QUEIXA-SE O POETA EM QUE O MUNDO VAY ERRADO, E QUERENDO EMENDÂLO O TEM POR EMPREZA DIFFICULTOSA.
Carregado de mim ando no mundo,
E o grande peso embarga-me as passadas,
Que como ando por vias desusadas,
Faço o peso crescer, e vou-me ao fundo.
O remédio será seguir o imundo
Caminho, onde dos mais vejo as pisadas,
Que as bestas andam juntas mais ornadas,
Do que anda só o engenho mais profundo.
Não é fácil viver entre os insanos,
Erra, quem presumir, que sabe tudo,
Se o atalho não soube dos seus danos.
O prudente varão há-de ser mudo,
Que é melhor neste mundo, mar de enganos,
Ser louco cos demais que ser sisudo.
(MATOS, Gregório de. Poesias selecionadas. 3. ed. São Paulo: FTD, 1998. p.70.)A partir da leitura do poema, assinale a alternativa CORRETA.
Leia o trecho do poema, do livro Muitas Vozes, de Ferreira Gullar, a seguir.
No princípio
era o verso
alheio
Disperso
em meio
às vozes
e às coisas
o poeta dorme
sem se saber
Ignora o poema
não tem nada a dizer
(GULLAR, F. Obras Completas. 13.ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2004, p.422.)
A partir da leitura do poema e dos conhecimentos prévios sobre esse livro, considere as afirmativas a seguir. I. O poema traz uma das características da obra do autor presente em Muitas Vozes: a metalinguagem, que, na poesia, ocorre quando o poema volta-se para si próprio. II. O sentido polissêmico do termo “alheio”, no terceiro verso, é ampliado pela ausência de pontuação. Desse modo, pode significar tanto “de outro” quanto “distraído” ou “desinteressado”. III. No verso “sem se saber”, há a presença do recurso da aliteração, que consiste na repetição de consoantes para produzir efeitos sonoros. IV. O poema segue uma métrica rígida, com versos variando de seis a sete sílabas poéticas. Também rígido é o sistema de rimas ABBA. Assinale a alternativa correta.
Analise:
Eu vou te contar que você não me conhece,
E eu tenho que gritar isso porque você está surdo e não
Me ouve.
A sedução me escraviza a você
Ao fim de tudo você permanece comigo mas preso ao que
Eu criei
E não a mim.
E quanto mais falo sobre a verdade inteira um abismo
Maior nos separa.
Você não tem um nome, eu tenho.
Você é um rosto na multidão e eu sou o centro das
Atenções.
Mas a mentira da aparência do que eu sou,
E a mentira da aparência do que você é.
Porque eu,
Eu não sou o meu nome,
E você não é ninguém.
O jogo perigoso que eu pratico aqui,
Ele busca chegar ao limite possível de aproximação,
Através da aceitação da distância e do reconhecimento
Dela.
Entre eu e você existe
A notícia que nos separa
Eu quero que você me veja nu
Eu me dispo da notícia
E a minha nudez parada
Te denuncia e te espelha
Eu me delato
Tu me relatas
Eu nos acuso e confesso por nós
Assim me livro das palavras
Com as quais
Você me veste!
Texto e música do CD Pássaro da Manhã de 1977. Poema de Fauzi Arap com Fundo Musical Jogo de Damas – recitado porMaria Bethânia.A partir da leitura do poema do renomado autor e diretor de teatro Fauzi Arap, falecido aos 75 anos, em 05/12/2013, é possível dizer que:
Quando à noite no leito perfumado
Lânguida fronte no sonhar reclinas,
No vapor da ilusão por que te orvalha
Pranto de amor as pálpebras divinas?
E, quando eu te contemplo adormecida,
Solto o cabelo no suave leito,
Por que um suspiro tépido ressona
E desmaia suavíssimo em teu peito?
Virgem do meu amor, o beijo a furto
Que pouso em tua face adormecida
Não te lembra no peito os meus amores
E a febre de sonhar da minha vida?
Dorme, ó anjo de amor! no teu silêncio
O meu peito se afoga de ternura
E sinto que o porvir não vale um beijo
E o céu um teu suspiro de ventura!
Um beijo divinal que acende as veias,
Que de encantos os olhos ilumina,
Colhido a medo como flor da noite
Do teu lábio na rosa purpurina,
E um volver de teus olhos transparentes,
Um olhar dessa pálpebra sombria
Talvez pudessem reviver-me n’alma
As santas ilusões de que eu vivia!
Álvares de Azevedo. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2000, p. 133-4.A partir da leitura do poema de Álvares de Azevedo e considerando as características da poesia romântica brasileira, assinale a opção correta.
Sem conhecer ainda as nossas heroínas, já o leitor começa a lamentar a sorte da futura mulher de Mendonça. É mais uma vítima, dirá o leitor, imolada ao capricho ou à necessidade. Assim é. Carolina devia casar-se daí a alguns dias com Mendonça, e era isso o que lamentava a amiga Lúcia.
— Pobre Carolina!
— Boa Lúcia!
Carolina é uma moça de vinte anos, alta, formosa, refeita. Era uma dessas belezas que seduzem os olhos lascivos, e já por aqui ficam os leitores sabendo que Mendonça é um desses, com a circunstância agravante de ter meios com que lisonjear os seus caprichos.
Bem vejo como me poderia levar longe este último ponto da minha história; mas eu desisto de fazer agora uma sátira contra o vil metal (por que metal?); e bem assim não me dou ao trabalho de descrever a figura da amiga de Carolina.
Direi somente que as duas amigas conversavam no quarto de dormir da prometida noiva de Mendonça.
Depois das lamentações feitas por Lúcia à sorte de Carolina, houve um momento de silêncio. Carolina empregou algumas lágrimas; Lúcia continuou: — E ele?
— Quem?
— Fernando.
— Ah! Esse que me perdoe e me esqueça; é tudo quanto posso fazer por ele. Não quis Deus que fôssemos felizes; paciência!
ASSIS, Machado de. Carolina. Contos. São Paulo: Ática. 1993. p. 55-56. (Série Bom Livro).
A partir da leitura do fragmento e do conto “Carolina”, em sua totalidade, é correto o que se afirma em
Leia o fragmento de “São Bernardo”, de Graciliano Ramos, para responder ao que se pede.
Afinal foi bom privar-me da cooperação de Padre Silvestre, de João Nogueira e do Gondim. Há fatos que eu não revelaria, cara a cara, a ninguém. Vou narrá-los porque a obra será publicada com pseudônimo. E se souberem que o autor sou eu, naturalmente me chamarão potoqueiro.
Continuemos. Tenciono contar a minha história. Difícil. Talvez deixe de mencionar particularidades úteis, que me pareçam acessórias e dispensáveis. Também pode ser que, habituado a tratar com matutos, não confie suficientemente na compreensão dos leitores e repita passagens insignificantes.
De resto, isto vai arranjado sem nenhuma ordem, como se vê. Não importa. Na opinião dos caboclos que me servem, todo o caminho dá na venda.
Aqui, sentado à mesa da sala de jantar, fumando cachimbo e bebendo café, suspendo às vezes o trabalho moroso, olho a folhagem das laranjeiras que a noite enegrece, digo a mim mesmo que esta pena é um objeto pesado. Não estou acostumado a pensar. Levanto-me, chego à janela que deita para a horta. Casimiro Lopes pergunta se me falta alguma coisa. — Não.
RAMOS, Graciliano. São Bernardo. São Paulo: Record, 1990. p. 3.
A partir da leitura do fragmento e da obra em sua totalidade, é possível afirmar que o sujeito narrador
Quando, girando e rodando, de oriente para ocidente, meia-volta perfeita foi completada, a península começou a cair. Nesse preciso instante, e em sentido absolutamente rigoroso, se podem as metáforas, como transportadoras do literal sentido, ser rigorosas, Portugal e Espanha foram dois países de pernas para o ar.
SARAMAGO. José. A jangada de pedra. São Paulo: Companhia das Letras, 2006. p. 277.
A partir da leitura do fragmento e da obra em sua totalidade, é correto afirmar que, da análise de “A jangada de pedra”, a única afirmativa sem comprovação no contexto é a
“E, tristíssima Helena, com verdade,
Se pudera na terra achar suplícios,
Eu também me faria gordo frade
E cobriria a carne de cilícios”
(VERDE, José Joaquim. O Livro de Cesário Verde. Disponível em: <http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bv000070.pdf>. Acesso em: 10 abr. 2014)O fragmento acima foi retirado do poema “Setentrional”, de Cesário Verde, e aborda o binômio campo/cidade, o campo como espaço para fruição do amor e a cidade como local do sofrimento amoroso.
A partir da leitura do fragmento apresentado, pode-se afirmar:
“Ainda na véspera eram seis viventes, contando com o papagaio. Coitado, morrera na areia do rio, onde haviam descansado, à beira de uma poça: a fome apertara demais os retirantes e por ali não existia sinal de comida. Baleia jantara os pés, a cabeça, os ossos do amigo, e não guardava lembrança disso.”
RAMOS, Graciliano. Vidas secas. 64. ed. Rio de Janeiro: Record, 1993. p.54. (Fragmento).A partir da leitura do fragmento acima, e também com base em toda a obra Vidas secas, pode-se afirmar que
Leia o fragmento do poema Cantoria, de Cora Coralina, para responder a QUESTÃO.
Cantoria
Meti o peito em Goiás
e canto como ninguém.
Canto as pedras,
canto as águas,
as lavadeiras, também.
Cantei um velho quintal
com murada de pedra.
Cantei um portão alto
com escada caída.
Cantei a casinha velha
de velha pobrezinha.
Cantei colcha furada
estendida no lajedo;
muito sentida,
pedi remendos pra ela. (...)
Fonte: CORALINA, Cora. Meu livro de Cordel. São Paulo: Global, 2013, p. 9.
A partir da leitura do excerto de Cantoria, é INCORRETO afirmar que