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PortuguêsUNITAU2018

“Foi correndo, estava celebrando, raspou distraído o sapato lindo na beira de tijolo do canteiro (palavrão), parou botando um pouco de guspe no raspão, depois engraxo, tomou o bonde pra cidade, mas dando uma voltinha pra não passar pelos companheiros da Estação. Que alvoroço por dentro, ainda havia de aplaudir os homens. Tomou o outro bonde pro Brás. Não dava mais tempo, ele percebia, eram quase nove horas quando chegou na cidade, ao passar pelo Palácio das Indústrias, o relógio da torre indicava nove e dez, mas o trem da Central sempre atrasa, quem sabe? bom: às quatorze horas venho aqui, não perco, mas devo ir, são nossos deputados no tal de congresso, devo ir. Os jornais não falavam nada dos trabalhistas, só falavam dum que insultava muito a religião e exigia divórcio, o divórcio o 35 achava necessário (a moça do apartamento...), mas os jornais contavam que toda a gente achava graça no homenzinho "Vós, burgueses", e toda a gente, os jornais contavam, acabaram se rindo do tal do deputado. E o 35 acabou não achando mais graça nele. Teve até raiva do tal, um soco é que merecia. E agora estava torcendo pra não chegar com tempo na Estação.”

“Primeiro de maio” in Contos novos, Mário de Andrade.

Sobre o fragmento de texto acima, e mais largamente sobre o conto, qual alternativa abaixo é INCORRETA?

PortuguêsUNITAU2022

Considere o arranjo de um experimento óptico mostrado na figura a seguir. V é o vértice do espelho concavo, F é a distância focal e C é o centro de curvatura do espelho.

Sendo Im é a altura da imagem formada pelo objeto, é correto afirmar que:

PortuguêsUNITAU2019

Conforme noticiado pelo Ministério da Saúde, a Campanha Nacional de Vacinação contra a influenza começou dia 10 de abril em todo o País. A vacina produzida para 2019 teve mudança em duas das três cepas que compõem o imunobiológico, e protege contra os três subtipos do vírus da gripe que mais circularam no último ano no Hemisfério Sul. Durante todo o período de vacinação, para reforçar junto ao público-alvo a importância de buscar um posto de vacinação, foi veiculada campanha publicitária em televisão, rádio, jornais, redes sociais, painéis em ônibus e metrôs. O slogan é “Não coloque a sua vida e a de quem você ama em risco. Vacine contra a gripe”.Em um posto de saúde de uma determinada cidade, a quantidade diária de vacinas aplicadas em seis dias forma uma progressão aritmética.

Se no terceiro e no sexto dias foram aplicadas, respectivamente, 296 e 371 vacinas, qual foi o total de vacinas aplicadas nesses seis dias?

PortuguêsUNITAU2016

“Regressei à minha velha casa, e ali, sob a sombra do tamarindo, me deixei afogar em lembranças. [...] O tamarindo mais sua sombra: aquilo era feito para abraçar saudades. Minha infância fazia ninho nessa árvore. [...] E via os flamingos, setas rapidando-se furtivas pelos céus. Meu pai sentava em baixo, na curva das raízes, e apontava os pássaros” (COUTO, 2005, p. 159). “Agora, sob a grande sombra do tamarindo, eu fechei os olhos e convoquei saudades. Me apareceu o quê? Um pátio, mas que não era aquele. Porque nesse terreiro havia uma criança. Nas mãos desse menino, minha lembrança tocava umas tristezas, coisitas tiradas num lixo. Artes da meninice era fazer dessas coisas um brinquedo. Apetrechos de mago, ele convertia o cosmos num jogo de desmontar. E era qual esse brinquedo? Isso, em meu sonho, eu não conseguia distinguir. Apenas me surgia a enevoada memória da criança escondendo o brinquedo entre as raízes do tamarindo (COUTO, 2005, p. 162).

Quanto aos fragmentos acima, de O último voo do flamingo, obra de Mia Couto, pode-se dizer que

PortuguêsUNITAU2022

Um determinado equipamento médico pode ser adquirido de uma das seguintes formas:

I. Preço à vista por R$ 30.000,00.

II. Entrada de R$ 5.000,00 e o restante corrigido a juros compostos com taxa de 2% ao mês, pago em 24 prestações mensais iguais.

Dado (1,02) 24 = 1,61

Pode-se afirmar corretamente que

PortuguêsUNITAU2016

O mundo está esquentando. Mas, sem problema, Jesus vai voltar antes

Por Leonardo Sakamoto

Estamos vivendo dias de fritar ovo no asfalto. E olha que nem chegamos ainda ao verão, que promete ser um dos mais quentes de todos os tempos. Isso me lembrou que, tempos atrás, liguei a TV e, zapeando canais, descobri um debate no qual um sujeito afirmava que via com bons olhos as mudanças climáticas porque elas são sinais da volta do Messias. Ou seja, para o sujeito em questão, megatempestades, eventos extremos, extinção de espécies, desaparecimento de países-ilhas, pessoas morrendo, refugiados ambientais, tudo isso faz parte de um plano sobrenatural (#SomosTodosPlaymobil) [...]. Ou, pior: quem somos nós para irmos contra a vontade de Deus? Daí você, que não acredita na vinda de salvadores porque a salvação depende de nós mesmos, só pensa na chegada de um meteoro redentor. Daqueles bem gordinhos, do tipo que redimiu os dinos.

Se ainda fossem aqueles pseudocientistas e seu séquito de zumbis seguidores que dizem que o clima não está mudando, vá lá. Ou ainda algumas corporações que ganham dinheiro devorando o mundo como se não houvesse amanhã. Há um mínimo de racionalidade nessas ações bisonhas. Mas dizer que o Criador (se ele existir – vejam que estou dando o benefício da dúvida com esse “se\'\') resolveu “permitir\'\' que o mundo fosse para o brejo para cumprir interpretações questionáveis a partir de livros cheios de metáforas e, dessa forma, apoiar um grande cataclisma global para prenunciar uma nova era deveria ser analisado como manifestação de alguma psicopatia grave.

[...]. Somos os responsáveis por afetar o frágil equilíbrio climático. E somos responsáveis pelo que acontecer daqui para frente. Se vamos sofrer muito ou pouco. E a única verdade palpável, real e concreta por aqui, é que vamos sofrer por termos explorado o planeta além de sua capacidade. E se não fizermos nada agora, o que inclui mudar os atuais padrões de consumo e forçar governos e corporações a alterar mais rapidamente suas políticas, milhões vão morrer. Daí, sim. Restará apenas lamentar. E rezar.

Disponível em http://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/. Acesso em 19/10/2015.

No trecho “Se ainda fossem aqueles pseudocientistas e seu séquito de zumbis seguidores que dizem que o clima não está mudando, vá lá”, as palavras destacadas podem ser substituídas, sem prejuízo para o sentido do texto, por

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“E ele teve uma vontade virgem, uma precisão de contar a sua desgraça, de repassar as misérias da sua vida. Mas mordeu a fala e não desabafou. Também não rezou. Porém a luzinha da candeia era o pavio, a tremer, com brilhos bonitos no poço de azeite, contando histórias da infância de Nhô Augusto, histórias mal lembradas, mas todas de bom e bonito final. Fechou os olhos. Suas mãos, uma na outra, estavam frias. Deu-se ao cansaço. Dormiu.”

“Mas, daí em seguida, ele não guardou mais poder para espantar a tristeza. E, com a tristeza, uma vontade doente de fazer coisas mal-feitas, uma vontade sem calor no corpo, só pensada: como que, se bebesse e cigarrasse, e ficasse sem trabalhar nem rezar, haveria de recuperar sua força de homem e seu acerto de outro tempo, junto com a pressa das coisas, como os outros sabiam viver.”

“— Desonrado, desmerecido, marcado a ferro feito rês, mãe Quitéria, e assim tão mole, tão sem homência, será que eu posso mesmo entrar no céu?!...”

A hora e a vez de Augusto Matraga. João Guimarães Rosa.

Há, nos fragmentos acima, o emprego de alguns recursos literários, como, por exemplo, a aliteração e o neologismo. Qual assertiva abaixo melhor dá conta de explicar o resultado alcançado pelo emprego de tais recursos negritados?

PortuguêsUNITAU2018

“Você, leitora e leitor,que já não aguenta mais o pensamento único que impera nos grandes jornais diários, nas revistas semanais de notícias e nas emissoras de rádio e televisão, todos alinhados na defesa dos interesses do mercado; que já não confia mais nas notícias que vê pela internet, muitas delas fakes; que se vê obrigado a selecionar as fontes de informação para ficar a par dos acontecimentos e evitar ser manipulado: este editorial é para você”.

Disponível: http://diplomatique.org.br/a-solidariedade-entre-nos/. Acesso em out. 2017.

Leia as afirmativas a seguir, considerando o excerto.

I. Os termos “que” destacados no texto têm, nesse contexto, a mesma função sintática.

II. A gradação é utilizada, nesse texto, como recurso de convencimento.

III. Na frase “este editorial é para você”, o pronome demonstrativo tem função anafórica.

IV. A palavra fakes aparece em itálico por se tratar de empréstimo vocabular.

Está CORRETO o que se afirma em

PortuguêsUNITAU2015

Com exceção dos primeiro e último quadrinhos, há a repetição da palavra “só” para dar continuidade à fala das personagens. Podemos afirmar que essa palavra, nesses quadrinhos, assume a função sintática de

PortuguêsUNITAU2018

Jacques Lacan (o psicanalista francês, 1901-1981) não gostava muito do termo "paciente" para designar as pessoas que se analisavam com ele. "Paciente" lhe parecia passivo demais para quem se engaja no processo de inventar e dizer seus desejos. Lacan propôs, então, o termo "analysant", que significa "aquele que analisa", ou, se você preferir, aquele que se analisa. A tradução de "analysant" (que seria, em latim, um particípio presente) é "analisante", como amante, seguinte, dançante etc. Como não há particípio presente em português, decidiu-se usar o gerúndio, e "analysant" se tornou "analisando". O que é bizarro, porque o gerúndio latim designa um dever-ser passivo: por exemplo, Cartago é "delenda"; como dizia Catão, o Velho, significa que Cartago deve ser destruída. "Amanda" é aquela que deve ser amada, "agenda" são as coisas que devem ser feitas. Ou seja, "analisando" é aqueleque deve ser analisado. O contrário do que Lacan queria dizer com "analysant". Uma análise e mesmo uma psicoterapia não são coisas que se prescrevam. São coisas que é preciso querer. Ninguém é analisando, porque ninguém "tem que" ser analisado. Agora, na conversa familiar e nos botecos, o analisando existe: ele é sempre o outro, aquele que, contrariamente a mim, "deveria se tratar". Quem manda o outro se tratar está sempre expressando uma dúvida sobre si mesmo. Mandamos o outro procurar um tratamento do qual nós precisamos (mas não queremos saber que precisamos).

Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/contardocalligaris/2017/10/1926422-quem-manda-o-outro-se-tratar-expressa-uma-duvida-sobre-si-mesmo.shtml. Acesso em out. 2017. Adaptado.

Assinale a alternativa que apresenta uma inferência CORRETA do texto.