno da onda com uma certa dose de basbaquice. Procurando me informar via internet, como em jornais, revistas e TV, vejo um monte de manchetinhas falando da vida das pessoas públicas e não resisto em acessar, ler, ver ou ouvir. É nesse contexto que tenho conhecimento do que dizem, do que fazem, do que pensam os artistas (atores, cantores, modelos, badaladores e badalados em geral), os jogadores de futebol, como políticos e empresários em seu lado privado.
ALENCAR, José Virgolino de. Crônica sobre fofoca. disponível em http://virgulinoalencar.wordpress.com/2007/10/08/cronica-sobre- fofoca acessado em 05 de janeiro de 2014.(trecho).
Um texto carrega consigo marcas de sua época. Podemos constatar esse fato tanto no texto de Machado de Assis, como no texto de Alencar. Em relação a isso, é correto afirmar:
Leia o trecho do romance Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, para responder à questão.
Começo a arrepender-me deste livro. Não que ele me canse; eu não tenho que fazer; e, realmente, expedir alguns magros capítulos para esse mundo sempre é tarefa que distrai um pouco da eternidade. Mas o livro é enfadonho, cheira a sepulcro, traz certa contração cadavérica; vício grave, e aliás ínfimo, porque o maior defeito deste livro és tu, leitor. Tu tens pressa de envelhecer, e o livro anda devagar; tu amas a narração direita e nutrida, o estilo regular e fluente, e este livro e o meu estilo são como os ébrios, guinam à direita e à esquerda, andam e param, resmungam, urram, gargalham, ameaçam o céu, escorregam e caem…
E caem! – Folhas misérrimas do meu cipreste, heis de cair, como quaisquer outras belas e vistosas; e, se eu tivesse olhos, dar-vos-ia uma lágrima de saudade. Esta é a grande vantagem da morte, que, se não deixa boca para rir, também não deixa olhos para chorar… Heis de cair.
(Memórias póstumas de Brás Cubas, 2008. Adaptado.)
Um sinônimo para a palavra “ébrio” é “bêbado”. O narrador afirma que seu estilo se assemelha aos ébrios na medida em que
Um romântico veterano, considerado como um introdutor do Romantismo em Portugal. Uma de suas publicações encontrase o poema de Camões. Garrett além de ser escritor foi também jornalista, advogado e político. Também compõe o Romantismo Português:
Um romance da literatura brasileira que apresenta uma personagem feminina marcante é Dom Casmurro, obra que