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PortuguêsUNICENTRO2014

[1] O grande marechal Cândido Rondon, que desbravou os rincões brasileiros, tinha como lema na colo-
[2] nização de terras indígenas o famoso “Morrer se preciso for; matar nunca”. Os lendários irmãos Villas
[3] Bôas, mundialmente famosos por terem feito o primeiro contato com os índios gigantes da Amazônia,
[4] os crenacarores, pautavam-se pelos mesmos cuidados de Rondon. A manutenção da vida e a saúde
[5] dos índios eram uma obrigação do estado brasileiro em sua política de expansão das fronteiras civili-
[6] zadas sobre terras habitadas pelas populações originais pré-cabralinas. A Rondon e aos irmãos Villas
[7] Bôas não escapava a melancólica sensação da inevitabilidade da extinção ou, em um cenário benigno,
[8] da mutilação das culturas daqueles povos. Sempre foi trágico para o mais fraco o milenar encontro de
[9] populações em estágios díspares de desenvolvimento tecnológico. “Quem carregava o aço, a pólvora
[10] ou os germes mais fortes dizimava o outro. Assim caminhou a humanidade desde tempos imemori-
[11] ais”, escreveu o geógrafo americano Jared Diamond. A conclusão é que não existe política indigenista
[12] justa para os índios. Qual a solução para a questão indígena brasileira? A pergunta não tem resposta
[13] simples. Está na hora de tirar o problema do âmbito do Conselho Indigenista Missionário e das ONGs
[14] estrangeiras e tratá-lo como uma questão de estado norteada pelo tema do marechal Rondon e pela
[15] insatisfatória, mas realista, visão dos irmãos Villas Bôas. Os índios precisam de proteção do estado
[16] para que não sejam usados como massa de manobra por manipuladores a quem mais interessam os
[17] mártires.
(Adaptado de: A questão indígena. Veja. Carta ao Leitor. 12 jun. 2013. São Paulo: Ed. Abril, ano 46, n.24. p.12.)

Assinale a alternativa que corresponde, corretamente, à figura de linguagem presente em “para que não sejam usados como massa de manobra por manipuladores”.

PortuguêsUNICENTRO2021

Leia o trecho do romance Bom-Crioulo, de Adolfo Caminha, a seguir, e responda a questão.

Agora compreendia nitidamente que só no homem, no próprio homem, ele podia encontrar aquilo que debalde procurara nas mulheres.

Nunca se apercebera de semelhante anomalia, nunca em sua vida tivera a lembrança de perscrutar suas tendências em matéria de sexualidade. As mulheres o desarmavam para os combates do amor, é certo, mas também não concebia, por forma alguma, esse comércio grosseiro entre indivíduos do mesmo sexo; entretanto, quem diria!, o fato passava-se agora consigo próprio, sem premeditação, inesperadamente. E o mais interessante é que “aquilo” ameaçava ir longe, para mal de seus pecados... Não havia jeito, senão ter paciência, uma vez que a “natureza” impunha-lhe esse castigo...

(CAMINHA, Adolfo. Bom-Crioulo. Rio de Janeiro: Ediouro, s.d. p. 32-33.)

Assinale a alternativa que contém o correto par de estados de espírito de Amaro no trecho.

PortuguêsUNICENTRO2014

Que é demasiada metafísica para um só tenor, não há dúvida; mas a perda da voz explica tudo, e há filósofos que são, em resumo, tenores desempregados. Eu, leitor amigo, aceito a teoria do meu velho Marcolini, não só pela verossimilhança, que é muita vez toda a verdade, mas porque a minha vida se casa bem à definição. Cantei um duo terníssimo, depois um trio, depois um quatuor ... Mas não adiantemos; vamos à primeira tarde, em que eu vim a saber que já cantava, porque a denúncia de José Dias, meu caro leitor, foi dada principalmente a mim. A mim é que ele me denunciou.
(ASSIS, M. Aceito a teoria. In: Dom Casmurro. Rio de Janeiro: Otto Pierre Editores, 1980. cap.X. p.34. (Coleção Os Grandes Clássicos).)

Sobre a classe gramatical das palavras dispostas no texto, relacione a coluna da esquerda com a da direita.


(I) perda
(II) muita
(III) porque
(IV) depois
(V) mim

(A) adjetivo

(B) advérbio

(C) conjunção

(D) pronome

(E) substantivo

Assinale a alternativa que contém a associação correta.

PortuguêsUNICENTRO2014

A Copa do Mundo de 2014 no Brasil será a mais cara de todas. O secretário executivo do Ministério dos Esportes, Luís Fernandes, anunciou que em julho seu custo total chegará a R$ 28 bilhões, um aumento de 10% em relação ao total calculado em abril, que era de R$ 25,3 bilhões. E supera em R$ 6 bilhões (mais 27%) o que em 2011 se previa que seria gasto. Por enquanto, já se sabe que o contribuinte brasileiro arcará com o equivalente ao que gastaram japoneses e coreanos em 2002 (R$ 10,1 bilhões) mais o que pagaram os alemães em 2006 (R$ 10,7 bilhões) e africanos do sul em 2010 (R$ 7,3 bilhões). O “privilégio” cantado em prosa e verso pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se sentou sobre os louros da escolha em 2007, e entoado por sua sucessora, Dilma Rousseff, em cuja gestão se realizará o torneio promovido pela Fifa, custará quatro vezes os gastos dos anfitriões do último certame e três vezes os gastos dos dois anteriores. O Governo Federal não justifica – nem teria como – esse disparate. Mas, por incrível que pareça, os responsáveis pela gastança encontram um motivo para comemorar: a conta ainda não chegou ao teto anunciado em 2010, que era de R$ 33 bilhões. É provável, contudo, que esse teto seja alcançado, superando o recorde já batido, pois, se os custos cresceram 10% em dois meses, não surpreenderá ninguém que subam mais 18% em 12 meses. Essa conta salgada é execrada porque dará um desfalque enorme nos cofres da União, que poderiam estar sendo abertos para a construção de escolas, hospitais, estradas, creches e outros equipamentos dos quais o País é carente. Como, aliás, têm lembrado os manifestantes que contestam a decisão oficial de bancar a qualquer custo a realização da Copa das Confederações, do Mundial de 2014 e da Olimpíada no Rio de Janeiro em 2016.
(Adaptado de: A mais cara de todas as Copas. O Estado de S. Paulo. São Paulo, 23 jun. 2013. Notas e Informações. A3.)

Com relação à função sintática dos termos e das expressões, relacione a coluna da esquerda com a da
direita.
(I) no Brasil
(II) cara
(III) executivo
(IV) O Governo Federal
(V) este disparate

(A) adjunto adnominal

(B) adjunto adverbial

(C) objeto direto

(D) predicativo do sujeito

(E) sujeito

Assinale a alternativa que contém a associação correta.

PortuguêsUNICENTRO2016

Leia o texto a seguir e responda à questão.

Esse texto fez parte da campanha publicitária institucional da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), em 2008, em comemoração aos seus 100 anos de existência.

Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, o objetivo principal do texto.

PortuguêsUNICENTRO2015

Todo mundo sabe: é preciso fazer exercícios. Inúmeros experimentos comprovam que praticar atividade física é uma das providências mais eficazes que podemos tomar para melhorar ou manter a saúde. Do ponto de vista físico, o movimento regular reduz o risco de desenvolver doenças cardíacas, acidentes vasculares cerebrais (AVC) e diabetes, favorece o sistema imune, ajuda a prevenir certos tipos de câncer, fortalece ossos e músculos, aumenta a capacidade pulmonar e diminui o risco de quedas e fraturas. Alguns estudos científicos mostram influências positivas do movimento físico regular até mesmo no nível celular e molecular, contribuindo para o tratamento de aterosclerose e diabetes. Nos últimos anos, porém, uma explosão de pesquisas expandiu ainda mais essas observações. Há constatações de que o exercício reduz sintomas de depressão e ansiedade e favorece a neurogênese (processo de nascimento de neurônios), o que tende a beneficiar a memória e a aprendizagem. E ainda incrementa a capacidade intelectual no que diz respeito à realização de tarefas que exigem atenção, organização e planejamento. A maioria das pessoas se sente bem depois de correr ou mesmo fazer uma caminhada leve. Há várias hipóteses, levantadas pela ciência e pelo senso comum, que explicam esse fato: o exercício físico ajuda a “esquecer” pequenas frustrações diárias, reduz a tensão muscular e estimula a produção de endorfinas. Mas talvez a maior razão de nos sentirmos tão bem quando o coração bate mais rapidamente e bombeia sangue por todo o corpo é que isso ativa o cérebro e seus intrincados circuitos – o que, segundo estudos recentes, é o maior benefício do exercício físico. O desenvolvimento de músculos e o condicionamento do coração e dos pulmões podem ser considerados apenas efeitos colaterais diante do potencial que a atividade física tem de nos tornar mais bem humorados e com maior facilidade para raciocinar.

(Adaptado de: BASSUK, S.; CHURCH, T.; MANSON, J. Suar para Melhorar o Humor e o Raciocínio. Scientific American. Mente Cérebro. São Paulo: Duetto Editorial, 2014. jul. p.45-47.)

Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, o objetivo do texto.

PortuguêsUNICENTRO2021

Leia o texto a seguir e responda a questão.

Em meio ao vaivém acerca da produção de vacinas, dúvidas sobre a capacidade de armazenamento dos imunizantes, incertezas sobre quando será possível vacinar em larga escala, resistência ao uso de máscara, aglomerações em profusão e crescimento avassalador da segunda onda da pandemia no hemisfério norte, a Covid-19 está atormentando o sono de muita gente.

É verdade que parte considerável da população está dormindo mais. Porém está dormindo mal, demorando a pegar no sono, que não anda nada tranquilo. E não é para menos. Quando pequenos prazeres do cotidiano, como abraçar um amigo ou sair pela rua respirando livremente, são motivos de desassossego, parece normal que pesadelos tão assustadores quanto recorrentes ganhem vida.

Se você está se identificando, saiba que não está sozinho. Há dados variados e de fontes diversas apontando para uma mesma direção. Cerca de metade dos brasileiros – mais de 100 milhões de pessoas – sofreram alterações no padrão de sono. É muita gente.

E há dados de pesquisas oficiais, como as do Ministério da Saúde, acadêmicas, como a realizada em parceria entre a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e as universidades de Valência (Espanha) e de McMaster (Canadá), e de organismos internacionais. Na calada da noite, a aflição gira em torno de problemas de saúde, isolamento social, dificuldades econômicas, alteração radical da rotina, limitações pessoais, problemas de convivência, falta de espaço e, claro, o medo da morte. Ao despertar, restam os desgastes físico e mental.

Em situações de elevado nível de estresse, o sono costuma mesmo ser afetado. O interessante neste caso talvez seja a lição que a perturbação coletiva pode ensinar. Não importa se o corpo repousa sobre lençol de seda ou de poliéster, em circunstâncias extremas, o pesadelo mais assustador pode ser o de encarar as próprias limitações.

(ROSA, Ana Cristina. Que pesadelo! Folha de S.Paulo. Opinião. A2. 16 nov. 2020.)

Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, o objetivo do texto.

PortuguêsUNICENTRO2015

O Google sofreu uma de suas maiores derrotas jurídicas na semana passada. O Tribunal de Justiça da União Europeia (UE) decidiu que a empresa será obrigada a remover links de resultados de busca, a partir de solicitações feitas por usuários da Internet. O embate começou há cinco anos, quando o espanhol Mario Costeja González foi à justiça contra o Google. Quem digitava o nome de González no sistema de busca encontrava o link de um processo antigo que o fizera perder sua casa. González pediu a remoção, que não foi acatada pelo Google. Com a decisão, pedidos como o dele terão de ser cumpridos nos 28 países- -membros da União Europeia. Caberá ao Google criar uma estrutura para dar conta das requisições. Nos últimos dias, um sem-número de pedidos já inundava suas centrais de atendimento. A decisão da corte europeia está baseada em um conceito chamado “direito de ser esquecido”. Por ele, o cidadão europeu pode exigir a retirada de links que levem a informações que ele julgar inadequadas ou irrelevantes. A regra não se aplica, no entanto, a informações que são de “interesse público”. À primeira vista, o objetivo pode ser nobre. O Google não apenas integra todas as nossas informações digitais à revelia, como ganha dinheiro vendendo publicidade em cima delas. Mas há um grave problema com a decisão da UE. Como julgar se uma informação é de interesse público ou privado? Quem arbitrará sobre isso? Não são raros os casos de políticos que vão à Justiça contra o Google para que a empresa remova os links de sites que lhes fazem oposição. Eles poderão alegar, agora, que as informações são irrelevantes ou de interesse privado. Abre-se, portanto, uma brecha para que figuras públicas usem a decisão do tribunal europeu como uma ferramenta de censura. Em nota, o Google se disse surpreso e decepcionado com a decisão da Justiça europeia. Neste caso, tem razão.

(Adaptado de: Uma brecha para a censura. Época. São Paulo. Editora Globo. n.833. 19 maio 2014. Opinião. p.11.)

Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, o objetivo do texto.

PortuguêsUNICENTRO2014

[1] O grande marechal Cândido Rondon, que desbravou os rincões brasileiros, tinha como lema na colo-
[2] nização de terras indígenas o famoso “Morrer se preciso for; matar nunca”. Os lendários irmãos Villas
[3] Bôas, mundialmente famosos por terem feito o primeiro contato com os índios gigantes da Amazônia,
[4] os crenacarores, pautavam-se pelos mesmos cuidados de Rondon. A manutenção da vida e a saúde
[5] dos índios eram uma obrigação do estado brasileiro em sua política de expansão das fronteiras civili-
[6] zadas sobre terras habitadas pelas populações originais pré-cabralinas. A Rondon e aos irmãos Villas
[7] Bôas não escapava a melancólica sensação da inevitabilidade da extinção ou, em um cenário benigno,
[8] da mutilação das culturas daqueles povos. Sempre foi trágico para o mais fraco o milenar encontro de
[9] populações em estágios díspares de desenvolvimento tecnológico. “Quem carregava o aço, a pólvora
[10] ou os germes mais fortes dizimava o outro. Assim caminhou a humanidade desde tempos imemori-
[11] ais”, escreveu o geógrafo americano Jared Diamond. A conclusão é que não existe política indigenista
[12] justa para os índios. Qual a solução para a questão indígena brasileira? A pergunta não tem resposta
[13] simples. Está na hora de tirar o problema do âmbito do Conselho Indigenista Missionário e das ONGs
[14] estrangeiras e tratá-lo como uma questão de estado norteada pelo tema do marechal Rondon e pela
[15] insatisfatória, mas realista, visão dos irmãos Villas Bôas. Os índios precisam de proteção do estado
[16] para que não sejam usados como massa de manobra por manipuladores a quem mais interessam os
[17] mártires.
(Adaptado de: A questão indígena. Veja. Carta ao Leitor. 12 jun. 2013. São Paulo: Ed. Abril, ano 46, n.24. p.12.)

Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, a reescrita do trecho “Os índios precisam de proteção do estado para que não sejam usados como massa de manobra”, com o mesmo sentido expresso no texto.

PortuguêsUNICENTRO2014

Sou apenas um homem.
Um homem pequenino à beira de um rio.
Vejo as águas que passam e não as compreendo.
Sei apenas que é noite porque me chamam de casa.
Vi que amanheceu porque os galos cantaram.
Como poderia compreender-te, América?
É muito difícil.


Passo a mão na cabeça que vai embranquecer.
O rosto denuncia certa experiência.
A mão escreveu tanto, e não sabe contar!
A boca também não sabe.
Os olhos sabem – e calam-se.
Ai, América, só suspirando.
Suspiro brando, que pelos ares vai se exalando.
(ANDRADE, C. D. América. In: A Rosa do Povo. Rio de Janeiro: Record, 1999. p.155.)

Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, a palavra formada pelo mesmo processo de “embranquecer”.