Analise os comentários feitos em relação ao fragmento de texto seguinte, de autoria do Professor Cristóvão Tezza:
“Agora, com a Internet a palavra escrita voltou inesperada ao palco de uma forma onipresente. Não há uma página na internet sem uma palavra escrita; não há um só dia em que não se escreva muito no monitor, e não se leia outro tanto. Os velhos diários dos adolescentes do passado voltaram em forma de blogs – a intimidade trancada na gaveta de ontem agora se escancara para o mundo.”
De acordo com o fragmento de texto transcrito acima:
TEXTO 2
As línguas mudam
As línguas não são realidades estáticas, elas mudam com o passar do tempo, elas alteram-se continuamente. Os falantes não têm consciência da mudança. A imagem que eles têm do idioma é que ele é estável. São várias as razões para que não se perceba a constante alteração da língua. A primeira é que ela é bastante lenta. Tudo pode mudar na língua: os sons, a gramática, o vocabulário. No entanto, alguns níveis da linguagem se modificam mais devagar do que outros: por exemplo, o nível fônico, o do sons de que se vale a língua para construir as palavras, ou o da gramática têm uma mutação mais vagarosa do que a do vocabulário. Por outro lado, as mudanças atingem partes da língua e não sua totalidade: não se transformam todos os sons de uma só vez, não se altera toda a gramática conjuntamente, não se modifica todo o léxico na mesma ocasião. Isso significa que uma língua é um complexo jogo de mudanças e permanências. Ela está sempre num equilíbrio estável.
Além disso, a escrita, que é uma realidade mais estável e permanente do que a língua falada, leva ao desenvolvimento de um padrão de língua, que é ensinado na escola, é descrito nas gramáticas e nos dicionários, goza de um valor social mais elevado e, por isso, adquire uma estabilidade maior, refreando a mutação e servindo dereferência para a imagem que o falante tem da língua.
Entretanto, para perceber a modificação da língua, basta pegar textos antigos ou conviver com falantes mais velhos ou mais jovens.
(Massaud Moisés. A literatura portuguesa através dos textos. São Paulo: Cultrix, s,d. Fragmento)
Considerando o tema desenvolvido no Texto 2, podemos apontar como ‘afirmação nuclear e, assim, bastante relevante’, aquela que consta na alternativa:
Acreditar num determinado tipo de cultura como único e definitivo e, sobretudo, impô-lo a outros grupos humanos, é a pretensão que leva às piores tiranias. Considerar outros agrupamentos sociais inferiores apenas porque não usam nossos dados culturais tem permitido os piores crimes, até genocídios. Nossa civilização, fundada na transmissão da experiência através de símbolos escritos, não é superior a inúmeras outras cuja cultura se transmite apenas de maneira oral. Convém não esquecer que quem inventou o alfabeto foi um analfabeto.
(Millôr Fernandes. O livro vermelho dos pensamentos. São Paulo: Editora SENAC, 2000, p. 19.)Considerando o que se define como 'cultura', o Texto 3 defende um ponto de vista, a partir do qual é correto admitir o seguinte:
TEXTO 3
Durante séculos, os jornais impressos eram o único meio regular de divulgação de notícias. Com o avanço das tecnologias de transmissão de informação (rádio, televisão, internet), o contexto de circulação das notícias foi radicalmente alterado.
Um exemplo ilustra bem essa transformação. Em 11 de setembro de 2001, quando terroristas lançaram aviões contra alvos americanos, matando milhares de pessoas, a opinião pública acompanhou, pelas telas de computador e televisão, os dramáticos acontecimentos.
Jornais impressos não teriam condições de levar as notícias a milhões de pessoas em todo o mundo à medida que os fatos iam acontecendo.
Essa constatação nos obriga a concluir algo importante: a depender do meio em que circulam as notícias, elas assumem configurações diferentes. Uma notícia redigida para ser postada em um portal da internet provavelmente contará com menos informações do que a notícia equivalente que será publicada na edição do jornal no dia seguinte. Isso ocorre porque, com a necessidade de informar os fatos no exato instante em que acontecem, os portais da internet não têm como garantir o tempo necessário para a apuração mais minuciosa dos detalhes do fato noticiado.
É comum, inclusive, algumas das notícias veiculadas nesses portais serem atualizadas ao longo do dia, para acréscimo de detalhes e correção das informações iniciais que se mostram inexatas. Os jornais impressos não enfrentam essas dificuldades, porque dispõem de mais tempo e podem, assim, trazer informações mais completas e bem elaboradas.
Maria Luiza Abaurre e Maria Bernadete Abaurre. Produção de Texto – interlocução e gêneros. São Paulo: Editora Moderna, 2007, p. 69. (Adaptado).
Considerando o foco da análise empreendida no Texto 3, um título adequado poderia ter a seguinte formulação:
TEXTO 2
Michel Foucault, um filósofo francês, quando comenta, numa de suas obras, as restrições que as formas de fazer ciência impõem a uma pretensa liberdade dos cientistas, diz que, nos séculos XVI e XVII, na Inglaterra, surgiu uma nova forma de vontade de verdade.
Ela obrigava o sujeito do conhecimento a ter determinadas atitudes. Por exemplo, ver mais do que ler, verificar mais do que comentar. Essas características da nova ciência de então se devem basicamente ao fato de que, na Idade Média, a atitude era exatamente a oposta: liam-se os clássicos e a Bíblia (ler e comentar), mas os fatos do mundo, num certo sentido, não eram vistos (até porque, para certos casos, exigem-se aparelhos que não existiam). A forma nova deu origem à ciência moderna (que ainda exige, embora de forma completamente diferente, que se observem os fatos).
Pois bem, eu me pergunto se, em relação aos fatos da linguagem e da língua, ainda não somos, muitos de nós, medievais: quando aparece um fato novo, vamos aos livros para ver se eles os registram. Se não, o fato passa a ser considerado um erro. Não nos ocorre que os livros podem ser imperfeitos ou feitos com determinados objetivos, que impedem o registro de certos fatos.
(Sírio Possenti. A cor da língua e outras croniquinhas de
Linguística. Campinas (SP): Mercado de Letras, 2001, p. 61).
Considerando ainda a questão central abordada no Texto 2, um título adequado a ele seria:
TEXTO
Como uma onda
1. Toda língua muda com o tempo. Por mais que isso pareça óbvio, vale a pena repetir. Basta comparar um texto escrito em português na Idade Média, ou em 1600, ou mesmo há cem anos com qualquer coisa publicada nos dias de hoje.
2. As diferenças saltam aos olhos, e as dificuldades de compreensão vão crescendo quanto mais a gente recua no tempo.
3. Lendo as gramáticas, a gente tem a impressão de que a língua está pronta e acabada, que ela pode até ter sofrido transformações no passado, mas que, agora, as regras estão fixadas para sempre. Mas isso é uma ilusão.
4. Enquanto tiver gente falando uma língua, ela vai sofrervariação e mudança, incessantemente. Os mesmos processos que fizeram a língua mudar no passado continuam em ação, fazendo a língua mudar neste exato momento em que você me lê.
5. Apesar dessa obviedade, a mudança linguística sempre foi encarada como um problema, uma coisa negativa, um sinal de ruína, decadência e corrupção da língua.
6. No entanto, a mudança é inevitável: tudo no universo, na natureza, na sociedade passa incessantemente por processos de mudança, de obsolescência, de reinvenção, de evolução... Por que só a língua teria de ficar parada no tempo e no espaço?
7. Todas as demais instituições humanas sofrem mudança; por que a língua não sofreria? Na verdade, o melhor seria dizer: os falantes mudam a língua o tempo todo!
(Marcos Bagno. Nada na língua é por acaso. São Paulo: Parábola, 2007, p 163-164).Analise o trecho seguinte: “as dificuldades de compreensão vão crescendo quanto mais a gente recua no tempo”.
Considerando a relação do segmento destacado com o restante do texto, pode-se perceber a declaração de uma ‘mudança’, de caráter:
TEXTO
Millôr, exercitando sua competência de linguista por intuição, escreveu:
“Nenhuma língua morreu por falta de gramáticos. Algumas estagnaram por ausência de escritores. Nenhuma sobreviveu sem povo.”
Considerando a intuição expressa por Millôr Fernandes, o essencial para a vivência de uma língua são:
TEXTO 2
Globalização é, para muitos, apenas um momento da expansão do capitalismo, uma mudança na economia. Para uns, desejável, para outros, inevitável, é vista como uma fatalidade da natureza, um El Niño financeiro. Não é, não. A globalização é fruto da ação organizada dos homens; portanto, um fenômeno da sociedade e não da natureza. Não é como a erupção de um vulcão, uma onda de calor ou a inundação dos grandes rios, que têm a ver com o mundo da natureza.
A globalização, pelo contrário, tem a ver com o mundo dos homens, com a forma pela qual eles se organizam, extraem riquezas, vendem produtos, fornecem serviços. Tem a ver também com a maneira pela qual criam cultura e a veiculam, apropriam-se de valores morais, de práticas políticas e os universalizam. A repulsa a assassinos institucionalizados, do tipo de alguns déspotas da História, encontra eco em todos os países não só pelo fato de seus regimes terem trucidado indivíduos de diferentes nacionalidades, mas porque cada um de nós, como cidadão do mundo, sente-se atingido na própria carne, por atentados contra a humanidade.
Se sofremos as agruras da globalização, como desemprego, sobressaltos econômicos de dimensão planetária e até perda de identidade, que, ao menos, o fenômeno nos permita a universalização das conquistas já conseguidas pela humanidade, como os direitos humanos e o direito de buscar a felicidade.
(Jaime Pinsky. O Brasil tem futuro? São Paulo: Contexto, 2006, p. 124. Fragmento.)Conforme as normas da concordância verbal, que regulam o uso formal da língua portuguesa, sobretudo em contextos públicos, identifique a alternativa inteiramente aceitável.
TEXTO 1
Capitães de areia: até quando?
Com publicação datada de 1937, a obra Capitães de Areia, de Jorge Amado, repercutiu de forma polêmica, a ponto de ser censurada pelo Estado Novo varguista, sob a acusação de propaganda comunista. Embora o comunismo fosse citado de forma lateral ao longo do texto, o enredo consiste numa crítica social relacionada a um problema latente de sua época: transgressões perpetradas por crianças de rua. [...]
Passados quase oitenta anos, as causas profundas elencadas pelo autor para descrever tal realidade não nos soam remotas. Pelo contrário, dispomos de uma tenebrosa familiaridade com elas. Embora essa não seja a mensagem principal do livro, é inegável que a exclusão social se converte em violência, e esta se torna potencialmente capaz de atingir não só o excluído, mas os outros indivíduos que cruzam seu caminho, visto que a reação do oprimido pode vir na forma de opressão.
No Brasil hodierno, toda vez que chega o verão a história se repete. Como uma espécie de quadro paradigmático das consequências da exclusão endêmica, o distúrbio e o medo causados pelos arrastões nas praias da zona sul carioca e pelos assaltos nas ruas das regiões mais nobres, ganham protagonismo nas manchetes dos jornais e nas redes sociais.
Excetuando uma minoria que consegue ter uma visão holística do problema, as propostas de soluções apresentadas para acabarmos com os “capitães de areia” contemporâneos, são sempre simplistas e nunca tocam na estrutura do problema. Não se vê, por exemplo, um empenho decisivo para cobrar projetos de inclusão que devolvam, a longo prazo, a cidadania às gerações vindouras.
(Leandro Galvão. Capitães de areia: até quando? Disponível em
www.diplomatique.org.br./artigo.php?id=18118. Acessado em
22/09/2016. Adaptado.)
Como ‘proposta de solução’ para o problema levantado, o autor propõe:
A sintaxe da língua portuguesa prevê normas para o uso da flexão verbal, em concordância com o sujeito da construção frasal. Como também prevê normas que regulam a regência entre verbos e seus complementos.
Com base nesses princípios, analise as alternativas seguintes e identifique aquela que está inteiramente conforme tais normas.