Durante o Carnaval de 2014, o primeiro caderno da Folha de S. Paulo fez uma brincadeira com os mais importantes candidatos à Presidência da República naquele instante: Dilma Rousseff, Aécio Neves e Eduardo Campos. Numa chamada intitulada “Unidos da urna”, havia três textos, um sobre cada possível postulante ao Palácio do Planalto. Os textos tinham os seguintes títulos, todos bem-humorados:
“Estação primeira de Dilma”
“Acadêmicos de Aécio”
“Mocidade independente de Campos”
Os três títulos apresentam em comum o fato de
Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) negaram nesta quinta-feira (14) cinco recursos que questionavam o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff – da validade do relatório de Jovair Arantes aprovado na Comissão Especial da Câmara na segunda-feira (11) à forma como será realizada a votação no plenário da Casa, no domingo (17).
O STF começou a sessão extraordinária analisando uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) pedida pelo PCdoB sobre o rito de votação do processo definido pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O PCdoB solicitava a adoção da chamada de deputados para votação em ordem alfabética, tal como ocorreu no processo de impeachment de Collor em 1992.
O Plenário decidiu indeferir a liminar por 6 a 4, considerando que a votação intercalada entre deputados, um do Norte e um do Sul, não é inconstitucional. Votaram pelo indeferimento da liminar os ministros Teori Zavascki, Rosa Weber, Luiz Fux, Cármen Lúcia, Gilmar Mendes e Celso de Mello. (...)
Ofragmento transcrito, embora faça parte de texto jornalístico, utiliza, por causa do assunto tratado, termos técnicos específicos do Direito, como ocorre em
Observando-se o plano imagético da tira, é coerente concluir que a arte da ilustradora Mariza Dias Costa
Texto para aquestão
Salve o Hino do Brasil
Sou daqueles que se emocionam ao ouvir o Hino Nacional e canto sempre que o ouço, em solenidades ou em jogos de futebol.
Ao ouvi‐lo fora do Brasil então, às vezes até choro quando chega o “verás que um filho teu não foge à luta”. De alguns anos para cá virou lei em muitos Estados a obrigatoriedade da execução do Hino antes dos jogos de futebol, qualquer um.
O resultado é desastroso.
A maioria dos torcedores não presta a menor atenção, poucos cantam, a banalização virou esculhambação e a intenção de fazer por força de lei um momento de educação cívica virou apenas desrespeito.
No mais das vezes o que se ouve é o coro da torcida do time anfitrião com seus cânticos de estímulo à equipe e o Hino vira pano de fundo, pano de chão.
(...) Que o Hino seja tocado antes de jogos da Seleção ou em circunstâncias especiais é aceitável.
Em todos os jogos é mera vulgarização e o tiro saiu pela culatra.
Quando se trata de jogos contra times estrangeiros comete‐se a falta de educação de não se tocar o hino do país do clube visitante.
A boa intenção do legislador lotou o inferno.
Está na hora de uma lei federal estabelecer novos critérios e acabar com o desrespeito.
Escreva para o deputado federal que ganhou o seu voto e ajude a salvar a dignidade do Hino do Brasil.
O verso do Hino citado pelo colunista no segundo parágrafo poderia ser reescrito, respeitando o padrão culto da língua e mantendo o sentido original, da seguinte forma:
Texto para aquestão
Amar, e não saber, não ter coragem
Para dizer que amor que em nós sentimos;
Temer qu’olhos profanos nos devassem
O templo, onde a melhor porção da vida
Se concentra; onde avaros recatamos
Essa fonte de amor, esses tesouros
Inesgotáveis d’ilusões floridas;
Sentir, sem que se veja, a quem se adora,
Compr’ender, sem lhe ouvir, seus pensamentos,
Segui-la, sem poder fitar seus olhos,
Amá-la, sem ousar dizer que amamos,
E, temendo roçar os seus vestidos,
Arder por afogá-la em mil abraços:
Isso é amor, e desse amor se morre!
O uso dos apóstrofos em “qu’olhos” e “Compr’ender” serve para indicar a
O último quadrinho permite pressupor que
Leia o texto para responder à questão.
Em três anos, total de domésticas com carteira cai 15%
Nos últimos três anos, mais de 300 mil empregados domésticos perderam o registro na carteira de trabalho, mesmo após a regulamentação dos direitos da categoria. No fim do ano passado, o número de profissionais registrados foi impactado pela crise e teve seu pior resultado desde 2015. Esse contingente caiu 15% no período, de 2,1 milhões para 1,78 milhão.
Enquanto o total de empregados domésticos registrados caiu, a quantidade de trabalhadores sem carteira assinada cresceu 7,2%, indo de 4,2 milhões no fim de 2015 para 4,5 milhões em dezembro do ano passado, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do IBGE, separados pela consultoria LCA.
Em 2013, os benefícios para a categoria passaram a ser previstos na Constituição, com a aprovação da chamada PEC das Domésticas. Essas medidas foram regulamentadas dois anos mais tarde, garantindo para esses trabalhadores direitos como jornada de trabalho, horas extras e Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
(Douglas Gavras. https://economia.estadao.com.br, 06.04.2019. Adaptado.)O último parágrafo do texto permite inferir que
Leia o texto para responder à questão.
Futuro do pretérito
Não sei como é pra vocês, mas eu acho complicado ser brasileiro. Sinto-me como alguém que casou com uma pessoa cheia de defeitos na expectativa de mudá-la. Por isso a frase “o Brasil é o país do futuro” (livre adaptação que fizemos do título de um livro de Stefan Zweig, “Brasil, um País do Futuro”) vem bem a calhar. O que eu amo não é tanto o país em que vivo, é uma projeção do que o país poderia ser se... E se e se e se e se e se e se e se e se e bota “se” aí.
Às vezes o Brasil é uma esperança, às vezes um delírio e na maior parte do tempo é apenas uma triste constatação. Impossível nos divorciarmos, contudo: mesmo que eu fosse pras ilhas Fiji eu continuaria a ser brasileiro. Foi aqui que nasci, é em português que eu falo, penso, sonho e crio os meus filhos, então só me resta agarrar-me a esta projeção e amar esta ideia vaga do que nós um dia poderíamos ser. (Não é à toa que conjugo o verbo “poder” no futuro do pretérito, esse tempo verbal banhado em melancolia).
Meu amigo Gustavo me mostrou outro dia o anúncio de um apartamento à venda com a seguinte frase: “Grande potencial para reforma!”. Maneira não muito sutil que a imobiliária arrumou para informar que o imóvel estava caindo aos pedaços. “O Brasil é o país do futuro” não deixa de ter o mesmo significado: se é no futuro que nos realizaremos é porque no presente, bem, tá cheio de taco solto, fiação podre, infiltrações e trincas. No entanto, postergando as reformas, aqui vivemos. É muito esquisito ser brasileiro.
(Antonio Prata. www.folha.uol.com.br, 03.03.2019. Adaptado.)O título do texto e a passagem “E se e se e se e se e se e se e se e se e bota ‘se’ aí” (1° parágrafo) circunscrevem a análise do autor ao campo da
O título da chamada alude a um dos termos essenciais da oração: o sujeito. No entanto, para que o sujeito seja classificado como oculto, é necessário que haja certas marcas linguísticas, que podem ser identificadas em
Site de campanha de Serra ‘corrige’ erros de português
No afã da corrida eleitoral, a emenda saiu pior que o soneto no site de campanha de José Serra, candidato à
Presidência pelo PSDB.
No endereço que leva o nome do tucano e o número do partido, “serra45″, há um espaço para o leitor
cadastrar seus dados e enviar a amigos vídeo com mensagem do candidato celebrando o 7 de setembro, dia da
Independência do Brasil.
Ainda pela manhã o internauta era convidado a digitar, “Seu Nome”, “Sua Email” e “Sua Senha”. Já à
tarde, foi feita “correção” – para enviar seus dados, o leitor deveria preencher “Sua Nome” e “Sua Email”, além de
“Sua Senha”.
(Disponível em http://blogs.estadao.com.br/radar-politico/2010/09/09/site-de-campanha-de-serra-corrige-erros-de-portugues/.)O tipo de “erro de português” que o texto cita também ocorre na seguinte frase: