Leia o fragmento do romance Quarenta dias, de Maria Valéria Rezende, para responder à questão.
[...]
Minha filha disse O que é isso, mãe? Parece que virou uma velhota sentimental, com esse apego a coisas completamente ultrapassadas. Pronto. Foi o que bastou pra Elizete pegar a deixa e por as mãos na massa, esvaziar gavetas e estantes, separar roupas que Vixe, Alice, só servem mesmo pra brechó, ou nem isso, uma velharia!, há quanto tempo você não renova seu guardaroupa?, arrastar móveis, alugar caminhonetes e levar minhas coisas pra garagem dela, botar cartazes família-vende-tudo, uma estafa só de olhar. A essa altura nem tentei mais resistir, não podia mesmo trazer meus teréns todos, valiam muito menos que o custo do caminhão de mudança por uns cinco mil quilômetros. A última peça a sair de minha casa foi a cadeira de balanço austríaca com a palhinha gasta protegida por uma almofada de ponto de cruz, restos da casa da minha avó, onde eu tinha arriado pra ficar, amuada, assistindo ao rebuliço, à derrocada da minha vida tão boínha, e só pensando que, graças a Deus, não tinha ainda posto em prática a decisão de ter um gato, pobrezinho, o que seria dele naquela situação [...]
REZENDE, Maria Valéria. Quarenta dias. Rio de Janeiro: Objetiva, 2014, p. 1Sobre o texto e tipos de discursos, avalie as afirmações a seguir.
I - Quem fala no texto é uma mulher, em primeira pessoa, que lamenta ser obrigada a deixar seu apartamento, onde havia recordações dos seus antepassados, para se arriscar em outro lugar muito distante.
II - O excerto é construído pelos discursos indireto e direto por meio dos quais o leitor fica sabendo como foi a mudança de Alice para satisfazer a filha e a Elizete.
III - Há trechos escritos em discurso indireto e em discurso indireto livre que revelam as opiniões da mãe Alice; da filha; e de Elizete sobre a saída da narradora do seu apartamento e da região onde ela morava até aquele momento.
IV - O trecho sugere que Alice, a filha e Elizete têm a mesma preocupação com a sustentabilidade ambiental.
V - Quanto à variação linguística, há trechos escritos na variante culta, na variante regional e na variante coloquial da língua portuguesa.
VI - As palavras “última”, “austríaca”, “família”, “móveis” seguem a mesma regra de acentuação do novo acordo ortográfico.
É correto o que se afirma em:
De acordo com o sentido do trecho: “Escolher um rumo na vida não é tão fácil quanto parece, pessoas hesitam e vão levando a vida como ela é, no melhor estilo taoísta”, que concepção existencial a expressão destacada constrói?
O texto a seguir é um poema de Ricardo Reis, um dos heterônimos de Fernando Pessoa. Leia-o para responder à questão.
Quando, Lídia, vier o nosso Outono
Quando, Lídia, vier o nosso Outono
Com o Inverno que há nele, reservemos
Um pensamento, não para a futura
Primavera, que é de outrem,
Nem para o Estio, de quem somos mortos,
Senão para o que fica do que passa —
O amarelo atual que as folhas vivem
E as torna diferentes.
Analise as afirmativas a seguir sobre o poema “Quando, Lídia, vier o nosso Outono”, e classifique-as como Verdadeiras (V) ou Falsas (F).
( ) Quando se fala em nosso outono, os termos primavera, outono, verão e estio não indicam mais as estações do ano, mas as fases da existência.
( ) Ao comparar a existência humana às estações do ano, o poeta sugere que as fases da existência humana são circulares, como as épocas do ano, que se sucedem indefinidamente.
( ) O termo futura, referindo-se à primavera, mostra que a circularidade em relação ao ser humano é diferente da que ocorre na natureza, pois o que se sucede na humanidade são as gerações.
( ) O poema é um convite para aproveitar cada uma das fases da vida no que elas têm de específico, de singular, de diferente.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta.
Analise a concordância verbal das frases. Qual alternativa está de acordo com a língua padrão?
Leia o texto a seguir.
A mulher e o poder político não costumam formar um par frequente, principalmente em salões da América Ibérica, em que a elite patriarcal durante muito tempo impôs seus passos e suas vontades com a mesma crueza com que o gaúcho tangia o gado. Mas, como dizia uma antiga canção, “o gado a gente marca, tange, ferra, engorda e mata, mas com gente é diferente”. Tão diferente que as mulheres estão cada vez mais ganhando destaque político na região – embora na maioria das vezes ainda pela mão dos homens. Na Argentina, o presidente Nestor Kirchner surpreendeu ao demitir, na segunda-feira, 28, o seu todo-poderoso, ministro da Economia, Roberto Lavagna, e colocar em seu lugar a economista Felisa Miceli, 51 anos, que até agora chefiava o banco de La Nación Argentina. Kirchner surpreendeu ainda mais ao designar Nilda Garré, 55 anos, atual embaixadora Argentina na Venezuela e militante de direitos humanos nos anos 70, para chefiar a pasta da Defesa.
(CAMARGO, Cláudio. Mulheres em alta.Revista ISTOÉ, 7 dez. 2005 – Adaptado.)Julgue os itens e marque V para verdadeiro e F para falso.
( ) É possível inferir que a mulher não tinha posição de destaque na política.
( ) Pode-se inferir que, no passado, o homem se destacava no espaço político.
( ) Depreende-se do texto que as mulheres por si só não conseguem atingir posições políticas.
( ) Deduz-se, a partir da leitura do texto, que a elite patriarcal considerava que mulher deveria ser subjugada à posição de animal.
( ) Constata-se que as mulheres estão assumindo posições que somente aos homens eram confiadas.
A sequência correta é
A violência contra mulheres e crianças vem se perdurando por séculos, ancorada em normas arraigadas socialmente. Essas normas discriminatórias são frequentemente usadas para controlar e humilhar não apenas as vítimas, as mulheres, mas toda a família. Muitas vezes, a própria vitimizada não tem coragem de denunciar o agressor, o que resulta em um ciclo vicioso de impunidade e mais violência.
Em relação ao texto, julgue os itens marcando V para verdadeiro e F para falso.
( ) No texto, está explícito que a violência contra a mulher é fenômeno da sociedade contemporânea.
( ) O texto evidencia que a violência contra a mulher é um problema social embasado em conceitos arcaicos, normas sociais e culturais.
( ) O termo “ciclo vicioso” foi usado inadequadamente no texto.
( ) Pode-se inferir que toda família é vítima da violência contra a mulher.
( ) O sujeito da primeira oração do texto é “A violência”, sujeito simples.
A sequência correta é
Leia o excerto da obra Becos da Memória, de Conceição Evaristo, para responder a questão
Escrever é a ferramenta utilizada para recompor o vasto painel de lembranças calçadas na “experiência da pobreza”, vivida por quem soube observar, com olhos atentos e condoídos, os becos de uma coletividade: bêbados, putas, malandros, muitas crianças vadias e mulheres sofridas. A menina de olhar atento retém as imagens que, mais tarde, já como mulher, irão compor o plano no qual as vidas subterrâneas emergem para expor a sua experiência. Os fatos recordados são acolhidos com a generosidade de quem pôde observar a vida de excluídos, mas com o cuidado de registrar os acontecimentos de um lugar que também preserva os sonhadores e os contadores de histórias.
EVARISTO, Conceição. Becos da Memória [livro eletrônico]. 3 ed. Rio de Janeiro, Pallas, 2018.Sobre a noção de escrevivência, um conceito teórico-literário adotado por Conceição Evaristo, avalie as proposições.
I. Em Beco de Memórias, é possível observar a escrita da autora segundo o seu lugar de enunciação, que é, sobretudo, da experiência narrada, consolidando uma perspectiva feminina e afrodescendente em seu processo de elaboração escrita.
II. O conceito de escrevivência está associado à ideia de um projeto estético literário, consubstanciado pelo ponto de vista adotado em função das experiências pessoais da autora.
III. Conceição Evaristo articula uma autorrepresentação a qual, como mulher negra, parte do seu contexto de vivências e experiências para denunciar a exclusão social enquanto partícipe do passado histórico do Brasil.
A alternativa que apresenta a resposta correta é:
Há um quadro de Magritte que representa a capacidade de extrapolar a partir de um contexto: o artista é capaz de ver um ovo e pintar uma ave. Há um poema de Blake que nos fala de “ver o mundo em um grão de areia e todo o céu em uma flor selvagem, em ter o infinito na palma da mão e a eternidade em uma hora”. Também aqui, as capacidades de articulação micro/macro, de combinação análise/síntese são especialmente valorizadas.
Tanto a relação contexto/extrapolação quanto a capacidade de uma visão sintética, de uma cartografia simbólica do real, exigem, no entanto, os cuidados do tempero, ou de um grão de sal. Uma lagartixa imóvel em um muro nos faz lembrar de Blake e Magritte. A imaginação pode nos levar do pequeno réptil ao enorme jacaré, tal como uma miniatura metálica nos faz pensar no automóvel real. Mas temer a lagartixa como se teme um jacaré não é virtude da imaginação; pode ser simples paranoia. Falar em público e viajar de avião, às vezes, são lagartixas disfarçadas de jacarés. MACHADO, N. J. A lagartixa e o jacaré.
Disponível em http://www.nilsonjosemachado.net/mil-e-uma-146-a-lagartixa-e-o-jacare/. Acesso em jun. 2016.
Traduz uma ideia presente no texto a seguinte afirmação:
Observe os seguintes trechos retirados do texto: “quando anoitecia, as pessoas praticavam uma forma bizarra de solidão em grupo”; “Amor e proteção de verdade, só para o deus daquela época”.
Sobre os usos da vírgula nos dois casos, assinale a afirmativa CORRETA.
Sobre o texto, assinale a afirmativa CORRETA.