AprendiAprendi
LiteraturaUDESC2016

Texto 2

E Jerônimo via e escutava, sentindo ir-se-lhe toda a alma pelos olhos enamorados.

Naquela mulata estava o grande mistério, a síntese das impressões que ele

recebeu chegando aqui: ela era a luz ardente do meio-dia; ela era o calor vermelho das,

sestas da fazenda; era o aroma quente dos trevos e das baunilhas, que o atordoara nas,

matas brasileiras; era a palmeira virginal e esquiva que se não torce a nenhuma outra

planta; era o veneno e era o açúcar gostoso; era o sapoti mais doce que o mel e era

castanha do caju, que abre feridas com o seu azeite de fogo; ela era a cobra verde e

traiçoeira, a lagarta viscosa, a muriçoca doida, que esvoaçava havia muito tempo em

torno do corpo dele, assanhando-lhe os desejos, acordando-lhe as fibras embambecidas

pela saudade da terra, picando-lhe as artérias, para lhe cuspir dentro do sangue uma

centelha daquele amor setentrional, uma nota daquela música feita de gemidos de

prazer, uma larva daquela nuvem de cantáridas que zumbiam em torno da Rita Baiana e

espalhavam-se pelo ar numa fosforescência afrodisíaca.

AZEVEDO, Aluísio. O Cortiço. 8ª edição. SP Martim Claret, 2012, pp.78 e 79

Assinale a alternativa correta em relação à obra O Cortiço, Aluísio Azevedo, e ao Texto 2.

LiteraturaUCS2011

Assinale a alternativa correta em relação à obra Iracema, de José de Alencar.

LiteraturaUDESC2013

TEXTO 4

DESTINO

[1] OCUPARAM A MESA DO CANTO. O GATO PUXOU o baralho. Mas nem Pedro Bala,

nem João Grande, nem Professor, tampouco Boa-Vida se interessaram. Esperavam o

Querido-de-Deus na Porta do Mar. As mesas estavam cheias. Muito tempo a Porta do

Mar andara sem fregueses. A varíola não deixava. Agora que ela tinha ido embora, os

[5] homens comentavam as mortes. Alguém falou no lazareto. “É uma desgraça ser pobre”,

disse um marítimo.

Numa mesa pediram cachaça. Houve um movimento de copos no balcão. Um

velho então disse:

− Ninguém pode mudar o destino. É coisa feita lá em cima – apontava o céu.

[10] Mas João de Adão falou de outra mesa:

− Um dia a gente muda o destino dos pobres...

Pedro Bala levantou a cabeça, Professor ouviu sorridente. Mas João Grande e

Boa-Vida pareciam apoiar as palavras do velho, que repetiu:

− Ninguém pode mudar, não. Está escrito lá em cima.

[15] − Um dia a gente muda... – disse Pedro Bala, e todos olharam para o menino.

− Que é que tu sabe, frangote? – perguntou o velho.

− É filho do Loiro, fala a voz do pai – respondeu João de Adão olhando com

respeito. – O pai morreu pra mudar o destino da gente.

AMADO, Jorge. Capitães da areia. São Paulo, Companhia das Letras, 2008, p. 163.

Assinale a alternativa correta em relação à obra Capitães da areia, Jorge Amado, e ao Texto 4.

LiteraturaUDESC2013

TEXTO 2

[1] –Tá fazendo um dia lindo.

Essas palavras foram com Pirulito pela rua. Um dia lindo, e o menino ia

despreocupado, assoviando um samba que lhe ensinara o Querido-de-Deus,

recordando que o padre José Pedro prometera tudo fazer para lhe conseguir um lugar

[5] no seminário. Padre José Pedro lhe dissera que toda aquela beleza que caia

envolvendo a terra e os homens era um presente de Deus e que era preciso agradecer

a Deus. Pirulito mirou o céu azul onde Deus devia estar e agradeceu num sorriso e

pensou que Deus era realmente bom. E pensando em Deus pensou também nos

Capitães da Areia. Eles furtavam, brigavam nas ruas, xingavam nomes, derrubavam

[10] negrinhas no areal, por vezes feriam com navalhas ou punhal homens e polícias. Mas,

no entanto, eram bons, uns eram amigos dos outros. Se faziam tudo aquilo é que não

tinham casa, nem pai, nem mãe, a vida deles era uma vida sem ter comida certa e

dormindo num casarão quase sem teto. Se não fizessem tudo aquilo morreriam de

fome, porque eram raras as casas que davam de comer a um, de vestir a outro. E nem

[15] toda a cidade poderia dar a todos. Pirulito pensou que todos estavam condenados ao

inferno. Pedro Bala não acreditava no inferno, Professor tampouco, riam dele. João

Grande acreditava em Xangô, em Omolu, nos deuses dos negros que vieram da África.

O Querido-de-Deus, que era um pescador valente e um capoeirista sem igual, também

acreditava neles, misturava-os com os santos dos brancos que tinham vindo da Europa.

AMADO, Jorge. Capitães da areia. 60ª ed. Rio de Janeiro, 1984, p. 97.

Assinale a alternativa correta em relação à obra Capitães da areia, Jorge Amado, e ao Texto 2.

LiteraturaUEA2016

Leia o trecho de Viagem a Portugal, de José Saramago.

Daqui a pouco será noite, que no Outono vem cedo, e o céu cobre-se de nuvens escuras, talvez amanhã chova. Em Castelo Branco, quinze quilómetros ao sul, o ar parece ter passado por uma peneira de cinza, só na cor, que de pureza até os pulmões estranham. À beira da estrada há uma comprida fachada de solar, com grandes pináculos nos extremos. Se houvesse fantasmas em Portugal, este sítio seria bom para assustar os viajantes: luzes por trás das vidraças partidas, talvez um estridor de dentes e correntes. Porém, quem sabe, talvez que às horas do dia esta decadência seja menos deprimente.

(Viagem a Portugal, 1997.)

Assinale a alternativa correta em relação à estrutura do texto.

LiteraturaUCS2014

Assinale a alternativa correta em relação à crônica “Ai de ti, Copacabana”, de Rubem Braga.

LiteraturaACAFE2017

Assinale a alternativa correta em relação à caracterização do autor.

LiteraturaUFN2014

Assinale a alternativa correta em que existe correspondência entre autor e obra.

LiteraturaUNEMAT2010

Assinale a alternativa correta com relação aoromance de Lima Barreto, considerando que, em Triste fim de Policarpo Quaresma, a tragédia do protagonista está relacionada à/ao:

LiteraturaUFRGS2014

Assinale a alternativa correta a respeito dos textos.