Leia o texto de Jonathan Culler para responder a questão.
Era uma vez um tempo em que literatura significava sobretudo poesia. O romance era um recém-chegado, próximo demais da biografia ou da crônica para ser genuinamente literário, uma forma popular que não poderia aspirar às altas vocações da poesia lírica e épica. Mas no século XX o romance eclipsou a poesia, tanto como o que os escritores escrevem quanto como o que os leitores leem e, desde os anos 60, a narrativa passou a dominar também a educação literária. As pessoas ainda estudam poesia — muitas vezes isso é exigido — mas os romances e os contos tornaram-se o núcleo do currículo.
Isso não é apenas um resultado das preferências de um público leitor de massa, que alegremente escolhe histórias mas raramente lê poemas. As teorias literária e cultural têm afirmado cada vez mais a centralidade cultural da narrativa. As histórias, diz o argumento, são a principal maneira pela qual entendemos as coisas, quer ao pensar em nossas vidas como uma progressão que conduz a algum lugar, quer ao dizer a nós mesmos o que está acontecendo no mundo. A explicação científica busca o sentido das coisas colocando-as sob leis — sempre que a e b prevalecerem, ocorrerá c — mas a vida geralmente não é assim. Ela segue não uma lógica científica de causa e efeito mas a lógica da história, em que entender significa conceber como uma coisa leva a outra, como algo poderia ter sucedido: como Maggie acabou vendendo software em Cingapura, como o pai de Jorge veio a lhe dar um carro
(Teoria literária: uma introdução, 1999.)Advérbio é uma palavra invariável que pode modificar o sentido de um verbo, de um adjetivo, de outro advérbio ou de uma oração inteira.
Um advérbio que modifica o sentido de um adjetivo ocorre em:
Não é incomum que as pessoas indaguem:
“Onde se fala o melhor português no Brasil?”
Tal questão
Leia o trecho do romance Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, para responder à questão.
Este último capítulo é todo de negativas. Não alcancei a celebridade do emplasto, não fui ministro, não fui califa, não conheci o casamento. Verdade é que, ao lado dessas faltas, coube-me a boa fortuna de não comprar o pão com o suor do meu rosto. Mais; não padeci a morte de dona Plácida, nem a semidemência do Quincas Borba. Somadas umas coisas e outras, qualquer pessoa imaginará que não houve míngua nem sobra, e, conseguintemente, que saí quite com a vida. E imaginará mal; porque ao chegar a este outro lado do mistério, achei-me com um pequeno saldo, que é a derradeira negativa deste capítulo de negativas: — Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria.
(Memórias póstumas de Brás Cubas, 2008.)Além das considerações sobre si mesmo, o narrador revela uma opinião, mais abrangente, sobre o mundo que o cerca.
Tal opinião é expressa, sobretudo, pela palavra:
Leia o texto para responder a questão.
A população amazonense terá mais um mecanismo para denunciar crime ambiental. Trata-se do aplicativo MeuAmbiente, o qual permite que a pessoa faça, por meio do celular, de forma rápida e gratuita, denúncias de crimes ambientais, como queimadas, extração ilegal de madeira e captura e venda irregular de pescado.
Desenvolvida por voluntários do Instituto Amazônia Mais, uma Organização Não Governamental (ONG), a plataforma promete facilitar as denúncias de crime ambiental diretamente para a Secretaria de Estado do Meio Ambiente, o Batalhão de Incêndios Florestais do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas, o Ministério Público Federal e o Movimento Ficha Verde.
De acordo com o gerente de projetos do Instituto Amazônia Mais, Evaldo Silva, além de aproximar o poder público da população, a ideia é trabalhar o conceito de guarda compartilhada. “Não são apenas os órgãos públicos responsáveis pela proteção do meio ambiente, nossa obrigação como cidadãos é de também ajudar na sua preservação”, destacou.
(“Aplicativo para denunciar crime ambiental é lançado nessa sexta-feira (15), em Manaus”. www.acritica.com, 16.04.2016. Adaptado.)Segundo Evaldo Silva, o aplicativo MeuAmbiente
Leia o poema de Paulo Henriques Britto para responder a questão.
Nada nas mãos nem na cabeça, nada
no estômago além da sensação vazia
de haver ultrapassado toda sensação
É em estado assim que se descobre a verdade,
que se cometem os grandes crimes, os gestos
mais sublimes, ou então não se faz nada
É como as cobras. As mais silenciosas,
de corpo mais esguio, de cor esmaecida,
destilam o veneno mais perfeito.
Assim também os poemas. Os mais contidos
e lisos, os que menos coisa dizem,
destilam o veneno mais perfeito
Segundo as duas últimas estrofes
Leia o trecho inicial da crônica “Arte e ciência de roubar galinha”, de João Ubaldo Ribeiro, para responder à questão.
A gente tem a tendência de pensar que só o que nós fazemos é difícil e complexo, cheio de sutilezas e complicações invisíveis aos olhos dos “leigos”. Isto, naturalmente, é um engano que a vida desmascara a todo instante, como sabe quem quer que já tenha ouvido com atenção qualquer homem falar de seu trabalho, que sempre, por mais simples, envolve atividades e conhecimentos insuspeitados. Assim é, por exemplo, roubar galinha.
Tenho um amigo aqui na ilha que é ladrão de galinha. Chamemo-lo de Lelé, como naqueles relatos verídicos americanos em que se trocam os nomes para proteger inocentes. Só que, naturalmente, a nossa troca se faz para proteger um culpado, no caso o próprio Lelé. É bem verdade que todo mundo aqui sabe que ele rouba galinha, mas não fica bem botar no jornal, ele pode se ofender.
(Arte e ciência de roubar galinha, 1998.)Segundo a reflexão feita na abertura do texto,
Leia o trecho do romance Dois irmãos, de Milton Hatoum, para responder à questão.
Foi Domingas quem me contou a história da cicatriz no rosto de Yaqub. Ela pensava que um ciuminho reles tivesse sido a causa da agressão. Vivia atenta aos movimentos dos gêmeos, escutava conversas, rondava a intimidade de todos. Domingas tinha essa liberdade, porque as refeições da família e o brilho da casa dependiam dela. A minha história também depende dela, Domingas.
(Dois irmãos, 2001.)“Foi Domingas quem me contou a história da cicatriz no rosto de Yaqub. Ela pensava que um ciuminho reles tivesse sido a causa da agressão.” (1º parágrafo)
Preservando-se as relações de sentido e coesão, o trecho transcrito assume, ao ser reescrito em um único período, a seguinte forma:
Leia o texto para responder a questão.
A população amazonense terá mais um mecanismo para denunciar crime ambiental. Trata-se do aplicativo MeuAmbiente, o qual permite que a pessoa faça, por meio do celular, de forma rápida e gratuita, denúncias de crimes ambientais, como queimadas, extração ilegal de madeira e captura e venda irregular de pescado
Desenvolvida por voluntários do Instituto Amazônia Mais, uma Organização Não Governamental (ONG), a plataforma promete facilitar as denúncias de crime ambiental diretamente para a Secretaria de Estado do Meio Ambiente, o Batalhão de Incêndios Florestais do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas, o Ministério Público Federal e o Movimento Ficha Verde
De acordo com o gerente de projetos do Instituto Amazônia Mais, Evaldo Silva, além de aproximar o poder público da população, a ideia é trabalhar o conceito de guarda compartilhada. “Não são apenas os órgãos públicos responsáveis pela proteção do meio ambiente, nossa obrigação como cidadãos é de também ajudar na sua preservação”, destacou.
(“Aplicativo para denunciar crime ambiental é lançado nessa sexta-feira (15), em Manaus”. www.acritica.com, 16.04.2016. Adaptado.)“Não são apenas os órgãos públicos responsáveis pela proteção do meio ambiente, nossa obrigação como cidadãos é de também ajudar na sua preservação” (3º parágrafo)
Preservando-se a coesão e a coerência textuais e atendendo à norma-padrão da língua portuguesa, o trecho destacado pode ser substituído por
Leia o texto para responder à questão.
O imenso continente da América assiste à chegada do homem, em pequenos grupos de nômades, atravessando o estreito de Behring. Em vinte ou vinte e cinco mil anos, esses homens exploraram de alto a baixo os recursos de um meio natural novo: domesticaram (ao lado de alguns animais) as espécies vegetais mais variadas para sua alimentação e para seus remédios; promoveram substâncias venenosas, como a mandioca, ao papel de alimentos e outras substâncias à função de estimulante ou de anestésico; levaram, enfim, certas indústrias, como a tecelagem, a cerâmica e o trabalho de metais preciosos, ao mais alto nível de perfeição.
(Claude Lévi-Strauss. Raça e história, 1987. Adaptado.)Pode-se ilustrar o argumento do autor do excerto com exemplos de realizações culturais significativas dos habitantes da região amazônica, que se encontra atualmente em território brasileiro, como
Leia a crônica “A velha contrabandista”, do escritor Stanislaw Ponte Preta (1923-1968), para responder à questão.
Diz que era uma velhinha que sabia andar de lambreta. Todo dia ela passava pela fronteira montada na lambreta, com um bruto saco atrás da lambreta. O pessoal da Alfândega – tudo malandro velho – começou a desconfiar da velhinha.
Um dia, quando ela vinha na lambreta com o saco atrás, o fiscal da Alfândega mandou ela parar. A velhinha parou e então o fiscal perguntou assim pra ela:
– Escuta aqui, vovozinha, a senhora passa por aqui todo dia, com esse saco aí atrás. Que diabo a senhora leva nesse saco?
A velhinha sorriu com os poucos dentes que lhe restavam e mais os outros, que ela adquirira no odontólogo, e respondeu:
– É areia!
Aí quem sorriu foi o fiscal. Achou que não era areia nenhuma e mandou a velhinha saltar da lambreta para examinar o saco. A velhinha saltou, o fiscal esvaziou o saco e dentro só tinha areia. Muito encabulado, ordenou à velhinha que fosse em frente. Ela montou na lambreta e foi embora, com o saco de areia atrás.
Mas o fiscal ficou desconfiado ainda. Talvez a velhinha passasse um dia com areia e no outro com muamba, dentro daquele maldito saco. No dia seguinte, quando ela passou na lambreta com o saco atrás, o fiscal mandou parar outra vez. Perguntou o que é que ela levava no saco e ela respondeu que era areia, uai! O fiscal examinou e era mesmo. Durante um mês seguido o fiscal interceptou a velhinha e, todas as vezes, o que ela levava no saco era areia.
Diz que foi aí que o fiscal se chateou:
– Olha, vovozinha, eu sou fiscal de alfândega com 40 anos de serviço. Manjo essa coisa de contrabando pra burro. Ninguém me tira da cabeça que a senhora é contrabandista.
– Mas no saco só tem areia! – insistiu a velhinha. E já ia tocar a lambreta, quando o fiscal propôs:
– Eu prometo à senhora que deixo a senhora passar. Não dou parte, não apreendo, não conto nada a ninguém, mas a senhora vai me dizer: qual é o contrabando que a senhora está passando por aqui todos os dias?
– O senhor promete que não “espáia”? – quis saber a velhinha.
– Juro – respondeu o fiscal.
– É lambreta.
(Primo Altamirando e elas, 1975.)Pode ser flexionado quanto a gênero o seguinte termo: