De uns tempos para cá, não sei se me engano, começaram a proliferar normas destinadas a controlar nossa condutaindividual. Falei em algumas aqui e cheguei a aventar a hipótese de que uma agência governamental, ou qualquer outra das muitas autoridades a que vivemos subordinados sem saber, venha a estabelecer normas para o uso do papel higiênico e garantir sua observação através da instalação de câmeras nos banheiros de uso público. Nos banheiros domésticos, imagino que seriam suficientes umas visitas incertas de inspetores com gazuas, para tentar flagrar os que se asseassem ilegalmente.
Não se trata somente de passatempo para burocratas entediados e sem mais o que fazer. Trata-se da convicção, que parece grassar truculentamente em toda parte, de que existe algo "certo", cientificamente certo e, portanto, todos devem comportar-se dentro do certo. Se nas ciências físicas esse negócio de "certo" já é olhado com um pé atrás, nas ciências humanas, que nunca puderam aspirar ao nível de objetividade daquelas, a existência do "certo" é muito discutível, envolve necessariamente valores, valores que permeiam toda ação do homem e não são território da ciência e da objetividade.
(João Ubaldo Ribeiro, O Estado de S. Paulo, 08/11/2010)A respeito da acentuação gráfica nas palavras presentes no texto, assinale a alternativa em que a ausência do acento não acarretaria falha gramatical.
A originalidade do cartum acima decorre da representação gráfica de um recurso linguístico de caráter
Observe a obra do pintor húngaro Victor Vasarely (1908-1997).
A obra reproduzida faz parte do movimento denominado Op Art – Arte Óptica. Analisando-a, conclui-se que ela
Leia o trecho da entrevista da historiadora Marina Vaz ao blog “Nós”.
NÓS – Um estudo sobre os perennials afirma que a maneira como se envelhece — boa ou má — depende da maneira como se encara a velhice. Se você é pessimista, envelhece mal e vive menos, em resumo. Você concorda?
MARINA – Quem envelhece mal é quem não se preparou para isso. Principalmente os homens, que não conseguem aproveitar a vida depois que deixam de trabalhar. As mulheres da minha geração têm sempre alguma coisa para fazer. Eu, por exemplo, cozinho. Planto minhas verduras, hortaliças, na minha segunda casa, em São Francisco Xavier (interior de São Paulo). Eu acompanho o ciclo da vida. Colho, cozinho, como ou sirvo para amigos. Adoro fazer isso. Adoro fazer doce com as frutas das minhas árvores e dar as compotas de presente. Também voltei a bordar, estudar música. E nunca deixei de ler. Além de conviver com a roça, tem uma coisa muito importante que explica o fato de eu estar tão bem. Eu não tenho marido (risadas). Me separei aos 50 anos. Sofri pra burro, mas agora vejo que tive muita sorte. Casamento é uma merda. Absolutamente, eu jamais me casaria de novo.
(Brenda Fucuta. “‘Tem velho que inferniza os filhos’, diz historiadora de 88 anos”. https://nos.blogosfera.uol.com.br, 07.04.2019. Adaptado.)A linguagem empregada pela historiadora
Leia o texto para responder à questão.
Um dia, recebi um telefonema do meu querido amigo Roberto Carlos. Ele queria saber se poderia usar, na mesma quadra de uma de suas composições, pronomes misturados de 2a e 3a pessoas. Mesmo sabedor da liberdade literária, que é dada aos poetas, disse ao nosso maior cantor que era preferível acatar a concordância pronominal, empregando em cada quadra um só tratamento. É isso aí, bicho.
(Arnaldo Niskier. Na ponta da língua, 2001.)A liberdade literária referida por Arnaldo Niskier está exemplificada em:
Sintaxe à vontade
Sem horas e sem dores,
Respeitável público pagão,
Bem-vindos ao teatro mágico.
[5]
A partir de sempre
Toda cura pertence a nós.
Toda resposta e dúvida.
Todo sujeito é livre para conjugar o verbo que quiser,
[10] Todo verbo é livre para ser direto ou indireto.
Nenhum predicado será prejudicado,
Nem tampouco a frase, nem a crase, nem a vírgula e ponto final!
Afinal, a má gramática da vida nos põe entre pausas, entre vírgulas,
[15] E estar entre vírgulas pode ser aposto,
E eu aposto o oposto: que vou cativar a todos,
Sendo apenas um sujeito simples.
Um sujeito e sua oração,
Sua pressa, e sua verdade, sua fé,
[20]
Que a regência da paz sirva a todos nós.
Cegos ou não,
Que enxerguemos o fato
De termos acessórios para nossa oração.
[25] Separados ou adjuntos, nominais ou não,
Façamos parte do contexto da crônica
E de todas as capas de edição especial.
Sejamos também o anúncio da contracapa,
Pois ser a capa e ser contra a capa
[30] É a beleza da contradição.
É negar a si mesmo.
E negar a si mesmo é muitas vezes
Encontrar-se com Deus.
Com o teu Deus.
[35]
Sem horas e sem dores,
Que nesse momento que cada um se encontra aqui e agora,
Um possa se encontrar no outro,
E o outro no um...
[40] Até por que, tem horas que a gente se pergunta:
Por que é que não se junta
Tudo numa coisa só?
(O Teatro Mágico)A letra dessa canção promove um surpreendente jogo de palavras, que é construído a partir da organização léxico-sintática dos versos. Considerando o contexto em que se encontram, em todas as alternativas abaixo explorase o caráter polissêmico das palavras, EXCETO em
Leia o poema.
É PROIBIDO PISAR NA GRAMA
O jeito é deitar e rolar
(Chacal, Belvedere, 2007)A leitura do poema de Chacal permite afirmar que
A imagem acima é uma peça que compõe uma campanha para incentivar a população carioca a recorrer ao serviço Disque-Denúncia. Sobre a estratégia argumentativa empregada para o convencimento do público-alvo, pode-se afirmar que ela
Leia o texto para responder à questão.
15 DE JULHO DE 1955 Aniversário de minha filha Vera Eunice. Eu pretendia comprar um par de sapatos para ela. Mas o custo dos generos alimentícios nos impede a realização dos nossos desejos. Atualmente somos escravos do custo de vida. Eu achei um par de sapatos no lixo, lavei e remendei para ela calçar.
Eu não tinha um tostão para comprar pão. Então eu lavei 3 litros e troquei com o Arnaldo. Ele ficou com os litros e deu-me pão. Fui receber o dinheiro do papel. Recebi 65 cruzeiros. Comprei 20 de carne, 1 quilo de toucinho e 1 quilo de açucar e seis cruzeiros de queijo. E o dinheiro acabou-se.
Passei o dia indisposta. Percebi que estava resfriada. A noite o peito doia-me. Comecei tussir. Resolvi não sair a noite para catar papel. Procurei meu filho João José. Ele estava na rua Felisberto de Carvalho, perto do mercadinho. O onibus atirou um garoto na calçada e a turba afluiu-se. Ele estava no nucleo. Dei-lhe uns tapas e em cinco minutos ele chegou em casa.
Ablui as crianças, aleitei-as e ablui-me e aleitei-me. Esperei até as 11 horas, um certo alguem. Ele não veio. Tomei um melhoral e deitei-me novamente. Quando despertei o astro rei deslisava no espaço. A minha filha Vera Eunice dizia:
— Vai buscar agua mamãe!
A ideia contida na frase “Atualmente somos escravos do custo de vida” (1º parágrafo) é comprovada no trecho:
Leia o texto para responder à questão.
Senhor,
Dois amores tomaram conta de todas as faculdades de minha alma. Um me leva a desejar ser o testemunho feliz dos atos diários de sua Augusta e Divina Presença. Outro me deixa escravo da Pintura e me mantém atado ao meu cavalete, onde o meu nobre trabalho me deixa digno da sua honrosa proteção. Vossa Majestade, cujos talentos e sabedoria souberam conciliar os interesses de importância muito maior, pode na sua bondade realizar todos os desejos de meu coração ao me permitir dedicar-me ao seu serviço e àquele de sua augusta família, seja na qualidade de professor de desenho dos príncipes ou das princesas, a quem os meus cabelos brancos me permitem chegar perto; seja ao me dar o cargo de conservador dos seus quadros, estátuas etc. etc. etc. Com a idade de 60 anos, pai de uma família numerosa, achei-me, no meu país, vítima de uma revolução cuja agitação crescente eliminou a minha modesta fortuna.
Assustado sobretudo pela última invasão de Paris, todas as minhas esperanças se dirigem ao asilo que Vossa Majestade escolheu para si mesmo na sabedoria de suas concepções. Taunay, Peintre, membre de l’Institut Royal de France.
(Lilia Moritz Schwarcz. O sol do Brasil, 2008. Adaptado.)A função da linguagem predominante no texto é a