TEXTO
A Morte não
existe para os mortos
Os mortos não
têm medo da morte desabrochada.
[5] Os mortos
conquistam a vida, não
a lendária, mas
a propriamente dita
a que perdemos
[10] ao nascer.
A sem nome
sem limite
sem rumo
(todos os rumos, simultâneos,
[15] lhe servem)
completo estar-vivo no sem fim
de possíveis
acoplados.
A morte sabe disto
[20] e cala.
Só a morte é que sabe
DRUMMOND DE ANDRADE, Carlos. Vida depois da vida. Poesia e Prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguiar, 1979. p. 461.Tomando-se o poema em questão e inserindo-o no todo da obra drummondiana, é procedente sobre sua criação literária o que se afirma em
Leia o texto para responder à questão
Sua excelência
[O ministro] vinha absorvido e tangido por uma chusma de sentimentos atinentes a si mesmo que quase lhe falavam a um tempo na consciência: orgulho, força, valor, satisfação própria etc. etc.
Não havia um negativo, não havia nele uma dúvida; todo ele estava embriagado de certeza de seu valor intrínseco, das suas qualidades extraordinárias e excepcionais de condutor dos povos. A respeitosa atitude de todos e a deferência universal que o cercavam, reafirmadas tão eloquentemente naquele banquete, eram nada mais, nada menos que o sinal da convicção dos povos de ser ele o resumo do país, vendo nele o solucionador das suas dificuldades presentes e o agente eficaz do seu futuro e constante progresso.
Na sua ação repousavam as pequenas esperanças dos humildes e as desmarcadas ambições dos ricos
Era tal o seu inebriamento que chegou a esquecer as coisas feias do seu ofício... Ele se julgava, e só o que lhe parecia grande entrava nesse julgamento.
As obscuras determinações das coisas, acertadamente, haviam-no erguido até ali, e mais alto levá-lo-iam, visto que, só ele, ele só e unicamente, seria capaz de fazer o país chegar ao destino que os antecedentes dele impunham.
(Lima Barreto. Os bruzundangas. Porto Alegre: L&PM, 1998, pp. 15-6)Tomando-se em sentido denotativo a descrição do ministro, é coerente dizer que se trata de uma pessoa
TEXTO:
Canto do regresso à pátria
Minha terra tem palmares
Onde gorjeia o mar
Os passarinhos daqui
Não cantam como os de lá
[5] Minha terra tem mais rosas
E quase que mais amores
Minha terra tem mais ouro
Minha terra tem mais terra
[...]
Não permita Deus que eu morra
[10] Sem que volte pra São Paulo
Sem que veja a Rua 15
E o progresso de São Paulo.
Tomando-se como referência os dois poetas, Gonçalves Dias e Oswald de Andrade, é correto afirmar:
Tomando por base a seguinte afirmação de Antonio Candido: “O cunho especial [das Memórias de um sargento de milícias] consiste numa certa ausência de juízo moral e na aceitação risonha do homem como ele é”, é correto afirmar que o humor explorado por Manuel Antonio de Almeida é do tipo:
“Tive ouro, tive gado, tive fazendas.
Hoje sou funcionário público.
Itabira é apenas uma fotografia na parede.
Mas como dói?”
(“Confidência de Itabirano”, in Sentimento do Mundo, Carlos Drummond de Andrade)Tomando o fragmento acima e considerando o poema como um todo, qual alternativa abaixo melhor caracteriza o poema?
O modernismo brasileiro teve for influência dasvanguardas europeias. A partir da Semana de Arte Moderna, esses conceitos passaram a fazer parte da arte brasileira definitivamente.
Tomando como referência o quadro O mamoeiro, identifica-se que, nas artes plásticas, a
Soneto de Carnaval
[01] Distante o meu amor, se me afigura
[02] O amor como um patético tormento
[03] Pensar nele é morrer de desventura
[04] Não pensar é matar meu pensamento.
[05] Seu mais doce desejo se amargura
[06] Todo o instante perdido é um sofrimento
[07] Cada beijo lembrado uma tortura
[08] Um ciúme do próprio ciumento.
[09] E vivemos partindo, ela de mim
[10] E eu dela, enquanto breves vão-se os anos
[11] Para a grande partida que há no fim
[12] De toda a vida e todo o amor humanos:
[13] Mas tranquila ela sabe, e eu sei tranquilo
[14] Que se um fica o outro parte a redimi-lo.
Vinícius de Moraes
Tomando como base o verso “Seu mais doce desejo se amargura” (verso 05), todas as alternativas estão corretas, EXCETO:
“– O meu nome é Severino,
como não tenho outro de pia.
Como há muitos Severinos,
que é santo de romaria,
deram então de me chamar
Severino de Maria
como há muitos Severinos
com mães chamadas Maria,
fiquei sendo o da Maria
do finado Zacarias [...]
[...]
Somos muitos Severinos
iguais em tudo na vida:
na mesma cabeça grande
que a custo é que se equilibra,
no mesmo ventre crescido
sobre as mesmas pernas finas
e iguais também porque o sangue,
que usamos tem pouca tinta [...]”
Disponível em: http://www.culturabrasil.pro.br/joaocabraldemelonetoo.html.Tomando a leitura e a interpretação dos fragmentos anteriores, e também as características da poesia modernista da Geração de 45, da qual João Cabral de Melo Neto é um dos expoentes, podemos dizer que: I. A poesia de 45 caracteriza-se pela renovação estética. II. O poema Morte e vida severina desenvolve temas relacionados ao social, à moral e ao político. III. Embora o poema Morte e vida severina seja um auto de Natal de tradição ibérica, a métrica de seus versos não segue o modelo da tradição. Das afirmações acima:
Igual-Desigual
Eu desconfiava:
todas as histórias em quadrinho são iguais.
Todos os filmes norte-americanos são iguais.
Todos os filmes de todos os países são iguais.
[5] Todos os best-sellers são iguais
Todos os campeonatos nacionais e internacionais de futebol são
iguais.
Todos os partidos políticos
são iguais.
[10] Todas as mulheres que andam na moda
são iguais.
Todas as experiências de sexo
são iguais.
Todos os sonetos, gazéis, virelais, sextinas e rondós são iguais
[15] e todos, todos
os poemas em verso livre são enfadonhamente iguais.
Todas as guerras do mundo são iguais.
Todas as fomes são iguais.
Todos os amores, iguais iguais iguais.
[20] Iguais todos os rompimentos.
A morte é igualíssima.
Todas as criações da natureza são iguais.
Todas as ações, cruéis, piedosas ou indiferentes, são iguais.
Contudo, o homem não é igual a nenhum outro homem, bicho ou coisa.
[25] Ninguém é igual a ninguém.
Todo ser humano é um estranho
ímpar.
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE Nova reunião: 19 livros de poesia. Rio de Janeiro: José Olympio, 1985.Todos os amores, iguais iguais iguais. (v. 19) A intensificação da repetição do termo iguais no mesmo verso, relacionado a amores, enfatiza determinada crítica que o poeta pretende fazer. A crítica de Drummond se dirige às relações amorosas, no que diz respeito ao seguinte aspecto:
Todas as alternativas se referem à obra Memórias Sentimentais de João Miramar, de Oswald de Andrade, exceto a: