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LiteraturaUNICENTRO2011

Tornou-se Pereira pálido, franzindo os sobrolhos e olhando de esguelha para quem tão imprudentemente elogiava assim, cara a cara, a beleza de sua filha; Inocência enrubesceu que nem uma romã; Cirino sentiu um movimento impetuoso, misturado de estranheza e desespero, e, lá da sua pele de tamanduá-bandeira, ergueu-se meio apavorado o anão.

Nem reparou Meyer e com a habitual ingenuidade prosseguiu:

–– Aqui, no sertão do Brasil, há o mau costume de esconder as mulheres.

Viajante não sabe de todo se são bonitas, se feias, e nada pode contar nos livros para o conhecimento dos que leem. Mas, palavra de honra, senhor Pereira, se todas se parecem com esta sua filha, é coisa muito e muito digna de ser vista e escrita! Eu...

–– O senhor não quer retirar-se? Interrompeu Pereira com modo áspero.

–– Pois não! Replicou o alemão.

TAUNAY, Visconde de. Inocência. Disponível em: www.nead.unama. br. Acesso em: 19 jun. 2010.

O diálogo entre as personagens Meyer, que representa a ideologia europeia, e Pereira, que traduz os valores sertanejos, evidencia

LiteraturaFDV2014

Leia o diálogo entre as personagens do romance mencionado – Lia e Lorena –, depois, responda o que se pede:

“— Ingleses? – pergunto. – Prefiro nossos biscoitos e nossa música. Chega de colonialismo cultural.

— Mas nossa música não me comove, querida. Se os seus baianos dizem que estão desesperados, acredito, acho ótimo. Mas se vem John Lennon ediz a mesma coisa, então vibro, fico mística. Sou mística.

— Você é fresca.

(TELLES, Lygia Fagundes. As meninas. São Paulo: Companhia das Letras, 2009, p.13)

O diálogo apresenta posições antagônicas, registrando o debate entre o nacionalismo e as influências estrangeiras. Esse debate NÃO esteve presente nas produções do:

LiteraturaUEMA2016

O Texto II mostra um diálogo entre o Diabo e a segunda personagem, o Onzeneiro, quando chega à Barca do Inferno.
Leia-o para responder à questão proposta.

Texto II

ONZENEIRO: Para onde caminhais?

DIABO: Oh! Que má-hora venhais,

onzeneiro meu parente!

[...]

DIABO: Ora mui muito me espanto

não vos livrar o dinheiro.

ONZENEIRO: Nem tão só para o barqueiro

não me deixaram nem tanto.

[...]

E para onde é a viagem?

DIABO: Para onde tu hás-de ir;

estamos para partir,

não cures de mais linguagem.

[...]

VICENTE, Gil. Auto da Barca do Inferno. São Paulo: FTD, 1997.

O Diabo ouve o pretexto do Onzeneiro, mas não se deixa levar pelos artifícios da eloquência do passageiro. Essa atitude do Diabo pode ser comprovada no verso

LiteraturaPUC-Rio2021

TEXTO

Foi em uma ambiência escolar marcada por práticas pedagógicas excelentes para uns, e nefastas para outros, que descobri com mais intensidade a nossa condição de negros e pobres. Geograficamente, no Curso Primário experimentei um “apartaid” escolar. O prédio era uma construção de dois andares. No andar superior, ficavam as classes dos mais adiantados, dos que recebiam medalhas, dos que não repetiam a série, dos que cantavam e dançavam nas festas e das meninas que coroavam Nossa Senhora. O ensino religioso era obrigatório e ali como na igreja os anjos eram loiros, sempre. Passei o Curso Primário, quase todo, desejando ser aluna de umas das salas do andar superior. Minhas irmãs, irmãos, todos os alunos pobres e eu sempre ficávamos alocados nas classes do porão do prédio. Porões da escola, porões dos navios. Entretanto, ao ser muito bem aprovada da terceira para a quarta série, para minha alegria fui colocada em uma sala do andar superior. Situação que desgostou alguns professores. Eu, menina questionadora, teimosa em me apresentar nos eventos escolares, nos concursos de leitura e redação, nos coros infantis, tudo sem ser convidada, incomodava vários professores, mas também conquistava a simpatia de muitos outros. Além de minhas inquietações, de meus questionamentos e brigas com colegas, havia a constante vigilância e cobrança de minha mãe à escola. Ela ia às reuniões, mesmo odiando o silêncio que era imposto às mães pobres e quando tinha oportunidade de falar soltava o verbo.

Ao terminar o primário, em 1958, ganhei o meu primeiro prêmio de literatura, vencendo um concurso de redação que tinha o seguinte título: “Por que me orgulho de ser brasileira”. Quanto à beleza da redação, reinou o consenso dos professores, quanto ao prêmio, houve discordâncias. Minha passagem pela escola não tinha sido de uma aluna bem-comportada. Esperavam certa passividade de uma menina negra e pobre, assim como da sua família. E não éramos. Tínhamos uma consciência, mesmo que difusa, de nossa condição de pessoas negras, pobres e faveladas.

(Adaptado de: LEE, B. Y. How Today’s Google Doodle, Dr. Virginia Apgar, Made A Big Difference In: Forbes (online) Pharma and Healthcare. 7 jun. 2018. Disponível em: https://www.forbes.com/sites/brucelee/2018/06/07/how-todays-google-doodle-drvirginia-apgar-made-a-big-difference/#71c42112594f Acesso em: 18 ago. 2018.)

O depoimento de Conceição Evaristo, uma das mais importantes escritoras contemporâneas, aproxima-se do poema de Castro Alves pela

LiteraturaUNICENTRO2020

O lançamento da obra Quarto de despejo, em 1960, fez de Carolina de Jesus o maior sucesso editorial da história da literatura brasileira, com cerca de um milhão de cópias vendidas. A autora deixou registrado o seguinte depoimento:

“Enquanto escrevo vou pensando que resido num castelo cor de ouro que reluz na luz do sol. Que as janelas são de prata e as luzes de brilhantes. Que a minha vista circula no jardim e eu contemplo as flores de todas as qualidades.”(1976).

O depoimento de Carolina de Jesus atesta o seguinte sobre sua relação com a vida e com a sua obra Quarto de despejo:

LiteraturaFACERES2016

O dadaísmo foi uma das vanguardas cujos preceitos serviram de base para o movimento do___________________, no início do século XX. Ele levou em consideração a afirmação da identidade nacional mas soube aproveitar (devorar) as influências estrangeiras para a concepção das obras. O termo que completa corretamente o espaço é:

LiteraturaUNIFESP2015

O crítico Massaud Moisés assinala o filosofismo como uma das características de Memórias póstumas de Brás Cubas, romance que inaugura a produção madura de Machado de Assis. Tal filosofismo pode ser identificado na passagem:

LiteraturaPUC-SP2016

O crítico Álvaro Lins sobre a obra Vidas Secas, de Graciliano Ramos, afirma que um de seus defeitos é “o excesso de introspecção em personagens tão precários e rústicos, estando constituída quase toda a novela de monólogos interiores”. Assim, indique em que alternativa ocorre o monólogo interior, também chamado de discurso indireto livre.

LiteraturaPUC-Campinas2010

A corrida para o ouro fundará cidades, lastreará um novociclo da colonização, que será erguido, porém, sobre a cobiça, a opressão, a barbárie. É a hora de a poesia dizer:

"Mil galerias desabam;

mil homens ficam sepultos;

mil intrigas, mil enredos,

prendem culpados e justos.

Já ninguém dorme tranquilo,

que a noite é um mundo de sustos.”

A história vai correndo, e há quem conte, se é historiador da máquina econômica, quanto ouro foi arrancado aos socavões de Vila Rica, quanto chegou ao reino, quanto passou às mãos dos mercantes da astuta Inglaterra. A lírica, porém, pede momentos de contemplação, e pode focalizar o caso de uma donzela assassinada por um pai que sofre vê-la enamorada de um jovem de condição desigual; e de ouro é feito o punhal, arma do crime.

(Adaptado de Alfredo Bosi, Céu, Inferno. São Paulo: Duas Cidades, 2003, p. 142-43)

O crítico Alfredo Bosi está aqui considerando a maneira como Cecília Meireles,

LiteraturaUnirG2017

Em São Bernardo, romance de Graciliano Ramos, Paulo Honório toma uma das decisões mais importantes de sua vida, que é a de constituir família.

O critério que estabelece para a escolha de uma esposa, baseia-se