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PortuguêsUEA2020

Ao não reconhecer a verdadeira diversidade do português falado no Brasil, a escola tenta impor sua norma linguística como se ela fosse, de fato, a língua comum a todos os brasileiros, independentemente de sua idade, de sua origem geográfica, de sua situação socioeconômica, de seu grau de escolarização etc.

(Marcos Bagno. Preconceito linguístico, 2007. Adaptado.)

Em acordo com o ponto de vista de Marcos Bagno sobre o preconceito linguístico, pode-se afirmar que

PortuguêsUEA2016

Leia o texto para responder à questão.

A população amazonense terá mais um mecanismo para denunciar crime ambiental. Trata-se do aplicativo MeuAmbiente, o qual permite que a pessoa faça, por meio do celular, de forma rápida e gratuita, denúncias de crimes ambientais, como queimadas, extração ilegal de madeira e captura e venda irregular de pescado.

Desenvolvida por voluntários do Instituto Amazônia Mais, uma Organização Não Governamental (ONG), a plataforma promete facilitar as denúncias de crime ambiental diretamente para a Secretaria de Estado do Meio Ambiente, o Batalhão de Incêndios Florestais do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas, o Ministério Público Federal e o Movimento Ficha Verde.

De acordo com o gerente de projetos do Instituto Amazônia Mais, Evaldo Silva, além de aproximar o poder público da população, a ideia é trabalhar o conceito de guarda compartilhada. “Não são apenas os órgãos públicos responsáveis pela proteção do meio ambiente, nossa obrigação como cidadãos é de também ajudar na sua preservação”, destacou.

(“Aplicativo para denunciar crime ambiental é lançado nessa sexta-feira (15), em Manaus”. www.acritica.com, 16.04.2016. Adaptado.)

Em “Não são apenas os órgãos públicos responsáveis pela proteção do meio ambiente” (3º parágrafo), o termo destacado expressa sentido de

PortuguêsUEA2017

Leia a crônica “A velha contrabandista”, do escritor Stanislaw Ponte Preta (1923-1968), para responder à questão.

Diz que era uma velhinha que sabia andar de lambreta. Todo dia ela passava pela fronteira montada na lambreta, com um bruto saco atrás da lambreta. O pessoal da Alfândega – tudo malandro velho – começou a desconfiar da velhinha.

Um dia, quando ela vinha na lambreta com o saco atrás, o fiscal da Alfândega mandou ela parar. A velhinha parou e então o fiscal perguntou assim pra ela:

– Escuta aqui, vovozinha, a senhora passa por aqui todo dia, com esse saco aí atrás. Que diabo a senhora leva nesse saco?

A velhinha sorriu com os poucos dentes que lhe restavam e mais os outros, que ela adquirira no odontólogo, e respondeu:

– É areia!

Aí quem sorriu foi o fiscal. Achou que não era areia nenhuma e mandou a velhinha saltar da lambreta para examinar o saco. A velhinha saltou, o fiscal esvaziou o saco e dentro só tinha areia. Muito encabulado, ordenou à velhinha que fosse em frente. Ela montou na lambreta e foi embora, com o saco de areia atrás.

Mas o fiscal ficou desconfiado ainda. Talvez a velhinha passasse um dia com areia e no outro com muamba, dentro daquele maldito saco. No dia seguinte, quando ela passou na lambreta com o saco atrás, o fiscal mandou parar outra vez. Perguntou o que é que ela levava no saco e ela respondeu que era areia, uai! O fiscal examinou e era mesmo. Durante um mês seguido o fiscal interceptou a velhinha e, todas as vezes, o que ela levava no saco era areia.

Diz que foi aí que o fiscal se chateou:

– Olha, vovozinha, eu sou fiscal de alfândega com 40 anos de serviço. Manjo essa coisa de contrabando pra burro. Ninguém me tira da cabeça que a senhora é contrabandista.

– Mas no saco só tem areia! – insistiu a velhinha. E já ia tocar a lambreta, quando o fiscal propôs:

– Eu prometo à senhora que deixo a senhora passar. Não dou parte, não apreendo, não conto nada a ninguém, mas a senhora vai me dizer: qual é o contrabando que a senhora está passando por aqui todos os dias?

– O senhor promete que não “espáia”? – quis saber a velhinha.

– Juro – respondeu o fiscal.

– É lambreta.

(Primo Altamirando e elas, 1975.)

Em “Muito encabulado, ordenou à velhinha que fosse em frente.” (6° parágrafo), o termo destacado pode ser substituído, sem prejuízo para o sentido do texto, por:

PortuguêsUEA2017

Leia o trecho de Os sertões, de Euclides da Cunha (1866-1909), para responder à questão.

O sertanejo é, antes de tudo, um forte. Não tem o raquitismo exaustivo dos mestiços neurastênicos do litoral.

A sua aparência, entretanto, ao primeiro lance de vista, revela o contrário. Falta-lhe a plástica impecável, o desempeno, a estrutura corretíssima das organizações atléticas.

É desgracioso, desengonçado, torto. Hércules-Quasímodo, reflete no aspecto a fealdade típica dos fracos. O andar sem firmeza, sem aprumo, quase gingante e sinuoso, aparenta a translação de membros desarticulados. Agrava-o a postura normalmente abatida, num manifestar de displicência que lhe dá um caráter de humildade deprimente. A pé, quando parado, recosta-se invariavelmente ao primeiro umbral ou parede que encontra; a cavalo, se sofreia o animal para trocar duas palavras com um conhecido, cai logo sobre um dos estribos, descansando sobre a espenda da sela. Caminhando, mesmo a passo rápido, não traça trajetória retilínea e firme. Avança celeremente, num bambolear característico, de que parecem ser o traço geométrico os meandros das trilhas sertanejas. E se na marcha estaca pelo motivo mais vulgar, para enrolar um cigarro, bater o isqueiro, ou travar ligeira conversa com um amigo, cai logo — cai é o termo — de cócoras, atravessando largo tempo numa posição de equilíbrio instável, em que todo o seu corpo fica suspenso pelos dedos grandes dos pés, sentado sobre os calcanhares, com uma simplicidade a um tempo ridícula e adorável.

(Os sertões, 2001.)

Em “A sua aparência, entretanto, ao primeiro lance de vista, revela o contrário.” (2° parágrafo), o termo destacado pode ser substituído, sem prejuízo para o sentido do texto, por:

PortuguêsUEA2020

Para responder a questão, leia o trecho do "Sermão de Santo Antônio aos peixes”, de Antônio Vieira.

Pegadores se chamam os peixes de que agora falo, e com grande propriedade, porque sendo pequenos, não só se chegam a outros maiores, mas de tal sorte se lhes pegam aos costados que jamais os desaferram. De alguns animais de menos força e indústria se conta que vão seguindo de longe aos leões na caça, para se sustentarem do que a eles sobeja. O mesmo fazem estes pegadores, tão seguros ao perto, como aqueles ao longe; porque o peixe grande não pode dobrar a cabeça, nem voltar a boca sobre os que traz às costas, e assim lhes sustenta o peso, e mais a fome.

Este modo de vida, mais astuto que generoso, se acaso se passou, e pegou de um elemento a outro, sem dúvida, que o aprenderam os peixes com os nossos portugueses; porque não parte vice-rei, ou governador para as conquistas, que não vá rodeado de pegadores, os quais se arrimam a eles, para que cá lhe matem a fome, de que lá não tinham remédio. Os menos ignorantes, desenganados da experiência, despegam-se, e buscam a vida por outra via; mas os que se deixam estar pegados à mercê e fortuna dos maiores, vem-lhes a suceder no fim o que aos pegadores do mar.

Rodeia a nau o tubarão com os seus pegadores às costas, tão cerzidos com a pele, que mais parecem remendos, ou manchas naturais, que hóspedes ou companheiros. Lançam-lhe um anzol de cadeia com a ração de quatro soldados, arremessa-se furiosamente à presa, engole tudo de um bocado, e fica preso. Corre meia companha a alá-lo acima, bate fortemente o convés com os últimos arrancos; enfim, morre o tubarão, e morrem com ele os pegadores.

(Antônio Vieira. Essencial, 2011. Adaptado.)

É formada pelo processo de prefixação a seguinte palavra:

PortuguêsUEA2014

Você sabia que algumas atitudes nas redes sociais são entendidas como narcisismo? Narcisismo é a paixão excessiva por si mesmo. Segundo a mitologia grega, um jovem rapaz chamado Narciso, por rejeitar uma moça que estava apaixonada por ele, foi condenado a se apaixonar incontrolavelmente por si mesmo. Essa paixão fez com que morresse afogado quando admirava sua imagem refletida na água.

As redes sociais são grandes murais, onde os usuários expõem suas ideias, opiniões e modo de viver para todo mundo. Os usuários querem aparecer, mostrar superioridade em relação aos demais. Usam as plataformas on-line para o exibicionismo, a fim de se satisfazerem com a superioridade sobre os demais.

As pessoas publicam algo para buscar vários compartilhamentos, vários likes, tudo para satisfazerem seus egos. Esse problema atinge principalmente os jovens, que acabam até fazendo disputas uns com os outros, para saber qual o mais influente, qual o mais acessado, o mais popular.

(www.portaleducacao.com.br. Adaptado.)

É correto afirmar que o texto

PortuguêsUEA2015

É correto afirmar que a charge remete ao debate sobre

PortuguêsUEA2019

Podemos definir como “artefatos” os objetos que parecem manifestar um aspecto inteligível da ação do homem. Existem casos duvidosos de atribuição de origem, como nas escavações de sítios paleolíticos chineses, em que certas pedras lascadas pelo fogo parecem ter sido resultado de uma ação exclusiva da natureza.

(Henri-Irénée Marrou. De la connaissance historique, 1975. Adaptado.)

Depreende-se do texto que as condições essenciais para a pesquisa histórica são

PortuguêsUEA2018

Leia o trecho de Quincas Borba, de Machado de Assis, para responder à questão.

E enquanto uma chora, outra ri; é a lei do mundo, meu rico senhor; é a perfeição universal. Tudo chorando seria monótono, tudo rindo cansativo; mas uma boa distribuição de lágrimas e polcas1, soluços e sarabandas2, acaba por trazer à alma do mundo a variedade necessária, e faz-se o equilíbrio da vida.
(Quincas Borba, 1992.)
1 polca: tipo de dança.
2 sarabanda: tipo de dança.

De acordo com o narrador,

PortuguêsUEA2019

A anomalia dos pés às avessas deve parecer uma espécie de privilégio sobrenatural entre povos andejos. É bem compreensível o fato de esse privilégio surgir associado com frequência a entidades mitológicas dotadas de força mágica. Na Amazônia, o curupira aparece como um caboclinho calvo, de enormes orelhas e um só olho. A preocupação constante entre os índios de dissimular ao inimigo todas as pistas de sua marcha transparece em tais lendas.

(Sérgio Buarque de Holanda. Caminhos e fronteiras, 1994. Adaptado.)

De acordo com o excerto, o mito do curupira é