TEXTO
Queimada
À fúria da rubra língua
do fogo
na queimada
envolve e lambe
o campinzal
estiolado em focos
fenos
sinal.
É um correr desesperado
de animais silvestres
o que vai, ali, pelo mundo
incendiado e fundo,
talvez,
como o canto da araponga
nos vãos da brisa!
Tambores na tempestade
[...]
E os tambores
e os tambores
e os tambores
soando na tempestade,
ao efêmero de sua eterna idade.
[...]
Onde?
Eu vos contemplo
à inércia do que me leva
ao movimento
de naufragar-me
eternamente
na secura de suas águas
mais à frente!
Ó tambores
ruflai
sacudi suas dores!
Eu
que não me sei
não me venho
por ser
busco apenas ser somenos
no viver,
nada mais que isso!
(VIEIRA, Delermando. Os tambores da tempestade. Goiânia: Poligráfica, 2010. p. 164, 544, 552.)Sobre a palavra “somenos”, presente nos versos finais do fragmento do poema “Tambores na tempestade”, segunda parte do Texto, assinale a alternativa correta:
TEXTO
[...]
Era uma promessa, mas eu não via grande coisa no futuro, o mar estava muito longe, meu pensamento estava cravado ali mesmo, nos dias e noites do presente, nas portas fechadas do liceu, na morte de Laval. Yaqub sabia disso? Ele notou minha inquietação, minha tristeza. Disse-lhe isto: que estava com medo, faltava pouco para terminar o curso no liceu. Um professor tinha sido assassinado, o Antenor Laval... Ele ficou pensativo, balançando a cabeça. Olhou para mim: “Eu também tenho um amigo... foi meu professor em São Paulo...”. Parou de falar, me olhou como se eu não fosse entender o que ele ia dizer. Na época em que havia estudado no colégio dos padres Yaqub talvez tivesse conhecido Laval.
Ele sabia que Manaus se tornara uma cidade ocupada. As escolas e os cinemas tinham sido fechados, lanchas da Marinha patrulhavam a baía do Negro, e as estações de rádio transmitiam comunicados do Comando Militar da Amazônia. Rânia teve que fechar a loja porque a greve dos portuários terminara num confronto com a polícia do Exército. Halim me aconselhou a não mencionar o nome de Laval fora de casa. Outros nomes foram emudecidos. A tarja preta que cobria uma parte da fachada do liceu fora arrancada e as portas do prédio permaneceram trancadas por várias semanas.
Mesmo assim, Yaqub não se intimidou com os veículos verdes que cercavam as praças e o Manaus Harbour, com os homens de verde que ocupavam as avenidas e o aeroporto. Nem mesmo um diabo verde o teria intimidado. Eu não queria sair de casa, não entendia as razões da quartelada, mas sabia que havia tramas, movimento de tropas, protestos por toda parte. Violência. Tudo me fez medo. Mas ele insistiu em que eu o acompanhasse: “Já fui militar, sou oficial da reserva”, me disse orgulhoso.
(HATOUM, Milton. Dois irmãos. 19. reimpr. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. p. 149.)“Disse-lhe isto: que estava com medo, faltava pouco para terminar o curso no liceu.”
Quanto à função sintática do pronome enclítico nesse trecho extraído do Texto, pode-se afirmar que (marque a resposta correta):
Faça uma leitura atenta do fragmento do texto de Vagner de Alencar:
Quarta-feira, dia 20 de outubro: eu chorei diante de centenas de estudantes do 3o ano do Ensino Médio de escolas públicas de todo o Brasil. Convidado a falar na 7a Olimpíada de Língua Portuguesa para semifinalistas do concurso, a emoção, literalmente, subiu ao pódio.
As lágrimas foram inevitáveis quando a imagem de Deusane e Luzimar, professoras de uma das escolas por onde passei, em Barra do Choça (BA), surgiu logo no começo de minha apresentação. [...]
[...]
Entre inspirações, tive o prazer de estar acompanhado, nesta Olimpíada, por Cintia Gomes, diretora institucional da Agência Mural.
Ela mostrou, para os estudantes, como um jornal escolar, criado durante o Ensino Médio, foi a fagulha para, anos mais tarde, acender a chama pela profissão de jornalista e, assim, poder escrever as histórias não contadas sobre seu bairro. [...]
(ALENCAR, Vagner de. O lugar onde vivo esteve no pódio da Olimpíada de Língua Portuguesa. Folha de São Paulo, São Paulo, 22 out. 2021. Acesso em: 23 out. 2021. Adaptado.)Observe o emprego da vírgula nas orações a seguir e marque a única alternativa que apresenta a possibilidade de eliminar a(s) vírgula(s), sem violar a norma padrão da Língua Portuguesa:
TEXTO
I
Corre em mim
(devastado)
um rio de revolta
e
cicio.
Por nada deste mundo
há de saber-se afogado,
senão por sua sede
e seu desvio!
II
Tudo que edifico
na origem milenar da espera
é poder
do que não pode
e se revela
ad mensuram.
(VIEIRA, Delermando. Os tambores da tempestade. Goiânia: Poligráfica, 2010. p. 23-24.)O rio que corre no poeta (Texto) é de natureza (marque a alternativa correta):
Leia o texto a seguir, considerando o emprego das linguagens verbal e não verbal:
Alexandre Beck, na construção de sua tirinha, tendo em vista a intencionalidade de sua mensagem, utiliza recursos linguísticos que evidenciam uma função de linguagem.
O autor reforça a presença da função (marque a única alternativa correta)
TEXTO
As vozes do homem
Naquele momento de angústia,
o homem não sabia se era o mau ou o bom ladrão.
E quando a mais amarga das estrelas o oprimia demais,
eis que a sua boca ia dizendo:
eu sou anjo.
E os pés do homem: nós somos asas.
E as mãos: nós somos asas.
E a testa do homem: eu sou a lei.
E os braços: nós somos cetros.
E o peito: eu sou o escudo.
E as pernas: nós somos as colunas.
E a palavra do homem: eu sou o Verbo.
E o espírito do homem: eu sou o Verbo.
E o cérebro: eu sou o guia.
E o estômago: eu sou o alimento.
E se repetiram depois as acusações milenárias.
E todas as alianças se desfizeram de súbito.
E todas as maldições ressoaram tremendas.
E as espadas de fogo interceptaram o caminho da
[árvore da vida.
E as mãos abarcaram o pescoço do homem: nós te abarcaremos.
[...]
(LIMA, Jorge de. Melhores poemas. São Paulo: Global, 2006. p. 94.)No Texto, as vozes a que o título se refere manifestam-se (assinale a alternativa correta):
TEXTO
O acendedor de lampiões
Lá vem o acendedor de lampiões da rua!
Este mesmo que vem infatigavelmente,
Parodiar o sol e associar-se à lua
Quando a sombra da noite enegrece o poente!
Um, dois, três lampiões, acende e continua
Outros mais a acender imperturbavelmente,
À medida que a noite aos poucos se acentua
E a palidez da lua apenas se pressente.
Triste ironia atroz que o senso humano irrita: —
Ele que doura a noite e ilumina a cidade,
Talvez não tenha luz na choupana em que habita.
Tanta gente também nos outros insinua
Crenças, religiões, amor, felicidade,
Como este acendedor de lampiões da rua!
No primeiro terceto do poema apresentado no Texto, “O acendedor de lampiões”, em que consiste a “triste ironia” a que o enunciador se refere? Assinale a alternativa correta:
Faça uma leitura atenta do fragmento do texto Sob neblinas, de Maria José Silveira:
Da minha janela, vejo o perfil pontiagudo dos prédios distantes se dissolvendo na bruma, tornando-se algo misterioso, como se se desfizessem no ar. Penso que, por sua vez, quem estiver naqueles prédios ao longe também verá este meu prédio dentro de nuvens, em solidária reciprocidade.
[...]
Baixo meu olhar para a rua, poucas pessoas, nenhum carro. Até me dá uma pequena vontade de sair para uma caminhada na neblina. [...]
Não é uma neblina suavezinha como na minha infância, quando em dias que sem razão eu despertava muito cedo, nas férias na casa da minha avó, e do alpendre a via, com sua fiel escudeira Bastiana, desaparecerem entre as nuvens baixas, rumo à primeira missa do dia. [...]
Ainda dava tempo de ir até o fundo da casa espaçosa, destrancar a porta da cozinha e me apoiar na murada [...]. De lá via a neblina orvalhada se desvanecendo com os primeiros raios do sol [...].
[...]
[...]. Essa momentânea neblina da infância era prenúncio de um dia radiante. Neblina baixa, sol que racha, dizia-se então.
Pena que esta bruma que vejo hoje da minha janela não prenuncie radiâncias. Parece apenas querer se estabilizar por um bom tempo, deixando os prédios dependurados em seu corpo impreciso. Quando a neblina se dissipar, a cidade voltará a sua cotidiana normalidade.
[...]
(SILVEIRA, Maria José. Sob neblinas. Crônicas & outras histórias. O Popular, Goiânia, 20/10/2021. Caderno Magazine, Adaptado.)Na construção de um gênero textual, é comum coexistirem sequências tipológicas.
Nesse fragmento, os tipos textuais que se destacam na organização temática são (marque a única alternativa correta)
Leia o poema a seguir, considerando o contexto do bombardeio nuclear nas cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki durante a Segunda Guerra Mundial.
A Rosa de Hiroshima
Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A antirrosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada.
Marque a única resposta que corretamente justifica o uso da figura “rosa” no poema:
Leia o texto seguinte:
Há diferentes crenças populares que prometem a cura para o soluço. Os quadrinhos mostram que o personagem Cascão curou-se desse espasmo.
Marque a única alternativa que justifica essa interpretação exposta na charge: