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LiteraturaFDF2016

Eça de Queirós publicou em 1.901 a obra A Cidade e as Serras. Desse romance é INCORRETO afirmar que

LiteraturaIFRN2013

Leia o trecho do poema “Açúcar”, de Ferreira Gullar, e as afirmações que seguem .

“[...] Em usinas escuras,

homens de vida amarga

e dura

produziram este açúcar

branco e puro

com que adoço meu café esta manhã em Ipanema.” (Ferreira Gullar)

I. A tradição poética exaltada pelos modernistas é rompida em “Açúcar” pela presença dos versos livres e brancos.

II. As antíteses branco/escuro e doce/amargo reforçam a distância social entre o trabalhador da cana e o homem que adoça seu café na manhã de Ipanema.

III. Os traços estilísticos do poema de Gullar, assim como a temática da cana-de-açúcar, configuram-se como características do Romantismo brasileiro.

IV. O trabalho cuidadoso de Ferreira Gullar com a linguagem, explorando a plurissignificação das palavras, configura-se como característica do texto literário.

É, portanto, correto afirmar que apenas as opções

LiteraturaUEMS2010

Considere os fragmentos da obra “Livro sobre nada”, para responder à questão.

I

"...As coisas tinham para nós uma desutilidade poética. Nos fundos do quintal era riquíssimo o nosso dessaber. A gente inventou um truque para fabricar brinquedos com palavras..."

II

“o pai morava no fim de um lugar.
Aqui é lacuna de gente _ ele falou:
Só quase que tem bicho andorinha e árvore.
Quem aperta o botão do amanhecer é o arãquã.
Um dia apareceu por lá um doutor formado: cheio de
suspensórios e ademanes.
Na beira dos brejos gaviões-caranguejeiros comiam
caranguejos.
E era mesma distância entre as rãs e a relva.
A gente brincava com terra.
O doutor apareceu. Disse: Precisam de tomar
anquilostomina.
Perto de nós sempre havia uma espera de rolinhas.
O doutor espantou as rolinhas.”

(BARROS, M. Livro sobre nada. Rio de Janeiro:Record, 2001.)

Em referência aos fragmentos apresentados, pode-se afirmar que

I. apresentam exercícios poéticos “descoisificando” o mundo, buscando uma nova forma de organizá-lo. Nos versos, ocorrem neologismose combinações de palavras que invertem os significados com sentido novo e “desútil”.

II. mostram o poeta com postura de uma criança que percebe o mundo grandiosamente, fato que não ocorre com o personagem “doutor”, que perde a noção desse mundo.

III. apresentam perfeita conformidade com os modelos poéticos vigentes no Modernismo de 22, especialmente no que se refere ao aspecto nacionalista.

É verdadeiro o que se afirma em

LiteraturaUEMS2010

Com relação a “Conto de escola”, Machado de Assis

I. finalizou a narrativa de forma puramente lírica, fazendo com que a batida do tambor induzisse o herói a abandonar a idéia de vingança.

II. explicita o pessimismo irônico machadiano, denotado fortemente nos temas: a corrupção e a delação na infância.

III. apresenta o medo, sentido pelo personagem Raimundo, de levar uma surra de palmatória frente a possíveis notas baixas e ainda o da humilhação perante aos colegas.

É verdadeiro o que se afirma em

LiteraturaUEMS2010

Considere o texto (fragmento) “Sermão de Santo Antônio aos peixes”, para responder à questão.

A primeira coisa que me desedifica, peixes, de vós, é que comeis uns aos outros. Grande escândalo é este, mas a circunstância o faz ainda maior. Não só vos comeis uns aos outros senão que os grandes comem os pequenos. Se fora ao contrário era menos mal. Se os pequenos comeram os grandes, bastara um grande para muitos pequenos; mas como os grandes comem os pequenos, não bastam cem pequenos, nem mil, para um só grande. (...) Os homens com suas más e perversas cobiças, vêm a ser como os peixes que se comem uns aos outros.

(Vieira, Antônio. Sermões: a arte da retórica. São Paulo: Russel, 2006.)

Considerando o texto “Sermão de Santo Antônio aos peixes” e o estilo utilizado, Vieira

I. desenvolve seus temas por meio de raciocínios tortuosos e encadeamento rigorosamente lógico.

II. estabelece analogias e comparações entre situações de sua época e passagens bíblicas.

III. faz uso de rebuscada linguagem barroca, o que torna sua temática ultrapassada.

IV. revela em seus textos um hábil manejo da linguagem.

É verdadeiro o que se afirma apenas em

LiteraturaUNIVAG2021

Leia o início do conto “Músculos e nervos”, de Aluísio Azevedo, para responder à questão.


Terminava a primeira parte do espetáculo, quando D. Olímpia entrou no circo, pelo braço do pai.
Havia grande enchente. O público vibrava ainda sob a impressão do último trabalho exibido, que devia ter sido maravilhoso, porque o entusiasmo explodia por toda a plateia e de todos os lados gritavam ferozmente: “Scott! À cena Scott!” Dois sujeitos de libré azul com alamares dourados conduziam para o interior do teatro um cavalo que acabava de servir. Muitos espectadores, de chapéu no alto da cabeça, estavam de pé e batiam com a bengala nas costas das cadeiras; as cocotes pareciam loucas e soltavam guinchos, que ninguém entendia; das galerias trovejava um barulho infernal, e, por entre aquela descarga atroadora, só o nome do idolatrado acrobata sobressaía, exclamado com delírio por mil vozes.
— Scott! Scott!
Olímpia sentiu-se aturdida; o pai, no íntimo, arrependia-se de lhe ter feito a vontade, consentindo em levá-la ao circo, mas o médico recomendara tanto que não a contrariassem... e ela havia mostrado tanto empenho no capricho de ir aquela noite ao Politeama...
De repente, um grito uníssono partiu da multidão. Estalaram as palmas com mais ímpetos; choveram chapéus; arremessaram-se leques e ramalhetes, Scott havia reaparecido.
— Bravo! Bravo, Scott!
E os aplausos recrudesceram ainda.
O ginasta, que entrara de carreira, parou em meio da arena, aprumou o corpo, sacudiu a cabeleira anelada, e, voltando-se para a direita e para a esquerda, atirava beijos, sorrindo, no meio daquela tempestade gloriosa.

(Demônios, 2007.)

É uma característica marcante da estética naturalista presente no texto:

LiteraturaFAMECA2020

Leia o poema de Cruz e Sousa (1861-1898) para responder à questão.

O Assinalado


Tu és o louco da imortal loucura,
O louco da loucura mais suprema.
A terra é sempre a tua negra algema,
Prende-te nela a extrema Desventura.


Mas essa mesma algema de amargura,
Mas essa mesma Desventura extrema
Faz que tu’alma suplicando gema
E rebente em estrelas de ternura.


Tu és o Poeta, o grande Assinalado
Que povoas o mundo despovoado,
De belezas eternas, pouco a pouco…


Na Natureza prodigiosa e rica
Toda a audácia dos nervos justifica
Os teus espasmos imortais de louco!

(Lauro Junkes (org.). Roteiro da poesia brasileira − Simbolismo, 2006.)

Cruz e Sousa é associado ao Simbolismo.

É uma característica desse movimento o

LiteraturaUVA2017

TEXTO

[1] – Pode deixar o tabuleiro aí mesmo. Já estava com fome.

– Sinhá Mariana manda dizer ao senhor para desculpar. Hoje é dia de guarda, e o povo da casa-grande está no

jejum.

– Este povo vai todo pro céu. Estão pensando que Deus Nosso Senhor gosta de gado magro. Deus gosta é de

[5] ver gado de sedenho abrindo. O que foi que a velha mandou hoje? Esta história de bacalhau não é comigo.

– Todo mundo está no bacalhau, mestre Zé.

– Não venho trabalhar aqui para comer isto.

– Os brancos estão comendo, mestre.

– Quero lá saber de branco. Quero é a minha barriga cheia.

[10] O moleque abriu os dentes numa risada gostosa.

– Mestre, o velho anda com essa leseira de reza que não acaba mais.

– É o que eles querem. Estão pensando que oficial é cachorro. Pensam que me machucam, não me chamando

para comer na casa-grande. Não sou o pintor Laurentino que vive por aí contando prosa. O mestre José Amaro,

menino, tem a sua bondade, também. Tenho trabalhado para senhor de engenho de muitas posses, gente de mesa

[15] de banquete, e nunca vi este luxo aqui no Santa Fé.

(REGO, José Lins. Fogo Morto. 53ª ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1999. p.24-25).

É uma característica dessa Escola:

LiteraturaMACKENZIE2012

Pequei, Senhor, mas não porque hei pecado,

Da vossa alta piedade me despido,

Porque, quanto mais tenho delinquido,

Vos tenho a perdoar mais empenhado.

Gregório de Matos, “A Jesus Cristo Nosso Senhor”

Observação:

hei pecado= tenho pecado

delinquido = agido de modo errado

É traço relevante na caracterização do estilo de época a que pertence o texto:

LiteraturaPUC-Campinas2015

Todos os romances de Graciliano Ramos são tentativas de destruição: tentativas de “acabar com a minha memória”, tentativas de dissolver as recordações pelos “estranhos hiatos” dum sonho angustiado. Surge o clichê de que Graciliano teria sido, na mocidade, um “sertanejo culto”: e sugere aos críticos a ideia de que o romancista está furioso contra o ambiente selvagem de seu passado. Mas não é assim. Não é o sertão o culpado: Vidas secas

é o seu romance relativamente mais sereno, relativamente mais otimista. O culpado é − superficialmente visto numa primeira aproximação − a cidade. O herói de Graciliano Ramos é o sertanejo desenraizado, levado do mundo primitivo para o mundo do movimento. Em São Bernardo, o fazendeiro Paulo Honório consegue seu objetivo e, contudo, é uma vida malograda. Por quê? Porque seu criador quer mais que terra, casa, dinheiro, mulher. Quer realmente voltar aos avós. Voltar à imobilidade, à estabilidade do mundo primitivo.

(Adaptado de: CARPEAUX, Otto Maria. Visão de Graciliano Ramos. Apresentação a Angústia. Rio de Janeiro: Martins, 1970, 12. ed., p. 14)

É procedente a afirmação de que Vidas secas é o romance relativamente mais otimista de Graciliano Ramos porque, nele,