Para responder à questão, leia o poema “Gesso”, de Manuel Bandeira.
Esta minha estatuazinha de gesso, quando nova
- O gesso muito branco, as linhas muito puras –
Mal sugeria imagem da vida
(Embora a figura chorasse).
Há muitos anos tenho-a comigo.
O tempo envelheceu-a, carcomeu-a, manchou-a de
[pátina amarelo-suja.
Os meus olhos, de tanto a olharem,
Impregnaram-na de minha humanidade irônica de tísico.
Um dia mão estúpida
Inadvertidamente a derrubou e partiu.
Então ajoelhei com raiva, recolhi aqueles tristes fragmentos,
[recompus a figurinha que chorava.
E o tempo sobre as feridas escureceu ainda mais o sujo
[mordente da pátina...
Hoje este gessozinho comercial
É tocante e vive, e me fez agora refletir
Que só é verdadeiramente vivo o que já sofreu.
A posposição do adjetivo se verifica em:
Para responder à questão, leia o soneto de J.G. de Araujo Jorge a seguir.
Texto
A Enfermeira
No seu branco uniforme, ei-la que passa... É a imagem
do amor, do sacrifício... e é toda abnegação!
Eu a chamo: Nossa Senhora da Coragem,
de leito em leito, sempre, em peregrinação...
Vigia do sofrer... Chega, e à sua passagem
a dor é menos dor, e é menor a aflição...
Sobre a fronte febril seu gesto é como a aragem,
sua presença é luz e sombra, é proteção...
Misto de anjo e mulher, de santa e de heroína,
não sei de profissão que em si tanto resuma
na glória de se dar nesse árduo e puro afã...
É a síntese completa da alma feminina,
pois traz no coração um pouco de cada uma:
- a amiga, a companheira, a mãe, a esposa, a irmã!
A observação gramatical foi feita CORRETAMENTE em:
Leia a charge a seguir.
A mudança da letra da canção, feita pelo mosquito, evidencia
Para responder à questão, leia o texto.
TEXTO: NUTRIÇÃO
Consultório de uma nutricionista.
MÉDICA: Fiz uma dieta pra você seguir à risca. É muito importante não fugir disso, pelo menos na primeira semana.
Mulher lê a dieta. Não entende.
MULHER: Não entendi. Pode pão à vontade?
MÉDICA: Pão é ótimo. Não leu no jornal de hoje?
MULHER: Saiu no jornal?
MÉDICA: Deixa eu só ver no G1 se continua fazendo bem. Continua. Pode comer. Quando começar a fazer mal eu te ligo.
Mulher lê a dieta.
MULHER: Tá escrito que eu preciso evitar brócolis?
MÉDICA: A todo custo. Acabei de receber um inbox no Face avisando que o brócolis caiu.
MULHER: Não era anticancerígeno?
MÉDICA: Sim, mas parece que tá dando Alzheimer. Então tem que botar na balança.
MULHER: Mas ovo pode?
MÉDICA: Ovo à vontade.
MULHER: Você acha que isso deve mudar?
MÉDICA: Não. O ovo parece que veio pra ficar (chega um SMS) Ih, não. Caiu. Por causa do colesterol. Não. É colesterol bom. Então pode. Eu tenho um grupo de WhatsApp só pro ovo.
MULHER: Não tem nada que seja definitivo? Tipo a linhaça?
MÉDICA: Linhaça tá superultramegaproibido a partir das duas da tarde.
MULHER: Faz mal comer depois das duas?
MÉDICA: Faz mal comer sempre. É que descobriram isso hoje, às duas.
MULHER: E abacate?
MÉDICA: Abacate mata.
MULHER: Então não.
MÉDICA: ...os germes...
MULHER: Então sim?
MÉDICA: ...responsáveis pela cura do câncer.
MULHER: Então não.
MÉDICA: Mas pela cura do câncer bom.
MULHER: Tem câncer bom?
MÉDICA: Não. Esse que é o problema.
MULHER: Então abacate não?
MÉDICA: Jamais. Não poderia. Deixar de poder. A não ser que venha a poder mesmo.
MULHER: Vou botar que não.
MÉDICA: Melhor.
A justificativa do emprego da crase está CORRETA em:
Para responder à questão, veja o cartum.
A interpretação mais razoável do cartum é:
Para responder à questão, leia o texto a seguir.
ENTRE CRENÇAS E EVIDÊNCIAS
Entre as crenças e as evidências, parte significativa dos humanos fica com as primeiras. Exemplos disso é o que não falta.
Como já demonstraram várias grandes metanálises, a homeopatia não funciona melhor do que placebos e ainda pode colocar em risco a vida do paciente, ao atrasar o início de tratamentos efetivos. Não obstante, esse é um mercado que movimenta cerca de US$ 4 bilhões por ano no mundo todo e tende a crescer. A esperança de que existam remédios que não fazem mal e não estão sob controle dos malvados laboratórios supera as evidências científicas.
Algo parecido ocorre com as vitaminas. Apesar da farta literatura a mostrar que a suplementação pode ser perigosa para quem não tem deficiências nutricionais, complexos vitamínicos vendem como água, com o aval de médicos, que teriam o dever de estar mais bem informados. A ideia dessas pílulas é oferecer a “vis vitalis” dos alimentos — o segredo para uma vida longa e próspera
Por que esses e outros mitos não vão embora? O homem não aprende com as evidências? A capacidade de aprendizado existe, mas é mais restrita do que se supõe. Somos bons em assimilar as coisas quando os efeitos negativos se sucedem imediatamente às ações. Não precisamos de mais do que uma experiência negativa para aprender que não devemos pôr a mão no fogo. Mas, quando o intervalo de tempo entre a causa e a materialização do efeito é de anos ou depende de sutis interpretações estatísticas, ficamos desamparados.
Para formar crenças mais abstratas, fiamo-nos no que nos é contado, mas como uma irresistível tendência a abraçar as teses que mais nos agradam, ainda que não casem muito bem com as evidências disponíveis.
É o que explica o fato de a maior parte da humanidade ainda acreditar que o mundo foi criado e é gerido por algum tipo de papai do céu, mesmo sendo poucas as evidências a corroborar essa hipótese.
(Hélio Schwarsman, Folha de São Paulo, Caderno Opinião. 31/12/2016, p.2.)A ideia de possibilidade NÃO está presente em:
Para responder à questão, leia o texto.
TEXTO: NUTRIÇÃO
Consultório de uma nutricionista.
MÉDICA: Fiz uma dieta pra você seguir à risca. É muito importante não fugir disso, pelo menos na primeira semana.
Mulher lê a dieta. Não entende.
MULHER: Não entendi. Pode pão à vontade?
MÉDICA: Pão é ótimo. Não leu no jornal de hoje?
MULHER: Saiu no jornal?
MÉDICA: Deixa eu só ver no G1 se continua fazendo bem. Continua. Pode comer. Quando começar a fazer mal eu te ligo.
Mulher lê a dieta.
MULHER: Tá escrito que eu preciso evitar brócolis?
MÉDICA: A todo custo. Acabei de receber um inbox no Face avisando que o brócolis caiu.
MULHER: Não era anticancerígeno?
MÉDICA: Sim, mas parece que tá dando Alzheimer. Então tem que botar na balança.
MULHER: Mas ovo pode?
MÉDICA: Ovo à vontade.
MULHER: Você acha que isso deve mudar?
MÉDICA: Não. O ovo parece que veio pra ficar (chega um SMS) Ih, não. Caiu. Por causa do colesterol. Não. É colesterol bom. Então pode. Eu tenho um grupo de WhatsApp só pro ovo.
MULHER: Não tem nada que seja definitivo? Tipo a linhaça?
MÉDICA: Linhaça tá superultramegaproibido a partir das duas da tarde.
MULHER: Faz mal comer depois das duas?
MÉDICA: Faz mal comer sempre. É que descobriram isso hoje, às duas.
MULHER: E abacate?
MÉDICA: Abacate mata.
MULHER: Então não.
MÉDICA: ...os germes...
MULHER: Então sim?
MÉDICA: ...responsáveis pela cura do câncer.
MULHER: Então não.
MÉDICA: Mas pela cura do câncer bom.
MULHER: Tem câncer bom?
MÉDICA: Não. Esse que é o problema.
MULHER: Então abacate não?
MÉDICA: Jamais. Não poderia. Deixar de poder. A não ser que venha a poder mesmo.
MULHER: Vou botar que não.
MÉDICA: Melhor.
A ideia de condição está presente no trecho:
Para responder à questão, leia o texto a seguir.
PESSOAS E NUVENS
1º§ Existe gente que carrega no semblante, nos gestos e nas palavras um jeito de nuvem que chove na roseira de cada um de nós. Molham de afeto a nossa convivência. Parecem trazer sobre a cabeça um regador para banhar os amigos e semelhantes. Incitam o lado bom da vida, a criação, a amizade, o companheirismo. Essas são as pessoas que gosto de encontrar quando ando pelas ruas de nossa e outras cidades. É o tipo que ameniza o calor e nos protege do frio. Inteligentes e interessantes, logo bonitos. Chegam e partem sorrindo. A simples presença contagia e o perfume fica quando se vão.
2º§ Outros carregam tempestade e raios, trovões, reclamações e ódio. Gastam todo o seu tempo para maquinar maldades e desejar que o pior aconteça com os seus desafetos. São minoria, mas têm aptidão para enxergar, no mundo, o lixo e, na humanidade, um exército de adversários e inimigos que devem ser eliminados.
3º§ Seria bom que só existisse gente chuva prazenteira, mas viver em sociedade é complexo e estamos expostos aos chatos e bruxos. São estações inevitáveis, a primavera que traz colheita de frutos e flores e o outono das desesperanças. Confesso que não consigo compreender a razão de alguém somente agir para prejudicar, torcer pela derrota e infelicidade, trabalhar pelo caos. Na cabeça desses eu não entro e nem quero entrar. Tento evitá-los e me proteger de seus projetos de terremotos. Mas é necessário preservar nossas defesas para que não sejamos contaminados.
4º§ Quem reclama já perdeu, dizia o mestre João Saldanha; Quem não se conforma com o sucesso de alguém, e reclama, odeia, xinga e vitupera, perdeu a chance de aproveitar o que a existência tem de bom.
5º§ O mundo não caminha nem nunca caminhou de maneira justa, mas a vida, ah! a vida, é uma aventura deslumbrante que vale a pena ser degustada, em todos os sentidos. Meus olhos se concentram nesse território bendito habitado e irrigado pelos que amo.
(BRANT, Fernando. Casa aberta. Sabará, MG: Ed. Dubolsinho, 2012, p.215-216. Texto adaptado.)A frase nominal está presente na alternativa:
Para responder à questão, leia o texto.
TEXTO: MANIPULAÇÃO
A manipulação atira para todos os lados. Por exemplo, chega a dizer que tudo dá câncer. Mesmo o cafezinho, por coincidência quando o preço dispara – ou o chá, quando ameaça o café. Às vezes, em vez de catástrofe, exagera o benefício: tudo salva, até o chuchu. Mas faça as contas: você precisa comer uma tonelada por dia – ou comprar aquele remédio que, na maior inocência, a campanha está a divulgar.
Na mesma linha, a manipulação inventa dietas milagrosas, definitivas, infalíveis. Como isso, coma aquilo, como a quilo, como a grama, mas coma agora. Preocupa-se apenas com a fortuna que trará ao patrocinador, jamais com a frustração que atingirá o consumidor. Depois, em consolo, alardeará que ser gordo não é problema, desde que se esteja bem condicionado fisicamente.
(GIFFONI, Luís. Trecho de “Jacaré debaixo da cama”, in O fascínio do nada. Belo Horizonte: Pulsar, 2010, p.53-54.)A exemplificação dos procedimentos explorados no texto foi feita INCORRETAMENTE em:
Leia a charge abaixo.
A atitude da bola e a palavra enunciada pelo pino de boliche estabelecem, respectivamente, relação de: