Foi então que olhou para o homem parado no ponto. A diferença entre ele e os outros é que ele estava realmente parado. De pé, suas mãos se mantinham avançadas. Era um cego. O que havia mais que fizesse Ana se aprumar em desconfiança? Alguma coisa intranquila estava sucedendo. Então ela viu: o cego mascava chicles... Um homem cego mascava chicles.
[...]. Inclinada, olhava o cego profundamente, como se olha o que não nos vê. Ele mascava goma na escuridão. Sem sofrimento, com os olhos abertos. O movimento da mastigação fazia-o parecer sorrir e de repente deixar de sorrir, sorrir e deixar de sorrir – como se ele a tivesse insultado [...]. Ana se aprumava pálida. Uma expressão de rosto, há muito não usada, ressurgia-lhe com dificuldade, ainda incerta, incompreensível. [...] O bonde se sacudia nos trilhos e o cego mascando goma ficara atrás para sempre. Mas o mal estava feito.
Clarice Lispector, Amor.No contexto do conto, o mal, a que se refere o narrador no final do trecho citado, representa
Fez sinal para os dois esperarem do outro lado da rua, chegou para perto do portão da casa. Logo que se encostou, um grande cão se aproximou latindo. Pedro Bala amarrou um cordel no ferrolho do portão, enquanto o cão andava de um lado par outro, latindo baixo. [...] Treparam na gradezinha do muro. Pedro Bala puxou com o cordão o ferrolho, e o portão abriu. O Gato tinha ido para a esquina. O cão ao ver o portão aberto se precipitou para a rua, ficou remexendo uma lata de lixo. Pedro Bala e João Grande pularam o muro, cerraram o portão para que o cachorro não pudesse entrar, se adiantaram entre as árvores. Na janela iluminada da casa o vulto da mulher continuava a andar. João Grande disse baixinho:
– Tenho pena dela.
Jorge Amado, Capitães da Areia.No caso do texto citado, a substituição, por sinonímia, de vocábulos como “cordel” e “cordão”, “cão” e “cachorro” é um recurso utilizado com a função de evitar repetições, ao mesmo tempo que preserva a
Hackers podem ver tudo o que você digita em teclados sem fio
Especialistas em segurança digital conseguiram roubar o sinal e conferir todas as informações que internauta digitou ao fazer uma reserva on-line em um hotel.
Não adianta encobrir os dedos ou se fechar em um escritório. Se você estiver usando um teclado sem fio e um hacker estiver por perto, a 75 metros de distância, ele poderá ter acesso a tudo o que você digita – inclusive a senha e os dados da sua conta bancária.
Foi o que pesquisadores especializados em segurança digital fizeram ao testar oito marcas de teclados sem fio, entre elas HP e Toshiba. Com um transponder de rádio e uma antena para aumentar o alcance, eles conseguiram interceptar o sinal enviado do teclado para o computador.
E registraram todas as informações que outro colega digitou ao fazer uma reserva on-line em um hotel: número do cartão de crédito, nome do titular e endereço de correspondência.
Carol Castro Disponível em: super.abril.com.br/tecnologia/hackers. Acesso em: jul. 2016.Nesse texto jornalístico, a modalidade de redação que predomina é a
Na frase “Eu, sempre que saio, eles me procuram para trabalhar.”, é possível identificar
Jovem que passou em 1°lugar na USP diz que a “meritocracia é uma falácia”
Jovem negra e pobre que passou em 1º lugar no curso mais concorrido da Fuvest discorda de comentários que se referem a ela como exemplo de meritocracia. A mensagem que publicou nas redes sociais após ser aprovada é simbólica: “A casa grande surta quando a senzala vira médica.”.
Bruna Sena, 17 anos, negra, pobre, estudante de escola pública e filha de caixa de supermercado foi aprovada em 1° lugar no curso de Medicina da USP de Ribeirão Preto, o mais concorrido da Fuvest.
Bruna diz que a bolsa que conseguiu em um cursinho pré-vestibular tocado por estudantes da própria USP foi fundamental para ingressar na universidade.
De maneira tímida, consta nas reportagens desses veículos que Bruna é engajada na defesa de causas sociais como o feminismo, o movimento negro e a liberdade de gênero, e que ela “se orgulha do cabelo crespo e de sua origem”.
Bruna diz que tem sua mãe como principal inspiração e critica a falácia da meritocracia. “A meritocracia é uma falácia. Eu consegui porque tive ajuda. Não dá para igualar as pessoas que não tiveram as mesmas oportunidades. Eu me esforcei muito, sim, mas não consegui só por causa disso, eu tive apoio. E é isso que a gente tem que dar para quem não tem oportunidade. A gente perde muitos gênios por aí, inclusive nas favelas, porque não podem estudar”.
Disponível em: http://www.pragmatismopolitico.com.br/2017/02/jovem-negra-e-pobre-que-passou-em-1o-lugar-no-cursomais-cobicado-do-brasil.html. Acesso em: mar. 2017.Meritocracia. 1. [Sociologia] Forma de liderança que se baseia no mérito, nas capacidades e nas realizações alcançadas, em detrimento da posição social. Considerando os princípios expostos, o texto nos permite uma reflexão sobre
Texto para aquestão.
Destruição criativa
O desemprego na zona do euro bateu nos 10,8%, a pior taxa desde 1997, chegando a extremos como 50% em grupos específicos como entre os jovens gregos e espanhóis. A resposta dos países tem sido desregulamentar o mercado de trabalho, na esperança de que, ao facilitar as demissões, empresas possam voltar a crescer. Os sindicatos e a população, é óbvio, não gostam e ameaçam com greves, protestos e votos na oposição.
Se a iniciativa vai ou não dar certo, eu não sei dizer. O que dá para afirmar é que historicamente a geração de riqueza sempre esteve associada à destruição de empregos.
Um exemplo eloquente é o do trabalho no campo nos EUA. Em 1800, era preciso manter 95 de cada 100 norte-americanos em fazendas para alimentar o país. Em 1900, eram 40. Hoje, são apenas três. Esse enorme contingente que perdeu seu emprego na lavoura foi para as cidades, onde se dedica a outras atividades, muito mais especializadas e produtivas, e engrossa as fileiras do mercado consumidor, cuja existência faz com que valha a pena desenvolver invenções e novos produtos. Para economistas como Julian Simon, o que gera a riqueza, em última análise, são ideias. A imaginação humana é o recurso final.
A insistência na manutenção de empregos, tão comum entre trabalhadores, sindicalistas e políticos, pode tornar-se, paradoxalmente, uma força reacionária, que freia ganhos de produtividade. Isso fica claro na sobrevivência de profissões-fósseis, como ascensoristas, frentistas e cobradores de ônibus, que só existem por um misto de saudosismo com regulamentações arcaizantes.
Mais lógica é a posição de países escandinavos que, sob a rubrica “flexicurity”, são flexíveis na dispensa do trabalhador, mas investem muito em treinamento e num bom seguro-desemprego. A demissão não fica menos traumática, mas o sistema ao menos tem coerência interna.
Hélio Schwartsman, Folha de S. Paulo. Editorial, 07.04.2012.
De acordo com o texto, é correto inferir que
De acordo com a norma culta da língua portuguesa, assinale a opção correta.
Conforme as regras da nova ortografia, assinale a opção que apresenta a palavra com a grafia incorreta.
Éramos onze passageiros, um homem doido, acompanhado pela mulher, dois rapazes que iam a passeio, quatro comerciantes e dois criados. Meu pai recomendou-me a todos, começando pelo capitão do navio, que aliás tinha muito que cuidar de si, porque, além do mais, levava a mulher tísica em último grau. Não sei se o capitão suspeitou de meu fúnebre projeto, ou se meu pai o pôs de sobreaviso; sei que não me tirava os olhos de cima; chamava-me para toda a parte. Quando não podia estar comigo, levava-me para a mulher. A mulher ia quase sempre numa camilha rasa, a tossir muito, e a afiançar que me havia de mostrar os arredores de Lisboa. Não estava magra, estava transparente; era impossível que não morresse de uma hora para outra. O capitão fingia não crer na morte próxima, talvez por enganar-se a si mesmo. Eu não sabia nem pensava nada. Que me importava a mim o destino de uma mulher tísica, no meio do oceano?
Machado se Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas.
Com base na amostra citada, podemos afirmar que esse romance
Todas as frases a seguir têm o verbo no presente do indicativo.
1. Regina come lasanha agora.
2. Amanhã eu assino o requerimento.
3. A temperatura do corpo humano é de 26 graus.
4. Em 1945, a paz reina no mundo, com o fim da Segunda Guerra Mundial.
Assinale a opção que apresenta a referência temporal (o tempo semântico) corretamente.