AprendiAprendi
LiteraturaUNIFOR2011

O rio que fazia uma volta atrás de nossa casa era a

imagem de um vidro mole que fazia uma volta atrás

de casa.

Passou um homem depois e disse: Essa volta que o

rio faz por trás de sua casa se chama enseada.

Não era mais a imagem de uma cobra de vidro que

fazia uma volta atrás de casa.

Era uma enseada.

Acho que o nome empobreceu a imagem.

BARROS, Manoel de. O livro das Ignorãças. Rio de Janeiro: Record, 1994

Em todos os poemas de O Livro das Ignorãças há a ideia de desinventar coisas e palavras, deixá-las sem definição; permitir que simplesmente sejam, sem que haja nomes para aprisioná-las num mundo de conceitos, que se tornam cada vez mais gastos e pobres. Nesse poema XIX, pode-se dizer que o poeta

LiteraturaUNICENTRO2019

Em Toda poesia, de Paulo Leminski, não há ocorrência de

LiteraturaUNIOESTE2017

Em Terras do sem fim, quem é a personagem que, caracterizada pelo engrandecimento, aparece no romance através de histórias marcadas pela superstição, violência e desonestidade: venda da alma ao diabo, tocaia interesseira e mortes bárbaras: “cortara-lhe as orelhas, a língua, o nariz e os ovos”?

LiteraturaUFGD2010

Em Terra sonâmbula, de Mia Couto, de que maneira os cadernos de Kindzu adquirem importância para a sobrevivência do menino Muidinga em meio à guerra civil que assola o país?

LiteraturaUNIEVA2019

Leia o poema e observe a imagem a seguir pararesponder a questão

Eu, filho do carbono e do amoníaco,

Monstro de escuridão e rutilância,

Sofro, desde a epigênese da infância,

À influência má dos signos do zodíaco.

Profundissimamente hipocondríaco,

Este ambiente me causa repugnância...

Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia

Que se escapa da boca de um cardíaco.

Já o verme — este operário das ruínas —

Que o sangue podre das carnificinas

Come, e à vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,

E há de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!

ANJOS, Augusto dos. Psicologia de um Vencido. In: Eu e outros poemas. 30. ed. Rio de Janeiro: Livraria São José, 1965. p. 146.

Em termos de periodização, a pintura apresentada filia- se ao Realismo, ao passo que o poema, no âmbito da historiografia literária brasileira, se enquadra no

LiteraturaUEG2020

Leia o poema a seguir para responder à questão.


Ergue-se Marco Antônio de repente...
Ouve-se um grito estrídulo, que soa
O silêncio cortando, e longamente
Pelo deserto acampamento ecoa.


[5] O olhar em fogo, os carregados traços
Do rosto em contração, alto e direito
O vulto enorme, – no ar levanta os braços,
E nos braços aperta o próprio peito.


Olha em torno e desvaira. Ergue a cortina,
[10] A vista alonga pela noite afora...
Nada vê. Longe, à porta purpurina
Do Oriente em chamas, vem raiando a aurora.


E a noite foge. Em todo o firmamento
Vão se fechando os olhos das estrelas:
[15] Só perturba a mudez do acampamento
O passo regular das sentinelas.

BILAC, Olavo. O sonho de Marco Antônio – parte III. In: Melhores poemas de Olavo Bilac. 4. ed. Global, 2003. p. 37.

Em termos de conteúdo, o excerto poético apresentado é configurado por uma referência a elementos

LiteraturaFUVEST2021

— Posso furar os olhos do povo?
Esta frase besta foi repetida muitas vezes e, em falta de coisa melhor, aceitei-a. Sem dúvida. As mulheres hoje não vivem como antigamente, escondidas, evitando os homens. Tudo é descoberto, cara a cara. Uma pessoa topa outra. Se gostou, gostou; se não gostou, até logo. E eu de fato não tinha visto nada. As aparências mentem. A terra não é redonda? Esta prova da inocência de Marina me pareceu considerável. Tantos indivíduos condenados injustamente neste mundo ruim! O retirante que fora encontrado violando a filha de quatro anos — estava aí um exemplo. As vizinhas tinham visto o homem afastando as pernas da menina, todo o mundo pensava que ele era um monstro. Engano. Quem pode lá jurar que isto é assim ou assado? Procurei mesmo capacitar-me de que Julião Tavares não existia. Julião Tavares era uma sensação. Uma sensação desagradável, que eu pretendia afastar de minha casa quando me juntasse àquela sensação agradável que ali estava achoramingar.

Graciliano Ramos, Angústia.

Em termos críticos, esse fragmento permite observar que, no plano maior do romance Angústia, o ponto de vista

LiteraturaUNIEVA2015

Leia o poema a seguir para responder à questão.

Catar feijão

Catar feijão se limita com escrever:
Joga-se os grãos na água do alguidar
E as palavras na folha de papel;
E depois, joga-se fora o que boiar.
Certo, toda palavra boiará no papel,
Agua congelada, por chumbo seu verbo:
Pois para catar esse feijão, soprar nele,
E jogar fora o leve e o oco, palha eco,


Ora, nesse catar feijão entra um risco:
O de que entre grãos pesados entre
Um grão qualquer, pedra ou indigesto,
Um grão imastigável, de quebra dente.
Certo não, quando ao catar palavras:
A pedra dá à frase seu grão mais vivo:
Obstrui a leitura fluviante, flutual,
Açula a atenção, isca-a com o risco.

MELO NETO, João Cabral de. Poesias completas. 3. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1979. p. 21-22.

Em termos composicionais, verifica-se a presença de

LiteraturaUNISC2012

Em sua vasta e diversificada obra, Machado de Assis consolida algumas características muito marcantes. Assinale, entre as alternativas abaixo, o que não é traço ou preocupação dominante em sua obra.

LiteraturaFGV-SP2014

Consideração do poema

Não rimarei a palavra sono

com a incorrespondente palavra outono.

Rimarei com a palavra carne

ou qualquer outra, que todas me convêm.

As palavras não nascem amarradas,

elas saltam, se beijam, se dissolvem,

no céu livre por vezes um desenho,

são puras, largas, autênticas, indevassáveis.

Uma pedra no meio do caminho

ou apenas um rastro, não importa.

Estes poetas são meus. De todo o orgulho,

de toda a precisão se incorporam

ao fatal meu lado esquerdo. Furto a Vinicius

sua mais límpida elegia. Bebo em Murilo.

Que Neruda me dê sua gravata

chamejante. Me perco em Apollinaire. Adeus, Maiakovski.

São todos meus irmãos, não são jornais

nem deslizar de lancha entre camélias:

é toda a minha vida que joguei.

Estes poemas são meus. É minha terra

e é ainda mais do que ela. É qualquer homem

ao meio-dia em qualquer praça. É a lanterna

em qualquer estalagem, se ainda as há.

– Há mortos? há mercados? há doenças?

É tudo meu. Ser explosivo, sem fronteiras,

por que falsa mesquinhez me rasgaria?

Que se depositem os beijos na face branca, nas principiantes rugas.

O beijo ainda é um sinal, perdido embora,

da ausência de comércio,

boiando em tempos sujos.

(...)

Carlos Drummond de Andrade, A rosa do povo.

Em sua consideração do poema, o poeta reivindica como traço de sua poética, entre outros,