Leia os fragmentos do primeiro e terceiro atos da peça Re-nato - A saga, de Múcio Breckenfeld, para responder a QUESTÃO.
Re-nato
Basta de avisos, mesmo que coberto de sinceridade.
Rogo eu, agora, que respeite meu livre-arbítrio.
Imagino que ainda o tenha, pois o resto me tomaste.
O que me resta é minha honra e minha coragem.
(...)
Desejo, apenas, a realização de tentar.
Empreenderei minha busca, sem colocar limites.
Serei eu mesmo, pela primeira vez...
Esta será minha sonhada redenção.
Jovem ainda sou, nem cativo, nem alienado por vós.
Ou será hoje o meu dia, ou não será nunca.
(...)
A voz do mundo
(...)
A (tua) estrada está aberta à tua frente,
Logo a dificuldade logrará.
Estarei como uma mãe cuidadosa
Guiando, no possível teus passos.
Reterei o máximo que puder a maldade
Isto raiará meus limites...
A tua sina já está, agora, selada.
(...)
A voz do mundo
Superaste teu maior inimigo.
Um inimigo que derruba a todos.
Ponderaste e agiste...
Está subjugado o teu monstro interior!
Rico foi este processo.
A saga foi vitoriosa.
Cada momento foi importante.
A conquista foi fruto da disciplina.
Obediência e fé nas palavras celestiais...
Considerando os fragmentos e o texto integral da peça, marque a alternativa CORRETA.
Leia os poemas do escritor tocantinense Giordano Maçaranduba para responder a QUESTÃO.
Pensatorto (1)
Comprou, vendeu
Vendeu, comprou
Comprou e vendeu
Vendeu e comprou
Trocou o remédio
E morreu.
Pensatorto (2)
Era um cara assustado
Assustado era o cara
Ficou corajoso
Se meteu numa briga
E morreu.
Pensatorto (3)
Contador era
Mas histórias não sabia nenhuma
Um dia descobriu uma história
Nunca mais foi contador.
Nos poemas, nota-se um uso repetitivo das mesmas palavras, dos tempos verbais e das estruturas frasais que vão sendo reestruturadas.
Considerando a leitura dos três poemas Pensatorto, é CORRETO afirmar que tais recursos poéticos produzem um sentido de
Leia o fragmento de O visitante, de Hilda Hilst, para responder a QUESTÃO.
O visitante (1968)
ANA (tecendo ou próximo do tear, como se estivesse acabado de tecer alguma coisa): muitas vezes tenho saudade das tuas pequenas roupas. Eram tão macias! (sorrindo) Tinha uma touca que, por engano meu, quase te cobria os olhos.
MARIA (seca): É bem do que eu preciso ainda hoje: antolhos.
ANA (meiga): E uma camisola tão comprida... branca. Nos punhos e no decote, coloquei umas fitas. E te arrastavas, choravas se, de repente, na noite, não me vias.
MARIA: Agora vejo-te sempre. Cada noite. Cada dia. (pausa)
ANA: Eras mansa. Me amavas. Ainda me amas agora?
MARIA: Ah, que pergunta! As coisas se transformam. Nós também.
ANA: A casa ainda é a mesma. E a mesa e...
MARIA (interrompendo): A casa, a mesa... todas essas coisas vivem mais do que nós. Ficam aí paradas. E assim mesmo envelhecem. Tu pensas que são as mesmas coisas e não são. (...)
Fonte: HILST, Hilda. Volume I. São Paulo: Nankin Editorial, 2000, p. 101.Considerando a leitura do trecho de O visitante, assinale a alternativa CORRETA quanto ao gênero literário.
Leia o excerto de Vista parcial da noite, de Luiz Ruffato, para responder a QUESTÃO.
O morto
e agora desprendeu a cera-lustosa que tampava a panela-dodente e já a dor pernilonga os ouvidos ambicionando achegar novamente, ferroa, entojada, arrodeando, infla em fogo a bochecha, calafrios relampeiam o corpo moído, de frio curvase a noite azul, ronca a saparia, estrilam grilos, voejam brasas acesas de vagalumes, esconjuro de coruja, vasculha o vento as fantasmáticas árvores, em silêncio o balofo sargento perscruta, espia, fareja, arrulham as escassas águas do Rio Pomba ao longe, perfilados, ambos, o jipe estacado, acesos os faróis alumiam o mato, esfrega as mãos, atento aos mínimos gestos do superior, poderiam permanecer afundados no bem-bom da delegacia não fosse a ocorrência, duro renegar aqueles olhos estatelados, como se, escancarandoos, almejassem agarrar o sopro que se esvaía, e sequer uma nódoa de sangue, a lâmina da faca-de-picar-fumo penetrara com tamanha força na linha do coração que se emaranhara em músculos, tendões, ossos, obstruindo o sangramento, isso explicou o sargento, versado, e sondando vagos indícios buscam acossar o assassino (...)
Fonte: RUFFATO, Luiz. Vista parcial da noite. Rio de Janeiro: Record, 2011, p. 131.Considerando a leitura do fragmento de O morto, é CORRETO afirmar que:
Vocês não entendem por que queremos proteger nossa floresta? Perguntem-me, eu responderei! Nossos antepassados foram criados com ela no primeiro tempo. Desde então, os nossos se alimentam de sua caça e de seus frutos. Queremos que nossos filhos lá cresçam rindo. Queremos voltar a ser muitos e continuar a viver como nossos antigos. Não queremos virar brancos! Olhem para mim! Imito a sua fala como um fantasma e me embrulho em roupas para vir lhes falar. Porém, em minha casa falo em minha língua, caço na floresta e trabalho na minha roça. (...) Sou habitante da floresta e não deixarei de sê-lo. Assim é!
Fonte: KOPENAWA, Davi; ALBERT, Bruce. A Queda do Céu: palavras de um xamã Yanomami. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.Na citação, o xamã yanomami, Davi Kopenawa, expressa sua visão sobre as atitudes dos brancos perante a floresta Amazônica e os povos indígenas.
Com base na sua argumentação, assinale a alternativa CORRETA.
De 1987 para cá, o êxodo rural praticamente acabou, uma vez que as cidades não mais oferecem uma melhor qualidade de vida. Dessa forma, o que está em curso no Brasil hoje é um "êxodo urbano", também identificado pelas pesquisas, com o homem das cidades fugindo em direção ao meio rural para escapulir à poluição, à violência e ao estresse dos grandes conglomerados urbanos. Em São Paulo, por exemplo, o fato é facilmente constatável: são os "neo-rurais", pessoas da cidade em busca de melhor qualidade de vida nas zonas rurais. Aliados à mecanização do trabalho agrícola, esses dois movimentos populacionais conduzem ao crescimento das ocupações não-agrícolas no meio rural sem que, todavia, haja uma política de formação de mão-de-obra nas regiões atingidas. São novos modelos ocupacionais - caseiro, jardineiro, trabalho doméstico e serviços - que surgem para atender ao movimento de êxodo urbano.
Disponível em: <http://www.diariopopular.com.br/08_12_02/artigo.html>. Acesso em: 03 fev. 2015 (texto adaptado).Assinale a assertiva CORRETA em relação à interpretação do texto.
De 1987 para cá, o êxodo rural praticamente acabou,uma vez que as cidades não mais oferecem uma melhor qualidade de vida. Dessa forma, o que está em curso no Brasil hoje é um "êxodo urbano", também identificado pelas pesquisas, com o homem das cidades fugindo em direção ao meio rural para escapulir à poluição, à violência e ao estresse dos grandes conglomerados urbanos. Em São Paulo, por exemplo, o fato é facilmente constatável: são os "neo-rurais", pessoas da cidade em busca de melhor qualidade de vida nas zonas rurais. Aliados à mecanização do trabalho agrícola, esses dois movimentos populacionais conduzem ao crescimento das ocupações não-agrícolas no meio rural sem que, todavia, haja uma política de formação de mão-de-obra nas regiões atingidas. São novos modelos ocupacionais - caseiro, jardineiro, trabalho doméstico e serviços - que surgem para atender ao movimento de êxodo urbano.
Disponível em: <http://www.diariopopular.com.br/08_12_02/artigo.html>. Acesso em: 03 fev. 2015 (texto adaptado).Sobre os fatores responsáveis pela ligação de elementos no interior do texto, denominados elementos coesivos, analise as afirmativas a seguir.
I. A palavra “também” é utilizada com valor aditivo, indicando que o êxodo urbano está em curso hoje no país e já foi identificado por pesquisas.
II. A expressão “em curso” indica que o êxodo urbano está em processo no Brasil.
III. A expressão “neo-rurais” pode ser interpretada como novos-rurais, ou seja, pessoas que saíram do campo para viver na cidade.
IV. A expressão “novos modelos ocupacionais” se refere às funções de “caseiro, jardineiro, trabalho domésticos e serviços”.
Assinale a alternativa CORRETA.
Em 1532, na cidade quéchua de Cajamarca, atual Peru, ocorreram os fatos descritos no fragmento de documento que segue:
"... como sabia o frade que seu Deus dos Cristãos havia criado o mundo? Frei Vicente respondeu que o dizia aquele livro, e deu-lhe seu Breviário. Atahualpa abriu-o, folheou-o e dizendolhe que a ele nada lhe dizia daquilo, atirou-o ao chão."
Fonte: GOMORA, F. L. História general de las índias y vida de Hernán Cortés. Caracas: Biblioteca Ayacucho, 1979. Tradução nossa.Por causa desse ato, o frade conclamou os soldados espanhóis à guerra. Eles invadiram o recinto, prenderam o Inca Atahualpa e a conquista espanhola dos Andes teve início.
A situação descrita no excerto do documento mostra
Leia os poemas para responder a QUESTÃO
Texto
Bulandeira
O braço
rompe a roda
a roda
vira o ralo
o ralo
na raiz da fome
farinha.
Texto
Tapioca na gamela
Eita que esse destino de furupa
guarnece a brasa e o tição
o forno de assar o bolo
alvura que ama a tapioca na gamela
amassando a vida com as mãos
pois a festa é certa
quando certo o pão.
A partir da leitura dos dois poemas do escritor tocantinense Célio Pedreira é CORRETO afirmar que eles:
Leia o fragmento de Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago, para responder à QUESTÃO.
Nesse instante ouviu-se uma voz forte e seca, de alguém, pelo tom, habituado a dar ordens. Vinha de um altifalante fixado por cima da porta por onde tinham entrado. A palavra Atenção foi pronunciada três vezes, depois a voz começou, O Governo lamenta ter sido forçado a exercer energicamente o que considera ser seu direito e seu dever, proteger por todos os meios as populações na crise que estamos a atravessar, quando parece verificar-se algo de semelhante a um surto epidêmico de cegueira, provisoriamente designado por malbranco, e desejaria poder contar com o civismo e a colaboração de todos os cidadãos para estancar a propagação do contágio, supondo que de um contágio se trata, supondo que não estaremos apenas perante uma série de coincidência por enquanto inexplicáveis. A decisão de reunir num mesmo local as pessoas afectadas, e, em local próximo, mas separado, as que com elas tiveram algum tipo de contacto não foi tomada sem séria ponderação. O Governo está perfeitamente consciente das suas responsabilidades e espera que aqueles a quem esta mensagem se dirige assumam também, como cumpridores cidadãos que devem de ser, as reponsabilidades que lhes competem. (...) Dito isto, pedimos a atenção de todos para as instruções que se seguem, primeiro, as luzes manter-se-ão sempre acesas, será inútil qualquer tentativa de manipular os interruptores, não funcionam, segundo, abandonar o edifício sem autorização significará morte imediata (...)
Fonte: SARAMAGO, José. O ensaio sobre a cegueira. São Paulo: Companhia das Letras, 1995, p.49-50.A partir da leitura do fragmento, é CORRETO afirmar que o narrador: