Leia agora o poema “Anoitecer”, de Raimundo Correia:
Esbraseia o Ocidente na agonia
O Sol... Aves em bandos destacados,
Por céus de oiro e de púrpura raiados,
Fogem... Fecha-se a pálpebra do dia...
Delineiam-se, além, da serrania
Os vértices de chama aureolados,
E em tudo, em torno, esbatem derramados
Uns tons suaves de melancolia...
Um mundo de vapores no ar flutua...
Como uma informe nódoa, avulta e cresce
A sombra à proporção que a luz recua...
A natureza apática esmaece...
Pouco a pouco, entre as árvores, a lua
Surge trêmula, trêmula... Anoitece.
Sobre o poema, afirma-se:
I. Não se observa nele a preocupação parnasiana de trabalhar com rimas ricas, pois em todo o texto só há duas delas.
II. É característica parnasiana a ausência do eu lírico, que está do lado “de fora” do quadro que descreve.
III. Observa-se um encadeamento (“enjambement”) entre o primeiro e segundo versos da primeira estrofe.
IV. Também entre o primeiro e o segundo versos da primeira estrofe observa-se a existência de um hipérbato.
Assinale a alternativa correta:
Considere as afirmativas a seguir sobre as características do Barroco e do Arcadismo:
I. Ambos os movimentos ocorreram no período colonial, ganhando, cada um a seu modo, características singulares, diferentes no Brasil e em Portugal.
II. A poesia do Barroco, marcada pelas hipérboles, inversões, antíteses, pode ser explicada pela instabilidade do mundo pós-renascentista; enquanto o texto árcade, primando pela linearidade, clareza, harmonia, pode ser explicado pela busca da racionalização, advinda do Iluminismo.
III. Tanto o Barroco quanto o Arcadismo tiveram repercussão política em Portugal, por terem se desenvolvido na colônia.
Assinale a alternativa correta:
Leia os fragmentos a seguir, retirados do conto O besouro e a rosa, do livro Contos de Belazarte, de Mário de Andrade, para responder às questões.
1 - João não viu nada disso, estou fantasiando a história. Depois do século dezenove os contadores parece que se sentem na obrigação de esmiuçar com sem-vergonhice essas coisas.
2 - João ficou sozinho na sala, não sabia o que tinha acontecido lá dentro, mas porém adivinhando que lhe parecia que a Rosa não gostava dele.(...) Por causa dele o Lapa Atlético venceu. Venceu porque derrepentemente ela aparecia no corpo dele e lhe dava aquela vontade.
3 - Pedro Mulato era um infame, até gatuno, Deus me perdoe! Rosa não escutou nada. Bateu o pé. Quis casar e casou. Meia que sentia que estava errada porém não queria pensar e não pensava. As duas solteironas choraram muito quando ela partiu casada e vitoriosa, sem uma lágrima. Dura. Rosa foi muito infeliz.
I. O primeiro fragmento há metaficção, voltada para a crítica aos escritores do século XIX.
II. A crítica aos escritores do século XIX é uma das marcas do Modernismo brasileiro, do qual Mário de Andrade é um dos expoentes.
III. No fragmento 2, o uso da palavra derrepentemente se justifica pela proposta de uso da língua feita pelo Modernismo.
IV. O uso do mas porém, no fragmento 2, aproxima a escrita da oralidade, uma das propostas do Modernismo brasileiro.
V. O final do conto “Rosa foi muito infeliz”, quebra a expectativa do leitor, que espera haver um final feliz. Esse estranhamento também faz parte das propostas modernistas.
Assinale a alternativa CORRETA:
[01] No desequilíbrio dos mares,
[02] as proas giram sozinhas…
[03] Numa das naves que afundaram
[04] é que certamente tu vinhas.
[05] Eu te esperei todos os séculos
[06] sem desespero e sem desgosto,
[07] e morri de infinitas mortes
[08] guardando sempre o mesmo rosto
[09] Quando as ondas te carregaram
[10] meu olhos, entre águas e areias,
[11] cegaram como os das estátuas,
[12] a tudo quanto existe alheias.
[13] Minhas mãos pararam sobre o ar
[14] e endureceram junto ao vento,
[15] e perderam a cor que tinham
[16] e a lembrança do movimento.
[17] E o sorriso que eu te levava
[18] desprendeu-se e caiu de mim:
[19] e só talvez ele ainda viva
[20] dentro destas águas sem fim.
Cecília Meireles, “Canção”
A partir do poema “Canção”, considere as seguintes afirmações:
I. Os versos Eu te esperei todos os séculos (verso 05) e e morri de infinitas mortes (verso 07) lançam mão da figura de linguagem conhecida como hipérbole.
II. Na última estrofe E o sorriso que eu te levava/desprendeu-se e caiu de mim:/e só talvez ele ainda viva/dentro destas águas sem fim, o eu lírico sinaliza uma superação das suas dores amorosas.
III. A referência a “estátuas”, no poema, nos faz classificar “Canção” como um poema parnasiano tardio.
Assinale a alternativa correta:
Leia o poema abaixo e depois responda o que se pede:
Canção do vento e da minha vida
(Manuel Bandeira)
O vento varria as folhas,
O vento varria os frutos,
O vento varria as flores...
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De frutos, de flores, de folhas.
O vento varria as luzes,
O vento varria as músicas,
O vento varria os aromas...
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De aromas, de estrelas, de cânticos.
O vento varria os sonhos
E varria as amizades...
O vento varria as mulheres.
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De afetos e de mulheres.
O vento varria os meses
E varria os teus sorrisos...
O vento varria tudo!
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De tudo.
Com base na leitura do poema de Manuel Bandeira, considere as afirmações a seguir:
I- O poema apresenta a aliteração como um de seus principais recursos sonoros.
II- O poema apresenta rimas alternadas e raras.
III- Embora seja vazio de metáforas, o poema apresenta jogos de vocabulário que remetem ao Simbolismo.
IV- O poema é um exemplo do zelo com a forma, típico do período em que se insere, o Parnasianismo.
Assinale a alternativa correta:
Assinale a alternativa correta, sobre o romance O Filho Eterno, de Cristóvão Tezza.
Assinale a alternativa correta, sobre Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis.
Assinale a alternativa correta, quanto à Literatura Brasileira.
Assinale a alternativa correta, quanto à Literatura Brasileira.
Leia o Texto 3 para responder à questão 52.
TEXTO 3
[...]
[1] Depois que já tínhamos almoçado, ouvi o barulho do carro do Luís. Ouvi e
reconheci de longe. E quando apontou lá na frente, parecia que tinha andado devagar
o tempo todo e ali perto, então, resolveu disparar estrada afora. Chegou patinando e
espirrando lama para todos os lados. E desceu correndo e foi explicando por que tinha
[5] demorado tanto. Escutei calado e sentindo que não devia falar até passar a raiva. E ele
disse que a gente nem precisava mais correr porque tinha uma ponte em Dionísio que
havia caído. E que os homens que iam consertá-la nem tinham começado o serviço.
Que ainda estavam esperando chegar o “material”. E disse que o rio tinha levado a
ponte e umas casas, e que ninguém podia passar. Que ele teve que deixar o caminhão
em Dionísio, porque lá não havia daquele semi-eixo, e atravessar o rio numa pinguela
para tomar o ônibus do outro lado. Que só gente a pé é que passava. Que os carros
que chegavam descarregavam as mercadorias do outro lado do rio, e era tudo
transportado para dentro da cidade nas costas de carregadores. E que ele tinha
tomado um ônibus e ido até São Domingos do Prata, e que lá também não havia
[15] daquele semi-eixo, e ele teve então que chegar até Monlevade. E falou que havia
passado por trechos da estrada que a gente não ia poder passar. E também que lá
pela frente era só chuva. E quis acertar as contas das despesas naquela hora, e eu
disse que depois a gente acertaria.
[...]
FRANÇA JÚNIOR, Oswaldo. Jorge, um brasileiro. 10ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1988, p.175.Assinale a alternativa correta, em relação à obra Jorge, um brasileiro, de França Júnior, e aoTexto 3.