AprendiAprendi
LiteraturaUNICENTRO2013

Quantas vezes passaram por aqui peste e guerra, terramotos e incêndios, e sempre esta terra envolvente ressurgiu do pó e das cinzas, fazendo do amargo sofrimento doçura de viver, da tentação barbárica civilização, campo de golfe e piscina, iate na marina edescapotável no cais, o homem é a mais adaptável das criaturas, principalmente quando vai para melhor. Ainda que não seja lisonjeiro confessá-lo, para certos europeus, verem-se livres dos incompreensíveis povos ocidentais, agora em navegação desmastreada pelo mar oceano, donde nunca deveriam ter vindo, foi, só por si, uma benfeitoria, promessa de dias ainda mais confortáveis, cada qual com seu igual, começámosfinalmente a saber o que a Europa é, se não restam nela, ainda, parcelas espúrias que, mais tarde ou mais cedo, por qualquer modo se desligarão também.
SARAMAGO. José. A jangada de pedra. São Paulo: Companhia das Letras, 2006. p. 139.

Assinale a alternativa que NÃO apresenta um tema relacionado ao fragmento acima e à obra em sua totalidade.

LiteraturaPUC-SP2019

Leia atentamente os versos destacados do poema “À Cidade da Bahia” de Gregório de Matos, escrito no final do século XVII.

Triste Bahia! Ó quão dessemelhante
Estás e estou do nosso antigo estado!
Pobre te vejo a ti, tu a mi empenhado,
Rica te vi eu já, tu a mi abundante

A ti trocou-te a máquina mercante,
Que em tua larga barra tem entrado,
A mim foi me trocando, e tem trocado,
Tanto negócio e tanto negociante

Matos, Gregório de – Poemas escolhidos; seleção e organização José Miguel Wisnik. – São Paulo: Companhia das Letras, 2010 P. 44

O poeta Gregório de Matos nasceu na Bahia, em 1636, e morreu em Recife, em 1696. Sua obra está extremamente identificada com a Bahia e, em especial, com Salvador, onde viveu parte significativa de sua vida.

Neste poema, Gregório expressou uma certa mágoa com sua terra natal.

Assinale a alternativa que melhor identifique essa mágoa associando-a com o contexto histórico da época.

LiteraturaIFSulDeMinas2015

Leia o trecho de Memórias de um sargento de milícias, no qual se relata o primeiro encontro entre Leonardo e Maria:

Sua história tem pouca coisa de notável. Fora Leonardo algibebe em Lisboa, sua pátria; aborrecera-se porém do negócio, e viera ao Brasil. Aqui chegando, não se sabe por proteção de quem, alcançou o emprego de que o vemos empossado, o que exercia, como dissemos, desde tempos remotos. Mas viera com ele no mesmo navio, não sei fazer o quê, uma certa Maria de hortaliça, quitandeira das praças de Lisboa, saloia rechonchuda e bonitona. O Leonardo, fazendo-se-lhe justiça, não era nesse tempo de sua mocidade mal apessoado, e sobretudo era maganão. Ao sair do Tejo, estando a Maria encostada à borda do navio, o Leonardo fingiu que passava distraído junto dela, e com o ferrado sapatão assentou-lhe uma valente pisadela no pé direito. A Maria, como se já esperasse por aquilo, sorriu-se como envergonhada do gracejo, e deu-lhe também em ar de disfarce um tremendo beliscão nas costas da mão esquerda. Era isto uma declaração em forma, segundo os usos da terra: levaram o resto do dia de namoro cerrado; ao anoitecer passou-se a mesma cena de pisadela e beliscão, com a diferença de serem desta vez um pouco mais fortes; e no dia seguinte estavam os dois amantes tão extremosos e familiares, que pareciam sê-lo de muitos anos.

Assinale a alternativa que melhor analisa a passagem:

LiteraturaUNIFOR2014

“Não queiras passar a ponte que se estende

imensa, silenciosa, sobre o mundo.

O amanhã é enigma. Não apreses o dia

porque a ponte pula o tempo.

Não pules o tempo”.

(Gabriel José da Costa)

Assinale a alternativa que mais corretamente interpreta o texto:

LiteraturaUECE2010

TEXTO 2

[80] O Quinze foi publicado em agosto

de 1930. Não fez grande sucesso quando

saiu em Fortaleza. Escreveram até um

artigo falando que o livro era impresso em

papel inferior e não dizia nada de novo.

[85] Outro sujeito escreveu afirmando

que o livro não era meu, mas do meu

ilustre pai, Daniel de Queiroz. E isso tudo

me deixava meio ressabiada. Morava então

no Ceará o jornalista carioca Renato Viana,

[90] que me deu os endereços das pessoas no

Rio de Janeiro, uma lista de jornalistas e

críticos para os quais eu devia mandar o

livrinho. O mestre Antônio Sales, que

[95] Então me chegou uma carta do meu amigo

Hyder Corrêa Lima, que morava no Rio,

convivia com Nazareth Prado e a roda de

Graça Aranha. Hyder mostrava na carta o

maior alvoroço e contava o entusiasmo de

[100] Graça Aranha por O Quinze. Depois veio

uma carta autografada do próprio Graça,

realmente muito entusiasmado. Em

seguida começaram a chegar críticas, de

Augusto Frederico Schmidt (no "Novidades

[105] Literárias"), do escritor Artur Mota, em São

Paulo; foram pipocando notas e artigos,

tudo muito animador. No Ceará, não. Não

me lembro de nenhuma repercussão.

Depois, quando a coisa virou, é que o livro

[110] começou a pegar por lá.

(Rachel de Queiroz. In: QUEIROZ, Rachel de e QUEIROZ, Maria Luíza de. Tantos anos. p. 31.)

Assinale a alternativa que justifica, textualmente, o emprego da expressão ''Outro sujeito'' (na linha 85), sem que haja, antes, uma expressão que lhe faça contraponto, como um sujeito, por exemplo.

LiteraturaUEMS2009

Para o crítico Fábio Lucas, a obra Noite na taverna, de Álvares de Azevedo, pode ser considerada tanto uma “coletânea de sete contos”, quanto uma “novela de sete episódios”.

LUCAS, F. “O conto no Brasil moderno”. O livro do seminário (ensaios): 1ª Bienal Nestlé de literatura 1982. São Paulo. LR Editores. 1983.

Assinale a alternativa que justifica essa diferente possibilidade de classificação:

LiteraturaUNICAMP2021

“Era Noca, que vinha toda alterada.
─ Nossa Senhora! Quebrou-se o espelho grande do salão!
─ Quem foi que o quebrou? Perguntou Nina, para dizer alguma coisa.
─ Ninguém sabe. Veja só, que desgraça estará para acontecer! Espelho quebrado: morte ou ruína.
─ Morte! Se fosse a minha...”

(Júlia Lopes de Almeida, A Falência. Campinas: Editora da Unicamp, 2018, p. 257.)

O diálogo apresenta a reação das personagens femininas ao incidente doméstico com o objeto de decoração no palacete de Botafogo.

Assinale a alternativa que justifica a fala final de Nina.

LiteraturaUNESP2014

A questão abordaum poema de Raul de Leoni (1895-1926)

A alma das cousas somos nós...

Dentro do eterno giro universal
Das cousas, tudo vai e volta à alma da gente,
Mas, se nesse vaivém tudo parece igual
Nada mais, na verdade,
[05] Nunca mais se repete exatamente...

Sim, as cousas são sempre as mesmas na corrente
Que no-las leva e traz, num círculo fatal;
O que varia é o espírito que as sente
Que é imperceptivelmente desigual,
[10] Que sempre as vive diferentemente,
E, assim, a vida é sempre inédita, afinal...

Estado de alma em fuga pelas horas,
Tons esquivos e trêmulos, nuanças
Suscetíveis, sutis, que fogem no Íris
[15] Da sensibilidade furta-cor...
E a nossa alma é a expressão fugitiva das cousas
E a vida somos nós, que sempre somos outros!...
Homem inquieto e vão que não repousas!
Para e escuta:

Se as cousas têm espírito, nós somos
Esse espírito efêmero das cousas,
Volúvel e diverso,
Variando, instante a instante, intimamente,
E eternamente,
[25] Dentro da indiferença do Universo!...

(Luz mediterrânea, 1965.)

Embora pareça constituído de versos livres modernistas, o poema em questão ainda segue a versificação medida, combinando versos de diferentes extensões, com predomínio dos de doze e dez sílabas métricas.

Assinale a alternativa que indica, na primeira estrofe, pela ordem em que surgem, os versos de dez sílabas métricas, denominados decassílabos.

LiteraturaFepese2021

Leia o texto.

Tinha dezessete anos; pungia-me um buçozinho que eu forcejava por fazer bigode. Os olhos, vivos e resolutos, eram a minha feição verdadeiramente máscula. Como ostentasse certa arrogância, não se distinguia bem se era uma criança com fumos de homem, se um homem com ares de menino. Ao cabo era um lindo garção*, lindo e audaz, que entrava na vida de botas e esporas, chicote na mão e sangue nas veias, cavalgando um corcel nervoso, rijo, veloz, como o corcel das antigas baladas, que o romantismo foi buscar ao castelo medieval, para dar com ele nas ruas do nosso século. O pior é que o estafaram a tal ponto, que foi preciso deitá-lo à margem, onde o realismo veio achar, comido de lazeira e vermes, e, por compaixão, o transportou para os seus livros.

Sim, eu era esse garção bonito, airoso, abastado; e facilmente se imagina que mais de uma dama inclinou diante de mim a fronte pensativa, ou levantou para mim os olhos cobiçosos. De todas, porém, a que me cativou foi uma … uma … uma que não sei se diga; este livro é casto, ao menos na intenção; na intenção ele é castíssimo. Mas vá lá; ou se há de dizer tudo ou nada. A que me cativou foi uma dama espanhola, Marcela, a “linda Marcela”, como lhe chamavam os rapazes do tempo. E tinham razão os rapazes. Era filha de hortelão da Astúrias; disse-mo ela mesma, num dia de sinceridade, porque a opinião aceita é que nascera de um letrado de Madri, vítima da invasão francesa, ferido, encarcerado, espingardeado, quando ela tinha apenas doze anos.

Cosas de España. Quem quer que fosse, porém, o pai, letrado ou hortelão, a verdade é que Marcela não possuía a inocência rústica, e mal chegava a entender a moral do código. Era boa moça, lépida, sem escrúpulos, um pouco tolhida pela austeridade do tempo, que não lhe permitia arrastar pelas ruas os seus estouvamentos e berlindas; luxuosa, impaciente, amiga do dinheiro e de rapazes. Naquele ano, morria de amores por um certo Xavier, sujeito abastado e tísico, – uma pérola.

* rapaz, moço

(Machado de Assis – Memórias Póstumas de Brás Cubas. Excerto)

Considere as afirmativas abaixo sobre o texto.

1. O texto fala de um “primeiro amor”.

2. A adolescência e o processo de passagem para a vida adulta do narrador são descritas nos dois primeiros parágrafos.

3. Xavier é tratado com desprezo e ironia.

4. O narrador, ao falar de si, mostra-se bastante melancólico.

5. Marcela é descrita preponderantemente nos seus aspectos físicos.

Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.

LiteraturaUDESC2011

A Literatura não está dissociada do meio. Os fragmentos abaixo descrevem três autoresrepresentantes do Modernismo/Pós-Modernismo da literatura brasileira e o contexto no qual estavam inseridos.

− “Em 1936, ..................................... foi preso por atividades consideradas subversivas, mas libertado no ano seguinte. Essas experiências pessoais foram retratadas em seu livro Memórias do cárcere. É tido hoje como o autor que levou ao limite o clima de tensão presente nas relações homem/meio natural e homem/meio social, tensão essa geradora de um relacionamento violento, capaz de moldar personalidades e de transfigurar o que os homens têm de bom. A luta pela sobrevivência, portanto, parece ser o grande ponto de contato entre todos os personagens; a lei maior é a da selva.”

− “Publicando seu primeiro livro em 1946, um ano após a queda de Getúlio Vargas e o início das produções da chamada Geração de 45, ..................................... apontaria novos rumos para a literatura brasileira. Os contos Sagarana abririam uma nova perspectiva para o regionalismo. A princípio, percebe-se uma revalorização da linguagem; depois, a universalização do regional.”

− “Com o AI-5 e os ataques de grupos de extrema-direita, desmantela-se o teatro de resistência; autores importantes, como Augusto Boal e José Celso, vão para o exílio; outros, como ....................................., continuam a produzir textos apesar da repressão. Sua obra O berço do herói é censurada, e mesmo uma década depois, já com outro nome, Roque Santeiro, numa adaptação para a televisão, ainda é vetada no dia da estreia.”

Adap. TERRA, Ernani, NICOLA, José. Gramática, literatura e redação para o 2º grau. São Paulo: Scipione, 1997.

Assinale a alternativa que indica sequencialmente os autores referentes às descrições acima.