TEXTO:
Tendo em vista os recursos linguísticos utilizados na construção dessa capa de revista, é correto afirmar:
A ideia
De onde ela vem?! De que matéria bruta
Vem essa luz que sobre as nebulosas
Cai de incógnitas criptas misteriosas
Como as estalactites duma gruta?!
[5] Vem da psicogenética e alta luta
Do feixe de moléculas nervosas,
Que, em desintegrações maravilhosas,
Delibera, e depois, quer e executa!
Vem do encéfalo absconso que a constringe,
[10] Chega em seguida às cordas do laringe,
Tísica, tênue, mínima, raquítica...
Quebra a força centrípeta que a amarra,
Mas, de repente, e quase morta, esbarra
No molambo da língua paralítica!
Sobre os recursos linguísticos de que se apropria o poeta para a construção do poema, é correto afirmar:
TEXTO:
Sobre essa capa da revista Vida e Saúde, está incorreto o que se afirma em
TEXTO:
A assistência foi chamada. Veio tinindo. Um homem
estava morto. O cadáver foi removido para o necrotério.
Na seção dos “Fatos Diversos” do Diário de
Pernambuco, leio o nome do sujeito João da Silva.
[5] Morava na Rua da Alegria. Morreu de hemoptise.
João da Silva — Neste momento em que seu corpo
vai baixar à vala comum, nós, seus amigos e seus
irmãos, vimos lhe prestar esta homenagem. Nós somos
os joões da silva. Nós somos os populares joões da
[10] silva. Moramos em várias casas e em várias cidades.
Moramos principalmente na rua. Nós pertencemos,
como você, à família Silva. Não é uma família ilustre;
nós não temos avós na história. Muitos de nós usamos
outros nomes, para disfarce. No fundo, somos os Silva.
[15] Quando o Brasil foi colonizado, nós éramos os
degredados. Depois fomos os índios. Depois fomos os
negros. Depois fomos imigrantes, mestiços. Somos os
Silva. Algumas pessoas importantes usaram e usam
nosso nome. É por engano.
Sobre a frase “Na seção dos ‘Fatos Diversos’ do Diário de Pernambuco, leio o nome do sujeito João da Silva.” (l. 3-4), a afirmativa sem comprovação no contexto é a
TEXTO:
Sintetiza a mensagem passada por Raul Seixas o que afirma
TEXTO:
Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio, porque este não existe,
[5] existe apenas o medo, nosso pai e nosso
[companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das
[igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos
[democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da
[morte.
[10] Depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e
[medrosas.
Quanto aos elementos linguísticos que compõem o poema, está correto o que se afirma em
TEXTO:
Quanto aos elementos linguísticos que compõem as falas das personagens, está correto o que se afirma em
TEXTO:
Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio, porque este não existe,
[5] existe apenas o medo, nosso pai e nosso
[companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das
[igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos
[democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da
[morte.
[10] Depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e
[medrosas.
O poema, diferente do texto anterior, foi escrito após a Primeira Guerra Mundial e na iminência da segunda.
Para a construção de sua mensagem, Carlos Drummond de Andrade utiliza-se, dentre outros, de um recurso estilístico denominado de
TEXTO:
Fumei
Fumei,
por anos,
mas parei.
Não parei porque minha filha pediu,
[5] nem quando minha mãe me impediu,
parei quando meu pulmão gritou
e o médico mandou.
Fume e morra,
assim,
[10] curto e grosso,
realista.
Larguei a nicotina,
naftalina,
polônio,
[15] acroleína
e outros.
Desfiz meu pacto com o diabo,
dei um fim ao suicídio prolongado,
vivi
[20] mais tempo que o esperado.
Superei as recaídas,
mesmo com tantos caminhos difíceis,
encontrei a saída,
bem-vinda a vida,
[25] vida bem vivida.
Os operadores argumentativos “assim”, em “Fume e morra,/ assim, /curto e grosso,/ realista.” (v. 8-11), e “mesmo”, em “mesmo com tantos caminhos difíceis,/ encontrei a saída” (v. 22-23), expressam, nesses contextos, as ideias de
TEXTO:
— Mas que Humanitas é esse? — Humanitas é o
princípio. Há nas coisas todas certa substância recôndita
e idêntica, um princípio único, universal, eterno, comum,
indivisível e indestrutível, — ou, para usar a linguagem
[5] do grande Camões: “Uma verdade que nas coisas anda,
que mora no visíbil e invisíbil”. Pois essa substância ou
verdade, esse princípio indestrutível é que é Humanitas.
Assim lhe chamo, porque resume o universo, e o universo
é o homem. Vais entendendo? — Pouco; mas, ainda
[10] assim, como é que a morte de sua avó... — Não há
morte. O encontro de duas expansões, ou a expansão
de duas formas, pode determinar a supressão de uma
delas; mas, rigorosamente, não há morte, há vida, porque
a supressão de uma é a condição da sobrevivência da
[15] outra, e a destruição não atinge o princípio universal e
comum. Daí o caráter conservador e benéfico da guerra.
Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas.
As batatas apenas chegam para alimentar uma das
tribos, que assim adquire forças para transpor a
[20] montanha e ir à outra vertente, onde há batatas em
abundância; mas, se as duas tribos dividirem em paz
as batatas do campo, não chegam a nutrir-se
suficientemente e morrem de inanição. A paz, nesse
caso, é a destruição; a guerra é a conservação. Uma
[25] das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. Daí
a alegria da vitória, os hinos, aclamações, recompensas
públicas e todos demais efeitos das ações bélicas. Se
a guerra não fosse isso, tais demonstrações não
chegariam a dar-se, pelo motivo real de que o homem
[30] só comemora e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso,
e pelo motivo racional de que nenhuma pessoa canoniza
uma ação que virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio
ou compaixão; ao vencedor, as batatas.
Observando-se o texto, é correto o que se afirma em