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PortuguêsUNIFESO2015

Texto I

Vá plantar batatas!

A expressão está fora de moda. Hoje, quando se quer xingar

alguém e mandá-la a alguma parte ruim e distante, o que se diz

é mais pesado, rico em palavrões.

Mandar plantar batatas é coisa de origem portuguesa, vem

[5] do século XV, Era dos Descobrimentos, quando a navegação de

Portugal era uma das mais importantes do mundo e pescar

bacalhau ganhava relevo na economia do país, o que relegava a

agricultura a plano secundário. Plantar e produzir alimentos era

atividade vista com desdém. O cultivo da batata, é claro,

[10] entrava nessa lista sem maior valor.

Até na Revolução Industrial a agricultura permaneceu sem

prestígio. Dava mais ibope ser operário que lavrador, ai da

batata! Quem se dedicava a plantá-las era considerada gente

desqualificada. Só mais tarde o saboroso tubérculo entrou para

[15] as culinárias lusitana e brasileira, passou a fazer parte do

cardápio dos melhores chefs. Demorou, mas ganhou status.

Atualmente, na hora da maior raiva, mandar alguém plantar

batatas nem chega a ofender muito. É exclamação leve, quase

ingênua. As pessoas não estão agredindo, apenas ralhando. Com

[20] boa dose de carinho...

(Márcio Cotrim, O Pulo do Gato, vol. 2)

A finalidade básica do texto I é

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Leia o texto de Bruna Frachetto e Yonne Leite para responder à questão.

A busca de conhecimentos sobre o passado remoto da humanidade e sobre a origem de nossos ancestrais está presente, com diversas roupagens, em todas as épocas e é objeto de explicações da mais variada natureza, para vários povos.

Para os karajás, povo indígena que habita a ilha do Bananal (TO), sua origem vem dos aruanãs, peixes que habitavam águas profundas. Um aruanã, afoito e curioso, nada para muito longe e segue um raio de luz que lhe permite ver a sua sombra. Diverte-se com ela, mas, com medo, volta ao seu grupo. Sonha, então, com estranhas regiões. Torna a seguir o raio de luz e, ao chegar à superfície, fascinado, depara-se com um mundo de luz e calor, árvores, pássaros, lagos, céu e água. Transforma-se em gente de verdade e corre pelos prados, ouve o canto dos pássaros, come as frutas silvestres, sente o perfume das flores. Mas ali também estão o sofrimento, o perigo e a morte. Volta para o mundo dos aruanãs e vira peixe de novo. Um grupo de aruanãs, maravilhado com o relato do companheiro, resolve repetir sua experiência. Um a um sobem à superfície e se transformam em gente de verdade. Para que sua transformação se complete, a fim de se adaptarem às novas condições de vida na Terra, têm de adquirir a mobilidade que já existia nos primeiros habitantes. Assim, no processo de hominização dos aruanãs, um traço fundamental é o da aquisição de movimento, que passa a constituir o traço distintivo do homem de verdade, opondo-se, então, à imobilidade dos pré-humanos do mundo subaquático.
(Origens da linguagem, 2004.)

Os dois parágrafos do texto são organizados de modo a que

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Leia o texto de Roberto DaMatta para responder à questão.

O mundo moderno assistiu ao nascimento de uma mudança radical na concepção de trabalho e pobreza. Antigamente, o trabalhador era o pobre, o homem comum. Os nobres faziam guerra e governavam. Eram o símbolo da autoridade e da justiça. Daí estarem excluídos do trabalho manual e, sobretudo, do trabalho na lavoura, que vergava o homem sobre si mesmo, fazendo-o encarar a terra, que é fonte de vida e também leito dos mortos.

Neste mundo, o nobre-rico, entretanto, tinha obrigação para com os pobres, os destituídos e os que eram obrigados a trabalhar. Dele deveria partir a esmola, o consolo e o exemplo de probidade, de acordo com o leque das virtudes cardeais que situava a caridade como a mais importante. Assim, os nobres estavam por cima, mas em termos, porque, melhor do que ninguém, sabiam que sem pobre não há rico e, se riqueza existe, ela se exprime precisamente pela obrigação de ajudar os necessitados. Caridade, honradez e honestidade eram parte crucial da agenda dos nobres.

O mundo moderno nasceu da destruição deste velho pacto entre ricos e pobres. Com o triunfo do mercado, acelerou-se o individualismo e tomou corpo a ideia de que cada qual deveria cuidar de si. O resultado foi o nascimento da ideia de que o pobre é aquele que não gosta de trabalhar e o rico é o sujeito premiado pelo seu esforço. Agora, pobre e rico não são mais duas faces de uma mesma moeda, mas são como dois corredores que, diz-se, começam a prova como iguais. O rico é o que chega primeiro, o pobre, por último.

Com isso, o trabalho deixou de ser um castigo e uma obrigação ligada a pobreza e a pecado para ser visto como uma vocação e um chamado. Algo que todos devem fazer porque o trabalho dignifica e eventualmente conduz à riqueza, que é uma prova de sucesso e de salvação.


(Explorações, 2011. Adaptado.)

No texto, o autor

PortuguêsUNIFEV2015

Leia o texto de Bruna Frachetto e Yonne Leite para responder à questão.

A busca de conhecimentos sobre o passado remoto da humanidade e sobre a origem de nossos ancestrais está presente, com diversas roupagens, em todas as épocas e é objeto de explicações da mais variada natureza, para vários povos.

Para os karajás, povo indígena que habita a ilha do Bananal (TO), sua origem vem dos aruanãs, peixes que habitavam águas profundas. Um aruanã, afoito e curioso, nada para muito longe e segue um raio de luz que lhe permite ver a sua sombra. Diverte-se com ela, mas, com medo, volta ao seu grupo. Sonha, então, com estranhas regiões. Torna a seguir o raio de luz e, ao chegar à superfície, fascinado, depara-se com um mundo de luz e calor, árvores, pássaros, lagos, céu e água. Transforma-se em gente de verdade e corre pelos prados, ouve o canto dos pássaros, come as frutas silvestres, sente o perfume das flores. Mas ali também estão o sofrimento, o perigo e a morte. Volta para o mundo dos aruanãs e vira peixe de novo. Um grupo de aruanãs, maravilhado com o relato do companheiro, resolve repetir sua experiência. Um a um sobem à superfície e se transformam em gente de verdade. Para que sua transformação se complete, a fim de se adaptarem às novas condições de vida na Terra, têm de adquirir a mobilidade que já existia nos primeiros habitantes. Assim, no processo de hominização dos aruanãs, um traço fundamental é o da aquisição de movimento, que passa a constituir o traço distintivo do homem de verdade, opondo-se, então, à imobilidade dos pré-humanos do mundo subaquático.
(Origens da linguagem, 2004.)

É correto afirmar, segundo a narrativa mítica, que os aruanãs

PortuguêsUNIFEV2015

Leia a crônica de Clarice Lispector para responder à questão.

Uma entrevistada do programa da BBC, Inglaterra, na Hora das Mulheres, falou sobre suas experiências como prisioneira de guerra:
— Quando uma pessoa já experimentou muitos sofrimentos, sabe apreciar as fraquezas e as boas qualidades até mesmo dos próprios inimigos. Por que deve ser nosso inimigo completamente mau, ou a vítima completamente boa? Ambos são criaturas humanas, com o que é bom e o que é mau. E creio que se apelarmos para o lado bom das pessoas teremos êxito, na maioria dos casos.
Sei o que ela quis dizer, mas está errado. Há uma hora em que se deve esquecer a própria compreensão humana e tomar um partido, mesmo errado, pela vítima, e um partido, mesmo errado, contra o inimigo. E tornar-se primário a ponto de dividir as pessoas em boas e más. A hora da sobrevivência é aquela em que a crueldade de quem é vítima é permitida, a crueldade e a revolta. E não compreender os outros é que é certo.
(A descoberta do mundo, 1999.)

A opinião da autora do texto

PortuguêsUNINTA2017

O Tempo

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.

Quando se vê, já são seis horas!

Quando de vê, já é sexta-feira!

Quando se vê, já é natal...

{5}Quando se vê, já terminou o ano...

Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.

Quando se vê passaram 50 anos!

Agora é tarde demais para ser reprovado...

Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.

{10} Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...

Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo...

E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.

Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.

A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.

QUINTANA, Mário. O tempo. Disponível em: <http://bypoesia.blogspot.com.br/2009/03/o-tempo-mario-quintana.htm>. Acesso em: 30 abr. 2017.

Sobre esse poema de Mário Quintana, a única informação sem suporte no texto é a que se faz na alternativa

PortuguêsUNINTA2016

Leia o trecho abaixo:

“Passaram-se semanas. Jerônimo tomava agora, todas as manhãs, uma xícara de café bem grosso, à moda da Ritinha, e tragava dois dedos de parati, pra cortar a friagem. Uma transformação lenta e profunda, operava-se nele, dia a dia, hora a hora, reviscerando-lhe o corpo e alando-lhe os sentidos, num trabalho misterioso e surdo de crisálida. A sua energia afrouxava lentamente: fazia-se contemplativo e amoroso. A vida americana e a natureza do Brasil patenteavam-lhe agora aspectos imprevistos e sedutores que o comoviam; esquecia-se de seus primitivos sonhos de ambição, para idealizar felicidades novas, picantes e violentas; tornava-se liberal, imprevidente e franco, mais amigo de gastar de que guardar; adquiria desejos, tomava gosto aos prazeres e volvia-se preguiçoso, resignando-se, vencido, às imposições do sol e do calor…”

Fonte:https://literaturaemcontagotas.wordpress.com/tag/trechos-de-o-cortico/

No trecho “Uma transformação lenta e profunda, operava-se nele, dia a dia, hora a hora, reviscerando-lhe o corpo e alando-lhe os sentidos, num trabalho misterioso e surdo de crisálida.”, os termos destacados referem-se a(o), respectivamente

PortuguêsUNINTA2016

Em plena celebração do 50º aniversário de Mafalda, Quino lamenta que, hoje em dia, haja mais gente pobre do que quando sua personagem nasceu, ou que aconteçam coisas "tão preocupantes" como as "bárbaras decapitações do Estado Islâmico".

Aos 82 anos, as preocupações de Quino continuam sendo as mesmas de quando criou a personagem, ingênua e esperta, em 1964.

"As ideias que a Mafalda propaga são as minhas, e eu não sou um homem feliz a essa altura, vendo tudo que acontece no mundo. Estou bastante amargurado e transmiti a minha personagem as amarguras que eu sinto", explicou o cartunista.

"Uma coisa que continua me surpreendendo é que as pessoas me agradecem por tudo que eu dei a elas, e eu não sei muito bem o que eu lhes dei. Sei que fiz algo que tem muita repercussão, mas não sou muito consciente do que eu fiz", afirmou.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2014/10/1525681-mafalda-esta-cada-dia-mais-atual-lamenta-quino-nos-50-anos-da-tirinha.shtm

No trecho “Quino lamenta que, hoje em dia, haja mais gente pobre do que quando sua personagem nasceu (...)” O termo destacado se trata de um(a):

PortuguêsUNINTA2017

Com base no discurso do médico canadense William Osler, é correto concluir que, no exercício de suas funções, um especialista da área médica

PortuguêsUNINTA2016

Leia o poema a seguir.

“Iscute o que to dizeno,

Seu dotor, seu coroné:

De fome tão padeceno

Meus fio e minha muiér.

Sem briga, questão nem guerra,

Meça desta grande terra

Umas tarefas pra eu!

Tenha pena do agregado

Não me dexe deserdado

Daquilo que Deus me deu.”

(Patativa do Assaré.)

Assinale a afirmativa que está de acordo com os elementos identificados no poema anterior.