Texto
Soneto
Aquela triste e leda madrugada,
cheia toda de mágoa e piedade,
enquanto houver no mundo saudade,
quero que seja sempre celebrada
Ela só, quando amena e marchetada
saía, dando ao mundo claridade,
viu apartar-se duma outra vontade,
que nunca poderá ser apartada.
Ela só viu as lágrimas em fio,
que duns e doutros olhos derivadas,
se acrescentaram em grande largo rio.
Ela viu as palavras magoadas
que puderam tornar o fogo frio,
e dar descanso às almas condenadas
Quando o autor fala da madrugada, no texto percebe-se aí que há uma:
O melro veio com efeito às três horas. Luísa estava nasala, ao piano.
– Está ali o sujeito do costume – foi dizer Juliana.
Luísa voltou-se corada, escandalizada da expressão:
– Ah! meu primo Basílio? Mande entrar.
E chamando-a:
– Ouça, se vier o Sr. Sebastião, ou alguém, que entre.
Era o primo! O sujeito, as suas visitas perderam de repente para ela todo o interesse picante. A sua malícia cheia, enfunada até aí, caiu, engelhou-se como uma vela a que falta o vento. Ora, adeus! Era o primo!
Subiu à cozinha, devagar, — lograda.
– Temos grande novidade, Sr.a Joana! O tal peralta é primo. Diz que é o primo Basílio.
E com um risinho:
– É o Basílio! Ora o Basílio! Sai-nos primo à última hora! O diabo tem graça!
– Então que havia de o homem ser se não parente?
– observou Joana.
Juliana não respondeu. Quis saber se estava o ferro pronto, que tinha uma carga de roupa para passar! E sentouse à janela, esperando. O céu baixo e pardo pesava, carregado de eletricidade; às vezes uma aragem súbita e fina punha nas folhagens dos quintais um arrepio trêmulo.
– É o primo! – refletia ela. – E só vem então quando o marido se vai. Boa! E fica-se toda no ar quando ele sai; e é roupa-branca e mais roupa-branca, e roupão novo, e tipoia para o passeio, e suspiros e olheiras! Boa bêbeda! Tudo fica na família!
Os olhos luziam-lhe. Já se não sentia tão lograda. Havia ali muito “para ver e para escutar”. E o ferro estava pronto?
Mas a campainha, embaixo, tocou.
(Eça de Queirós. O primo Basílio, 1993.)Quando é avisada de que Basílio estava em sua casa, Luísa escandaliza-se com a forma de expressão de sua criada Juliana. A reação de Luísa decorre
Considere o trecho de Vidas Secas, de Graciliano Ramos, para responder a questão.
Festa
Fabiano marchava teso.
Os dois meninos espiavam os lampiões e adivinhavam casos extraordinários. Não sentiam curiosidade, sentiam medo, e por isso pisavam devagar, receando chamar a atenção das pessoas. Supunham que existiam mundos diferentes da fazenda, mundos maravilhosos na serra azulada. Aquilo, porém, era esquisito. Como podia haver tantas casas e tanta gente? Com certeza os homens iriam brigar. Seria que o povo ali era brabo e não consentia que eles andassem entre as barracas? Estavam acostumados a aguentar cascudos e puxões de orelhas. Talvez as criaturas desconhecidas não se comportassem como sinha Vitória, mas os pequenos retraíam- se, encostavam-se às paredes, meio encandeados, os ouvidos cheios de rumores estranhos.
Chegaram à igreja, entraram. Baleia ficou passeando na calçada, olhando a rua, inquieta.
(Vidas Secas, 1982.)Quando chegam à festa de Natal na cidade, com Fabiano e sinha Vitória, os dois meninos sentem-se
CAPÍTULO LXXI / O SENÃO DO LIVRO
Começo a arrepender-me deste livro. Não que ele me canse; eu não tenho que fazer; e, realmente, expedir alguns magros capítulos para esse mundo sempre é tarefa que distrai um pouco da eternidade. Mas o livro é enfadonho, cheira a sepulcro, traz certa contração cadavérica; vício grave, e aliás ínfimo, porque o maior defeito deste livro és tu, leitor. Tu tens pressa de envelhecer, e o livro anda devagar; tu amas a narração direta e nutrida, o estilo regular e fluente, e este livro e o meu estilo são como os ébrios, guinam à direita e à esquerda, andam e param, resmungam, urram, gargalham, ameaçam o céu, escorregam e caem...
(Memórias Póstumas de Brás Cubas, Machado de Assis)Quando afirma distrair-se um pouco diante da eternidade, remetenos ao fato de, em outro momento da obra, o narrador intitular-se:
Leia as seguintes afirmações sobre Senhora, de José Alencar:
I. No livro, a mulher e o homem se defrontam num plano de igualdade, sendo capazes de um amadurecimento interior.
II. A personagem feminina do romance vende-se a um esposo milionário.
III. O autor aborda, na obra, a questão da consciência individual em face do dinheiro.
Qual(is) não está(ão) correta(s)?
Leia as seguintes afirmações sobre Marília de Dirceu, de Tomás Antônio Gonzaga:
I. Embora seja uma das principais características do período árcade, o bucolismo está ausente do poema.
II. A busca da objetividade conduziu à neutralização da individualidade do poeta, que passa a recorrer a situações e emoções genéricas nas quais sua emoção se dilua.
III. Está presente na obra de Tomás Antônio Gonzaga a concepção burguesa do amor e da vida.
Qual(is) está(ão) correta(s)?
Os autores árcades reagiram aos exageros inspirados na frase de Horácio, “Fugere urbem” (fugir da cidade), e foram levados pela teoria de Rousseau acerca do “bom selvagem”. Assim, voltam-se para a natureza em busca de uma vida simples, bucólica, pastoril.
Qual opção traz um exemplo de poesia com essas características
Qual movimento literário no Brasil tem como marco inicial a obra “Memórias Póstumas de Brás Cubas” (1881), de Machado de Assis?
Leia o trecho de Marília de Dirceu, do poeta Tomás Antonio Gonzaga.
“Com os anos, Marília, o gosto falta,
E se entorpece o corpo já cansado:
Triste, o velho cordeiro está deitado,
E o leve filho, sempre alegre, salta.
A mesma formosura
É dote que só goza a mocidade:
Rugam-se as faces, o cabelo alveja,
Mal chega a longa idade.
Que havemos de esperar, Marília bela?
Que vão passando os florescentes dias?
As glórias que vêm tarde, já vêm frias,
E pode, enfim, mudar-se a nossa estrela.
Ah! Não, minha Marília,
Aproveite-se o tempo, antes que faça
O estrado de roubar ao corpo as forças,
E ao semblante a graça!”
Na poesia árcade, era comum que os poetas retomassem temas que foram cultivados pelos poetas da Antiguidade Clássica. Os lemas árcades consistem na composição de expressões que remetem aos ideais da valorização da simplicidade, aspecto importante dessa escola literária. Cada um dos temas carrega um tipo de filosofia de vida.
Qual é o tema que o eu lírico desenvolve no trecho lido?
Qual é o motivo pelo qual Eugênio é enviado para o seminário no livro de Bernardo Guimarães?