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Nova elite caipira

No título do famoso filme Tropa de elite, o termo “elite” referia-se ao grupo de policiais especialmente treinados para operações muito complicadas. A “elite” que era a tropa tinha um significado de especialização, superioridade, hierarquia, entendidas tecnicamente. Na contramão, quem utiliza o termo em outros contextos refere-se, em geral, a: “donos do poder”, “classe dominante”, “oligarquia”, “dominação política”, “dominação econômica”, “classe dirigente”, “minoria privilegiada”. “Elite” é termo usado para designar as vantagens petrificadas de “ricos” e “poderosos” que comandam massas.

Usado em oposição a povo, à democracia, à cultura popular, o termo é empregado para designar grupos econômica, cultural e politicamente dominantes. Seu uso atual, no entanto, erra o alvo em relação à cultura, desde que vivemos uma curiosa inversão cultural.

Há dois tipos de caipira. Um que era o oposto da elite, como o simpático Jeca Tatu, e outro, que é a própria nova elite, o cantor da dupla sertaneja que, depois de um banho fashion, fica pronto para o ataque às massas, mesmo que seu estilo continue sendo o do chamado “jeca”. Refiro-me ao “caipira” ou “jeca” como figura genérica, mas poderia também falar da moça cantando seu axé music, seu funk, que, de repente, não é uma “artista do povo”, como quer fazer parecer a indústria que a sustenta, mas é a rica e poderosa estrela – e objeto – da indústria cultural.

Sem arriscar um julgamento quanto à qualidade estética dos produtos do mercado, é possível, no entanto, questionar sua qualidade cultural e política. Muitos defendem que “é disso que o povo gosta”, enquanto outros dirão que o povo experimenta uma baixa valorização de si ao aceitar o que lhe trazem os ricos e poderosos sem que condições de escolha livre tenham sido dadas, o que surgiria de uma educação consistente – e inexistente em nosso contexto. A injeção diária de morfina estética que o povo recebe não permite saber se o “gosto” é autóctone ou externamente produzido.

De qualquer modo, no mundo da nova elite, a regra é a adulação das massas. Qualquer denúncia ou manifestação de desgosto em relação ao que se oferece a elas é sumariamente constrangida.

TIBURI, Marcia. Nova elite caipira. Revista Cult, São Paulo, n. 181, p. 51, jul. 2013. (Adaptado).

Há no texto uma referência ao filme Tropa de elite e à personagem Jeca Tatu, criada e popularizada por Monteiro Lobato. Ao fazer isso, a autora estabelece entre seu texto e a obra de Lobato uma relação

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Há entre o enunciado “não atacar é o melhor ataque” e o ditado futebolístico “a melhor defesa é o ataque” uma relação denominada de

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Há entre a tirinha de Maurício de Sousa e a conhecida narrativa do Éden, da tradição judaico-cristã, uma relação

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Leia o poema a seguir para responder à questão.


Ergue-se Marco Antônio de repente...
Ouve-se um grito estrídulo, que soa
O silêncio cortando, e longamente
Pelo deserto acampamento ecoa.


[5] O olhar em fogo, os carregados traços
Do rosto em contração, alto e direito
O vulto enorme, – no ar levanta os braços,
E nos braços aperta o próprio peito.


Olha em torno e desvaira. Ergue a cortina,
[10] A vista alonga pela noite afora...
Nada vê. Longe, à porta purpurina
Do Oriente em chamas, vem raiando a aurora.


E a noite foge. Em todo o firmamento
Vão se fechando os olhos das estrelas:
[15] Só perturba a mudez do acampamento
O passo regular das sentinelas.

BILAC, Olavo. O sonho de Marco Antônio – parte III. In: Melhores poemas de Olavo Bilac. 4. ed. Global, 2003. p. 37.

Embora pertença ao gênero lírico, o excerto poético apresentado comporta características do gênero

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Em termos verbais, o humor da tira é construído a partir da polissemia presente na palavra

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A linguagem é o ponto mais sofisticado de um processo que custou muito tempo a se consumar na evolução da humanidade. A aquisição da linguagem oral, sua organização e seus códigos exigiram expedientes requintados de associações. A palavra, um sopro de ar articulado, ainda que impalpável, era tão reveladora e transformadora que o homem teve necessidade de representá-la materialmente. Então apareceram os alfabetos e vários idiomas, pouco a pouco, começaram a ter uma representação gráfica.

Por meio da palavra escrita o homem fez registros de ordem documental e prática, firmou acordos contratuais, enviou mensagens, colecionou informações e dados. Porém, um dia usou graficamente a palavra, como expressão de suas ideias e sentimentos mais profundos, como a formalização de seu olhar subjetivo sobre o mundo.... e a Literatura se fez.

[...]

A literatura é parte fundamental da cultura dos povos civilizados. A cultura é tudo o que deriva do convívio humano, da interação do homem com o seu universo físico e espiritual. Ela não é parte da natureza, é o que o homem produz em termos de constatações, informações, comportamentos, religiosidade, hábitos, usos e costumes e... arte.

OLIVEIRA, Clenir Belezzi de. Arte literária brasileira. São Paulo: Moderna, 2000. p. 9.

Defende-se, no texto, a tese de que

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A DEMOCRATIZAÇÃO DO CONHECIMENTO

Em 1988, a Folha divulgou a então denominada “lista improdutiva da USP”, relacionada à produção científica das universidades. A celeuma provocada pela lista contribuiu para a criação de um programa de avaliação das universidades brasileiras, mostrando que elas precisam prestar contas de sua produção científica.

Em março de 1990, controversa medida provisória determinava a extinção da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, do MEC), que fracassou devido à mobilização da comunidade científica. Esses são alguns dos muitos avanços e percalços da educação brasileira tratados no livro O MEC pós-constituição, do professor Célio da Cunha e colaboradores, editado pela Liber Livro Editora em colaboração com a Unesco e a Universidade Católica de Brasília.

Célio da Cunha acumula conhecimento e experiência da área em funções na Unesco, CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e universidades de Brasília e Federal de Mato Grosso há mais de 40 anos. Ele alerta para o fato de que a educação nacional precisa se situar acima de conflitos ideológicos e interesses partidários ou de grupos, visando ao futuro das novas gerações.

A obra está dividida em onze capítulos nas suas 527 páginas e aborda temas de educação desde os eventos do famoso “Manifesto dos Pioneiros de 1932” à Constituição de 1988 e às gestões no MEC de 1988 a 2015. É destinada a pesquisadores da área de Educação e demais interessados em entender certos aspectos do sistema educacional brasileiro.

ABRAMCZYK, Julio. Folha de S. Paulo, sábado, 5 mar. 2016, Ciência + Saúde, p. B9. (Adaptado).

De acordo com o texto, Célio da Cunha defende a seguinte tese a respeito da educação brasileira:

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Nova elite caipira

No título do famoso filme Tropa de elite, o termo “elite” referia-se ao grupo de policiais especialmente treinados para operações muito complicadas. A “elite” que era a tropa tinha um significado de especialização, superioridade, hierarquia, entendidas tecnicamente. Na contramão, quem utiliza o termo em outros contextos refere-se, em geral, a: “donos do poder”, “classe dominante”, “oligarquia”, “dominação política”, “dominação econômica”, “classe dirigente”, “minoria privilegiada”. “Elite” é termo usado para designar as vantagens petrificadas de “ricos” e “poderosos” que comandam massas.

Usado em oposição a povo, à democracia, à cultura popular, o termo é empregado para designar grupos econômica, cultural e politicamente dominantes. Seu uso atual, no entanto, erra o alvo em relação à cultura, desde que vivemos uma curiosa inversão cultural.

Há dois tipos de caipira. Um que era o oposto da elite, como o simpático Jeca Tatu, e outro, que é a própria nova elite, o cantor da dupla sertaneja que, depois de um banho fashion, fica pronto para o ataque às massas, mesmo que seu estilo continue sendo o do chamado “jeca”. Refiro-me ao “caipira” ou “jeca” como figura genérica, mas poderia também falar da moça cantando seu axé music, seu funk, que, de repente, não é uma “artista do povo”, como quer fazer parecer a indústria que a sustenta, mas é a rica e poderosa estrela – e objeto – da indústria cultural.

Sem arriscar um julgamento quanto à qualidade estética dos produtos do mercado, é possível, no entanto, questionar sua qualidade cultural e política. Muitos defendem que “é disso que o povo gosta”, enquanto outros dirão que o povo experimenta uma baixa valorização de si ao aceitar o que lhe trazem os ricos e poderosos sem que condições de escolha livre tenham sido dadas, o que surgiria de uma educação consistente – e inexistente em nosso contexto. A injeção diária de morfina estética que o povo recebe não permite saber se o “gosto” é autóctone ou externamente produzido.

De qualquer modo, no mundo da nova elite, a regra é a adulação das massas. Qualquer denúncia ou manifestação de desgosto em relação ao que se oferece a elas é sumariamente constrangida.

TIBURI, Marcia. Nova elite caipira. Revista Cult, São Paulo, n. 181, p. 51, jul. 2013. (Adaptado).

De acordo com o texto, atualmente o tipo caipira

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A DEMOCRATIZAÇÃO DO CONHECIMENTO

Em 1988, a Folha divulgou a então denominada “lista improdutiva da USP”, relacionada à produção científica das universidades. A celeuma provocada pela lista contribuiu para a criação de um programa de avaliação das universidades brasileiras, mostrando que elas precisam prestar contas de sua produção científica.

Em março de 1990, controversa medida provisória determinava a extinção da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, do MEC), que fracassou devido à mobilização da comunidade científica. Esses são alguns dos muitos avanços e percalços da educação brasileira tratados no livro O MEC pós-constituição, do professor Célio da Cunha e colaboradores, editado pela Liber Livro Editora em colaboração com a Unesco e a Universidade Católica de Brasília.

Célio da Cunha acumula conhecimento e experiência da área em funções na Unesco, CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e universidades de Brasília e Federal de Mato Grosso há mais de 40 anos. Ele alerta para o fato de que a educação nacional precisa se situar acima de conflitos ideológicos e interesses partidários ou de grupos, visando ao futuro das novas gerações.

A obra está dividida em onze capítulos nas suas 527 páginas e aborda temas de educação desde os eventos do famoso “Manifesto dos Pioneiros de 1932” à Constituição de 1988 e às gestões no MEC de 1988 a 2015. É destinada a pesquisadores da área de Educação e demais interessados em entender certos aspectos do sistema educacional brasileiro.

ABRAMCZYK, Julio. Folha de S. Paulo, sábado, 5 mar. 2016, Ciência + Saúde, p. B9. (Adaptado).

Dadas as características retórico-composicionais, o conteúdo temático e os propósitos sociocomunicativos, o texto “Democratização do conhecimento” pertence ao gênero discursivo

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OS HUMANOS SÃO UMA PARTE IMPORTANTE DA BIOSFERA

As maravilhas do mundo natural atraem a nossa curiosidade sobre a vida e tudo que nos cerca. Para muitos de nós, nossa curiosidade sobre a Natureza e os desafios de seu estudo são razões suficientes. Além disso, contudo, nossa necessidade de compreender a Natureza está se tornando mais e mais urgente, à medida que o crescimento da população humana estressa a capacidade dos sistemas naturais em manter sua estrutura e funcionamento.

Os ambientes que as atividades humanas dominam ou criaram – incluindo nossas áreas de vida urbanas e suburbanas, nossas terras cultivadas, nossas áreas de recreação, plantações de árvore e pesqueiros – são também ecossistemas. O bem-estar da humanidade depende de manter o funcionamento desses sistemas, sejam eles naturais ou artificiais. Virtualmente toda a superfície da Terra é, ou em breve será, fortemente influenciada por pessoas, se não completamente sob seu controle. Os humanos já usurpam quase metade da produtividade biológica da biosfera. Não podemos assumir essa responsabilidade de forma negligente.

A população humana se aproxima da marca de 7 bilhões, e consome energia e recursos, e produz rejeitos muito além do necessário ditado pelo metabolismo biológico. Essas atividades causaram dois problemas relacionados de dimensões globais. O primeiro é o seu impacto nos sistemas naturais, incluindo a interrupção de processos ecológicos e a exterminação de espécies. O segundo é a firme e constante deterioração do próprio ambiente da espécie humana à medida que pressionamos os limites dentro dos quais os ecossistemas podem se sustentar. Compreender os princípios ecológicos é um passo necessário para lidar com esses problemas.

RICKLEFS, Robert E. A economia da natureza. 6. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2010. p. 15. (Adaptado).

Comparando-se as frases “A população humana se aproxima da marca de 7 bilhões” (linha 13) e “Compreender os princípios ecológicos é um passo necessário para lidar com esses problemas” (linhas 18-19), verifica-se que os trechos sublinhados desempenham a função sintática de