Faça uma leitura atenta do texto humorístico, Fácil:
Durante um julgamento:
— O que fazia na noite do crime?
— Estava dormindo, meritíssimo.
— Pode provar?
— Claro, é só trazer uma cama!
Com base na resposta dada na última linha do diálogo, conclui-se que o réu
I - não levou em conta, em sua interpretação, a referência contextual.
II - levou em conta o papel do juiz e seu interesse.
III - não levou em conta a autoridade do meritíssimo juiz.
IV - levou em conta, prioritariamente, o valor semântico de “dormir”.
Considerando a conclusão do réu, assinale a opção cujas assertivas são todas verdadeiras:
Leia atentamente o poema, apresentado a seguir, em que Manuel Bandeira usa como procedimento de construção do texto poético o neologismo:
Neologismo
Beijo pouco, falo menos ainda.
Mas invento palavras
que traduzem a ternura mais funda
E mais cotidiana.
inventei, por exemplo, o verbo teadorar.
Intransitivo
Teadoro, Teodora.
Assinale a única alternativa que corretamente relaciona a criação do neologismo “teadorar” e o seu sentido nesse poema:
Faça a leitura do diálogo a seguir:
[...]
— Das Dores! toma cuidado, que o patife não espirre por aí!
— Ó seu João Romão, se o homem não casa, mande-no-lo pra cá! Temos ainda algumas pequenas que lhe convêm!
— Mas onde está esse ordinário?!
— Saia o canalha!
— Está fazendo a trouxa!
— Quer escapar!
— Não deixe sair!
— Chame a polícia!
— Onde está o Alexandre?
E ninguém mais se entendia. À vista daquela agitação, o vendeiro foi ter com o Domingos.
— Não saia agora, ordenou-lhe. Deixe-se ficar por enquanto. Logo mais lhe direi o que deve fazer.
[...]
(AZEVEDO, Aluísio. O cortiço. 25. ed. São Paulo: Ática, 1992. p. 93-94. [Bom Livro].)Analise as seguintes afirmativas sobre a mesóclise presente na segunda oração do texto:
I - A mesóclise é um tipo de colocação pronominal mais frequente em textos de maior formalidade, embora figure nesse trecho de O cortiço, em diálogo de flagrante informalidade, o que pode ser justificado pela época em que a obra foi produzida.
PORQUE
II - A análise sintática da estrutura da mesóclise apresenta a relação verbo + objeto direto + objeto indireto, respectivamente, o que atende à situação do diálogo.
Assinale a única alternativa correta sobre a relação entre as afirmativas I e II:
Considere o fragmento do texto do jornal Correio Brasiliense:
[...] O certo é que, à medida que o tempo passa e o momento de tomar a decisão da escolha de uma profissão se aproxima, os questionamentos internos e externos começam a ficar mais intensos e a exigir uma resposta rápida. No fim do Ensino Médio, como se já não bastasse a pressão por conseguir boas notas em testes como o Enem, existe uma ansiedade por parte do próprio estudante para descobrir o que deseja, bem como a imposição de outros, como professores, pais e conhecidos, para que a pessoa faça uma escolha. Em meio à pressa e ao nervosismo, nem sempre a decisão é acertada.
[...] Segundo Leila Arruda, que é administradora de empresas, para evitar que isso aconteça, o primeiro passo é que esses jovens procurem se conhecer bem. “É preciso se perguntar o que se quer. Muitas vezes, o pai acha melhor um curso, a mãe outro, mas pode ser que nenhuma dessas opções seja a vontade da pessoa. No fundo, a gente sabe do que gosta”, destaca.
Leyla Nascimento, que trabalha com a integração entre RH, educação e trabalho, há 30 anos, ressalta que a afinidade precisa ser levada a sério. “Tem que ver o que dá satisfação e gera identificação.” Esse também é o conselho do professor de administração da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Rodrigo Casagrande. “A primeira etapa é se conhecer, porque você vai passar no mínimo 40 horas da sua semana se dedicando à sua profissão. Então, seria melhor passar esse tempo fazendo algo que agregue significado”, destaca.
(Martins, Thays. Orientação vocacional: para não se arrepender. Correio Brasiliense, Brasília, 20 jan. 2019. Caderno de Trabalho, p. 2. Adaptado.)A gramática tradicional admite o emprego opcional do acento grave, marcando crase, em um dos casos a seguir.
Assinale a resposta que apresenta esse emprego opcional:
Texto
Prefácio
Quem fez esta manhã, quem penetrou
À noite os labirintos do tesouro,
Quem fez esta manhã predestinou
Seus temas a paráfrases do touro,
As traduções do cisne: fê-la para
Abandonar-se a mitos essenciais,
Desflorada por ímpetos de rara
Metamorfose alada, onde jamais
Se exaure o deus que muda, que transvive.
Quem fez esta manhã fê-la por ser
Um raio a fecundá-la, não por lívida
Ausência sem pecado e fê-la ter
Em si princípio e fim: ter entre aurora
E meio-dia um homem e sua hora.
Assinale a alternativa que traduz corretamente a metáfora das “paráfrases do touro” a que o poema (Texto) faz referência:
TEXTO
Sacristão
Só tenho a lamentar minha pobreza, que não me permite ajudar os amigos.
Severino
Mais pobre do que Vossa Senhoria é Severino do Aracaju, que não tem ninguém por ele, a não ser seu velho e pobre papo-amarelo. Mas mesmo assim eu quero ajudá-lo, porque Vossa Senhoria é meu amigo. (Tirando o dinheiro.) Três contos! Estou quase pensando em deixar o cangaço. Eu deixava vocês viverem, o bispo demitia o sacristão e me nomeava no lugar dele. Com mais uns cinquenta cachorros que se enterrassem, eu me aposentava. (Sonhador.) Podia comprar uma terrinha e ia criar meus bodes. Umas quatro ou cinco cabeças de gado e podia-se viver em paz e morrer em paz, sem nunca mais ouvir falar no velho papo-amarelo.
Bispo
Mas é uma grande ideia, Severino.
Severino
É uma grande ideia agora, porque a polícia fugiu. Mas ela volta com mais gente e eu não dava três dias para o senhor bispo fazer o enterro do novo sacristão.
[...]
(SUASSUNA, Ariano. Auto da Compadecida. 32. ed. São Paulo: Agir, 2006. p. 109. Adaptado.)Assinale a alternativa que indica corretamente a função da oração “que não tem ninguém por ele”, presente na fala de Severino:
TEXTO
Lua de mel! Lua de fel. Bebi meu cálice de amargura, cumprindo cada uma das estações da dor. Fui para a cama com um rapaz decente, um amigo fiel, porém insípido, insosso, desenxabido como a sopa que agora engulo todas as noites. Enquanto isso, perto dali, o homem pelo qual meu corpo inteiro latejava, que eu queria e que me desejava, entrava debaixo dos lençóis de outra mulher, minha irmã. Amor, paixão, revolta. Ódio. Com que fúria maldisse meu pai, minha mãe. Ana Alice, minha irmã, tão apaixonada pelo Vítor quanto eu, e com a vantagem daquele odioso arzinho de fragilidade, o trunfo que acabou lhe garantindo a vitória. Na batalha da força contra a fraqueza, a última saiu vitoriosa. Quem diria! Com tão escassa munição, a sonsa Ana Alice venceu a peleja.
O castigo tem pressa, não se faz esperar. Aqui se faz, aqui se paga. O preço foi alto; durante anos, minha irmã permaneceu chafurdada no inferno do ciúme. Chamuscou na labareda da inveja a pureza de suas lindas asas de anjo. Encontrou, um dia, a felicidade? Não encontrou? Uma coisa é certa: ninguém pode dizer que Ana Alice tenha sido rejeitada. E, ao seu modo, talvez tenha sido feliz sim, não sei. No final, acomodou-se nos braços de um amor maduro, se morno ou não, quem há de saber? Morreu tranquila ao lado do marido. Naqueles tempos em que a palavra dada tinha peso de assinatura, ninguém ponderou a força da paixão que unia o Vítor a mim. Não avaliaram a ameaça que representava nossa cumplicidade, o gosto pelas mesmas coisas, um amor jovem demais desabrochado na clandestinidade. No início de nossos casamentos, resistimos. Permanecemos aparentemente acomodados em nossos compromissos arranjados. Antes de tudo, vinha a arraigada convicção de que era necessário manter as aparências.
(BARROS, Adelice da Silveira. Mesa dos inocentes. Goiânia: Kelps, 2010. p. 19.)No decorrer do Texto, a narradora faz uso de expressões populares que, em geral, traduzem experiências vividas e constituem marcas da identidade de determinada comunidade linguística.
Assinale a alternativa que indica corretamente a construção do texto que expressa as consequências dos atos do ser humano:
TEXTO
Naquele tempo Rudêncio servia numa brigada de baloneiros e tinha feito voos sobre o território dos Aruguas para jogar presentes retirados dos Armazéns Proibidos, aqueles objetos vindos do tempo antigo que não nos servem para nada, mas parecem ter muito valor para os atrasados Aruguas.
Rudêncio foi aos Aruguas como embaixador especial levando vários caixotes cheios daquelas cabacinhas de vidro que dizem que davam luz antigamente, daqueles tijolinhos achatados que tocavam música e falavam, daqueles cataventos de ferro de vários tamanhos que giravam sozinhos quando se apertava um botãozinho que eles têm no pé, e hoje a gente aperta e não acontece nada, aquelas chapinhas pretas com um buraco no meio, que dizem que também tocavam música, e muitas outras dessas bobagens que os antigos adoravam e que hoje nem sabemos ao certo para que servem.
[...]
(VEIGA, José J. Os pecados da tribo. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005. p. 9-10. Adaptado.)Assinale a alternativa que faz uma afirmação correta sobre o uso do adjetivo “atrasados” para caracterizar os Aruguas no Texto:
Considere o fragmento do texto do jornal Correio Brasiliense:
[...] O certo é que, à medida que o tempo passa e o momento de tomar a decisão da escolha de uma profissão se aproxima, os questionamentos internos e externos começam a ficar mais intensos e a exigir uma resposta rápida. No fim do Ensino Médio, como se já não bastasse a pressão por conseguir boas notas em testes como o Enem, existe uma ansiedade por parte do próprio estudante para descobrir o que deseja, bem como a imposição de outros, como professores, pais e conhecidos, para que a pessoa faça uma escolha. Em meio à pressa e ao nervosismo, nem sempre a decisão é acertada.
[...] Segundo Leila Arruda, que é administradora de empresas, para evitar que isso aconteça, o primeiro passo é que esses jovens procurem se conhecer bem. “É preciso se perguntar o que se quer. Muitas vezes, o pai acha melhor um curso, a mãe outro, mas pode ser que nenhuma dessas opções seja a vontade da pessoa.
(Martins, Thays. Orientação vocacional: para não se arrepender. Correio Brasiliense, Brasília, 20 jan. 2019. Caderno de Trabalho, p. 2. Adaptado.)Analise a partícula se, sublinhada nas frases apresentadas a seguir, retiradas do texto de Thays Martins:
I - [...] e o momento de tomar a decisão da escolha de uma profissão se aproxima.
II - [...] como se já não bastasse a pressão por conseguir boas notas em testes como o Enem.
III - [...] o primeiro passo é que esses jovens procurem se conhecer bem.
IV - É preciso se perguntar o que se quer.
Assinale a alternativa que corretamente apresenta as frases em que a partícula se possui sentido semelhante:
Leia o fragmento do texto Aptº 901, de Marina Colasanti:
Só. Durante muito tempo só. Demasiado só nos anos. Mas chegando ao apartamento com um saco nas costas no dia 13 de maio, soube que aquele não era um dia, era uma data, data do fim da sua solidão. Do saco tirou a argila. Molhou panos, arranjou ferramentas. Começou a modelar. Não era bom escultor. As feições mal-acabadas, os membros grosseiros, o todo desproporcional configuravam, porém, a mulher. Difícil foi arrancar a costela. A dor o manteve ao leito durante dias, dobrado sobre si mesmo, postura que nunca mais abandonaria, mesmo ereto, compensando o vazio. A costela no chão secava para o novo lugar. E levantando-se foi momento de fincá-la, com quanto amor, no barro. E soprar.
(COLASANTI, Marina. A morada do ser. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1978, s.p. Adaptado.)Assinale a alternativa correta quanto ao principal recurso estilístico usado pela contista para produzir o efeito de sentido em seu texto, no contexto da concepção cristã ocidental: