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TEXTO:

O que faz O cortiço especial, do ponto de vista
econômico, é justamente a demonstração daquilo que
Marx chamou de “lenda” e de “pecado original” do
capitalismo: ao descrever o surgimento de capitalistas
[5] e de um proletariado explorado, o romance acaba
revelando uma sucessão de “crimes” que Romão e, por
extensão, o agente capitalista cometem, bem como a
relação entre acumulação e extração de riquezas da
natureza. Os suores de Romão e Bertoleza estão
[10] presentes nos primeiros estágios de acumulação.
Bertoleza continuará “suando” até o fim do romance, ao
passo que Romão se livrara, progressivamente, do
trabalho braçal. Não é o suor, portanto, conta-nos Aluísio,
que faz o capitalista, mas os crimes que a riqueza
[15] permitirá, por meio da ideologia, esconder.
É esse o processo que cria o capitalista Romão e,
por consequência, seus assalariados. Romão não tem
escravos, e não os compra com o que acumula — assim,
mostra-se sensível ao futuro da sociedade brasileira, não
[20] se amarrando a sinais de status do passado que não
tivessem futuro. Quanto a Bertoleza, desde o começo,
sabemos da grande fraude que significou sua alforria;
ela, porém, a ignora. Para o leitor, é a prova viva do
“pecado original” de Romão, que não precisa aparecer
[25] muito ao longo do romance para que essa tensão
permaneça.

SEREZA, Haroldo Ceravolo. O Cortiço, romance econômico. p. 190-191. Disponível em: http://novosestudos.uol.com.br//v1/files/ uploads/contents/content_1560/file_1560.pdf. Acesso em: 10 mar. 2015.

Embora o texto apresente uma linguagem predominantemente denotativa, há um exemplo de metonímia em

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Leia o texto de John Gray para responder à questão.

Atualmente, a maior parte das pessoas pensa que pertence a uma espécie que pode ser senhora de seu destino. Isso é fé, não ciência. Não falamos de um tempo em que as baleias ou os gorilas serão senhores de seus destinos. Por que então os humanos?

Não precisamos de Darwin para perceber que nos parecemos com os outros animais. Basta observar um pouco nossas vidas para sermos levados à mesma conclusão. No entanto, como a ciência tem hoje uma autoridade com a qual a experiência comum não pode rivalizar, observemos o ensinamento de Darwin de que as espécies são apenas aglomerados de genes interagindo aleatoriamente uns com os outros e com seus ambientes em permanente mudança. Espécies não podem controlar seus destinos. Isso se aplica igualmente aos humanos. No entanto, é esquecido sempre que as pessoas falam sobre “o progresso da humanidade”. Elas depositaram sua fé numa abstração que ninguém pensaria em levar a sério se não fosse formada por restos de esperanças cristãs descartadas.

Se a descoberta de Darwin tivesse sido feita numa cultura taoísta ou xintoísta, hinduísta ou animista, muito provavelmente teria se tornado apenas um fio a mais no entrelaçado de suas mitologias. Nessas crenças, os humanos e os outros animais são afins.

Humanismo pode significar muitas coisas, mas para nós significa crença no progresso. Acreditar no progresso é acreditar que, usando os novos poderes que nos são propiciados pelo crescente conhecimento científico, os humanos podem se libertar dos limites que constrangem a vida de outros animais. Essa é a esperança de praticamente todo mundo hoje em dia, mas não tem fundamento. Pois, embora o conhecimento humano muito provavelmente continue a crescer e com ele o poder humano, o animal humano permanecerá o mesmo: uma espécie altamente inventiva que também é uma das mais predadoras e destrutivas.

Darwin mostrou que os humanos são como os outros animais, e os humanistas afirmam que não.

(Cachorros de palha, 2006. Adaptado.)

Em “Acreditar no progresso é acreditar que, usando os novos poderes que nos são propiciados pelo crescente conhecimento científico, os humanos podem se libertar dos limites que constrangem a vida de outros animais.” (4° parágrafo), o termo destacado pode ser substituído, sem prejuízo de sentido para o texto, por

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A língua sem erros

Nossa tradição escolar sempre desprezou a língua viva, falada no dia a dia, como se fosse toda errada, uma forma corrompida de falar “a língua de Camões”. Havia (e há) a crença forte de que é missão da escola “consertar” a língua dos alunos, principalmente dos que frequentam a escola pública. Com isso, abriu-se um abismo profundo entre a língua (e a cultura) própria dos alunos e a língua (e a cultura) própria da escola, uma instituição comprometida com os valores e as ideologias dominantes. Felizmente, nos últimos 20 e poucos anos, essa postura sofreu muitas críticas e cada vez mais se aceita que é preciso levar em conta o saber prévio dos estudantes, sua língua familiar e sua cultura característica, para, a partir daí, ampliar seu repertório linguístico e cultural.

BAGNO, Marcos. A língua sem erros. Disponível em: http://marcosbagno.files.wordpress.com/2013/08/a-lic281ngua-sem-erros.pdf. Acesso em: 5 nov. 2014.

De acordo com a leitura do texto, a língua ensinada na escola

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Considerando-se a análise dos pressupostos e subentendidos relacionados com os elementos verbais e não verbais desse cartum de Caulos, é correto afirmar que nele está presente um recurso estilístico denominado de

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Já rompe, Nise, a matutina Aurora

O negro manto, com que a noite escura,

Sufocando do Sol a face pura,

Tinha escondido a chama brilhadora.

Que alegre, que suave, que sonora

Aquela fontezinha aqui murmura!

E nestes campos cheios de verdura

Que avultado o prazer tanto melhora!

Só minha alma em fatal melancolia,

Por te não poder ver, Nise adorada,

Não sabe inda que coisa é alegria;

E a suavidade do prazer trocada

Tanto mais aborrece a luz do dia,

Quanto a sombra da noite mais lhe agrada.

(Cláudio Manuel da Costa. Obras, 2002.)

Assinale a alternativa em que o trecho “Já rompe, Nise, a matutina Aurora / O negro manto” (1a estrofe) está reescrito em ordem direta, sem alteração do seu sentido original.

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A tira apresenta um diálogo entre Hagar e seu filho Hamlet, que deixa subentendido o seguinte:

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A relação entre os elementos verbais e não verbais dessa campanha publicitária permite afirmar que

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TEXTO:

A principal crítica da charge está voltada para

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A partir da análise dos elementos verbais e não verbais da tira de Henfil, é correto inferir que

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Leia o texto de Jandira Masur para responder à questão.

Tudo que exige a separação em duas categorias envolve o problema do limite, do divisor de águas. Muitas vezes isso é resolvido através de convenções arbitrariamente estabelecidas. É o caso do limite de 18 anos, que separa o menor do maior de idade. É claro que todo divisor estabelecido através de convenções implica situações bizarras: com um dia a menos de 18 anos não posso assistir a um filme que 24 horas depois já me será permitido.

Outros tipos de situações não necessitam de divisores arbitrários, como é o caso da gravidez. Não se fica um pouco grávida: ou se está ou não se está. Ninguém se pergunta: estarei ficando grávida?

No alcoolismo o limite entre o ser e o não ser alcoólatra não pode ser arbitrariamente definido como no caso da maioridade. Ele, o limite, também não é claro e óbvio como ocorre no caso da gravidez. Logo, a pergunta que as pessoas se fazem, sobre se elas ou outros estão bebendo demais e, portanto, se tornando alcoólatras, é pertinente e não tem uma resposta fácil. A situação é semelhante ao que ocorre quando se observa uma gradação de cores que varia do rosa ao vermelho. Quando, exatamente em que ponto é que o rosa se transforma em vermelho? Distinguir entre o rosa inicial e o vermelho final não nos causa problemas. O difícil é distinguir o momento em que o rosa não é mais rosa. Este é o problema que ocorre quando pensamos se alguém bebe normalmente ou é alcoólatra. Claro que os polos não nos confundem. É fácil dizer que uma pessoa que bebe muito, que perdeu o emprego em função de não poder trabalhar adequadamente por estar sempre embriagado, que tem problemas sérios de relacionamento com seus amigos e/ou familiares que se ressentem da forma pela qual esta pessoa vem bebendo, e que apresenta doenças devidas ao álcool, é um alcoólatra. O problema reside exatamente em definir aqueles que não mostram esses sinais óbvios, ou seja, os que estão em um ponto intermediário entre o rosa e o vermelho.

(O que é alcoolismo, 1991. Adaptado.)

“Ninguém se pergunta: estarei ficando grávida?” (2° parágrafo).

A forma verbal destacada, caracterizada pela terminação “–ndo”, indica uma ação