O desenvolvimento urbano orientado pelo transporte de massa
A relação direta entre desenvolvimento e transporte sempre existiu. No início do século 20, o agrupamento de atividades voltadas ao comércio e serviços no entorno de polos de transporte fez parte de um modelo de cidade. Ao final do século, o automóvel tornou-se um dos principais meios de transporte em áreas urbanas, e a acessibilidade para veículos tornou-se foco nos modelos de planejamento, perdendo força, portanto, os princípios básicos do crescimento orientado pelo transporte de massa e pelos movimentos por ele gerados.
Contudo, nos últimos anos tem ficado mais clara a tendência de reversão desse quadro, de tal forma que sejam estimuladas as redes de transporte de massa e ciclovias, em detrimento do automóvel, criando-se, assim, a abertura necessária para a evolução dos mecanismos de melhoria dos efeitos do trânsito de passagem, no sentido de impulsionar o desenvolvimento econômico de determinada região.
Para a implantação desse conceito, alguns princípios podem e devem ser lembrados. O primeiro deles, sem dúvida, é planejar a instalação das estações de transporte de massa e seu entorno considerando as atividades de comércio e serviços, preferencialmente de forma integrada, tirando o máximo de proveito do volume de pessoas que transitam diariamente na região de intervenção. Importante, também, misturar as atividades nesses centros, a fim de atender às necessidades diárias das pessoas e dar-lhes a oportunidade de resolverem questões do dia a dia quando em trânsito. Nesse particular, instrumentos que permitam a adoção de regras adequadas de uso e ocupação do solo a esse modelo são de extremo valor. [...].
Folha de S. Paulo, 01.09.2014.Sobre o texto, é correto afirmar:
Todo o falante reconhece, mais ou menos empiricamente, que sempre que codifica ou interpreta uma frase da sua língua faz uso de determinados conhecimentos que lhe são facultados pela situação em que a frase é usada, pois tem como dado adquirido que a comunicação linguística não existe fora de um contexto particular, motivado pela interação social.
(GOUVEIA, C.A., 1996, p. 383).Sobre o texto, é correto afirmar que
Sabendo-se do uso correto da crase, assinale a opção em que seu uso é facultativo.
Texto para aquestão.
Mãos dadas
Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
[...]
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.
Carlos Drummond de Andrade, Sentimento do mundo.
Observa-se, no poema, a predominância de um recurso linguístico conhecido por
Os cachorros podem refletir ansiedade e sentimentos negativos que percebem – e também agir positivamente para ajudar os donos a lidar com o estresse.
Uma equipe de pesquisadores austríacos forneceu evidências científicas para o que muita gente já imaginava: cães desenvolvem personalidades muito parecidas à do seu dono. Um estudo divulgado no periódico PLOS ONE revelou que cachorros conseguem refletir algumas emoções dos humanos, como ansiedade e negatividade. Além disso, quando são mais amigáveis e relaxados, esses animais de estimação podem passar tais características aos donos e ajudá-los a lidar com o estresse.
“Nossos resultados comprovam aquilo que vivemos na prática: cães e seus donos são pares sociais e influenciam um ao outro na maneira como lidam com o estresse”, conta Iris Schoberl, líder do estudo e pesquisadora da Universidade de Viena, Áustria, à BBC. Segundo ela, as evidências encontradas mostram que os cachorros podem coletar informações sobre o estado emocional das pessoas e ajudar seu comportamento de acordo com ele.
Disponível em: http://veja.abril.com.br/ciencia/caes-imitam-a-personalidade-dos-donos-revela-pesquisa/. Acesso em: mar. 2017.O texto, que nos informa sobre uma pesquisa com cachorros, tem como objetivo principal
A família estava reunida em torno do fogo, Fabiano sentado no pilão caído, sinha Vitória de pernas cruzadas, as coxas servindo de travesseiros aos filhos. A cachorra Baleia, com o traseiro no chão e o resto do corpo levantado, olhava as brasas que se cobriam de cinza. Estava um frio medonho, as goteiras pingavam lá fora, o vento sacudia os ramos das catingueiras, e o barulho do rio era como um trovão distante.
Graciliano Ramos, Vidas secas.O texto é substantivado, contando com poucos adjetivos, o que se estende por toda a narrativa. A utilização desse recurso linguístico pelo autor se justifica porque
Jovem que passou em 1°lugar na USP diz que a “meritocracia é uma falácia”
Jovem negra e pobre que passou em 1º lugar no curso mais concorrido da Fuvest discorda de comentários que se referem a ela como exemplo de meritocracia. A mensagem que publicou nas redes sociais após ser aprovada é simbólica: “A casa grande surta quando a senzala vira médica.”.
Bruna Sena, 17 anos, negra, pobre, estudante de escola pública e filha de caixa de supermercado foi aprovada em 1° lugar no curso de Medicina da USP de Ribeirão Preto, o mais concorrido da Fuvest.
Bruna diz que a bolsa que conseguiu em um cursinho pré-vestibular tocado por estudantes da própria USP foi fundamental para ingressar na universidade.
De maneira tímida, consta nas reportagens desses veículos que Bruna é engajada na defesa de causas sociais como o feminismo, o movimento negro e a liberdade de gênero, e que ela “se orgulha do cabelo crespo e de sua origem”.
Bruna diz que tem sua mãe como principal inspiração e critica a falácia da meritocracia. “A meritocracia é uma falácia. Eu consegui porque tive ajuda. Não dá para igualar as pessoas que não tiveram as mesmas oportunidades. Eu me esforcei muito, sim, mas não consegui só por causa disso, eu tive apoio. E é isso que a gente tem que dar para quem não tem oportunidade. A gente perde muitos gênios por aí, inclusive nas favelas, porque não podem estudar”.
Disponível em: http://www.pragmatismopolitico.com.br/2017/02/jovem-negra-e-pobre-que-passou-em-1o-lugar-no-cursomais-cobicado-do-brasil.html. Acesso em: mar. 2017.O sentido da frase dita por Bruna sobre a meritocracia ser uma falácia é que
Vila Olímpica! Gambiarra 2016!
E todo atleta ao chegar à Vila Olímpica ganha um kit adicional.
Kit para atletas: alicate, chave inglesa, fita isolante e fita veda-rosca! Veda-rosca é fundamental!
Rarará!
E adorei a charge do Alecrim com o segurança da Vila Olímpica recepcionando um cidadão: “Qual a delegação?”. “Hidráulica do Catete.” “Modalidade?” “Gambiarra.” Gambiarra olímpica!
Rarará!...
José Simão Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/josesimao/2016/07/1796005-vila-olimpica-gambiarra-2016.shtml. Acesso em: jul. 2016.O humor usado no texto é característico do autor. Esse tipo de texto geralmente tem a intenção de
De cento e tantos, a numeração dos cômodos elevou-se a mais de quatrocentos; e tudo caiadinho e pintado de fresco; paredes brancas, portas verdes e goteiras encarnadas. Poucos lugares havia desocupados. Alguns moradores puseram plantas à porta e à janela, em meias tinas serradas ou em vasos de barro.
Aluísio Azevedo, O cortiço.No trecho “Poucos lugares havia desocupados.”, a flexão do verbo haver está
Texto para aquestão.
Destruição criativa
O desemprego na zona do euro bateu nos 10,8%, a pior taxa desde 1997, chegando a extremos como 50% em grupos específicos como entre os jovens gregos e espanhóis. A resposta dos países tem sido desregulamentar o mercado de trabalho, na esperança de que, ao facilitar as demissões, empresas possam voltar a crescer. Os sindicatos e a população, é óbvio, não gostam e ameaçam com greves, protestos e votos na oposição.
Se a iniciativa vai ou não dar certo, eu não sei dizer. O que dá para afirmar é que historicamente a geração de riqueza sempre esteve associada à destruição de empregos.
Um exemplo eloquente é o do trabalho no campo nos EUA. Em 1800, era preciso manter 95 de cada 100 norte-americanos em fazendas para alimentar o país. Em 1900, eram 40. Hoje, são apenas três. Esse enorme contingente que perdeu seu emprego na lavoura foi para as cidades, onde se dedica a outras atividades, muito mais especializadas e produtivas, e engrossa as fileiras do mercado consumidor, cuja existência faz com que valha a pena desenvolver invenções e novos produtos. Para economistas como Julian Simon, o que gera a riqueza, em última análise, são ideias. A imaginação humana é o recurso final.
A insistência na manutenção de empregos, tão comum entre trabalhadores, sindicalistas e políticos, pode tornar-se, paradoxalmente, uma força reacionária, que freia ganhos de produtividade. Isso fica claro na sobrevivência de profissões-fósseis, como ascensoristas, frentistas e cobradores de ônibus, que só existem por um misto de saudosismo com regulamentações arcaizantes.
Mais lógica é a posição de países escandinavos que, sob a rubrica “flexicurity”, são flexíveis na dispensa do trabalhador, mas investem muito em treinamento e num bom seguro-desemprego. A demissão não fica menos traumática, mas o sistema ao menos tem coerência interna.
Hélio Schwartsman, Folha de S. Paulo. Editorial, 07.04.2012.
No texto, o termo “profissões-fósseis” é