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LiteraturaUEL2012

QUEIXA-SE O POETA EM QUE O MUNDO VAY ERRADO, E QUERENDO EMENDÂLO O TEM POR EMPREZA DIFFICULTOSA.

Carregado de mim ando no mundo,

E o grande peso embarga-me as passadas,

Que como ando por vias desusadas,

Faço o peso crescer, e vou-me ao fundo.

O remédio será seguir o imundo

Caminho, onde dos mais vejo as pisadas,

Que as bestas andam juntas mais ornadas,

Do que anda só o engenho mais profundo.

Não é fácil viver entre os insanos,

Erra, quem presumir, que sabe tudo,

Se o atalho não soube dos seus danos.

O prudente varão há-de ser mudo,

Que é melhor neste mundo, mar de enganos,

Ser louco cos demais que ser sisudo.

(MATOS, Gregório de. Poesias selecionadas. 3. ed. São Paulo: FTD, 1998. p.70.)

A partir da leitura do poema, assinale a alternativa CORRETA.

LiteraturaUNICENTRO2014

Leia o trecho do poema, do livro Muitas Vozes, de Ferreira Gullar, a seguir.


No princípio
era o verso
alheio
Disperso
em meio
às vozes
e às coisas
o poeta dorme
sem se saber
Ignora o poema
não tem nada a dizer
(GULLAR, F. Obras Completas. 13.ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2004, p.422.)

A partir da leitura do poema e dos conhecimentos prévios sobre esse livro, considere as afirmativas a seguir. I. O poema traz uma das características da obra do autor presente em Muitas Vozes: a metalinguagem, que, na poesia, ocorre quando o poema volta-se para si próprio. II. O sentido polissêmico do termo “alheio”, no terceiro verso, é ampliado pela ausência de pontuação. Desse modo, pode significar tanto “de outro” quanto “distraído” ou “desinteressado”. III. No verso “sem se saber”, há a presença do recurso da aliteração, que consiste na repetição de consoantes para produzir efeitos sonoros. IV. O poema segue uma métrica rígida, com versos variando de seis a sete sílabas poéticas. Também rígido é o sistema de rimas ABBA. Assinale a alternativa correta.

LiteraturaUnP2015

Analise:

Eu vou te contar que você não me conhece,

E eu tenho que gritar isso porque você está surdo e não

Me ouve.

A sedução me escraviza a você

Ao fim de tudo você permanece comigo mas preso ao que

Eu criei

E não a mim.

E quanto mais falo sobre a verdade inteira um abismo

Maior nos separa.

Você não tem um nome, eu tenho.

Você é um rosto na multidão e eu sou o centro das

Atenções.

Mas a mentira da aparência do que eu sou,

E a mentira da aparência do que você é.

Porque eu,

Eu não sou o meu nome,

E você não é ninguém.

O jogo perigoso que eu pratico aqui,

Ele busca chegar ao limite possível de aproximação,

Através da aceitação da distância e do reconhecimento

Dela.

Entre eu e você existe

A notícia que nos separa

Eu quero que você me veja nu

Eu me dispo da notícia

E a minha nudez parada

Te denuncia e te espelha

Eu me delato

Tu me relatas

Eu nos acuso e confesso por nós

Assim me livro das palavras

Com as quais

Você me veste!

Texto e música do CD Pássaro da Manhã de 1977. Poema de Fauzi Arap com Fundo Musical Jogo de Damas – recitado porMaria Bethânia.

A partir da leitura do poema do renomado autor e diretor de teatro Fauzi Arap, falecido aos 75 anos, em 05/12/2013, é possível dizer que:

LiteraturaESCS2012

Quando à noite no leito perfumado

Lânguida fronte no sonhar reclinas,

No vapor da ilusão por que te orvalha

Pranto de amor as pálpebras divinas?

E, quando eu te contemplo adormecida,

Solto o cabelo no suave leito,

Por que um suspiro tépido ressona

E desmaia suavíssimo em teu peito?

Virgem do meu amor, o beijo a furto

Que pouso em tua face adormecida

Não te lembra no peito os meus amores

E a febre de sonhar da minha vida?

Dorme, ó anjo de amor! no teu silêncio

O meu peito se afoga de ternura

E sinto que o porvir não vale um beijo

E o céu um teu suspiro de ventura!

Um beijo divinal que acende as veias,

Que de encantos os olhos ilumina,

Colhido a medo como flor da noite

Do teu lábio na rosa purpurina,

E um volver de teus olhos transparentes,

Um olhar dessa pálpebra sombria

Talvez pudessem reviver-me n’alma

As santas ilusões de que eu vivia!

Álvares de Azevedo. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2000, p. 133-4.

A partir da leitura do poema de Álvares de Azevedo e considerando as características da poesia romântica brasileira, assinale a opção correta.

LiteraturaUNICENTRO2011

Sem conhecer ainda as nossas heroínas, já o leitor começa a lamentar a sorte da futura mulher de Mendonça. É mais uma vítima, dirá o leitor, imolada ao capricho ou à necessidade. Assim é. Carolina devia casar-se daí a alguns dias com Mendonça, e era isso o que lamentava a amiga Lúcia.
— Pobre Carolina!
— Boa Lúcia!
Carolina é uma moça de vinte anos, alta, formosa, refeita. Era uma dessas belezas que seduzem os olhos lascivos, e já por aqui ficam os leitores sabendo que Mendonça é um desses, com a circunstância agravante de ter meios com que lisonjear os seus caprichos.
Bem vejo como me poderia levar longe este último ponto da minha história; mas eu desisto de fazer agora uma sátira contra o vil metal (por que metal?); e bem assim não me dou ao trabalho de descrever a figura da amiga de Carolina.
Direi somente que as duas amigas conversavam no quarto de dormir da prometida noiva de Mendonça.
Depois das lamentações feitas por Lúcia à sorte de Carolina, houve um momento de silêncio. Carolina empregou algumas lágrimas; Lúcia continuou: — E ele?
— Quem?
— Fernando.
— Ah! Esse que me perdoe e me esqueça; é tudo quanto posso fazer por ele. Não quis Deus que fôssemos felizes; paciência!
ASSIS, Machado de. Carolina. Contos. São Paulo: Ática. 1993. p. 55-56. (Série Bom Livro).

A partir da leitura do fragmento e do conto “Carolina”, em sua totalidade, é correto o que se afirma em

LiteraturaUNICENTRO2012

Leia o fragmento de “São Bernardo”, de Graciliano Ramos, para responder ao que se pede.

Afinal foi bom privar-me da cooperação de Padre Silvestre, de João Nogueira e do Gondim. Há fatos que eu não revelaria, cara a cara, a ninguém. Vou narrá-los porque a obra será publicada com pseudônimo. E se souberem que o autor sou eu, naturalmente me chamarão potoqueiro.
Continuemos. Tenciono contar a minha história. Difícil. Talvez deixe de mencionar particularidades úteis, que me pareçam acessórias e dispensáveis. Também pode ser que, habituado a tratar com matutos, não confie suficientemente na compreensão dos leitores e repita passagens insignificantes.
De resto, isto vai arranjado sem nenhuma ordem, como se vê. Não importa. Na opinião dos caboclos que me servem, todo o caminho dá na venda.
Aqui, sentado à mesa da sala de jantar, fumando cachimbo e bebendo café, suspendo às vezes o trabalho moroso, olho a folhagem das laranjeiras que a noite enegrece, digo a mim mesmo que esta pena é um objeto pesado. Não estou acostumado a pensar. Levanto-me, chego à janela que deita para a horta. Casimiro Lopes pergunta se me falta alguma coisa. — Não.
RAMOS, Graciliano. São Bernardo. São Paulo: Record, 1990. p. 3.

A partir da leitura do fragmento e da obra em sua totalidade, é possível afirmar que o sujeito narrador

LiteraturaUNICENTRO2011

Quando, girando e rodando, de oriente para ocidente, meia-volta perfeita foi completada, a península começou a cair. Nesse preciso instante, e em sentido absolutamente rigoroso, se podem as metáforas, como transportadoras do literal sentido, ser rigorosas, Portugal e Espanha foram dois países de pernas para o ar.
SARAMAGO. José. A jangada de pedra. São Paulo: Companhia das Letras, 2006. p. 277.

A partir da leitura do fragmento e da obra em sua totalidade, é correto afirmar que, da análise de “A jangada de pedra”, a única afirmativa sem comprovação no contexto é a

LiteraturaFDV2015

“E, tristíssima Helena, com verdade,

Se pudera na terra achar suplícios,

Eu também me faria gordo frade

E cobriria a carne de cilícios”

(VERDE, José Joaquim. O Livro de Cesário Verde. Disponível em: <http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bv000070.pdf>. Acesso em: 10 abr. 2014)

O fragmento acima foi retirado do poema “Setentrional”, de Cesário Verde, e aborda o binômio campo/cidade, o campo como espaço para fruição do amor e a cidade como local do sofrimento amoroso.

A partir da leitura do fragmento apresentado, pode-se afirmar:

LiteraturaUFAC2011

“Ainda na véspera eram seis viventes, contando com o papagaio. Coitado, morrera na areia do rio, onde haviam descansado, à beira de uma poça: a fome apertara demais os retirantes e por ali não existia sinal de comida. Baleia jantara os pés, a cabeça, os ossos do amigo, e não guardava lembrança disso.”

RAMOS, Graciliano. Vidas secas. 64. ed. Rio de Janeiro: Record, 1993. p.54. (Fragmento).

A partir da leitura do fragmento acima, e também com base em toda a obra Vidas secas, pode-se afirmar que

LiteraturaUFT2019

Leia o fragmento do poema Cantoria, de Cora Coralina, para responder a QUESTÃO.

Cantoria

Meti o peito em Goiás
e canto como ninguém.
Canto as pedras,
canto as águas,
as lavadeiras, também.

Cantei um velho quintal
com murada de pedra.
Cantei um portão alto
com escada caída.

Cantei a casinha velha
de velha pobrezinha.
Cantei colcha furada
estendida no lajedo;
muito sentida,
pedi remendos pra ela. (...)
Fonte: CORALINA, Cora. Meu livro de Cordel. São Paulo: Global, 2013, p. 9.

A partir da leitura do excerto de Cantoria, é INCORRETO afirmar que