Leia o texto para responder às questão.
O desenvolvimento do romance brasileiro mostra quanto a nossa literatura tem sido consciente da sua responsabilidade na construção de uma cultura. Os românticos, em especial, se achavam possuídos de um senso de missão, um intuito de exprimir a realidade específica da sociedade brasileira.
Quando se fala na irrealidade ou convencionalismo dos romancistas românticos, é preciso notar que os bons, dentre eles, não foram irreais na descrição da realidade social, mas apenas nas situações narrativas. É digna de reparo a circunstância de não haverem, nos romances regionalistas e urbanos, inventado personagens socialmente inverossímeis, como se poderia esperar devido à influência estrangeira. Mais do que ela, funcionou aqui a fidelidade ao meio observado: e apesar da fascinação exercida por um escritor como Alexandre Dumas (1802-1870), nunca se traçou em nossa literatura um personagem como Monte Cristo, incompatível com as condições ambientes. Estude-se a influência do Romance dum Rapaz Pobre, do francês Octave Feuillet, em Senhora para se apreciar o tato com que José de Alencar manuseava sugestões europeias.
(Antonio Candido. Formação da literatura brasileira, 1971. Adaptado.)Quanto ao sentido, pertencem a campos opostos as palavras “inverossímeis” (2º parágrafo) e
Leia o texto de Bernardo Carvalho para responder à questão.
No audiovisual (sobretudo nas séries de TV), hoje se fala da inteligência dos diálogos ou da engenhosidade da construção dramática, quando antes se elogiava o silêncio ou as conexões incongruentes das obras de cineastas como Antonioni e Godard.
O atual horror ao spoiler tem a ver com um mundo de regras comerciais ou acadêmicas, no qual a obsessão por não revelar finais e desenlaces se justifica como guardiã do entretenimento. Mas onde há tamanho zelo por evitar as revelações fora de hora, a reflexão passa para segundo plano, quando não é simplesmente eliminada.
Não existiria psicanálise se a história de Édipo precisasse preservar seu desenlace. Na verdade, não haveria nem tragédia. Já na Grécia Antiga, a ideia de spoiler era uma contradição. Os espectadores assistiam repetidas vezes a tragédias que eles conheciam de cor.
Para a técnica dramatúrgica, contam as regras e as conexões internas, assim como para o academicismo contam as convenções: elas se aprendem e se ensinam. A reflexão, entretanto, depende de conexões externas. O que o spoiler realmente estraga é uma relação passiva, consumista e não reflexiva com a arte.
É de bom senso a moderação no uso do spoiler, mas o horror com que passamos a encarar tudo que estraga nossa diversão revela muito sobre os consumidores infantilizados que nos tornamos.
(www.folha.uol.com.br, 13.05.2018. Adaptado.)Na opinião do autor, a tendência de evitar o spoiler no audiovisual denota o predomínio
Leia o texto de Bernardo Carvalho para responder à questão.
No audiovisual (sobretudo nas séries de TV), hoje se fala da inteligência dos diálogos ou da engenhosidade da construção dramática, quando antes se elogiava o silêncio ou as conexões incongruentes das obras de cineastas como Antonioni e Godard.
O atual horror ao spoiler tem a ver com um mundo de regras comerciais ou acadêmicas, no qual a obsessão por não revelar finais e desenlaces se justifica como guardiã do entretenimento. Mas onde há tamanho zelo por evitar as revelações fora de hora, a reflexão passa para segundo plano, quando não é simplesmente eliminada.
Não existiria psicanálise se a história de Édipo precisasse preservar seu desenlace. Na verdade, não haveria nem tragédia. Já na Grécia Antiga, a ideia de spoiler era uma contradição. Os espectadores assistiam repetidas vezes a tragédias que eles conheciam de cor.
Para a técnica dramatúrgica, contam as regras e as conexões internas, assim como para o academicismo contam as convenções: elas se aprendem e se ensinam. A reflexão, entretanto, depende de conexões externas. O que o spoiler realmente estraga é uma relação passiva, consumista e não reflexiva com a arte.
É de bom senso a moderação no uso do spoiler, mas o horror com que passamos a encarar tudo que estraga nossa diversão revela muito sobre os consumidores infantilizados que nos tornamos.
(www.folha.uol.com.br, 13.05.2018. Adaptado.)Na frase “Não existiria psicanálise se a história de Édipo precisasse preservar seu desenlace” (3º parágrafo), a oração introduzida pelo conectivo “se” expressa, em relação à anterior, uma
Para responder à questão, leia o texto a seguir.
PESSOAS E NUVENS
1º§ Existe gente que carrega no semblante, nos gestos e nas palavras um jeito de nuvem que chove na roseira de cada um de nós. Molham de afeto a nossa convivência. Parecem trazer sobre a cabeça um regador para banhar os amigos e semelhantes. Incitam o lado bom da vida, a criação, a amizade, o companheirismo. Essas são as pessoas que gosto de encontrar quando ando pelas ruas de nossa e outras cidades. É o tipo que ameniza o calor e nos protege do frio. Inteligentes e interessantes, logo bonitos. Chegam e partem sorrindo. A simples presença contagia e o perfume fica quando se vão.
2º§ Outros carregam tempestade e raios, trovões, reclamações e ódio. Gastam todo o seu tempo para maquinar maldades e desejar que o pior aconteça com os seus desafetos. São minoria, mas têm aptidão para enxergar, no mundo, o lixo e, na humanidade, um exército de adversários e inimigos que devem ser eliminados.
3º§ Seria bom que só existisse gente chuva prazenteira, mas viver em sociedade é complexo e estamos expostos aos chatos e bruxos. São estações inevitáveis, a primavera que traz colheita de frutos e flores e o outono das desesperanças. Confesso que não consigo compreender a razão de alguém somente agir para prejudicar, torcer pela derrota e infelicidade, trabalhar pelo caos. Na cabeça desses eu não entro e nem quero entrar. Tento evitá-los e me proteger de seus projetos de terremotos. Mas é necessário preservar nossas defesas para que não sejamos contaminados.
4º§ Quem reclama já perdeu, dizia o mestre João Saldanha; Quem não se conforma com o sucesso de alguém, e reclama, odeia, xinga e vitupera, perdeu a chance de aproveitar o que a existência tem de bom.
5º§ O mundo não caminha nem nunca caminhou de maneira justa, mas a vida, ah! a vida, é uma aventura deslumbrante que vale a pena ser degustada, em todos os sentidos. Meus olhos se concentram nesse território bendito habitado e irrigado pelos que amo.
(BRANT, Fernando. Casa aberta. Sabará, MG: Ed. Dubolsinho, 2012, p.215-216. Texto adaptado.)Segundo o cronista, “são estações inevitáveis, a primavera que traz colheita de frutos e flores e o outono das desesperanças”.
Tal inevitabilidade se deve ao
Para responder à questão, leia o texto.
TEXTO: NUTRIÇÃO
Consultório de uma nutricionista.
MÉDICA: Fiz uma dieta pra você seguir à risca. É muito importante não fugir disso, pelo menos na primeira semana.
Mulher lê a dieta. Não entende.
MULHER: Não entendi. Pode pão à vontade?
MÉDICA: Pão é ótimo. Não leu no jornal de hoje?
MULHER: Saiu no jornal?
MÉDICA: Deixa eu só ver no G1 se continua fazendo bem. Continua. Pode comer. Quando começar a fazer mal eu te ligo.
Mulher lê a dieta.
MULHER: Tá escrito que eu preciso evitar brócolis?
MÉDICA: A todo custo. Acabei de receber um inbox no Face avisando que o brócolis caiu.
MULHER: Não era anticancerígeno?
MÉDICA: Sim, mas parece que tá dando Alzheimer. Então tem que botar na balança.
MULHER: Mas ovo pode?
MÉDICA: Ovo à vontade.
MULHER: Você acha que isso deve mudar?
MÉDICA: Não. O ovo parece que veio pra ficar (chega um SMS) Ih, não. Caiu. Por causa do colesterol. Não. É colesterol bom. Então pode. Eu tenho um grupo de WhatsApp só pro ovo.
MULHER: Não tem nada que seja definitivo? Tipo a linhaça?
MÉDICA: Linhaça tá superultramegaproibido a partir das duas da tarde.
MULHER: Faz mal comer depois das duas?
MÉDICA: Faz mal comer sempre. É que descobriram isso hoje, às duas.
MULHER: E abacate?
MÉDICA: Abacate mata.
MULHER: Então não.
MÉDICA: ...os germes...
MULHER: Então sim?
MÉDICA: ...responsáveis pela cura do câncer.
MULHER: Então não.
MÉDICA: Mas pela cura do câncer bom.
MULHER: Tem câncer bom?
MÉDICA: Não. Esse que é o problema.
MULHER: Então abacate não?
MÉDICA: Jamais. Não poderia. Deixar de poder. A não ser que venha a poder mesmo.
MULHER: Vou botar que não.
MÉDICA: Melhor.
Quanto à sua classificação, essa crônica possui características do gênero
Para responder à questão, leia a tirinha abaixo.
Pela fala da personagem, é INCORRETO depreender-se que:
Para responder à questão, veja o cartum.
Os trechos dos textos de Drauzio Varella e de Rubem Braga que mais se identificam, total ou parcialmente, com o cartum são:
Para responder à questão, leia o texto.
TEXTO: MANIPULAÇÃO
A manipulação atira para todos os lados. Por exemplo, chega a dizer que tudo dá câncer. Mesmo o cafezinho, por coincidência quando o preço dispara – ou o chá, quando ameaça o café. Às vezes, em vez de catástrofe, exagera o benefício: tudo salva, até o chuchu. Mas faça as contas: você precisa comer uma tonelada por dia – ou comprar aquele remédio que, na maior inocência, a campanha está a divulgar.
Na mesma linha, a manipulação inventa dietas milagrosas, definitivas, infalíveis. Como isso, coma aquilo, como a quilo, como a grama, mas coma agora. Preocupa-se apenas com a fortuna que trará ao patrocinador, jamais com a frustração que atingirá o consumidor. Depois, em consolo, alardeará que ser gordo não é problema, desde que se esteja bem condicionado fisicamente.
(GIFFONI, Luís. Trecho de “Jacaré debaixo da cama”, in O fascínio do nada. Belo Horizonte: Pulsar, 2010, p.53-54.)Os articuladores responsáveis pela coesão textual foram interpretados corretamente, EXCETO:
Para responder à questão, leia o texto a seguir.
PESSOAS E NUVENS
1º§ Existe gente que carrega no semblante, nos gestos e nas palavras um jeito de nuvem que chove na roseira de cada um de nós. Molham de afeto a nossa convivência. Parecem trazer sobre a cabeça um regador para banhar os amigos e semelhantes. Incitam o lado bom da vida, a criação, a amizade, o companheirismo. Essas são as pessoas que gosto de encontrar quando ando pelas ruas de nossa e outras cidades. É o tipo que ameniza o calor e nos protege do frio. Inteligentes e interessantes, logo bonitos. Chegam e partem sorrindo. A simples presença contagia e o perfume fica quando se vão.
2º§ Outros carregam tempestade e raios, trovões, reclamações e ódio. Gastam todo o seu tempo para maquinar maldades e desejar que o pior aconteça com os seus desafetos. São minoria, mas têm aptidão para enxergar, no mundo, o lixo e, na humanidade, um exército de adversários e inimigos que devem ser eliminados.
3º§ Seria bom que só existisse gente chuva prazenteira, mas viver em sociedade é complexo e estamos expostos aos chatos e bruxos. São estações inevitáveis, a primavera que traz colheita de frutos e flores e o outono das desesperanças. Confesso que não consigo compreender a razão de alguém somente agir para prejudicar, torcer pela derrota e infelicidade, trabalhar pelo caos. Na cabeça desses eu não entro e nem quero entrar. Tento evitá-los e me proteger de seus projetos de terremotos. Mas é necessário preservar nossas defesas para que não sejamos contaminados.
4º§ Quem reclama já perdeu, dizia o mestre João Saldanha; Quem não se conforma com o sucesso de alguém, e reclama, odeia, xinga e vitupera, perdeu a chance de aproveitar o que a existência tem de bom.
5º§ O mundo não caminha nem nunca caminhou de maneira justa, mas a vida, ah! a vida, é uma aventura deslumbrante que vale a pena ser degustada, em todos os sentidos. Meus olhos se concentram nesse território bendito habitado e irrigado pelos que amo.
(BRANT, Fernando. Casa aberta. Sabará, MG: Ed. Dubolsinho, 2012, p.215-216. Texto adaptado.)O vocabulário foi explicado INCORRETAMENTE em:
Para responder à questão, leia o texto abaixo.
AS BELAS E AS FERAS
“A Bela e a Fera”, de Bill Condon, é ótimo para crianças, mas, pelo que eu vi, seu grande sucesso é com os jovens casais de namorados. É o sonho de um amor que teria o poder de redimir, de transformar o outro e de torná-lo mais amável – essa transformação sendo, aliás, uma justa recompensa para quem aguentou amar o monstro.
Em suma, como cantavam os Beatles, o amor é tudo de que precisamos, mas, atenção: não é por isso que, no amor e pelo amor, seja garantido que a gente consiga transformar o outro. Recomendase, aliás, NÃO se engajar numa relação com a ideia de que, graças ao nosso amor, o outro será transformado ou mesmo, mais modestamente, que seus defeitos se amenizarão.
Ao contrário, regra quase absoluta: se e quando o amor parece ter transformado seu ente querido (do jeito que você esperava), prepare-se para assistir à volta inexorável de quem o outro sempre foi e, de fato, nunca deixou de ser.
A sensação frequente, que mencionei antes, de que casamos com príncipes e acordamos na cama com feras, tem sua origem justamente neste fenômeno: o amor nos vende a ilusão de que, graças a ele, as feras se tornam príncipes, mas, de fato, só há príncipes temporários.
Diante dessa regra, o que fazer? A saída consiste em amar o outro como ele/ela é – ou seja, amar a fera por ela mesma. Essa é a melhor parte da história de “Bela e a Fera”: para conseguir um príncipe, é preciso amar uma fera. Acredito que o amor se torna mesmo possível justamente quando ambos os amantes descobriram e sabem que o outro não é um príncipe, mas uma fera.
No filme de Condon, uma frase de Bela deixa pensar que, para ela, talvez a fera fosse mais interessante do que o príncipe. Mas, justamente, o amor só tem uma chance de funcionar sem idealização, ou seja, quando os amantes acabam gostando do que há de pior no outro.
(Contardo Calligaris. http://www1.folha.uol.com.br/colunas/contardocalligaris/2017/03/1868737-as-belas-e-as-feras.shtml Acessado em: 24/03/2017. Texto adaptado.)O texto de Contardo Calligaris aproxima-se do gênero ensaístico por valorizar