Leia o que diz Sêneca e considere as afirmações que seguem à sua frase.
O homem acredita mais com os olhos do que com os ouvidos. Por isso longo é o caminho através de regras e normas, curto e eficaz através do exemplo.
(Frase atribuída a Sêneca (4 a.C. − 65 d.C), um dos mais célebres escritores e intelectuais do Império Romano)I. Conclui-se do texto de Sêneca que o modo como distintos órgãos do sentido recebem os estímulos sensoriais externos define a eficácia de cada um dos órgãos, uns são mais competentes, outros menos.
II. O texto legitima a frase “Saibamos bem usufruir da experiência alheia e não levar em conta regras e normas”.
III. A frase dialoga com os provérbios “O melhor mestre é Frei Exemplo” e “Ver para crer”; a formulação de Sêneca demonstra acolhimento integral do que se tem na primeira máxima; a segunda é tida pelo pensador como expressão de uma prática, que inspira sua reflexão.
IV. Estrutura binária usual em provérbios – por exemplo, em “Mais vale quem Deus ajuda do que quem cedo madruga” − ocorre no texto de Sêneca, mas o traço generalizante da máxima não se vê na frase do romano.
Está correto o que se afirma APENAS em
Ideias do canário
Um homem dado a estudos de ornitologia, por nome Macedo, referiu a alguns amigos um caso tão extraordinário que ninguém
lhe deu crédito. Alguns chegam a supor que Macedo virou o juízo. Eis aqui o resumo da narração.
No princípio do mês passado, − disse ele −, indo por uma rua, sucedeu que um tílburi, à disparada, quase me atirou ao chão.
Escapei saltando para dentro de uma loja de belchior. Nem o estrépito do cavalo e do veículo, nem a minha entrada fez levantar o
dono do negócio, que cochilava ao fundo, sentado numa cadeira de abrir. Era um frangalho de homem, barba cor de palha suja, a
cabeça enfiada em um gorro esfarrapado, que provavelmente não achara comprador. Não se adivinhava nele nenhuma história, como
podiam ter alguns objetos que vendia, nem se lhe sentia a tristeza austera e desenganada das vidas que foram vidas.
A loja era escura, atulhada das cousas velhas, tortas, rotas, enxovalhadas, enferrujadas que de ordinário se acham em tais
casas, tudo naquela meia desordem própria do negócio. Essa mistura, posto que banal, era interessante. [...]
Ia a sair, quando vi uma gaiola pendurada na porta. [...] Não estava vazia. Dentro pulava um canário.[
Obs.: tílburi = carro de duas rodas e dois assentos, com capota e sem lugar para o cocheiro, puxado por um só animal. belchior = negociante de roupas e objetos usados. (ASSIS, Machado de. In: A linguagem dos animais: contos e crônicas sobre bichos. 1 ed. São Paulo: Boa Companhia, 2012. p. 47-48)É correto afirmar:
Transcreve-se abaixo frase veiculada em folheto que divulga técnica para suavizar as rugas.
Alguns segredos, nós mulheres fazemos questão de guardar.
É correto afirmar:
[1]− Quer assunto para um conto? – perguntou o Eneias, cercando-me no corredor.
Sorri.
− Não, obrigado.
− Mas é assunto ótimo, verdadeiro, vivido, acontecido, interessantíssimo!
[5] − Não, não é preciso... Fica para outra vez...
− Você está com pressa?
− Muita!
− Bem, de outra vez será. Dá um conto estupendo. E com esta vantagem: aconteceu... É só florear um pouco.
− Está bem...Então...até logo...Tenho que apanhar o elevador...
[10] Quando me despedia, surge um terceiro. Prendendo-me à prosa. Desmoralizando-me a pressa.
− Então, que há de novo?
− Estávamos batendo papo... Eu estava cedendo, de graça, um assunto notável para um conto. Tão bom, que até comecei
a esboçá-lo, há tempos. Mas conto não é gênero meu − continuou o Eneias, os olhos azuis transbordando de
generosidade.
[15] − Sobre o quê? − perguntou o outro.
Eu estava frio. Não havia remédio. Tinha que ouvir, mais uma vez, o assunto.
− Um caso passado. Conheceu o Melo, que foi dono de uma grande torrefação aqui em São Paulo, e tinha uma ou várias
fazendas pelo interior?
Pergunta dirigida a mim. Era mais fácil concordar.
(In: Omelete em Bombaim, 1946. Disponível em: www.academia.org.br)É correta a seguinte observação:
Cresci vendo as fotos de Yaqub e ouvindo a mãe dele ler suas cartas. Numa das fotos, posou com a farda do Exército;
outra vez uma espada, só que agora a arma de dois gumes dava mais poder ao corpo do oficial da reserva. Durante anos,
essa imagem do galã fardado me impressionou. Um oficial do Exército, e futuro engenheiro da Escola Politécnica...
Já Omar era presente demais: seu corpo estava ali, dormindo no alpendre. O corpo participava de um jogo entre a inércia
da ressaca e a euforia da farra noturna. Durante a manhã, ele se esquecia do mundo, era um ser imóvel, embrulhado na rede.
No começo da tarde, rugia, faminto, bon vivant em tempo de penúria. Era, na aparência, indiferente ao êxito do irmão. Não
participava da leitura das cartas, ignorava o oficial da reserva e futuro politécnico. No entanto, mangava das fotografias
expostas na sala. “Um lesão com pinta de importante”, dizia, e com uma voz tão parecida com a do irmão que Domingas,
assustada, procurava na sala um Yaqub de carne e osso. A mesma voz, a mesma inflexão. Na minha mente, a imagem de
Yaqub era desenhada pelo corpo e pela voz de Omar. Neste habitavam os gêmeos, porque Omar sempre esteve por ali,
expandindo sua presença para apagar a existência de Yaqub.
Obs. bon vivant: homem alegre, que valoriza os prazeres da vida. mangar: caçoar, expor ao ridículo.É correta a seguinte afirmação:
Cresci vendo as fotos de Yaqub e ouvindo a mãe dele ler suas cartas. Numa das fotos, posou com a farda do Exército;
outra vez uma espada, só que agora a arma de dois gumes dava mais poder ao corpo do oficial da reserva. Durante anos,
essa imagem do galã fardado me impressionou. Um oficial do Exército, e futuro engenheiro da Escola Politécnica...
Já Omar era presente demais: seu corpo estava ali, dormindo no alpendre. O corpo participava de um jogo entre a inércia
da ressaca e a euforia da farra noturna. Durante a manhã, ele se esquecia do mundo, era um ser imóvel, embrulhado na rede.
No começo da tarde, rugia, faminto, bon vivant em tempo de penúria. Era, na aparência, indiferente ao êxito do irmão. Não
participava da leitura das cartas, ignorava o oficial da reserva e futuro politécnico. No entanto, mangava das fotografias
expostas na sala. “Um lesão com pinta de importante”, dizia, e com uma voz tão parecida com a do irmão que Domingas,
assustada, procurava na sala um Yaqub de carne e osso. A mesma voz, a mesma inflexão. Na minha mente, a imagem de
Yaqub era desenhada pelo corpo e pela voz de Omar. Neste habitavam os gêmeos, porque Omar sempre esteve por ali,
expandindo sua presença para apagar a existência de Yaqub.
Obs. bon vivant: homem alegre, que valoriza os prazeres da vida. mangar: caçoar, expor ao ridículo.É adequado o seguinte comentário envolvendo sentidos do último parágrafo:
Observe com atenção o abaixo reproduzido.
Desconhecendo-se o ambiente em que o texto acima circula, considere:
Considerado o conjunto reproduzido, é correto afirmar:
Morrer — isso não se faz a um gato.
Pois o que há de fazer um gato
num apartamento vazio.
Trepar pelas paredes.
Esfregar-se nos móveis.
Nada aqui parece mudado
e no entanto algo mudou.
Nada parece mexido
e no entanto está diferente.
E à noite a lâmpada já não se acende.
[...]
Algo aqui não começa
na hora costumeira.
Algo não acontece
como deve.
Alguém esteve aqui e esteve,
e de repente desapareceu
e teima em não aparecer.
[...]
Que mais se pode fazer.
Dormir e esperar.
Espera só ele voltar, espera ele aparecer.
Vai aprender
que isso não se faz a um gato.
Para junto dele
como quem não quer nada
devagarinho
sobre patas muito ofendidas.
E nada de pular miar no princípio.
(SZYMORSKA, Wislawa.Poemas. Trad. Regina Przybycien. São Paulo: Companhia das Letras, 2011, p. 94-95)Considerada a norma-padrão, comenta-se com correção:
A questãorefere-se ao parágrafo abaixo, em seu contexto.
Se o relógio da História marca tempos sinistros, o tempo construído pela arte abre-se para a poesia: o tempo do sonho e da fantasia arrebatou multidões no filme O mágico de Oz estrelado por Judy Garland e eternizado pelo tema da canção Além do arco-íris. Aliás, a arte da música é, sempre, uma habitação especial do tempo: as notas combinam-se, ritmam e produzem melodias, adensando as horas com seu envolvimento.
Se o relógio da História marca tempos sinistros, o tempo construído pela arte abre-se para a poesia.
Comenta-se corretamente sobre o que o segmento acima expressa, em seu contexto: