Cerca de 90% da população vivia no campo, mas o mundo romano era centralizado nas cidades. Para os romanos, como para os gregos, não existia civilização sem cidade. Os valores do governo, da política, do direito, da cultura, da religião só se enquadravam no mundo urbano. Nas cidades encontravam-se os templos, os tribunais, os arquivos, as cúrias, os teatros, os circos, as termas e as escolas.
(Maria Luiza Corassin. Sociedade e política na Roma antiga, 2001.)De acordo com o excerto,
A ideia de transformar O alienista de Machado de Assis numa sátira à ditadura de 1964 estava no ar. Havia um paralelo óbvio entre o terror espalhado por Simão Bacamarte – o cientista maluco e sinistro que infelicitava a pacata Itaguahy – e o regime antipopular dos militares, com seus ministros da Fazenda que metiam medo e disciplinavam o país para o capital. Nelson Pereira dos Santos percebeu as possibilidades artísticas da comparação, da qual tirou um filme agoniado e interessante, o Azyllo muito louco. Em espírito parecido, houve tentativas também de adaptação para o teatro, entre as quais a minha. O que todos procurávamos era o respaldo de um clássico nacional acima de qualquer suspeita, além de remoto no tempo, que deixasse desarmada a censura e possibilitasse a crítica ao Estado policial.
O paralelo funcionava como uma via de duas mãos e tinha efeitos retroativos. Não era só o velho Machado que emprestava personagens e situações para falar da repressão em nosso presente. O caminho inverso também valia, sugerindo uma leitura menos convencional do mestre e, por meio dele, do passado brasileiro. O festival de desfaçatez armado por nossas elites logo em seguida ao golpe, com sua salada de modernização, truculência e provincianismo, ensinava a reconhecer aspectos até então recalcados da ironia machadiana. Esta aparecia a uma luz nova, muito mais ferina e política, de incrível atualidade. Noutras palavras, as revelações sociais trazidas pelo golpe de 64 desempoeiravam o maior de nossos clássicos.
(“A lata de lixo da história”, Revista Piauí, agosto de 2014.)De acordo com o autor,
Plano de saúde é o 3.º desejo, diz pesquisa
Ter um plano de saúde é o terceiro maior desejo dos brasileiros, depois da casa própria e da educação, segundo pesquisa realizada pelo Datafolha, a pedido do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS).
A qualidade do atendimento foi apontada como a principal razão para desejar ter um plano de saúde por 47% dos entrevistados. Para 39%, a saúde pública é precária e não se quer depender do SUS. A segurança de ter o plano para se sentir tranquilo em caso de doença foi lembrada por 18%.
Para Luiz Augusto Carneiro, superintendente-executivo do IESS, os resultados indicam crescimento da saúde suplementar no Brasil nos próximos anos.
“Menos de 25% da população brasileira contava com esse benefício no fim do ano passado”, diz.
“Existe o potencial de crescimento, mas a mais médio prazo o que deve ocorrer é o contrário porque infelizmente o aumento de custo é muito alto, de 15% ao ano.” [...]
“O custo é elevado e o produto para quem não o tem ainda é caro. Os planos grandes não conseguem atender, por exemplo, em algumas áreas do país, nos prazos mínimos de agendamento de consultas e exames”, afirma.
“Por isso, a tendência é de os planos se concentrarem nas regiões metropolitanas”, acrescenta. O Datafolha entrevistou 3,32 mil pessoas, entre beneficiários e não beneficiários, em oito regiões metropolitanas. (Folha de S.Paulo, 05.08.2013.)Considere o trecho adaptado do 5º parágrafo do texto. Se os planos de saúde não ________________ um custo tão elevado, ________________ o contrário: o potencial de crescimento desse setor se ________________ a curto prazo. Para se estabelecer a correta relação entre os tempos verbais, as lacunas devem ser preenchidas por:
Leia o poema para responder à questão.
Lamenta um desengano inesperado
Tenta em vão temerária conjectura
Sondar o abismo do invisível Fado,
Que, de umbrosos mistérios enlutado,
Some aos olhos mortais a luz futura:
Presumia (ai de mim!) vendo a ternura
Daquela, que me trouxe enfeitiçado,
Presumia que Amor tinha guardado
Nos braços do meu bem minha ventura:
Oh Terra! Oh Céu! Mentiram-me os brilhantes
Olhos seus, onde achei suave abrigo;
Quão fáceis de enganar são os amantes!
Humanos, que seguis as leis que sigo,
Vós, corações, que ao meu sois semelhantes,
Ah! Comigo aprendei, chorai comigo.
Assinale a alternativa que dá sequência correta ao penúltimo verso do poema, com a substituição de “Vós” por “Vocês”: Vocês, corações, que ao meu são semelhantes,
Desinventando a imprensa
Pesquisa científica divulgada há dias revela que foram os chineses, há 5 500 anos, que domesticaram os gatos — 1 500 anos antes dos egípcios, a quem se creditava essa maravilha. Quando um país está com a bola branca, como a China, não apenas seu presente chama a atenção — até seu passado fica iluminado. E, se alguns ainda se espantam com o ímpeto com que ela ocupa hoje todo tipo de espaço, só me intriga que não tenha acontecido antes.
A história nos ensina que, com sua criatividade, os chineses já mudaram o mundo pelo menos duas vezes. Uma foi quando inventaram a pólvora — de que resultaram o canhão, o mosquete, o arcabuz e muita gente morta. A outra foi quando criaram o papel e, daí a séculos, os tipos móveis, de argila — do que, 400 anos antes de Gutenberg, nasceu a imprensa.
Essas foram as suas grandes contribuições no atacado. No varejo, é aos chineses que devemos o macarrão e, deste, o talharim e o espaguete. Eles nos deram também a seda, a porcelana, a bússola, o sismógrafo, o moinho hidráulico e até a pipa — esta, para pescar sem barco. Sem falar no palito de fósforo, nos fogos de artifício e na tinta — não por acaso, nanquim.
Mas isso foi lá atrás. Da China moderna, vêm os bilhões de cacarecos que assolam o mercado mundial, empesteiam o planeta e levarão séculos para serem digeridos pelo ambiente. E ela vem agora com uma novidade ainda mais revolucionária: a desinvenção da imprensa. Seus jornalistas, se quiserem manter a licença de trabalho, terão de devorar um manual de 700 páginas para fazer uma prova sobre os princípios do marxismo e se submeter a 18 horas de treinamento para se condicionar a não contrariar o Partido.No Brasil, havia gente no governo que queria nos impor essa medida. Mas isso foi antes da Papuda.
(Ruy Castro. Folha de S.Paulo, 23.12.2013. Adaptado.)Assinale a alternativa que contenha afirmação condizente com um ponto de vista expresso pelo autor.
Se queres sentir a felicidade de amar, esquece
[a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus – ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.
Deixa teu corpo entender-se com outro corpo.
Porque os corpos se entendem, mas as almas não.
(Estrela da vida inteira, 1988.)Assinale a alternativa que contém uma análise correta do poema.
Leia o texto para responder à questão.
“Com alguma relutância, eu consigo ser sociável. Às vezes, fico secretamente aliviada quando planos para eventos sociais são cancelados. Fico nervosa depois de algumas horas socializando”.
Características antissociais como essas geralmente estão longe de serem consideradas ideais. Muitas pesquisas mostram os problemas do isolamento social, considerado um problema sério de saúde pública em países com populações que estão envelhecendo rapidamente. No Reino Unido, o Colégio Real de Médicos Gerais diz que a solidão apresenta um risco de morte prematura do mesmo nível que a diabetes. Mas isso se refere a casos severos e involuntários. Para nós que apenas preferimos ter bastante tempo a sós, pesquisas recentes sugerem boas notícias: há benefícios em ser recluso, tanto para nossas vidas profissionais quanto para nosso bem-estar.
Um benefício chave é mais criatividade. Gregory Feist, especialista em psicologia da criatividade na Universidade Estatal da Califórnia, descobriu que traços de personalidade comumente associados à criatividade incluem “falta de preocupação com normas sociais” e “preferência por ficar a sós”. Ainda assim, a linha entre uma solidão útil e um isolamento perigoso pode ser tênue. Se alguém para de se importar com os outros e corta totalmente o contato, isso pode levar a uma negligência patológica de relações sociais. Mas a insociabilidade criativa está muito distante disso. Aliás, diz Feist, “há um perigo real com pessoas que nunca estão sozinhas”. É difícil ser introspectivo, autoconsciente e completamente relaxado a não ser que você tenha uma solidão ocasional. Além disso, os introvertidos tendem a ter amizades com laços mais fortes, o que pode estar ligado a uma felicidade maior.
(Christine Ro. “Os benefícios para a saúde de ser antissocial”. ww.bbc.com, 18.03.2018. Adaptado.)
Assinale a alternativa em que a concordância está de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa.
Para os psicopatas, obrigações e compromissos não significam absolutamente nada. A sua incapacidade de serem responsáveis e confiáveis se estende para todas as áreas de suas vidas. No trabalho apresentam desempenho errático, com faltas frequentes, uso indevido dos recursos da empresa e violação da política da companhia. Nas relações interpessoais não honram compromissos formais ou implícitos com as outras pessoas. Por isso, nunca acredite em acordos escritos ou verbais com eles, pois nunca irão cumpri-los totalmente. Talvez o façam parcialmente no início do acordo somente para impressionar e ganhar confiança de suas ví- timas. Mas uma coisa é certa: mais cedo ou mais tarde eles irão “aprontar”!
Quando a questão é família, o comportamento deles também segue o mesmo padrão de indiferença e irresponsabilidade. Quando constituem famílias (cônjuges e filhos) os psicopatas não o fazem por sentimentos amorosos, mas sim como um instrumento necessário para construir uma boa imagem perante a sociedade.
(Mentes perigosas, 2008.)As palavras “indiferença”, “irresponsabilidade” e “incapacidade” são formadas com um prefixo que nelas imprime um sentido específico. É formada com um prefixo de mesmo sentido:
Leia o trecho do romance O Gaúcho, de José de Alencar, para responder à questão.
Como são melancólicas e solenes, ao pino do sol, as vastas campinas que cingem as margens do Uruguai e seus afluentes!
A savana se desfralda a perder de vista, ondulando pelas sangas e coxilhas que figuram as flutuações das vagas nesse verde oceano. Mais profunda parece aqui a solidão, e mais pavorosa, do que na imensidade dos mares.
É o mesmo ermo, porém selado pela imobilidade, e como que estupefato ante a majestade do firmamento.
Raro corta o espaço, cheio de luz, um pássaro erradio, demandando a sombra, longe na restinga de mato que borda as orlas de algum arroio. A trecho passa o poldro bravio, desgarrado do magote; ei-lo que se vai retouçando alegremente babujar a grama do próximo banhado.
No seio das ondas o nauta sente-se isolado; é o átomo envolto numa dobra do infinito. A âmbula imensa tem só duas faces convexas, o mar e o céu. Mas em ambas a cena é vivaz e palpitante. As ondas se agitam em constante flutuação; têm uma voz, murmuram. No firmamento as nuvens cambiam a cada instante ao sopro do vento; há nelas uma fisionomia, um gesto.
A tela oceânica, sempre majestosa e esplêndida, ressumbra possante vitalidade. O mesmo pego, insondável abismo, exubera de força criadora; miríades de animais o povoam, que surgem à flor d’água.
O pampa ao contrário é o pasmo, o torpor da natureza.
O viandante perdido na imensa planície, fica mais que isolado, fica opresso. Em torno dele faz-se o vácuo: súbita paralisia invade o espaço, que pesa sobre o homem como lívida mortalha.
Lavor de jaspe, embutido na lâmina azul do céu, é a nuvem. O chão semelha a vasta lápida musgosa de extenso pavimento. Por toda a parte a imutabilidade. Nem um bafo para que essa natureza palpite; nem um rumor que simule o balbuciar do deserto.
(O Gaúcho, 1999.)Ao se passar a oração “miríades de animais o povoam” (6° parágrafo) para a voz passiva, sem alteração do sentido original, o verbo assume a forma verbal:
Ao afirmar que “a linha entre uma solidão útil e um isolamento perigoso pode ser tênue” (3o parágrafo), a autora sugere que