AprendiAprendi
LiteraturaUNCISAL2017

[...]

Daí a pouco, em volta das bicas era um zunzum crescente; uma aglomeração tumultuosa de machos e fêmeas. Uns, após outros, lavavam a cara, incomodamente, debaixo do fio de água que escorria da altura de uns cinco palmos. O chão inundava-se. As mulheres precisavam já prender as saias entre as coxas para não as molhar; via-se-lhes a tostada nudez dos braços e do pescoço, que elas despiam, suspendendo o cabelo todo para o alto do casco; os homens, esses não se preocupavam em não molhar o pêlo, ao contrário metiam a cabeça bem debaixo da água e esfregavam com força as ventas e as barbas, fossando e fungando contra as palmas da mão [...].

AZEVEDO, Aluísio. O cortiço. São Paulo: Ática, 1997, p. 41.

O autor Aluísio Azevedo, nesse fragmento especificamente, traz ao contexto literário a caracterização humana impregnada de

LiteraturaEsPCEx2016

Leia o soneto a seguir e marque a alternativa correta quanto à proposição apresentada.

Se amor não é qual é este sentimento?

Mas se é amor, por Deus, que cousa é a tal?

Se boa por que tem ação mortal?

Se má por que é tão doce o seu tormento?

Se eu ardo por querer por que o lamento

Se sem querer o lamentar que val?

Ó viva morte, ó deleitoso mal,

Tanto podes sem meu consentimento.

E se eu consinto sem razão pranteio.

A tão contrário vento em frágil barca,

Eu vou por alto-mar e sem governo.

É tão grave de error, de ciência é parca

Que eu mesmo não sei bem o que eu anseio

E tremo em pleno estio e ardo no inverno.

O artista do Classicismo, para revelar o que está no universo, adota uma visão

LiteraturaUnirG2021

Leia atentamente o texto a seguir e responda à questão :

DESASTROSAS CONSEQUÊNCIAS DE UM REQUERIMENTO

Era assim concebida a petição:

“Policarpo Quaresma, cidadão brasileiro, funcionário público, certo de que a língua portuguesa é emprestada ao Brasil; certo também de que, por esse fato, o falar e o escrever em geral, sobretudo no campo das letras, se veem na humilhante contingência de sofrer continuamente censuras ásperas dos proprietários da língua; sabendo, além, que, dentro do nosso país, os autores e escritores, com especialidade os gramáticos, não se entendem no tocante à correção gramatical, vendo-se, diariamente, surgir azedas polêmicas entre os mais profundos estudiosos do nosso idioma – usando do direito que lhe confere a Constituição, vem pedir que o Congresso Nacional decrete o tupi-guarani como língua oficial e nacional do povo brasileiro. [...]. Seguro de que a sabedoria dos legisladores saberá encontrar meios para realizar semelhante medida e cônscio de que a Câmara e o Senado pesarão o seu alcance e utilidade, P.e E. deferimento”.

BARRETO, Lima. Triste Fim de Policarpo Quaresma. São Paulo: Editora Ática, 1997. p.52-53 (1ª Parte Capítulo IV, Fragmento)

O argumento fundamental, presente nesse fragmento, em que se baseava o requerente para a adoção do tupi-guarani era de caráter:

LiteraturaUNCISAL2012

O Arcadismo foi um movimento artístico de caráter clássico, sobre o qual se pode afirmar que

LiteraturaIMEPAC2014

Leia o trecho seguinte, presente na obra Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles.

Entre esta porta e esta ponte,

fica o mistério parado.

Aqui, Glauceste Satúrnio,

morto, ou vivo disfarçado,

deixou de existir no mundo,

em fábula arrebatado,

como árcade ultramarino

em mil amores enleado.

O Arcadismo é uma escola literária surgida no século XVIII, que buscava exaltar a natureza e, por tal razão, muitos poetas que seguiam essa escola adotaram pseudônimos de pastores gregos ou latinos. Poeta árcade que tinha a alcunha de Glauceste Satúrnio e figura histórica atuante na Inconfidência Mineira, o trecho citado se refere a

LiteraturaESA2017

O Arcadismo brasileiro originou-se e teve maior expressão em (no):

LiteraturaUEA2018

Leia os versos do poema “Os estatutos do homem”, de Thiago de Mello, para responder à questão.

Artigo 12

Decreta-se que nada será obrigado nem proibido.

Tudo será permitido,

sobretudo brincar com os rinocerontes

e caminhar pelas tardes

com uma imensa begônia na lapela.

(Estatutos do homem, 1986.)

O aparecimento de elementos de linguagem poética, fantasiosa, no interior de um formato tipicamente jurídico reafirma

LiteraturaUNIFOR2014

Duas casas, iguais em dignidade - na formosa Verona vos dirão - reativaram antiga inimizade, manchando mãos fraternas sangue irmão. Do fatal seio desses dois rivais um par nasceu de amantes desditosos, que em sua sepultura o ódio dos pais depuseram, na morte venturosos. Os lances desse amor fadado à morte e a obstinação dos pais sempre exaltados que teve fim naquela triste sorte em duas horas vereis representados. Se emprestardes a tudo ouvido atento, supriremos as faltas a contento.

(SHAKESPEARE, William. Romeu e Julieta. Disponível em: < http://www.psb40.org.br/bib/b367.pdf > Acesso em: 11/03/2014)

O amor romântico e trágico sempre inspirou escritores das mais diferentes épocas e estilos na literatura universal. Assim como Romeu e Julieta, outros apaixonados também viveram um amor impossível levado por conflitos decorrentes do jogo de poder social, cultural, político, religioso e econômico encontrados na sociedade. Nesta linha de pensamento, NÃO se pode apontar a história dos personagens:

LiteraturaUFU2018

Os dois mais murmuravam que conversavam: havia pouco iniciara-se o namoro e ambos andavam tontos, era o amor. Amor com o que vem junto: ciúme.

– Está bem, acredito que sou a sua primeira namorada, fico feliz com isso. Mas me diga a verdade, só a verdade: você nunca beijou uma mulher antes de me beijar?

Ele foi simples:

– Sim, já beijei antes uma mulher.

– Quem era ela? perguntou com dor.

Ele tentou contar toscamente, não sabia como dizer.

O ônibus da excursão subia lentamente a serra. Ele, um dos garotos no meio da garotada em algazarra, deixava a brisa fresca bater-lhe no rosto e entrar-lhe pelos cabelos com dedos longos, finos e sem peso como os de uma mãe. Ficar às vezes quieto, sem quase pensar, e apenas sentir – era tão bom. A concentração no sentir era difícil no meio da balbúrdia dos companheiros. [...]

De olhos fechados entreabriu os lábios e colou-os ferozmente ao orifício de onde jorrava a água. O primeiro gole fresco desceu, escorrendo pelo peito até a barriga. [...]

Ele a havia beijado.

Sofreu um tremor que não se via por fora e que se iniciou bem dentro dele e tomou-lhe o corpo todo estourando pelo rosto em brasa viva.

Deu um passo para trás ou para frente, nem sabia mais o que fazia. Perturbado, atônito, percebeu que uma parte de seu corpo, sempre antes relaxada, estava agora com uma tensão agressiva, e isso nunca lhe tinha acontecido. [...]

Até que, vinda da profundeza de seu ser, jorrou de uma fonte oculta nele a verdade. Que logo o encheu de susto e logo também de um orgulho antes jamais sentido: ele…

Ele se tornara homem.

LISPECTOR, Clarice. O primeiro beijo. In: Felicidade clandestina. Rio de Janeiro: Rocco, 1998. p. 157.(Adaptado)

O amor juvenil é tema de O primeiro beijo, de Clarice Lispector. Além disso, esse conto pode ser interpretado como um rito de passagem e dele se entende que

LiteraturaUCS2015

O amor é um dos grandes motivos literários e está continuamente presente nas produções artísticas sob perspectivas diferentes. A estética realista tematiza o amor de modo particular, abordando-o desde um ponto de vista pessimista e irônico. Assinale a alternativa que apresenta, enfaticamente, essa perspectiva.