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Sim, estou me associando à campanha nacional contra os
verbos que acabam em "ilizar". Se nada for feito, daqui a pouco
eles serão mais numerosos do que os terminados simplesmente
em "ar". Todos os dias os maus tradutores de livros de
[5]
marketing e administração disponibilizam mais e mais termos
infelizes, que imediatamente são operacionalizados pela mídia,
reinicializando palavras que já existiam e eram perfeitamente
claras e eufônicas.
A doença está tão disseminada que muitos verbos honestos,
[10] com currículo de ótimos serviços prestados, estão a ponto de
cair em desgraça entre pessoas de ouvidos sensíveis. Depois que
você fica alérgico a disponibilizar, como você vai admitir,
digamos, "viabilizar"? É triste demorar tanto tempo para a
gente se dar conta de que "desincompatibilizar" sempre foi um
[15] palavrão.

FREIRE, Ricardo. Complicabilizando. Época, ago. 2003.

Com base no texto, é correto afirmar:

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TEXTO PARA A QUESTÃO


Romance LIII ou Das Palavras Aéreas


Ai, palavras, ai, palavras,
que estranha potência, a vossa!
Ai, palavras, ai, palavras,
sois de vento, ides no vento,
no vento que não retorna,
e, em tão rápida existência,
tudo se forma e transforma!


Sois de vento, ides no vento,
e quedais, com sorte nova! (...)


Ai, palavras, ai, palavras,
que estranha potência, a vossa!
Perdão podíeis ter sido!
— sois madeira que se corta,
— sois vinte degraus de escada,
— sois um pedaço de corda...
— sois povo pelas janelas,
cortejo, bandeiras, tropa...


Ai, palavras, ai, palavras,
que estranha potência, a vossa!
Éreis um sopro na aragem...
— sois um homem que se enforca!

Cecília Meireles, Romanceiro da Inconfidência.

Ao substituir a pessoa verbal utilizada para se referir ao substantivo “palavras” pela 3ªpessoa do plural, os verbos dos versos “sois de vento, ides no vento,” (v. 4) / “Perdão podíeis ter sido!” (v. 12) / “Éreis um sopro na aragem...” (v. 20) seriam conjugados conforme apresentado na alternativa:

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Talvez eu tivesse encontrado a história que todos nós procuramos nas páginas dos livros e nas telas dos cinemas: uma história na qual as estrelas e eu éramos os protagonistas.(l. 21-22) Na frase acima, o autor procura delimitar um sentido para a palavra história por meio dos trechos destacados. Esses trechos apresentam uma formulação do seguinte tipo:

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Por meio de aspectos gráficos, o cartum sugere o caráter generalizante que pode ter um preconceito.Um aspecto que aponta para essa generalização é:

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A EDUCAÇÃO PELA SEDA

Vestidos muito justos são vulgares. Revelar formas é vulgar. Toda revelação é de uma vulgaridade abominável. Os conceitos a vestiram como uma segunda pele, e pode-se adivinhar a norma que lhe rege a vida ao primeiro olhar.

Rosa Amanda Strausz Mínimo múltiplo comum: contos. Rio de Janeiro: José Olympio, 1990.

pode-se adivinhar a norma que lhe rege a vida ao primeiro olhar. A expressão destacada reforça o sentido geral do texto, porque remete a uma ação baseada no seguinte aspecto:

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Todo o raciocínio da personagem pode ser expresso na fórmula dedutiva “se A, então B”.

Para que essa fórmula esteja de acordo com o raciocínio da personagem, ela deve ser redigida da seguinte maneira:

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Porque a realidade é inverossímil

Escusando-me por repetir truísmotão martelado, mas movido pelo conhecimento de que os

truísmos são parte inseparável da boa retórica narrativa, até porque a maior parte das pessoas

não sabe ler e é no fundo muito ignorante, rol no qual incluo arbitrariamente você, repito o que

tantos já dizem e vivem repetindo, como quem usa chupetas: a realidade é, sim, muitíssimo

[5] mais inacreditável do que qualquer ficção, pois esta requer uma certa arrumação falaciosa, a

que a maioria dá o nome de verossimilhança. Mas ocorre precisamente o oposto. Lê-se ficção

para fortalecer a noção estúpida de que há sentido, lógica, causa e efeito lineares e outros

adereços que integrariam a vida. Lê-se ficção, ou mesmo livros de historiadores ou jornalistas,

por insegurança, porque o absurdo da vida é insuportável para a vastidão dos desvalidos que

povoa a Terra.

(João Ubaldo Ribeiro - Diário do Farol. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2002.)

Para justificar a repetição de algo já conhecido, o autor se baseia na relação que mantém com os leitores. Com base no texto, é possível perceber que essa relação se caracteriza genericamente pela:

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Por que ler?

Certas coisas não basta anunciar, como uma verdade que deve ser aceita por si só. Precisamos

dizer o porquê. Se queremos fazer os brasileiros lerem mais de um livro por ano, essa trágica

média nacional, precisamos de fato conquistar o seu interesse.

Listo os três benefícios fundamentais que a leitura pode trazer.

[5] O primeiro: ler nos faz mais felizes. É um caminho para o autoconhecimento, e o exercício

constante de autoconhecimento é um caminho para a felicidade. A vida, também no plano

individual, é mais intensa na busca. Os personagens de um livro de ficção, os fatos de um

livro-reportagem, as ideias de um livro científico, interagem com os nossos sentimentos, ora

refletindo-os, ora agredindo-os, e portanto servindo de parâmetro para sabermos quem somos,

[10] seja por identidade ou oposição.

O segundo benefício: ler nos torna amantes melhores. Treina nossa sensibilidade para o contato

com o outro. Amores românticos, amores carnais, amores perigosos, amores casuais, amores

culpados, todos estão nos livros. A sensibilidade do leitor encontra seu caminho. E quanto mais

o nosso imaginário estiver arejado pelas infinitas opções que as histórias escritas nos oferecem,

[15] sejam elas factuais ou ficcionais, com mais delícia aproveitamos os bons momentos do amor, e

com mais calma enfrentamos os maus.

Por fim: ler nos torna cidadãos melhores. Os livros propiciam ao leitor um ponto de vista

privilegiado, de onde observa conflitos de interesses. No processo, sua consciência é estimulada

a se posicionar com equilíbrio. Tendem a ganhar forma, então, princípios de “honestidade”,

[20] “honra”, “justiça” e “generosidade”. Guiado por estes valores, o leitor pode enfim ultrapassar

as fronteiras sociais, e ver a humanidade presente em todos os tipos, em todas as classes.

Teríamos menos escândalos de corrupção, se lêssemos mais; construiríamos uma sociedade

menos injusta, se educássemos melhor os nossos espíritos; eu acredito nisso.

Rodrigo Lacerda Adaptado de rodrigolacerda.com.br

Os três benefícios fundamentais da leitura apresentados no texto são listados numa determinada ordem. Essa ordem mostra uma organização na seguinte direção:

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A EDUCAÇÃO PELA SEDA

Vestidos muito justos são vulgares. Revelar formas é vulgar. Toda revelação é de uma vulgaridade abominável. Os conceitos a vestiram como uma segunda pele, e pode-se adivinhar a norma que lhe rege a vida ao primeiro olhar.

Rosa Amanda Strausz Mínimo múltiplo comum: contos. Rio de Janeiro: José Olympio, 1990.

Os conceitos a vestiram como uma segunda pele, O vocábulo a é comumente utilizado para substituir termos já enunciados. No texto, entretanto, ele tem um uso incomum, já que permite subentender um termo não enunciado. Esse uso indica um recurso assim denominado:

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CANÇÃO DO VER

[1] Fomos rever o poste.

O mesmo poste de quando a gente brincava de pique

e de esconder.

Agora ele estava tão verdinho!

[5] O corpo recoberto de limo e borboletas.

Eu quis filmar o abandono do poste.

O seu estar parado.

O seu não ter voz.

O seu não ter sequer mãos para se pronunciar com

[10] as mãos.

Penso que a natureza o adotara em árvore.

Porque eu bem cheguei de ouvir arrulos1 de passarinhos

que um dia teriam cantado entre as suas folhas.

Tentei transcrever para flauta a ternura dos arrulos.

[15] Mas o mato era mudo.

Agora o poste se inclina para o chão − como alguém

que procurasse o chão para repouso.

Tivemos saudades de nós.

Manoel de Barros Poesia completa. São Paulo: Leya, 2010.

O título Canção do ver reúne duas esferas diferentes dos sentidos humanos: audição e visão. No entanto, no decorrer do poema, a visão predomina sobre a audição. Os dois elementos que confirmam isso são: