TEXTO 1
Foi quando apareceu o gato. A natureza dos gatos é parecida com a das meninas: também eles possuem aquela ferocidade mansa, toda contida e dissimulada ao pedir leite roçando as costas contra as pernas das pessoas. A menina só era amorosa quando faminta, fazendo-se lânguida, quase erótica. Saciada, tanto se lhe dava estar com aquela família alta e magra ou outra, baixa e gorda. Como ponto de contato, havia ainda aquela lucidez desesperada, portal de loucura, nas noites de lua cheia. Ela chorava, ele miava. Incompreensão da própria angústia, uniam-se no ultrapassar de seus limites, iam além, muito além, completamente sós dentro do apartamento - quem sabe do universo −, ela gritava, luzes acendiam, gestos precisos acariciavam lugares imprecisos; ele miava carente de carícias, de tentativas de compreensão, incompreendido, incompreensível. O berro uníssono fazia as paredes incharem, prenhes. Os olhos castanhos dela encontraram os olhos verdes dele numa manhã de chuva. Todo sujo de lama, ele fora encolher-se exatamente em frente à porta onde havia uma espera em branco. Comunicaram-se. Ela não tinha palavras. Ele tinha unhas afiadas. Ela tinha dentes nascendo, sua arma em gestação contra o mundo. [...].
ABREU, C. F. Inventário do ir-remediável. Porto Alegre: Sulina, 1995.(Fragmento) 36
O conto Triângulo amoroso: variação sobre o tema, de Caio Fernando Abreu, fala-nos do encontro entre uma menina e um gato. Acerca do que é expresso no fragmento deste conto (Texto 1), é correto afirmar que
No epílogo de Três casas e um rio (1958), de Dalcídio Jurandir (1909-1979), é narrada a travessia da baía do Guajará com destino a Belém, capital do Pará, e descrita toda a inquietação do protagonista que toma conta da personagem, como se evidencia no trecho:
Leia o trecho da música “Tango amazônico”, que foi composta por Luiz Fontana e gravada pelo cantor Nílson Chaves, em 1990.
“E nas águas do plim-plim / Eu me transformo num herói tupiniquim. / Tira mão do meu terreiro / Esta terra eu vi primeiro / Tá provado pelo mapa / Teu buraco é mais em cima / Sai pra lá não se aproxima / Pois eu vou contar pro Papa. / Amazônia é minha e ninguém tasca / Não enche o saco, vai cuidar do teu Alasca / Isso não se faz, onde já se viu? / O Tio Sam tirando casca do Brasil / Isso não se faz, onde já se viu? / O Tio Sam que vá pra... Olé!”
(“Tango amazônico”, letra de Luiz Fontana, álbum Amazônia, 1990).
Com base no trecho da letra citada acima e em seus conhecimentos, é correto afirmar:
Com a revolução técnico-científica, as telecomunicações tiveram grande influência na vida das pessoas. A figura apresentada chama a atenção para
Leia o texto a seguir:
“É o romance abstraindo o documentário que me interessa em Belém do Grão Pará. O romance de um
menino e uma cidade. O menino [Alfredo] descobre a cidade [Belém], pouco a pouco, hoje um jardim e uma
rua, amanhã uma praça, como se se obstinasse em não ser a personagem exclusiva.”
(ADONIAS FILHO. Modernos ficcionistas brasileiros; 2.a série. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1965. p. 38).
Assinale a alternativa que contém o trecho que exemplifica a relação de progressiva aproximação entre o menino e a cidade apontada por Adonias Filho:
Leia o texto para responder à questão.
Marãiwatsédé – aqui viviam nossos ancestrais
Nem os dias quentes de sol a pino desanimam a criançada de jogar a pelada. No intervalo das aulas, meninos e meninas correm para o centro da aldeia atrás da bola. Aproveitam cada minuto com garra e determinação, como tem sido a luta dos Xavante de Marãiwatsédé, nos últimos 50 anos, para retomar suas terras.
O rio, a 500 metros da aldeia, é outra diversão. As crianças brincam e se banham, enquanto as mulheres lavam roupas e utensílios. A água usada na higiene pessoal de todos os moradores não é potável. O rio, assim como o Ró (denominação usada pelos Xavante para definir seu ecossistema), está “enfraquecido” devido ao desmatamento e às fazendas dos arredores. Para beber e cozinhar, eles recorrem a um poço artesiano. Próximo ao poço, na entrada da aldeia, um gerador fornece energia para bombear a água.
Ao cair da noite, no warã, numa roda iluminada pela fogueira, se reúnem homens adultos e anciãos para discutir acontecimentos importantes. Um dos assuntos no warã é um perigo que paira sobre a aldeia e toda a área da terra indígena: as queimadas. “Conter o fogo hoje é mais difícil que antigamente, nas pastagens ele se espalha muito rápido”, diz o cacique Damião Paridzané.
São temidos incêndios criminosos por parte de fazendeiros e posseiros insatisfeitos com a retomada da terra pela comunidade indígena. Só em agosto de 2013, cerca de 30 mil hectares foram consumidos por chamas de origem criminosa.
(Sônia Oddi, Celso Maldos, Revista do Brasil, n. 97, julho/2014, www.redebrasilatual.com.br. Adaptado)Considere a relação de sentido que o termo como estabelece na passagem do primeiro parágrafo:
Aproveitam cada minuto com garra e determinação, como tem sido a luta dos Xavante de Marãiwatsédé, nos últimos 50 anos, para retomar suas terras.
Nesse contexto, o termo como expressa ideia de
Leia o texto para responder à questão.
Segundo consta nas diretrizes da Funai, são considerados “isolados” os grupos indígenas que não estabeleceram contato permanente com a população nacional, diferenciando-se dos povos indígenas que mantêm contato antigo e intenso com os não-índios.
A decisão de isolamento desses povos pode ser o resultado de encontros com efeitos negativos para suas sociedades, como doenças, atos de violência física ou exploração de seus recursos naturais.
Esse ato de vontade de isolamento também se explica por experiências de períodos de autossuficiência social e econômica.
Compete à Funai garantir aos povos isolados o pleno exercício de sua liberdade e das suas atividades tradicionais sem a necessária obrigatoriedade de contatá-los.
(Povos indígenas isolados e de recente contato. www.funai.gov.br. Adaptado)Considere o trecho:
A decisão de isolamento desses povos pode ser o resultado de encontros com efeitos negativos para suas sociedades, como doenças, atos de violência física ou exploração de seus recursos naturais. (2º parágrafo)
Nessa passagem, o termo como, em destaque, introduz
Leia o texto para responder à questão.
Muita gente já não acredita que existam pássaros, a não ser em gravuras ou empalhados nos museus – o que é perfeitamente natural, dado o novo aspecto da terra, que, em lugar de árvores, produz com mais abundância blocos de cimento armado. Mas ainda há pássaros, sim. Existem tantos, em redor da minha casa, que até agora não tive (nem creio que venha a ter) tempo de saber seus nomes, conhecer suas cores, entender sua linguagem. Porque evidentemente os pássaros falam.
(Cecília Meireles. “Escola de Bem-Te-Vis”. O que se diz e o que se entende. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1980)Na opinião da autora, os pássaros
Leia o texto para responder à questão.
A gente não pede para nascer, apenas nasce. Alguns nascem ricos, outros pobres; uns nascem brancos, outros negros; uns nascem num país onde faz muito frio, outros em terras quentes. Enfim, nós não temos muita opção mesmo. O fato é que, quando a gente percebe, já nasceu. Eu nasci índio. Mas não nasci como nascem os índios. Não nasci numa aldeia, rodeada de mato por todo lado. Eu nasci na cidade. Acho que dentro de um hospital.
(Daniel Munduruku apud Graça Graúna. Contrapontos da literatura indígena contemporânea no Brasil. Belo Horizonte, Mazza, 2013. Adaptado)… quando a gente percebe, já nasceu.
Esse trecho está reescrito corretamente, quanto à norma- -padrão da língua portuguesa, em:
Leia o texto para responder à questão.
Muita gente já não acredita que existam pássaros, a não ser em gravuras ou empalhados nos museus – o que é perfeitamente natural, dado o novo aspecto da terra, que, em lugar de árvores, produz com mais abundância blocos de cimento armado. Mas ainda há pássaros, sim. Existem tantos, em redor da minha casa, que até agora não tive (nem creio que venha a ter) tempo de saber seus nomes, conhecer suas cores, entender sua linguagem. Porque evidentemente os pássaros falam.
(Cecília Meireles. “Escola de Bem-Te-Vis”. O que se diz e o que se entende. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1980)Porque evidentemente os pássaros falam.
Essa frase final do texto indica que a autora