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PortuguêsPUC-RS2017

Para responder à questão, leia a passagem a seguir, retirada de Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis.

“– “Morto! morto!” dizia consigo.

E a imaginação dela, como as cegonhas que um ilustre viajante viu desferirem o voo desde o Ilisso às ribas africanas, sem embargo das ruínas e dos tempos, – a imaginação dessa senhora também voou por sobre os destroços presentes até às ribas de uma África juvenil... Deixá-la ir; lá iremos mais tarde; lá iremos quando eu me restituir aos primeiros anos. Agora, quero morrer tranquilamente, metodicamente, ouvindo os soluços das damas, as falas baixas dos homens, a chuva que tamborila nas folhas de tinhorão da chácara, e o som estrídulo de uma navalha que um amolador está afiando lá fora, à porta de um correeiro. Juro-lhes que essa orquestra da morte foi muito menos triste do que podia parecer. De certo ponto em diante chegou a ser deliciosa. A vida estrebuchava-me no peito, com uns ímpetos de vaga marinha, esvaía-se-me a consciência, eu descia à imobilidade física e moral, e o corpo fazia-se-me planta, e pedra e lodo, e coisa nenhuma.

Morri de uma pneumonia; mas se lhe disser que foi menos a pneumonia, do que uma ideia grandiosa e útil, a causa da minha morte, é possível que o leitor me não creia, e todavia é verdade. Vou expor-lhe sumariamente o caso. Julgue-o por si mesmo.”

Com base no texto, afirma-se:

I. A grande variedade de pronomes presentes no texto aponta para a existência de pelo menos três elementos narrativos: Virgília, o narrador Brás Cubas e o leitor.

II. Expressões como “mais tarde”, “Agora”, “ribas de uma África juvenil” assinalam a existência de diferentes planos temporais na narrativa, dos quais se destacam o momento da enunciação, o passado recente e o passado mais remoto.

III. O último parágrafo do trecho, ao revelar a causa da morte do narrador a partir de uma doença banal, serve de contraponto ao tom poético do parágrafo anterior.

A(s) afirmativa(s) correta(s) é/são

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Para responder à questão, leia um trecho do poema “Um novo Jó”, de Manoel de Barros, e preencha os parênteses com V para verdadeiro e F para falso.

Desfrutado entre bichos
raízes, barro e água
o homem habitava
sobre um montão de pedras.
(...)
Convivência de murta
e rãs... A boca de raiz
e água escorria barro...

Bom era
sobre um pedregal frio
e limoso dormir!
Ao gume de uma adaga
tudo dar.

Bom era ser bicho
que rasteja nas pedras;
ser raiz de vegetal
ser água.

Bom era caminhar sem dono
na tarde
com pássaros em torno
e os ventos nas vestes amarelas.

Não ter nunca chegada
nunca optar por nada
Ir andando pequeno sob a chuva
torto como um pé de maçãs (...)

( ) Ainda que valorize a simplicidade do meio rural, o poema manifesta a superioridade do homem frente à natureza.

( ) O poeta brinca com as palavras, dando-lhes novos sentidos e causando estranhezas no leitor.

( ) No poema, bichos, plantas e minerais convivem em harmonia e simbiose.

( ) O eu lírico destaca a necessidade de um destino, de um objetivo a ser traçado pelo homem.

A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:

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Para responder à questão, leia o excerto de “O burrinho pedrês”, de João Guimarães Rosa.

Era um Burrinho Pedrês, miúdo e resignado, vindo de Passa-Tempo, Conceição do Serro, ou não sei onde no sertão. Chamava-se Sete-de-Ouros, e já fora tão bom, como outro não existiu e nem pode haver igual. Agora, porém, estava idoso, muito idoso. Tanto, que nem seria preciso abaixar-lhe a maxila teimosa, para espiar os cantos dos dentes. Era decrépito mesmo a distância: no algodão bruto do pelo – sementinhas escuras em rama rala e encardida; nos olhos remelentos, cor de bismuto, com pálpebras rosadas, quase sempre oclusas, em constante semissono; e na linha, fatigada e respeitável – uma horizontal perfeita, do começo da testa à raiz da cauda em pêndulo amplo, para cá, para lá, tangendo as moscas. Na mocidade, muitas coisas lhe haviam acontecido. Fora comprado, dado, trocado e revendido, vezes, por bons e maus preços. Em cima dele morrera um tropeiro do Indaiá, baleado pelas costas. Trouxera, um dia, do pasto – coisa muito rara para essa raça de cobras – uma jararacussu, pendurada do focinho, como linda tromba negra com diagonais amarelas, da qual não morreu porque a lua era boa e o benzedor acudiu pronto. Vinha-lhe de padrinho jogador de truque a última intitulação, de baralho, de manilha; mas, vida a fora, por anos e anos, outras tivera, sempre involuntariamente. (...) De que fosse bem tratado, discordar não havia, pois lhe faltavam carrapichos ou carrapatos, na crina - reta, curta e levantada, como uma escova de dentes.

Com base no excerto, preencha os parênteses com V para verdadeiro e F para falso.

( ) O narrador constrói um discurso que confronta um presente decadente com um passado conturbado.

( ) O narrador preocupa-se com a exatidão naquilo que conta para conferir verossimilhança ao relato.

( ) É sugerido pelo narrador que a degradação física do animal tem relação com os maus tratos promovidos pelo seu atual dono.

( ) No evento da cobra, o narrador substitui uma explicação científica pela superstição.

A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:

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Responder à questão com base no texto.

TEXTO

Muitas vezes, quando pensamos em ritual, duas
ideias nos vêm à mente: por um lado, a noção de que um
ritual é algo formal e arcaico, quase que desprovido de
conteúdo, algo feito para celebrar momentos especiais
[5] e nada mais; por outro lado, podemos pensar que os
rituais estão ligados apenas à esfera religiosa, a um
culto ou a uma missa.
Segundo alguns autores, nossa vida de todos os
dias – a vida social – é marcada por um eterno conflito
[10] entre dois opostos: ou o caos total, onde ninguém
segue nenhuma regra ou lei, ou uma ordem absoluta,
quando todos cumpririam à risca todas as regras e leis
já estabelecidas. A visão desses opostos não deixa
de ser engraçada: alguém consegue imaginar nossa
[15] sociedade funcionando de uma dessas maneiras? É
evidente que não.
Dizemos que os rituais emprestam formas conven-

cionais e estilizadas para organizar certos aspectos da
vida social, mas por que esta formalidade?
[20] Ora, as formas estabelecidas para os diferentes
rituais têm uma marca comum: a repetição. Os rituais,
executados repetidamente, conhecidos ou identificáveis
pelas pessoas, concedem certa segurança. Pela
familiaridade com a(s) sequência(s) ritual(is), sabemos
[25] o que vai acontecer, celebramos nossa solidariedade,
partilhamos sentimentos, enfim, temos uma sensação
de coesão social. É assim que entendemos: “cada ritual
é um manifesto contra a indeterminação”. Através da
repetição e da formalidade, elaboradas e determinadas
[30] pelos grupos sociais, os rituais demonstram a ordem e
a promessa de continuidade desses mesmos grupos.

Adaptado de RODOLPHO, Adriane Luísa. Rituais, ritos de passagem e de iniciação: uma revisão da bibliografia antropológica. In: Estudos Teológicos, v. 44, n. 2, p. 138-146, 2004

Analise as substituições sugeridas para as palavras ou expressões indicadas, preenchendo os parênteses com V (verdadeiro) ou F (falso).

( ) “quase que” (linha 03) por “quase”

( ) “identificáveis” (linha 22) por “identificados”

( ) “certa” (linha 23) por “alguma”

( ) “enfim” (linha 26) por “finalmente”

( ) “É assim que” (linha 27) por “Consequentemente”

A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é

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Leia o trecho da crônica A morte da Velhinha de Taubaté, de Luís Fernando Veríssimo, e analise as considerações que seguem, preenchendo os parênteses com V (verdadeiro) ou F (falso).

“Morreu no último dia 19, aos 90 anos de idade, de causa ignorada, a paulista conhecida como “a Velhinha de Taubaté”, que se tornou uma celebridade nacional há alguns anos por ser a última pessoa no Brasil que ainda acreditava no governo.

(...)

As circunstâncias da morte da Velhinha de Taubaté ainda não estão esclarecidas. Sua sobrinha Suzette, que tem uma agência de acompanhantes de congressistas em Brasília embora a Velhinha acreditasse que ela fazia trabalho social com religiosas, informou que a Velhinha já tivera um pequeno acidente vascular ao saber da compra de votos para a reeleição do Fernando Henrique Cardoso, em quem ela acreditava muito, mas ficara satisfeita com as explicações e se recuperara.

Segundo Suzette, ela estava acompanhando as CPIs, comentara a sinceridade e o espírito público de todos os componentes das comissões, nenhum dos quais estava fazendo política, e de todos os depoentes, e acreditava que, como todos estavam dizendo a verdade, a crise acabaria logo, mas ultimamente começara a dar sinais de desânimo e, para grande surpresa da sobrinha, descrença.

A Velhinha acreditara em Lula desde o começo e até rebatizara o seu gato, que agora se chamava Zé. Acreditava principalmente no Palocci. Ela morreu na frente da televisão, talvez com o choque de alguma notícia. Mas a polícia mandou os restos do chá que a Velhinha estava tomando com bolinhos de polvilho para exame de laboratório. Pode ter sido suicídio.

( ) A crônica constrói-se por meio da crítica bemhumorada do autor à corrupção generalizada da classe política.

( ) O autor explora, nesse texto, a linguagem típica da notícia de jornal para apresentar a realidade brasileira de forma caricaturesca.

( ) A profissão de Suzette na crônica é apresentada de modo direto, sem eufemismos.

( ) FHC, Lula e Palocci são personagens reais a partir dos quais a fé da Velhinha na política se consolida.

( ) Luís Fernando Veríssimo é um autor que, em seus textos, explora outros gêneros textuais, como a notícia, o conto, o diálogo, a poesia.

A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é

PortuguêsPUC-RS2020

Responder à questão com base no texto.

TEXTO

O que é a verdade?

Todos nós, em algum momento da nossa vida,
já nos perguntamos o que é a verdade. Os filósofos
sempre refletiram sobre essa questão, buscando-a
incessantemente, sendo essa a primeira busca da
[5] filosofia.
Normalmente, surge uma dúvida em nossos
pensamentos e, ao encontrarmos uma resposta para
essa dúvida, seja por meio de deduções lógicas ou
de alguma experiência sensível, acreditamos que
[10] encontramos a verdade. Nesse caso, podemos dizer
que encontramos a verdade ao obter o resultado de
algo que, por meio de nossos pensamentos, acredi-

tamos como real; porém, para ser verdade, é neces-

sário que todos, ao duvidarem, cheguem ao mesmo
[15] denominador comum, ou seja, a verdade tem que ser
universal. Se assim não o for, não é verdadeira, é uma
falsa verdade.
Podemos dizer que a busca da verdade dá sentido
para a nossa existência, enquanto a falta dela leva o
[20] ser humano a desiludir-se.

Adaptado de: Coleção base do saber: filosofia. São Paulo: Rideel, 2008.

Analise as substituições sugeridas e indique V (verdadeiro) ou F (falso), considerando o contexto em que as expressões estão inseridas e a variante padrão da língua portuguesa.

( ) “podemos dizer que encontramos a verdade” (linhas 10 e 11) – que a encontramos

( ) “cheguem ao mesmo denominador comum” (linhas 14 e 15) – cheguem a um denominador comum

( ) “a verdade tem que ser universal” (linhas 15 e 16) – a mesma tem que ser universal

( ) “a falta dela leva o ser humano a desiludir-se (linhas 19 e 20) – a falta dela nos leva a desiludir-se

A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é

PortuguêsPUC-RS2016

Responder à questão com base no texto.

TEXTO

Para quase todos os brasileiros, o último 20 de julho
não passou de mais um dia comum. É uma pena que seja
assim, pois o dia deveria ser reverenciado por todos nós,
brasileiros, como uma das grandes datas da nossa histó-

[5] ria. Poucos sabem, mas nesse dia comemora-se o ani-

versário do maior e mais consagrado cientista brasileiro
de todos os tempos. Há 130 anos nascia Alberto Santos
Dumont (1873-1932), um mineiro que ousou voar como
os pássaros e teve o desplante de realizar seu sonho aos
[10] olhos de todo o mundo. Nada de voos secretos, numa
praia deserta da Carolina do Norte, sem documentação
imparcial, como fizeram os irmãos Wright. Não. Santos
Dumont “matou a cobra”, repetidamente, para o delírio do
povo de Paris, que testemunhou a audácia, a coragem e
[15] o jeitinho brasileiro de fazer ciência.

Adaptado de: NICOLELIS, Miguel A.L. É preciso sonhar grande. Disponível em: http://revistagalileu.globo.com/Galileu/0,6993, ECT611130-1726,00.html. Publicado em 2003 e acessado em 09 set. 2015.

A leitura do texto NÃO permite concluir que

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Responder à questão com base no texto.

TEXTO

As transformações que ________ ocorrido na socieda-

de contemporânea, em especial a partir dos anos 70,
________ propiciando mudanças nas relações científicas
estabelecidas com o ambiente internacional. Um evento
[5] norteador das transformações societais e decisivo para
essas mudanças foi a globalização, que ________ fortes
evidências do entrosamento entre ciência e sociedade
e ________ a dinâmica de produção do conhecimento, com
efeitos no ensino superior sobretudo, realçando a impor-

[10] tância da internacionalização nas funções de transmitir
e produzir conhecimento.

Universidade, ciência, inovação e sociedade. 36º Encontro Anual da ANPOCS. (Texto adaptado)

A frase que melhor sintetiza a ideia central do texto é

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TEXTO

A charge – texto – aborda a questão do uso do carro nas grandes cidades. A relação entre os recursos verbais e não verbais nesse texto revela que

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Responder à questão com base no texto.

TEXTO

Festas de casamento falsas viram moda na Argentina

Comida gostosa, música boa, bar liberado ____
noite toda... quem nunca ___________ até altas horas numa
boa festa de casamento? Esse ritual, que muitos já
presenciaram ao longo da vida, é, porém, desconhe-

[5] cido para alguns representantes das gerações mais
jovens.
Mas há uma solução para elas: Casamento Falso
(ou Falsa Boda, no nome original em espanhol), uma
ideia de cinco amigos de La Plata, na Argentina. O
[10] detalhe era que os convidados não eram amigos ou
parentes dos noivos, mas ilustres desconhecidos que
compraram entradas para o evento.
Martín Acerbi, um publicitário de 26 anos, estava
cansado de ir sempre ____ mesmas boates. “Quería-

[15] mos organizar uma festa diferente, original”, disse. E
assim pensaram em fazer esse evento “temático”, que
chamaram de Casamento Falso.
Pablo Boniface, um profissional de marketing de
32 anos que esteve em um Casamento Falso em
[20] Buenos Aires em julho, disse que para ele foi a oca-

sião perfeita para realizar algo que sempre quis fazer:
colocar uma gravata.
“Para mim essas festas são até melhores do que
um casamento real, ________ você não precisa se sentar
[25] com estranhos e ficar entediado. Você passa bons
momentos com seus amigos e não se encontra com
todos os tios e avôs que normalmente frequentam
essas cerimônias”, disse Pablo.

Adaptado de: http://www.bbc.com/portuguese/ noticias/2015/08/150831_falsos_casamentos_tg. Acesso em 07 set. 2016.

A afirmação de Pablo Bonaface, no último parágrafo do texto, permite inferir que