Responder à questãocom base no texto.
TEXTO
O fato de milhões de pessoas deslumbrarem-se
com a vida iluminada das cidades não costuma des-
pertar em nós grandes inquietações. Sabemos que
as cidades estão entre as mais belas construções
[5] da humanidade. Sair do meio rural rumo ao meio
urbano parece ser o caminho natural da história do
homem, assim como se espera que passemos da vida
selvagem para a civilizada, do mundo da natureza
para o da cultura. Mas por que, então, é tão comum
[10] moradores urbanos sonharem com uma casa no
campo? Octavio Paz diz, na abertura do catálogo
do Museo de Bellas Artes de Santiago do Chile, que
“estamos condenados a buscar en nuestra tierra la
otra tierra; en la otra, a la nuestra” *. Entre os artis-
[15] tas essa condenação se resolveria como liberdade
criadora. E no caso da vida miúda do dia a dia, como
essa busca se daria? Muitos estudos foram feitos
sobre as carências que provocam a migração da área
rural para os centros urbanos e sobre o fascínio que
[20] a cidade exerce ao responder às grandes necessi-
dades humanas como trabalho, educação, saúde,
cultura, lazer etc. Porém, pouco se interroga sobre o
encantamento que o universo rural exerce sobre as
populações urbanas, principalmente nos habitantes
[25] das grandes metrópoles.
* “estamos condenados a buscar em nossa terra a outra terra; na outra, a nossa”
Adaptado de: SILVA, Gislene. O imaginário rural do leitor urbano: o sonho mítico da casa no campo. UFSC, Brasil. Disponível em: https://bjr.sbpjor.org.br/bjr/article/view/200.
Assinale a alternativa correta sobre a composição e o conteúdo do texto.
Responder à questão com base no texto.
TEXTO
4 de julho
Ocorreu-me compor umas certas regras para uso dos
que frequentam bondes. O desenvolvimento que tem
tido entre nós esse meio de locomoção, essencialmente
[5] democrático, exige que ele não seja deixado ao puro
capricho dos passageiros. Não posso dar aqui mais do
que alguns extratos do meu trabalho; basta saber que
tem nada menos de setenta artigos. Vão apenas dez.
[...]
[10] ART. II Da posição das pernas
As pernas devem trazer-se de modo que não constranjam os passageiros do mesmo banco. Não se proíbem
formalmente as pernas abertas, mas com a condição de
pagar os outros lugares, e fazê-los ocupar por meninas
pobres ou viúvas desvalidas, mediante uma pequena
[15] gratificação.
ART. III Da leitura dos jornais
Cada vez que um passageiro abrir a folha que estiver
lendo, terá o cuidado de não roçar as ventas dos vizinhos, nem levar-lhes os chapéus. Também não é bonito
encostá-los no passageiro da frente.
[20] [...]
ART. V Dos amoladores
Toda a pessoa que sentir necessidade de contar os seus
negócios íntimos, sem interesse para ninguém, deve
primeiro indagar do passageiro escolhido para uma tal
[25] confidência, se ele é assaz cristão e resignado. No caso
afirmativo, perguntar-lhe-á se prefere a narração ou uma
descarga de pontapés. Sendo provável que ele prefira
os pontapés, a pessoa deve imediatamente pespegá-los.
No caso, aliás extraordinário e quase absurdo, de que o
[30] passageiro prefira a narração, o proponente deve fazê-lo
minuciosamente, carregando muito nas circunstâncias
mais triviais, repetindo os ditos, pisando e repisando as
coisas, de modo que o paciente jure aos seus deuses
não cair em outra.
Assinale a alternativa correta em relação ao emprego dos sinais de pontuação no texto.
Responder à questão com base no texto.
TEXTO
Festas de casamento falsas viram moda na Argentina
Comida gostosa, música boa, bar liberado ____
noite toda... quem nunca ___________ até altas horas numa
boa festa de casamento? Esse ritual, que muitos já
presenciaram ao longo da vida, é, porém, desconhe-
[5] cido para alguns representantes das gerações mais
jovens.
Mas há uma solução para elas: Casamento Falso
(ou Falsa Boda, no nome original em espanhol), uma
ideia de cinco amigos de La Plata, na Argentina. O
[10] detalhe era que os convidados não eram amigos ou
parentes dos noivos, mas ilustres desconhecidos que
compraram entradas para o evento.
Martín Acerbi, um publicitário de 26 anos, estava
cansado de ir sempre ____ mesmas boates. “Quería-
[15] mos organizar uma festa diferente, original”, disse. E
assim pensaram em fazer esse evento “temático”, que
chamaram de Casamento Falso.
Pablo Boniface, um profissional de marketing de
32 anos que esteve em um Casamento Falso em
[20] Buenos Aires em julho, disse que para ele foi a oca-
sião perfeita para realizar algo que sempre quis fazer:
colocar uma gravata.
“Para mim essas festas são até melhores do que
um casamento real, ________ você não precisa se sentar
[25] com estranhos e ficar entediado. Você passa bons
momentos com seus amigos e não se encontra com
todos os tios e avôs que normalmente frequentam
essas cerimônias”, disse Pablo.
Analise as propostas de reescrita de trechos do texto.
I. Embora muitas pessoas tenham presenciado esse ritual ao longo da vida, alguns representantes das gerações mais jovens o desconheciam (linhas 03 a 06).
II. O detalhe era que, em vez de amigos ou parentes dos noivos, os convidados eram ilustres desconhecidos que adquiriram ingressos para a ocasião (linhas 09 a 12).
III. Ele disse que a ideia de realizar um evento “temático” – o Casamento Falso – partiu do desejo de organizarem uma festa diferente, que fosse original (linhas 14 a 17).
IV. Pablo argumenta que é possível passar bons momentos com os amigos e não se encontra com todos os tios e avôs que normalmente vão a essas cerimônias (linhas 25 a 28).
As propostas que mantêm o sentido e a correção do texto são apenas
[1] – “Deboísta” é quem é adepto da filosofia do “ser de
boa” – explica Carlos Abelardo, 19 anos, estudante de
Ciências Biológicas na Universidade Federal de Goiás
e criador, ao lado da namorada, Laryssa de Freitas, da
[5] página no Facebook “Deboísmo”. – É aquela pessoa
que não se deixa levar por problemas bestas, que, mes-
mo discordando de alguém, não parte para a agressão.
É a pessoa calma, que escolhe o lutar em vez de brigar.
Segundo Abelardo, o movimento é apartidário, mas
[10] político. E sobre a escolha do símbolo, que é uma pre-
guiça, ele diz que a calmaria natural do animal passa
uma sensação automática de “ficar de boas”.
– É o animal mais de boa – diz.
Para resolver a questão, analise as propostas de reescrita, numeradas de 1 a 4, para o trecho compreendido entre as linhas 10 e 13 do texto.
1. Sobre a escolha do símbolo do “Deboísmo”, ele alega que a calmaria natural da preguiça passa uma sensação automática de “ficar de boas”, sendo esta o animal mais “de boa”.
2. Ao justificar a escolha de uma preguiça como símbolo do “Deboísmo”, ele diz que, sendo ela o animal mais “de boa”, é natural que a calmaria passe, automaticamente uma sensação de “ficar de boas”.
3. Ele diz que a escolha do símbolo do “Deboísmo” se justifica pela calmaria natural da preguiça, que passa uma sensação automática de “ficar de boas”, sendo ela o animal mais “de boa”.
4. Sobre a escolha da preguiça que é símbolo do “Deboísmo”, ele diz que, como a calmaria natural da mesma passa uma sensação automática de “ficar de boas”, é o animal mais “de boa”.
As propostas de reescrita que mantêm a correção e o sentido original do trecho são
Responder à questão com base no texto.
TEXTO
Dois caminhos se abriram diante do paulista Marcus
Smolka em 2007, quando ele concluiu o pós-doutorado
no Ludwig Institute for Cancer Research, em San Diego
(EUA).
[5] Um deles era retornar ao Brasil e associar-se a um
centro de pesquisa dotado de espectrômetro de massa,
um equipamento novo, que ele dominava como poucos.
Nesse caso, trabalharia como uma espécie de operador
da máquina, rodando os trabalhos de outros cientistas.
[10] Nas horas vagas, poderia usá-la para dar continuidade
a suas próprias pesquisas. A outra opção era aceitar um
convite da Universidade Cornell, no Estado de Nova York.
Por essa proposta, ganharia um laboratório e teria um
espectrômetro só para si, aos 33 anos de idade.
[15] Para Smolka, nenhuma das duas opções era a ideal.
O que ele queria mesmo era voltar ao Brasil e ter um
espectrômetro. Mas a proposta que apresentou ao Fundo
de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp) esbarrou
no custo do equipamento, da ordem de US$ 1 milhão. O
[20] brasileiro acabou escolhendo Cornell.
Smolka é hoje parte de uma expressiva comunidade
de cientistas brasileiros que estão radicados no Exterior,
produzindo pesquisa de ponta e ajudando a mudar os
rumos do conhecimento. Tradicionalmente encarado
[25] como fuga de cérebros, o fenômeno é, na verdade, uma
tendência global.
Para responder à questão, considere a possibilidade de reescrita dos períodos das linhas 15 a 17 do texto.
I. O que Smolka queria, mesmo, era ter um espectrômetro e voltar ao Brasil, já que nenhuma das opções era a ideal.
II. Nenhuma das duas opções era a ideal porque o que Smolka queria mesmo era voltar ao Brasil e ter um espectrômetro.
III. Nenhuma das duas opções era a ideal para Smolka: o que ele queria mesmo, era voltar ao Brasil e ter um espectrômetro.
IV. Como o que Smolka queria mesmo era voltar ao Brasil e ter um espectrômetro, nenhuma das duas opções era a ideal.
As propostas de reescrita corretas e coerentes são, apenas,
Responder à questão com base no texto.
TEXTO
E, de repente, e em derivação oposta à de Ricardo
Reis, surgiu-me impetuosamente um novo indivíduo.
Num jacto, e à máquina de escrever, sem interrupção
nem emenda, surgiu a Ode Triunfal de Álvaro de
[5] Campos – a Ode com esse nome e o homem com o
nome que tem. [...]
Quando foi da publicação de “Orpheu”, foi preciso,
à última hora, arranjar qualquer coisa para completar
o número de páginas. Sugeri então ao Sá-Carneiro
[10] que eu fizesse um poema «antigo» do Álvaro de
Campos – um poema de como o Álvaro de Campos
seria antes de ter conhecido Caeiro e ter caído sob a
sua influência. E assim fiz o Opiário, em que tentei dar
todas as tendências latentes do Álvaro de Campos,
[15] conforme haviam de ser depois reveladas, mas sem
haver ainda qualquer traço de contato com o seu
mestre Caeiro. Foi dos poemas que tenho escrito,
o que me deu mais que fazer, pelo duplo poder de
despersonalização que tive que desenvolver. Mas,
[20] enfim, creio que não saiu mau, e que dá o Álvaro em
botão [...].
Fragmento adaptado de: Fernando Pessoa, Correspondência (1923-1935).
As funções da linguagem estão presentes em todo texto que produzimos. No texto 6, predomina a função
Responder à questãocom base no texto.
As conversas entre os dois meninos – personagens de Edgar Vasques – permitem inferir que
Responder à questão com base no texto.
TEXTO
Nunca antes os homens possuíram tamanha mo-
bilidade geográfica, o que faz com que os sentimentos
comunitários percam centralidade. (...) Dormir num
país e acordar em outro não implica apenas uma
[5] espécie de aceleração do tempo, mas também uma
possível transformação da identidade do migrante,
que, longe de casa, deixa de enxergar no outro o
reconhecimento de si.
(...)
[10] O que quer dizer que o espaço, hoje mais do que
nunca, é constitutivo da personagem, seja ela nômade
ou não. Só convém lembrar que personagens efetiva-
mente fixas na sua comunidade estão quase ausentes
da narrativa brasileira contemporânea (era muito mais
[15] fácil encontrá-las nos romances regionalistas). Afinal, o
país se urbanizou em um período muito curto – o cen-
so de 1960 registrava 45% de brasileiros vivendo em
cidades, número que chegaria a 56% em 1970 e a 81%
em 2000 – e a literatura acompanhou a migração para
[20] as grandes cidades, representando de modo menos
ou mais direto as dificuldades de adaptação, a perda
dos referenciais e os problemas novos que foram
surgindo com a desterritorialização. Assim, o espaço
da narrativa brasileira atual é essencialmente urbano
[25] ou, melhor, é a grande cidade, deixando para trás
tanto o mundo rural quanto os vilarejos interioranos.
A cidade é um símbolo da sociabilidade humana,
lugar de encontro e de vida em comum – e, neste
sentido, seu modelo é a polis grega. Mas é também
[30] um símbolo da diversidade humana, em que convivem
massas de pessoas que não se conhecem, não se
reconhecem ou mesmo se hostilizam; e aqui o modelo
não é mais a cidade grega, e sim Babel. Mais até do
que a primeira, esta segunda imagem, a da desarmo-
[35] nia e da confusão, é responsável pelo fascínio que as
cidades exercem, como locais em que se abrem todas
as possibilidades.
Ao examinar a produção literária atual, com suas especificidades e tendências, a autora do texto se fundamenta em
Responder à questão com base no texto.
TEXTO
Para quase todos os brasileiros, o último 20 de julho
não passou de mais um dia comum. É uma pena que seja
assim, pois o dia deveria ser reverenciado por todos nós,
brasileiros, como uma das grandes datas da nossa histó-
[5] ria. Poucos sabem, mas nesse dia comemora-se o ani-
versário do maior e mais consagrado cientista brasileiro
de todos os tempos. Há 130 anos nascia Alberto Santos
Dumont (1873-1932), um mineiro que ousou voar como
os pássaros e teve o desplante de realizar seu sonho aos
[10] olhos de todo o mundo. Nada de voos secretos, numa
praia deserta da Carolina do Norte, sem documentação
imparcial, como fizeram os irmãos Wright. Não. Santos
Dumont “matou a cobra”, repetidamente, para o delírio do
povo de Paris, que testemunhou a audácia, a coragem e
[15] o jeitinho brasileiro de fazer ciência.
Ao estabelecer uma comparação entre Santos Dumont e os irmãos Wright, o autor destaca
Leia o excerto do romance Intermitências da Morte, de José Saramago, e analise as afirmativas.
No dia seguinte ninguém morreu. O facto, por absolutamente contrário às normas da vida, causou nos espíritos uma perturbação enorme, efeito em todos os aspectos justificado, basta que nos lembremos de que não havia notícia nos quarenta volumes da história universal, nem ao menos um caso para amostra, de ter alguma vez ocorrido fenómeno semelhante, passar-se um dia completo, com todas as suas pródigas vinte e quatro horas, contadas entre diurnas e nocturnas, matutinas e vespertinas, sem que tivesse sucedido um falecimento por doença, uma queda mortal, um suicídio levado a bom fim, nada de nada, pela palavra nada. Nem sequer um daqueles acidentes de automóvel tão frequentes em ocasiões festivas, quando a alegre irresponsabilidade e o excesso de álcool se desafiam mutuamente nas estradas para decidir sobre quem vai conseguir chegar à morte em primeiro lugar.
I. A partir de uma situação fantástica, a inexistência de mortes é vista como um fato inquietante.
II. Conforme o texto, podemos inferir que adoentados em estado grave foram salvos da morte, libertando-se de seu sofrimento.
III. O estilo do autor é marcado pela oscilação entre a narrativa de um fato e o comentário dissertativo sobre ele.
A(s) afirmativa(s) correta(s) é/são, apenas,