Eu considerei a glória de um pavão ostentando o esplendor de suas cores; é um luxo imperial. Mas andei lendo livros, e descobri que aquelas cores todas não existem na pena do pavão. Não há pigmentos. O que há são minúsculas bolhas d'água em que a luz se fragmenta, como em um prisma. O pavão é um arco-íris de plumas.
Eu considerei que este é o luxo do grande artista, atingir o máximo de matizes com o mínimo de elementos. De água e luz ele faz seu esplendor; seu grande mistério é a simplicidade.
Considerei, por fim, que assim é o amor, oh! minha amada; de tudo que ele suscita e esplende e estremece e delira em mim existem apenas meus olhos recebendo a luz de teu olhar. Ele me cobre de glórias e me faz magnífico.
BRAGA, Rubem. O pavão. In: — Ai de ti, Copacabana. Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1960.Rubem Braga se tornou um dos grandes escritores da Literatura Brasileira, publicando textos que em geral se classificam como
Leia atentamente os trechos a seguir e, depois, assinale a alternativa incorreta.
Trecho 1
Quando emerge da banheira é uma desconhecida que não sabe o que sentir. […] Enxuga-se sem amor, humilhada e pobre, envolve-se no roupão como em braços mornos. Fechada dentro de si, não querendo olhar, ah, não querendo olhar, desliza pelo corredor – a longa garganta vermelha e escura e discreta por onde afundará no bojo, no tudo. […] Na cama silenciosa, flutuante na escuridão, aconchega-se como no ventre perdido e esquece. Tudo é vago, leve e mudo.
LISPECTOR, Clarice. Perto do coração selvagem: romance. 16. ed. Rio de Janeiro: F. Alves, 1994, p. 77-78.Trecho 2
Nonada. Tiros que o senhor ouviu foram de briga de homem não, Deus esteja. Alvejei mira em árvore, no quintal, no baixo do córrego. Por meu acerto. Todo dia isso faço, gosto; desde mal em minha mocidade. […] O senhor ri certas risadas... Olhe: quando é tiro de verdade, primeiro a cachorrada pega a latir, instantaneamente depois, então, se vai ver se deu mortos. O senhor tolere, isto é o sertão. Uns querem que não seja: que situado sertão é por os campos-gerais a fora a dentro, eles dizem, fim de rumo, terras altas, demais do Urucaia. Toleima.
ROSA, João Guimarães. Grande sertão: veredas. 15. ed. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1982, p. 9.
Romancista do Ciclo da Cana-de-açúcar, José Lins do Rego (1901-1957), foi um dos principais nomes do chamado Romance Regionalista de 30. No entanto, além do fluxo memorialista que narra, por meio do personagem Carlos de Melo, a substituição do Engenho de açúcar pela Usina, outros temas foram explorados na obra romanesca do escritor paraibano. Dentre elas, qual você assinalaria como correta?
São versos de um poema de Ferreira Gullar:
o poema não diz
o que a coisa é
mas diz outra coisa
que a coisa quer ser
pois nada se basta
contente de si
o poeta empresta
às coisas
sua voz – dialeto –
e o mundo
no poema
se sonha
completo
Ressalta nesses versos a convicção do poeta de que
Num texto especialmente infeliz, Rui Barbosa assim se posicionava diante do maxixe, um ritmo popular e popularizado no Brasil desde meados do século XIX: “A mais baixa, a mais chula, a mais grosseira de todas as danças selvagens, a irmã gêmea do batuque, do cateretê e do samba”. Essa visão preconceituosa seria atacada frontalmente pelos modernistas de 1922, em poesia, em prosa e em manifestos virulentos em favor da arte de vanguarda. Décadas depois, a expressão popular e a culta alcançariam um notável modo de fusão na prosa de Guimarães Rosa, e a vida das populações mais sofridas do Nordeste alcançaria alta representação no crivo rigoroso e crítico da poesia de João Cabral de Melo Neto.
(LIMA, Cristiano Costa e. Inédito)Resistindo à visão preconceituosa de muitos intelectuais, o movimento de 22 promoveu a valorização da cultura popular, tal como se constata neste fragmento de um manifesto de Oswald de Andrade:
Representante da poesia de viés social, ligada às lutas pelo abolicionismo, _________________ é autor de __________________, poema em defesa dos escravos. A alternativa que completa corretamente as lacunas é
Leia o texto que se segue.
LISBOA: AVENTURAS
Tomei um expresso
cheguei de foguete
subi num bonde
desci de um elétrico
pedi um cafezinho
serviram-me uma bica
quis comprar meias
só vendiam peúgas
fui dar à descarga
disparei um autoclisma
gritei “ó cara!”
responderam-me “ó pá!”
positivamente
as aves que aqui gorjeiam não gorjeiam como lá
José Paulo Paes. A poesia está morta mas juro que não fui eu. São Paulo: Duas Cidades, 1998Relendo o poema e observando, sobretudo, a disposição visual dos versos e possíveis relações entre o título e o último verso, É CORRETO afirmar que
ALTÉIA
Aquele pastor amante,
Que nas úmidas ribeiras
Deste cristalino rio
Guiava as brancas ovelhas;
Aquele, que muitas vezes
Afinando a doce avena,
Parou as ligeiras águas,
Moveu as bárbaras penhas;
Sobre uma rocha sentado
Caladamente se queixa:
Que para formar as vozes,
Teme, que o ar as perceba.
Algumas características muito se destacaram no Arcadismo como: a sonoridade dos versos e a referência ao ambiente bucólico e pastoril.
Releia o poema e assinale a única alternativa que foge à sensação de amenidade e equilíbrio que advém do cenário descrito no poema:
Sobre a importância da literatura na sociedade, leia o excerto a seguir:
O papel da literatura no mundo de hoje
Segundo o especialista Antônio Cândido, em seu texto Direitos humanos e literatura, a literatura é, ou deveria ser, um direito básico do ser humano, pois a ficção atua no caráter e na formação crítica do ser humano.
Ele destaca que a literatura deveria estar inserida entre os direitos básicos do ser humano, pois desde os primórdios da humanidade o ser humano tem a necessidade de se alimentar intelectualmente de algum tipo de ficção. Ele defende que nenhum ser humano é capaz de viver sem algum tipo de ficção, mesmo em uma parte de seu dia, todos os dias; aponta que a literatura é uma necessidade do ser humano, sendo assim, todos deveriam ter direito à literatura, assim como moradia, alimentação, saúde, segurança e os demais direitos que possuímos registrados na lei dos direitos humanos. [...]
Segundo ele, a literatura se manifesta universalmente através do ser humano, e em todos os tempos, tem função e papel humanizador. A literatura tem suma importância na construção de uma sociedade. [...]
Disponível em: https://homoliteratus.com/literatura-no-mundo-de-hoje/Relacione as estrofes a seguir (retiradas de leituras obrigatórias) com o excerto lido e identifique aquela que cumpre a função e papel humanizador atribuído à Literatura:
O livro It – A Coisa, de Stephen King
Durante as férias escolares de 1958, em Derry, pacata cidadezinha do Maine, Bill, Richie, Stan, Mike, Eddie, Ben e Beverly aprenderam o real sentido da amizade, do amor, da confiança e... do medo. O mais profundo e tenebroso medo. Naquele verão, eles enfrentaram pela primeira vez a Coisa, um ser sobrenatural e maligno, que deixou terríveis marcas de sangue em Derry. Quase trinta anos depois, os amigos voltam a se encontrar. Uma nova onda de terror tomou a pequena cidade. Mike Hanlon, o único que permanece em Derry, dá o sinal. Precisam unir forças novamente. A Coisa volta a atacar e eles devem cumprir a promessa selada com sangue que fizeram quando crianças. Só eles têm a chave do enigma. Só eles sabem o que se esconde nas entranhas de Derry. O tempo é curto, mas somente eles podem vencer a Coisa. Em It – A Coisa, clássico de Stephen King em nova edição, os amigos irão até o fim, mesmo que isso signifique ultrapassar os próprios limites.
Disponível em: www.livrariacultura.com.br. Acesso em: 1 dez. 2017.Relacionando-se os elementos que compõem esse texto, depreende-se que sua função social consiste em levar o leitor a