TEXTO:
Fumei
Fumei,
por anos,
mas parei.
Não parei porque minha filha pediu,
[5] nem quando minha mãe me impediu,
parei quando meu pulmão gritou
e o médico mandou.
Fume e morra,
assim,
[10] curto e grosso,
realista.
Larguei a nicotina,
naftalina,
polônio,
[15] acroleína
e outros.
Desfiz meu pacto com o diabo,
dei um fim ao suicídio prolongado,
vivi
[20] mais tempo que o esperado.
Superei as recaídas,
mesmo com tantos caminhos difíceis,
encontrei a saída,
bem-vinda a vida,
[25] vida bem vivida.
Marque com V as afirmativas verdadeiras em relação ao texto e com F, as falsas.
( ) O assunto trabalhado no texto pode ser considerado como um depoimento de uma ex-fumante.
( ) As tentativas de largar o fumo, objetivando atender à lógica de pedidos e proibições, foram todas malogradas.
( ) A observância da advertência médica em face de uma complicação de saúde resultou em mais longevidade para a paciente.
( ) A voz autoral revela consciência dos males causados pelo fumo e das dificuldades enfrentadas para que se possa dar fim a um vício.
( ) A decisão tomada pela paciente, além de corajosa, não se configurou, na prática, tão complexa quanto ela antes a imaginara nem inviável.
A alternativa que contém a sequência correta, de cima para baixo, é a
TEXTO:
— Mas que Humanitas é esse? — Humanitas é o
princípio. Há nas coisas todas certa substância recôndita
e idêntica, um princípio único, universal, eterno, comum,
indivisível e indestrutível, — ou, para usar a linguagem
[5] do grande Camões: “Uma verdade que nas coisas anda,
que mora no visíbil e invisíbil”. Pois essa substância ou
verdade, esse princípio indestrutível é que é Humanitas.
Assim lhe chamo, porque resume o universo, e o universo
é o homem. Vais entendendo? — Pouco; mas, ainda
[10] assim, como é que a morte de sua avó... — Não há
morte. O encontro de duas expansões, ou a expansão
de duas formas, pode determinar a supressão de uma
delas; mas, rigorosamente, não há morte, há vida, porque
a supressão de uma é a condição da sobrevivência da
[15] outra, e a destruição não atinge o princípio universal e
comum. Daí o caráter conservador e benéfico da guerra.
Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas.
As batatas apenas chegam para alimentar uma das
tribos, que assim adquire forças para transpor a
[20] montanha e ir à outra vertente, onde há batatas em
abundância; mas, se as duas tribos dividirem em paz
as batatas do campo, não chegam a nutrir-se
suficientemente e morrem de inanição. A paz, nesse
caso, é a destruição; a guerra é a conservação. Uma
[25] das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. Daí
a alegria da vitória, os hinos, aclamações, recompensas
públicas e todos demais efeitos das ações bélicas. Se
a guerra não fosse isso, tais demonstrações não
chegariam a dar-se, pelo motivo real de que o homem
[30] só comemora e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso,
e pelo motivo racional de que nenhuma pessoa canoniza
uma ação que virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio
ou compaixão; ao vencedor, as batatas.
O conceito de guerra e de paz, sob a análise da personagem Quincas Borba, foge ao senso comum.
A alternativa em que se registra um pensamento com identidade ideológica à da personagem é
TEXTO 4
Morte e Vida Severina (Auto de Natal Pernambucano)
O RETIRANTE EXPLICA AO LEITOR QUEM É E A QUE VAI
— O meu nome é Severino,
como não tenho outro de pia.
Como há muitos Severinos,
que é santo de romaria,
deram então de me chamar
Severino de Maria;
Como há muitos Severinos
com mães chamadas Maria,
fiquei sendo o da Maria
do finado Zacarias.
Mas isso ainda diz pouco:
há muitos na freguesia,
por causa de um coronel
que se chamou Zacarias
e que foi o mais antigo
senhor desta sesmaria.
Como então dizer quem falo
ora a Vossas Senhorias?
Vejamos: é o Severino
da Maria do Zacarias,
lá da serra da Costela,
limites da Paraíba.
Mas isso ainda diz pouco:
se ao menos mais cinco havia
com nome de Severino
filhos de tantas Marias
mulheres de outros tantos,
já finados, Zacarias,
vivendo na mesma serra
magra e ossuda em que eu vivia.
Somos muitos Severinos
iguais em tudo na vida:
na mesma cabeça grande
que a custo é que se equilibra,
no mesmo ventre crescido
sobre as mesmas pernas finas
e iguais também porque o sangue,
que usamos tem pouca tinta.
E se somos Severinos
iguais em tudo na vida,
morremos de morte igual,
mesma morte Severina:
que é a morte de que se morre
de velhice antes dos trinta,
de emboscada antes dos vinte
de fome um pouco por dia
(de fraqueza e de doença
é que a morte Severina
ataca em qualquer idade,
e até gente não nascida).
Somos muitos Severinos
iguais em tudo e na sina:
a de abrandar estas pedras
suando-se muito em cima,
a de tentar despertar
terra sempre mais extinta,
a de querer arrancar
algum roçado da cinza.
Mas, para que me conheçam
melhor Vossas Senhorias
e melhor possam seguir
a história de minha vida,
passo a ser o Severino
que em vossa presença emigra.
(Melo Neto, João Cabral. Morte e Vida Severina. Auto de Natal Pernambucano. Nova Aguilar, 1998)Sobre o TEXTO 4, pode-se afirmar que:
TEXTO 6
EU NÃO TROCO MEU OXENTE NO OK DE SEU NINGUÉM
Isso de mercy bou cour
É negócio pra francês!
Eu vou lá falar inglês
Pra dizer I love you!
Eu sou mais gosto de tu
Minha fogosa, meu bem!
Meu pro mode e meu que nem
Tem um ritmo diferente,
Eu não troco o meu oxente
No OK de seu ninguém.
Eu não troco meu sertão
Por cinco ou seis Hollywood
Nem pensem que Robin Hood
Vale mais que Lampião,
Sou muito mais Gonzagão
Tocando seu xenhenhém,
Aposto como He-man
Não sabe fazer repente,
Eu não troco o meu oxente
No OK de seu ninguém.
Não cantam com meu gogó
Michael Jackson e On The Block,
Vinte festivais de rock
Não “chega” aos pés de um forró!
Whisky escocês não tem
Sabor de nossa aguardente,
Eu não troco o meu oxente
No OK de seu ninguém.
Não dou a minha sanfona...
Pela guitarra estrangeira;
Nota dez pra brasileira
Nota zero pra Madonna.
Iron Maiden, quando vem
Não tem moléstia que aguente,
Eu não troco o meu oxente
No OK de seu ninguém.
(Fonte: Disponível em www.oliveiradepanelas.com.br, acesso em 10/07/2014, adaptado).Sobre o gênero textual e a tipologia do TEXTO 6, é incorreto afirmar:
TEXTO 4
Morte e Vida Severina (Auto de Natal Pernambucano)
O RETIRANTE EXPLICA AO LEITOR QUEM É E A QUE VAI
— O meu nome é Severino,
como não tenho outro de pia.
Como há muitos Severinos,
que é santo de romaria,
deram então de me chamar
Severino de Maria;
Como há muitos Severinos
com mães chamadas Maria,
fiquei sendo o da Maria
do finado Zacarias.
Mas isso ainda diz pouco:
há muitos na freguesia,
por causa de um coronel
que se chamou Zacarias
e que foi o mais antigo
senhor desta sesmaria.
Como então dizer quem falo
ora a Vossas Senhorias?
Vejamos: é o Severino
da Maria do Zacarias,
lá da serra da Costela,
limites da Paraíba.
Mas isso ainda diz pouco:
se ao menos mais cinco havia
com nome de Severino
filhos de tantas Marias
mulheres de outros tantos,
já finados, Zacarias,
vivendo na mesma serra
magra e ossuda em que eu vivia.
Somos muitos Severinos
iguais em tudo na vida:
na mesma cabeça grande
que a custo é que se equilibra,
no mesmo ventre crescido
sobre as mesmas pernas finas
e iguais também porque o sangue,
que usamos tem pouca tinta.
E se somos Severinos
iguais em tudo na vida,
morremos de morte igual,
mesma morte Severina:
que é a morte de que se morre
de velhice antes dos trinta,
de emboscada antes dos vinte
de fome um pouco por dia
(de fraqueza e de doença
é que a morte Severina
ataca em qualquer idade,
e até gente não nascida).
Somos muitos Severinos
iguais em tudo e na sina:
a de abrandar estas pedras
suando-se muito em cima,
a de tentar despertar
terra sempre mais extinta,
a de querer arrancar
algum roçado da cinza.
Mas, para que me conheçam
melhor Vossas Senhorias
e melhor possam seguir
a história de minha vida,
passo a ser o Severino
que em vossa presença emigra.
(Melo Neto, João Cabral. Morte e Vida Severina. Auto de Natal Pernambucano. Nova Aguilar, 1998)Qual opção abaixo NÃO pode ser considerada sinônimo para a palavra “sina” no TEXTO 4 ?
Madeira do Rosarinho
Madeira do Rosarinho
Vem à cidade sua fama mostrar
E traz com seu pessoal
Seu estandarte tão original…
Não vem pra fazer barulho,
Vem só dizer, e com satisfação:
“Queiram ou não queiram os juízes
O nosso bloco é de fato campeão.
E se aqui estamos
Cantando esta canção,
Viemos defender
A nossa tradição
E dizer bem alto que a injustiça dói.
Nós somos madeira de lei,
Que cupim não rói!”
(Capiba. Madeira do Rosarinho. Guia Prático dos Blocos Líricos de Pernambuco)Os quatro primeiros versos da letra têm um significado semelhante em:
O PRECONCEITO LINGUÍSTICO E A ANÁLISE DO DISCURSO
A sociedade brasileira é ainda uma sociedade preconceituosa. Os mais pobres são constantemente discriminados, e esse fato se agrava quando essa parcela da população não tem acesso à educação de qualidade. Nesse sentido, o falar e escrever que fogem à norma padrão da forma culta da língua portuguesa são também alvos de críticas e pretextos para atitudes preconceituosas. O preconceito linguístico, como o próprio nome diz, é o pré-julgamento de pessoas com base na linguagem verbal. Ele parte do pressuposto de que só existe uma língua portuguesa digna deste nome, a ensinada nas escolas, explicada nas gramáticas e catalogada nos dicionários. A partir daí, aquele cujo discurso desvia dessa língua “correta” é discriminado e reprimido. O Brasil não tem uma unidade linguística, assim como não tem uma unidade sócio-econômica e cultural. O preconceito linguístico nada mais é do que um reflexo do real preconceito sofrido pelas pessoas de classes sociais mais baixas. Assim, faz-se necessário combater também essa modalidade de preconceito. Para isso, alguns pontos principais devem ser considerados, como a identificação do preconceito, a mudança de atitude e, principalmente, a definição do que é erro e de como deve ser ensinado o português nas escolas.
(Fonte: Adaptado de Sara Baptista Martins. O preconceito linguístico e a análise do discurso. Disponível em http://www.usp.br/cje/jorwiki/exibir.php?id_texto=69, acesso em 10/07/2014, adaptado).Observe a seguinte sentença retirada do TEXTO 1: “O Brasil não tem uma unidade linguística, assim como não tem uma unidade sócio-econômica e cultural”. Assinale a alternativa que mantém a mesma ideia da sentença citada:
O PRECONCEITO LINGUÍSTICO E A ANÁLISE DO DISCURSO
A sociedade brasileira é ainda uma sociedade preconceituosa. Os mais pobres são constantemente discriminados, e esse fato se agrava quando essa parcela da população não tem acesso à educação de qualidade. Nesse sentido, o falar e escrever que fogem à norma padrão da forma culta da língua portuguesa são também alvos de críticas e pretextos para atitudes preconceituosas. O preconceito linguístico, como o próprio nome diz, é o pré-julgamento de pessoas com base na linguagem verbal. Ele parte do pressuposto de que só existe uma língua portuguesa digna deste nome, a ensinada nas escolas, explicada nas gramáticas e catalogada nos dicionários. A partir daí, aquele cujo discurso desvia dessa língua “correta” é discriminado e reprimido. O Brasil não tem uma unidade linguística, assim como não tem uma unidade sócio-econômica e cultural. O preconceito linguístico nada mais é do que um reflexo do real preconceito sofrido pelas pessoas de classes sociais mais baixas. Assim, faz-se necessário combater também essa modalidade de preconceito. Para isso, alguns pontos principais devem ser considerados, como a identificação do preconceito, a mudança de atitude e, principalmente, a definição do que é erro e de como deve ser ensinado o português nas escolas.
(Fonte: Adaptado de Sara Baptista Martins. O preconceito linguístico e a análise do discurso. Disponível em http://www.usp.br/cje/jorwiki/exibir.php?id_texto=69, acesso em 10/07/2014, adaptado).Observe a seguinte sentença retirada do TEXTO 1: “aquele cujo discurso desvia dessa língua ‘correta’ é discriminado e reprimido.” Em qual das alternativas há uma palavra que NÃO faz parte da família da palavra “discriminado”?
Madeira do Rosarinho
Madeira do Rosarinho
Vem à cidade sua fama mostrar
E traz com seu pessoal
Seu estandarte tão original…
Não vem pra fazer barulho,
Vem só dizer, e com satisfação:
“Queiram ou não queiram os juízes
O nosso bloco é de fato campeão.
E se aqui estamos
Cantando esta canção,
Viemos defender
A nossa tradição
E dizer bem alto que a injustiça dói.
Nós somos madeira de lei,
Que cupim não rói!”
(Capiba. Madeira do Rosarinho. Guia Prático dos Blocos Líricos de Pernambuco)O texto, uma conhecida letra do cancioneiro pernambucano, refere-se à:
TEXTO 2
Exu
Cidade sertaneja que se notabilizou por ser berço de Luiz Gonzaga, o “Rei do Baião”, e pelos sangrentos conflitos pelo poder municipal entre as famílias Alencar e Sampaio até a década de 70 do século passado, Exu teve seu território ocupado por fazendas de criação que conquistara, espaço das tribos indígenas locais, desde os primeiros anos do século 18. [...] O povoado de Exu foi elevado à categoria de vila, em 1849, e à de cidade, em 1909. Aparentemente a palavra Exu nada tem com o orixá dos cultos afro-brasileiros. As versões mais aceitas para o topônimo são a de que seria uma corruptela da tribo Ançu, da nação Cariri, que habitava a região no início do povoamento ou de que viria de enxu, uma espécie de marimbondo (do tupi ei’xu: variedade de vespa ou marimbondo, abelha negra).
Dados gerais
Gentílico: exuense. População: 31636. Zona urbana: 16303. Zona rural: 15333. Área: 1474 km. Região: Sertão do Araripe. Localização: Distante 617km da capital.
(Adaptado. Fonte: FONSECA, Homero. Pernambucânia: o que há nos nomes das nossas cidades. Recife: CEPE, 2015.)Na expressão “Aparentemente a palavra Exu nada tem com o orixá dos cultos afro-brasileiros”,