Nome central da poética romântica, o poeta maranhense Gonçalves Dias (1823-1964) foi um dos criadores e um dos propagadores da literatura indianista, movimento literário considerado um dos pontos alto do romantismo brasileiro. Dentre os títulos abaixo, qual obra se inscreve na poesia indianista e que foi escrita pelo poeta maranhense?
Noconto de Clarice Lispector, o aspecto exótico, demarcado pela “raridade” da descoberta da “menor mulher do mundo”, é relativizado, principalmente, porque:
A intertextualidade ocorre quando os textos se originam de outros textos, com os quais o autor dialoga em sua escrita.
No verso “mal cabem em nossa voz”, o eu lírico afirma que:
TEXTO:
Nosso Tempo
Esse é tempo de partido,
tempo de homens partidos.
Em vão percorremos volumes,
viajamos e nos colorimos.
[5] A hora pressentida esmigalha-se em pó na rua.
Os homens pedem carne. Fogo. Sapatos.
As leis não bastam. Os lírios não nascem
da lei. Meu nome é tumulto, e escreve-se
na pedra.
[10] Visito os fatos, não te encontro.
Onde te ocultas, precária síntese,
penhor de meu sono, luz
dormindo acesa na varanda?
Miúdas certezas de empréstimos, nenhum beijo
[15] sobe ao ombro para contar-me
a cidade dos homens completos.
Calo-me, espero, decifro.
As coisas talvez melhorem.
São tão fortes as coisas!
[20] Mas eu não sou as coisas e me revolto.
Tenho palavras em mim buscando canal,
são roucas e duras,
irritadas, enérgicas,
comprimidas há tanto tempo,
[25] perderam o sentido, apenas querem explodir.
Esse é tempo de divisas,
tempo de gente cortada.
De mãos viajando sem braços,
obscenos gestos avulsos.
[30] Mudou-se a rua da infância.
E o vestido vermelho
vermelho
cobre a nudez do amor,
ao relento, no vale.
[35] Símbolos obscuros se multiplicam.
Guerra, verdade, flores?
Dos laboratórios platônicos mobilizados
vem um sopro que cresta as faces
e dissipa, na praia, as palavras.
[40] e pulsação, o ofego,
e o ar da noite é o estritamente necessário
para continuar, e continuamos.
DRUMMOND DE ANDRADE, Carlos. A Rosa do Povo. Rio de Janeiro: Record, 22ª-edição, p. 29-31. Adaptado.No verso “A hora pressentida esmigalha-se em pó na rua.” (v. 5), em relação aos anteriores, está implícito
A questão abordaum poema de Raul de Leoni (1895-1926)
A alma das cousas somos nós...
Dentro do eterno giro universal
Das cousas, tudo vai e volta à alma da gente,
Mas, se nesse vaivém tudo parece igual
Nada mais, na verdade,
[05] Nunca mais se repete exatamente...
Sim, as cousas são sempre as mesmas na corrente
Que no-las leva e traz, num círculo fatal;
O que varia é o espírito que as sente
Que é imperceptivelmente desigual,
[10] Que sempre as vive diferentemente,
E, assim, a vida é sempre inédita, afinal...
Estado de alma em fuga pelas horas,
Tons esquivos e trêmulos, nuanças
Suscetíveis, sutis, que fogem no Íris
[15] Da sensibilidade furta-cor...
E a nossa alma é a expressão fugitiva das cousas
E a vida somos nós, que sempre somos outros!...
Homem inquieto e vão que não repousas!
Para e escuta:
Se as cousas têm espírito, nós somos
Esse espírito efêmero das cousas,
Volúvel e diverso,
Variando, instante a instante, intimamente,
E eternamente,
[25] Dentro da indiferença do Universo!...
No último verso do poema, o eu lírico conclui que
Texto para aquestão
A tela contemplada
Pintor da soledade nos vestíbulos
de mármore e losango, onde as colunas
se deploram silentes, sem que as pombas
venham trazer um pouco do seu ruflo;
traça das finas torres consumidas
no vazio mais branco e na insolvência
de arquiteturas não arquitetadas,
porque a plástica é vã, se não comove,
ó criador de mitos que sufocam,
desperdiçando a terra, e já recuam
para a noite, e no charco se constelam,
por teus condutos flui um sangue vago,
e nas tuas pupilas, sob o tédio,
é a vida um suspiro sem paixão.
Carlos Drummond de Andrade, Claro enigma.
No último verso do poema (“é a vida um suspiro sem paixão”), realçase o sujeito por meio de sua posposição ao verbo. Ocorre o mesmo recurso expressivo no trecho:
CAPÍTULO LIII
. . . . . . .
Virgília é que já se não lembrava da meia dobra; toda
ela estava concentrada em mim, nos meus olhos, na minha
vida, no meu pensamento;—era o que dizia, e era verdade.
Há umas plantas que nascem e crescem depressa;
[5] outras são tardias e pecas. O nosso amor era daquelas;
brotou com tal ímpeto e tanta seiva, que, dentro em pouco,
era a mais vasta, folhuda e exuberante criatura dos bosques.
Não lhes poderei dizer, ao certo, os dias que durou esse
crescimento. Lembra-me, sim, que, em certa noite, abotoou-
[10] se a flor, ou o beijo, se assim lhe quiserem chamar, um beijo
que ela me deu, trêmula,—coitadinha,—trêmula de medo,
porque era ao portão da chácara. Uniu-nos esse beijo único,
— breve como a ocasião, ardente como o amor, prólogo de
uma vida de delícias, de terrores, de remorsos, de prazeres
[15] que rematavam em dor, de aflições que desabrochavam em
alegria,— uma hipocrisia paciente e sistemática, único freio
de uma paixão sem freio,—vida de agitações, de cóleras, de
desesperos e de ciúmes, que uma hora pagava à farta e de
sobra; mas outra hora vinha e engolia aquela, como tudo
[20] mais, para deixar à tona as agitações e o resto, e o resto do
resto, que é o fastio e a saciedade: tal foi o livro daquele
prólogo.
Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas.No último período do texto, o ritmo que o narrador imprime ao relato de seus amores corresponde sobretudo ao que se encontra expresso em
No último período do texto IV, o narrador define “Lili, da palavra “superior”. invencível armada” como “contorcionista da metrificação parnasiana”. Considerando-se as características do Parnasianismo, pode-se afirmar que:
Muitos guerreiros de sua raça acompanharam o chefe branco, para fundar com ele a mairi dos cristãos. Veio também um sacerdote de sua religião, de negras vestes, para plantar a cruz na terra selvagem.
Poti foi o primeiro que ajoelhou aos pés do sagrado lenho; não sofria ele que nada mais o separasse de seu irmão branco. Deviam ter ambos um só deus, como tinham um só coração.
Ele recebeu com o batismo o nome do santo, cujo era o dia; e o do rei, a quem ia servir, e sobre os dois o seu, na língua dos novos irmãos.
(José de Alencar. Iracema. São Paulo: Moderna, 1993. p. 83)
No último parágrafo do texto, Alencar dá como possível uma harmonização entre
CAPÍTULO 73 - O Luncheon*
O despropósito fez-me perder outro capítulo. Que melhor não era dizer as coisas lisamente, sem todos estes solavancos! Já comparei o meu estilo ao andar dos ébrios. Se a ideia vos parece indecorosa, direi que ele é o que eram as minhas refeições com Virgília, na casinha da Gamboa, onde às vezes fazíamos a nossa patuscada, o nosso luncheon. Vinho, frutas, compotas. Comíamos, é verdade, mas era um comer virgulado de palavrinhas doces, de olhares ternos, de criancices, uma infinidade desses apartes do coração, aliás o verdadeiro, o ininterrupto discurso do amor. Às vezes vinha o arrufo temperar o nímio adocicado da situação. Ela deixava-me, refugiava-se num canto do canapé, ou ia para o interior ouvir as denguices de Dona Plácida. Cinco ou dez minutos depois, reatávamos a palestra, como eu reato a narração, para desatá-la outra vez. Note-se que, longe de termos horror ao método, era nosso costume convidá-lo, na pessoa de Dona Plácida, a sentar-se conosco à mesa; mas Dona Plácida não aceitava nunca.
Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas.No trecho, revelam, respectivamente, um parentesco e um afastamento em relação às Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida, o termo