Sim, estou me associando à campanha nacional contra os
verbos que acabam em "ilizar". Se nada for feito, daqui a pouco
eles serão mais numerosos do que os terminados simplesmente
em "ar". Todos os dias os maus tradutores de livros de
[5] marketing e administração disponibilizam mais e mais termos
infelizes, que imediatamente são operacionalizados pela mídia,
reinicializando palavras que já existiam e eram perfeitamente
claras e eufônicas.
A doença está tão disseminada que muitos verbos honestos,
[10] com currículo de ótimos serviços prestados, estão a ponto de
cair em desgraça entre pessoas de ouvidos sensíveis. Depois que
você fica alérgico a disponibilizar, como você vai admitir,
digamos, "viabilizar"? É triste demorar tanto tempo para a
gente se dar conta de que "desincompatibilizar" sempre foi um
[15] palavrão.
Com base no texto, é correto afirmar:
TEXTO PARA A QUESTÃO
Romance LIII ou Das Palavras Aéreas
Ai, palavras, ai, palavras,
que estranha potência, a vossa!
Ai, palavras, ai, palavras,
sois de vento, ides no vento,
no vento que não retorna,
e, em tão rápida existência,
tudo se forma e transforma!
Sois de vento, ides no vento,
e quedais, com sorte nova! (...)
Ai, palavras, ai, palavras,
que estranha potência, a vossa!
Perdão podíeis ter sido!
— sois madeira que se corta,
— sois vinte degraus de escada,
— sois um pedaço de corda...
— sois povo pelas janelas,
cortejo, bandeiras, tropa...
Ai, palavras, ai, palavras,
que estranha potência, a vossa!
Éreis um sopro na aragem...
— sois um homem que se enforca!
Ao substituir a pessoa verbal utilizada para se referir ao substantivo “palavras” pela 3ªpessoa do plural, os verbos dos versos “sois de vento, ides no vento,” (v. 4) / “Perdão podíeis ter sido!” (v. 12) / “Éreis um sopro na aragem...” (v. 20) seriam conjugados conforme apresentado na alternativa:
Talvez eu tivesse encontrado a história que todos nós procuramos nas páginas dos livros e nas telas dos cinemas: uma história na qual as estrelas e eu éramos os protagonistas.(l. 21-22) Na frase acima, o autor procura delimitar um sentido para a palavra história por meio dos trechos destacados. Esses trechos apresentam uma formulação do seguinte tipo:
Por meio de aspectos gráficos, o cartum sugere o caráter generalizante que pode ter um preconceito.Um aspecto que aponta para essa generalização é:
A EDUCAÇÃO PELA SEDA
Vestidos muito justos são vulgares. Revelar formas é vulgar. Toda revelação é de uma vulgaridade abominável. Os conceitos a vestiram como uma segunda pele, e pode-se adivinhar a norma que lhe rege a vida ao primeiro olhar.
Rosa Amanda Strausz Mínimo múltiplo comum: contos. Rio de Janeiro: José Olympio, 1990.pode-se adivinhar a norma que lhe rege a vida ao primeiro olhar. A expressão destacada reforça o sentido geral do texto, porque remete a uma ação baseada no seguinte aspecto:
Todo o raciocínio da personagem pode ser expresso na fórmula dedutiva “se A, então B”.
Para que essa fórmula esteja de acordo com o raciocínio da personagem, ela deve ser redigida da seguinte maneira:
Porque a realidade é inverossímil
Escusando-me por repetir truísmotão martelado, mas movido pelo conhecimento de que os
truísmos são parte inseparável da boa retórica narrativa, até porque a maior parte das pessoas
não sabe ler e é no fundo muito ignorante, rol no qual incluo arbitrariamente você, repito o que
tantos já dizem e vivem repetindo, como quem usa chupetas: a realidade é, sim, muitíssimo
[5] mais inacreditável do que qualquer ficção, pois esta requer uma certa arrumação falaciosa, a
que a maioria dá o nome de verossimilhança. Mas ocorre precisamente o oposto. Lê-se ficção
para fortalecer a noção estúpida de que há sentido, lógica, causa e efeito lineares e outros
adereços que integrariam a vida. Lê-se ficção, ou mesmo livros de historiadores ou jornalistas,
por insegurança, porque o absurdo da vida é insuportável para a vastidão dos desvalidos que
povoa a Terra.
(João Ubaldo Ribeiro - Diário do Farol. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2002.)Para justificar a repetição de algo já conhecido, o autor se baseia na relação que mantém com os leitores. Com base no texto, é possível perceber que essa relação se caracteriza genericamente pela:
Por que ler?
Certas coisas não basta anunciar, como uma verdade que deve ser aceita por si só. Precisamos
dizer o porquê. Se queremos fazer os brasileiros lerem mais de um livro por ano, essa trágica
média nacional, precisamos de fato conquistar o seu interesse.
Listo os três benefícios fundamentais que a leitura pode trazer.
[5] O primeiro: ler nos faz mais felizes. É um caminho para o autoconhecimento, e o exercício
constante de autoconhecimento é um caminho para a felicidade. A vida, também no plano
individual, é mais intensa na busca. Os personagens de um livro de ficção, os fatos de um
livro-reportagem, as ideias de um livro científico, interagem com os nossos sentimentos, ora
refletindo-os, ora agredindo-os, e portanto servindo de parâmetro para sabermos quem somos,
[10] seja por identidade ou oposição.
O segundo benefício: ler nos torna amantes melhores. Treina nossa sensibilidade para o contato
com o outro. Amores românticos, amores carnais, amores perigosos, amores casuais, amores
culpados, todos estão nos livros. A sensibilidade do leitor encontra seu caminho. E quanto mais
o nosso imaginário estiver arejado pelas infinitas opções que as histórias escritas nos oferecem,
[15] sejam elas factuais ou ficcionais, com mais delícia aproveitamos os bons momentos do amor, e
com mais calma enfrentamos os maus.
Por fim: ler nos torna cidadãos melhores. Os livros propiciam ao leitor um ponto de vista
privilegiado, de onde observa conflitos de interesses. No processo, sua consciência é estimulada
a se posicionar com equilíbrio. Tendem a ganhar forma, então, princípios de “honestidade”,
[20] “honra”, “justiça” e “generosidade”. Guiado por estes valores, o leitor pode enfim ultrapassar
as fronteiras sociais, e ver a humanidade presente em todos os tipos, em todas as classes.
Teríamos menos escândalos de corrupção, se lêssemos mais; construiríamos uma sociedade
menos injusta, se educássemos melhor os nossos espíritos; eu acredito nisso.
Rodrigo Lacerda Adaptado de rodrigolacerda.com.brOs três benefícios fundamentais da leitura apresentados no texto são listados numa determinada ordem. Essa ordem mostra uma organização na seguinte direção:
A EDUCAÇÃO PELA SEDA
Vestidos muito justos são vulgares. Revelar formas é vulgar. Toda revelação é de uma vulgaridade abominável. Os conceitos a vestiram como uma segunda pele, e pode-se adivinhar a norma que lhe rege a vida ao primeiro olhar.
Rosa Amanda Strausz Mínimo múltiplo comum: contos. Rio de Janeiro: José Olympio, 1990.Os conceitos a vestiram como uma segunda pele, O vocábulo a é comumente utilizado para substituir termos já enunciados. No texto, entretanto, ele tem um uso incomum, já que permite subentender um termo não enunciado. Esse uso indica um recurso assim denominado:
CANÇÃO DO VER
[1] Fomos rever o poste.
O mesmo poste de quando a gente brincava de pique
e de esconder.
Agora ele estava tão verdinho!
[5] O corpo recoberto de limo e borboletas.
Eu quis filmar o abandono do poste.
O seu estar parado.
O seu não ter voz.
O seu não ter sequer mãos para se pronunciar com
[10] as mãos.
Penso que a natureza o adotara em árvore.
Porque eu bem cheguei de ouvir arrulos1 de passarinhos
que um dia teriam cantado entre as suas folhas.
Tentei transcrever para flauta a ternura dos arrulos.
[15] Mas o mato era mudo.
Agora o poste se inclina para o chão − como alguém
que procurasse o chão para repouso.
Tivemos saudades de nós.
Manoel de Barros Poesia completa. São Paulo: Leya, 2010.O título Canção do ver reúne duas esferas diferentes dos sentidos humanos: audição e visão. No entanto, no decorrer do poema, a visão predomina sobre a audição. Os dois elementos que confirmam isso são: